{"id":42767,"date":"2010-01-04T11:16:22","date_gmt":"2010-01-04T11:16:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/01\/04\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-e-te-deum-no-final-de-2009\/"},"modified":"2010-01-04T11:16:22","modified_gmt":"2010-01-04T11:16:22","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-e-te-deum-no-final-de-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-e-te-deum-no-final-de-2009\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho na Missa e Te Deum no final de 2009"},"content":{"rendered":"<p>No final de mais um ano, elevamos o nosso cora&ccedil;&atilde;o a Deus, num Canto de Louvor e Ac&ccedil;&atilde;o de Gra&ccedil;as, pelas in&uacute;meras b&ecirc;n&ccedil;&otilde;es e d&aacute;divas recebidas da Sua bondade paternal. Sim, cada um de n&oacute;s sabe em quanto foi beneficiado pelos dons do Senhor, quer espirituais quer temporais, ao longo de todo o ano. Com o salmista, tamb&eacute;m n&oacute;s dizemos, cheios de gratid&atilde;o: &ldquo;Cantai ao Senhor um c&acirc;ntico novo, pelas maravilhas que Ele operou&rdquo; (Sl 97,1).<\/p>\n<p>Neste hino de louvor e gratid&atilde;o, apraz-me recordar alguns acontecimentos mais relevantes da vida da Igreja, na nossa Diocese. Recordo, em primeiro lugar, todo o dinamismo do Ano Paulino e o entusiasmo de tantas comunidades e grupos apost&oacute;licos, no estudo e aprofundamento dos escritos de S. Paulo, bem como a convoca&ccedil;&atilde;o do Ano Sacerdotal, com o seu forte incentivo &agrave; renova&ccedil;&atilde;o interior dos sacerdotes e &agrave; descoberta do sentido do Sacerd&oacute;cio, por parte de todo o Povo de Deus.<\/p>\n<p>Lembro, tamb&eacute;m, as imensas gra&ccedil;as recebidas atrav&eacute;s das Ordena&ccedil;&otilde;es de quatro Di&aacute;conos, em ordem ao Presbiterado, e da Dedica&ccedil;&atilde;o e B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de igrejas novas (Feiteiras e Jardim da Serra) e restauradas (Encarna&ccedil;&atilde;o, Quinta Grande e S. Francisco Xavier).<\/p>\n<p>Recordo, muito especialmente, a Visita da Imagem Peregrina de F&aacute;tima &agrave; nossa Diocese, a Senhora da Paz, que nos tem vindo a despertar para uma maior autenticidade de vida crist&atilde;, na ora&ccedil;&atilde;o, na escuta da Palavra, na mudan&ccedil;a de vida e de comportamentos, em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s e aos outros. Guardamos no cora&ccedil;&atilde;o a sua recomenda&ccedil;&atilde;o maternal: &ldquo;Fazei o que Ele vos disser&rdquo; (Jo 2, 5).<\/p>\n<p>Para al&eacute;m deste &acirc;mbito mais directamente eclesial devemos, tamb&eacute;m, dar gra&ccedil;as a Deus, em termos globais, por todos os esfor&ccedil;os realizados pela comunidade eclesial, civil e pol&iacute;tica, perante a crise mundial que tamb&eacute;m nos afecta, e apesar dela, no sentido de se promover o bem comum e construir a paz, atrav&eacute;s das respectivas institui&ccedil;&otilde;es, nomeadamente das Institui&ccedil;&otilde;es Particulares de Solidariedade Social, p&uacute;blicas e privadas, que se empenharam em ajudar os mais carenciados, especialmente os pobres, as crian&ccedil;as, os doentes e idosos abandonados. E n&atilde;o podemos esquecer, tamb&eacute;m, os incont&aacute;veis gestos humildes, de ternura e generosidade, nas fam&iacute;lias, entre os vizinhos e nos espa&ccedil;os de trabalho, &agrave; semelhan&ccedil;a do &ldquo;copo de &aacute;gua&rdquo; oferecido por amor de Jesus, que n&atilde;o ficar&aacute; sem recompensa (cf. Lc 6,32).<\/p>\n<p>Com Maria, M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e, em profunda comunh&atilde;o eclesial, damos gra&ccedil;as por todas as maravilhas, que o Senhor realizou em n&oacute;s e por n&oacute;s, e reiteramos o nosso Canto de Louvor: &ldquo;Te Deum Laudamus&hellip;&rdquo;!<\/p>\n<p>O Verbo Encarnado e a alt&iacute;ssima dignidade humana<\/p>\n<p>A primeira leitura, de grande densidade e riqueza teol&oacute;gica, &eacute; um excerto do livro dos N&uacute;meros, um dos mais belos textos liter&aacute;rios do Pentateuco. A &ldquo;B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que a&iacute; se refere, significava toda a esp&eacute;cie de bens e dons sobrenaturais ou temporais e a invulgar protec&ccedil;&atilde;o, que Deus dispensava ao Seu povo, livrando-o das adversidades e perigos.<\/p>\n<p>O texto apresenta-nos um Deus amigo, que nos olha com amor, nos contagia com a Sua Luz e nos enche de felicidade e de paz: &ldquo;O Senhor fa&ccedil;a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor&aacute;vel. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz&rdquo; (Nm 6, 26).<\/p>\n<p>O Deus da B&iacute;blia &eacute; um Deus pr&oacute;ximo, preocupado com o homem e a mulher, que escuta e se &ldquo;inclina&rdquo; solicitamente como a m&atilde;e sobre os seus filhos, para os cumular de gra&ccedil;as e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os. De facto, somente Deus, porque &eacute; Amor, pode responder aos anseios mais profundos da humanidade e saciar todas as suas fomes e sedes de Infinito e de Essencial.<\/p>\n<p>Ao chegar a plenitude dos tempos (cf. Gal 4,4), o mist&eacute;rio de Deus tornou-se presente de uma forma total em Jesus Cristo e, n&rsquo;Ele, o Pai nos aben&ccedil;oou com todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os espirituais. A filia&ccedil;&atilde;o divina &eacute; um dom por excel&ecirc;ncia, que, gra&ccedil;as ao Esp&iacute;rito Santo, nos permite chamar a Deus &ldquo;Abb&aacute;! Pai&rdquo;! Somos filhos no Filho. Da&iacute; a grandeza e alt&iacute;ssima dignidade do homem e da mulher, que encontram a sua refer&ecirc;ncia de plenitude no mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A maternidade divina de Maria<\/strong><\/p>\n<p>A Igreja celebra, nesta liturgia vespertina, a Solenidade de Santa Maria M&atilde;e de Deus, a mais pura e a mais santa entre todas as mulheres. O evangelista S. Lucas sublinha o facto de Maria, perante a imensid&atilde;o do mist&eacute;rio de Deus, escutar, interiorizar, meditar e aprofundar os acontecimentos salv&iacute;ficos, no sil&ecirc;ncio do seu cora&ccedil;&atilde;o (cf Lc 2, 19).<\/p>\n<p>Maria, a Senhora de Bel&eacute;m, a quem os Padres da Igreja chamaram &ldquo;Arca da Nova Alian&ccedil;a&rdquo;, &eacute; Aquela que nos traz e oferece a Palavra de Vida Eterna: Cristo Jesus. M&atilde;e do Verbo de Deus, Maria &eacute; &ldquo;a flor mais linda que germinou da Palavra de Deus&rdquo;, disse Bento XVI.<\/p>\n<p>O Evangelista S. Lucas p&otilde;e em relevo o amor preferencial de Deus pelos pobres. Sim, naquela noite de Bel&eacute;m, os pastores, homens simples, pobres e desprezados, s&atilde;o os primeiros a receberem a not&iacute;cia do admir&aacute;vel evento da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. Neste cen&aacute;rio evang&eacute;lico, a atitude recolhida de Maria complementa-se com a atitude &ldquo;mission&aacute;ria&rdquo; dos pastores, que foram anunciar imediatamente a gl&oacute;ria de Deus, manifestada no nascimento do Messias prometido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cora&ccedil;&atilde;o reconciliado e harmonia c&oacute;smica<\/strong><\/p>\n<p>O Santo Padre, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano de 2010, sob o tema &ldquo;Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o&rdquo;, apela ao empenhamento da comunidade internacional e aos governantes dos povos, inclusive aos pa&iacute;ses menos desenvolvidos e emergentes, a preservar o patrim&oacute;nio humano da sociedade. A Igreja n&atilde;o pode pactuar com teses de pretenso desenvolvimento, que p&otilde;em em risco o equil&iacute;brio do ecossistema ambiental e, consequentemente, a paz e a fraternidade universal entre os povos.<\/p>\n<p>Da Palavra criadora de Deus surgiu uma obra bela e admir&aacute;vel, cheia de &ldquo;majestade e esplendor&rdquo; (Sl 111,3). A imensa grandiosidade do Universo, recriado, todos os dias, com tanta sabedoria e amor, &eacute; o reflexo da beleza infinita e da bondade de Deus, nosso Pai. E perante as maravilhas de uma natureza viva e da especial rela&ccedil;&atilde;o do homem com o Criador, a Igreja n&atilde;o pode deixar de reconhecer e ensinar que a defesa e o respeito pela vida humana s&atilde;o priorit&aacute;rios e inalien&aacute;veis, desde a concep&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte natural.<\/p>\n<p>Queremos solidarizar-nos com as fam&iacute;lias, as de perto e as de longe, que durante este ano, foram surpreendidas pela dor da morte de alguns dos seus membros que, n&atilde;o encontrando sentido para a vida, desistiram de lutar e de viver. Entregamos a vida destes nossos irm&atilde;os ao Amor misericordioso de Deus. O problema da vida &eacute; uma responsabilidade global, n&atilde;o s&oacute; da fam&iacute;lia natural, mas de toda a sociedade.<\/p>\n<p>Para uma nova cultura da vida e da paz, devem convergir os esfor&ccedil;os da comunidade internacional, dos governantes e das institui&ccedil;&otilde;es educativas, promovendo o respeito e o cuidado da natureza, sem esquecer a centralidade da pessoa humana, criada &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus. Como escreve o Papa Bento XVI, &ldquo;Quando a &lsquo;ecologia humana&rsquo; &eacute; respeitada dentro da sociedade, beneficia tamb&eacute;m a ecologia ambiental&rdquo; (Caridade na Verdade, 51). A harmonia c&oacute;smica, o equil&iacute;brio humano, social e ambiental, nasce do cora&ccedil;&atilde;o reconciliado na paz, na alegria e no amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A crise ecol&oacute;gica, uma oportunidade hist&oacute;rica<\/strong><\/p>\n<p>Na recente cimeira das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre quest&otilde;es ambientais, os governantes das na&ccedil;&otilde;es sentiram grandes dificuldades em chegar a um acordo global, porque a crise ecol&oacute;gica n&atilde;o &eacute; apenas cient&iacute;fica, t&eacute;cnica ou pol&iacute;tica. O problema ambiental &eacute; tamb&eacute;m cultural, &eacute;tico e religioso e est&atilde;o em causa a justi&ccedil;a, os direitos humanos e o respeito pela natureza. O Papa Bento XVI diz, com grande lucidez, que esta crise ecol&oacute;gica &eacute; uma oportunidade hist&oacute;rica para &ldquo;elaborar uma resposta colectiva, em ordem a um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores pr&oacute;prios da caridade e da verdade&rdquo; (Mensagem para a Celebra&ccedil;&atilde;o do Dia Mundial da Paz, 9).<\/p>\n<p>A Paz n&atilde;o &eacute; um mero equil&iacute;brio de for&ccedil;as, &eacute; um dom do Esp&iacute;rito Santo ao cora&ccedil;&atilde;o de cada homem e de cada mulher. Todas as formas de viol&ecirc;ncia, dom&eacute;stica, social e ambiental, constituem uma agress&atilde;o &agrave; humanidade e uma grave ofensa a Deus, ferem gravemente a dignidade humana e a sua justa &acirc;nsia de amor e de paz. Somos chamados a promover uma cultura da vida, a cuidar da terra e uns dos outros, e a criar uma nova &eacute;tica de respeito pela cria&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um desafio que nos leva a procurar novas atitudes mentais, sociais e ambientais, com um profundo sentido de responsabilidade universal. &ldquo;A irresponsabilidade ecol&oacute;gica tem as suas ra&iacute;zes num problema moral&rdquo;, afirmou o Papa Jo&atilde;o Paulo II.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com Maria, pelos caminhos da Paz<\/strong><\/p>\n<p>Caros Diocesanos da Madeira e do Porto Santo, no pr&oacute;ximo domingo, dia 3 de Janeiro, o Secretariado da Pastoral Juvenil promove uma Marcha da Paz, a n&iacute;vel diocesano. Convido, por isso, todos os jovens dos diversos movimentos, escolas e catequeses, a integrar esta Marcha, com o objectivo de alertar e sensibilizar as pessoas para a urg&ecirc;ncia de construir a paz e de viver em solidariedade, respeito pelos outros e pela cria&ccedil;&atilde;o. Neste percurso, desde a igreja do Col&eacute;gio at&eacute; &agrave; igreja do Carmo, levaremos connosco a Imagem Peregrina de Nossa Senhora, a &ldquo;Mensageira da Paz&rdquo;, que, em F&aacute;tima, nos pediu convers&atilde;o e ora&ccedil;&atilde;o pela paz no mundo. Com Maria aprendemos e percorremos os verdadeiros caminhos da Paz!<\/p>\n<p>Francisco de Assis, que aprendeu no Evangelho da Paz a genu&iacute;na sabedoria da reconcilia&ccedil;&atilde;o, continua a ser uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para uma humanidade reconciliada. Padroeiro da ecologia, ele &eacute; o homem da paz e da fraternidade c&oacute;smica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prece<\/strong><\/p>\n<p>E V&oacute;s, Senhor, Fonte de todo o Bem e da verdadeira Paz, iluminai-nos e transformai-nos, com a luz e a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo, em instrumentos de Paz e de Reconcilia&ccedil;&atilde;o, nas nossas fam&iacute;lias, na Igreja e no mundo. &Eacute; que a paz, sendo da responsabilidade global, depende tamb&eacute;m de cada um de n&oacute;s!<\/p>\n<p>Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria, Rainha da Paz, dai-nos a Paz!<\/p>\n<p>S&eacute; do Funchal, 31 de Dezembro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de mais um ano, elevamos o nosso cora&ccedil;&atilde;o a Deus, num Canto de Louvor e Ac&ccedil;&atilde;o de Gra&ccedil;as, pelas in&uacute;meras b&ecirc;n&ccedil;&otilde;es e d&aacute;divas recebidas da Sua bondade paternal. 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