{"id":427355,"date":"2026-05-27T07:55:34","date_gmt":"2026-05-27T06:55:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=427355"},"modified":"2026-05-28T14:20:23","modified_gmt":"2026-05-28T13:20:23","slug":"prisoes-basta-olhar-nos-olhos-e-os-olhos-sao-todos-iguais-sofia-simoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/prisoes-basta-olhar-nos-olhos-e-os-olhos-sao-todos-iguais-sofia-simoes\/","title":{"rendered":"Pris\u00f5es: \u00abBasta olhar nos olhos, e os olhos s\u00e3o todos iguais\u00bb &#8211; Sofia Sim\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>Associa\u00e7\u00e3o \u00abDar a M\u00e3o\u00bb, criada nos anos 80, promove a reintegra\u00e7\u00e3o social e ajuda acombater a reincid\u00eancia criminal de mulheres reclusas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_427359\" aria-describedby=\"caption-attachment-427359\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-427359 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/sofia-simoes1-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-427359\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/HM<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 27 mai 2026 (Ecclesia) \u2013 Sofia Sim\u00f5es, volunt\u00e1ria na associa\u00e7\u00e3o Dar a M\u00e3o, apostada em promover a reintegra\u00e7\u00e3o social e combater a reincid\u00eancia criminal de mulheres reclusas, disse quando entra num estabelecimento prisional \u201cbasta olhar nos olhos e somos todos iguais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cBasta olhar nos olhos, e os olhos s\u00e3o todos iguais. Eu fixo-me muito nos olhos das pessoas, porque isso ajuda-me a n\u00e3o ver mais nada, que \u00e9, para mim, a \u00fanica coisa que importa. E isso tamb\u00e9m \u00e9 muito bom, (porque) tamb\u00e9m percebem que eu n\u00e3o me sinto intimidada e, portanto, logo ali, baixamos a fasquia dos dois lados e d\u00e1-se o encontro\u201d, explica a volunt\u00e1ria \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Sofia Sim\u00f5es, m\u00e3e de cinco filhos, entre os 29 e os 12 anos, \u00e9 volunt\u00e1ria desde 2015, altura em que come\u00e7ou a ser Ministra Extraordin\u00e1ria da Comunh\u00e3o e acreditava que ia, na altura, ao Estabelecimento Prisional (EP) de Tires, que acolhe mulheres, dar o sacramento.<\/p>\n<p>\u201cPara mim foi fascinante desde o primeiro encontro. Sem pedir nada em troca, e de repente estamos ali a passar uma, duas horas com estas mulheres, que elas sim n\u00e3o podem sair, n\u00f3s temos a liberdade de estar, de bater com a porta e ir \u00e0 nossa vida, e elas acolhem-nos em todas as nossas dimens\u00f5es\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Os projetos que a associa\u00e7\u00e3o desenvolve dependem das val\u00eancias dos volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cVolunt\u00e1rias com capacidade para trabalhos manuais como costura, leitura, dan\u00e7a, ensino, uma vez que ajudamos a obter forma\u00e7\u00e3o e apoiamos no estudo; no Estabelecimento prisional de Lisboa conseguimos fazer um protocolo com o Autom\u00f3vel Clube de Portugal e oferecemos cartas de condi\u00e7\u00e3o a reclusos que foram presos \u00fanicas e exclusivamente por n\u00e3o terem carta; ajudamos nos transportes de quem sai em liberdade e n\u00e3o tem transportes dispon\u00edveis. S\u00e3o por vezes pequenas coisas, mas s\u00e3o uma parcela de humanidade que eles precisam\u201d, conta.<\/p>\n<p>Sofia Sim\u00f5es indica haver \u201cmuitas respostas\u201d mas que falta, em tantas vezes, \u201cfazer pontes\u201d \u2013 \u201cEstas mulheres saem e se calhar n\u00e3o sabem que existe um banco alimentar, ou n\u00e3o sabem como \u00e9 que podem ter acesso a um banco alimentar\u201d \u2013 e que o trabalho da \u00abDar a M\u00e3o\u00bb se centra em \u201cdar esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO que n\u00f3s temos que fazer l\u00e1 dentro \u00e9 levar esperan\u00e7a a estas mulheres e ajud\u00e1-las a n\u00e3o se centrarem no seu dia-a-dia. \u00c9 um per\u00edodo de tempo duro, muito duro, mas que vai terminar, n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a que n\u00e3o tem fim. A esperan\u00e7a \u00e9 ver al\u00e9m, que \u00e9 dif\u00edcil, principalmente porque t\u00eam consci\u00eancia de onde \u00e9 que v\u00eam e que a sua vida n\u00e3o \u00e9 uma folha em branco\u201d, explica.<\/p>\n<p>O EP de Tires acolhe mulheres e permite que m\u00e3es, com filhos at\u00e9 aos tr\u00eas anos que estejam detidas, possam ter os filhos consigo, e a volunt\u00e1ria reconhece o benef\u00edcio pelo v\u00ednculo que permanece, mas afirma-se impactada pelas muitas m\u00e3es que est\u00e3o reclusas e perdem os la\u00e7os com os filhos.<\/p>\n<p>\u201cA maioria daquelas mulheres s\u00e3o m\u00e3es, o que significa que est\u00e3o longe dos seus filhos. Se o EP estiver completo, n\u00e3o se chega a 400 mulheres, mas se estiver \u2013 e eu diria que a grande maioria \u00e9 m\u00e3e e tem mais do que um filho \u2013 percebemos que h\u00e1 muitas crian\u00e7as que est\u00e3o privadas do dia-a-dia da sua m\u00e3e\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Sofia Sim\u00f5es reconhece \u201ca bolha\u201d em que se vive, sem conhecimento da realidade de mulheres que vivem um \u201csegundo julgamento\u201d: \u201cNa realidade estas mulheres n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes das mulheres que vivem c\u00e1 fora\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma popula\u00e7\u00e3o muito abandonada em termos de sociedade &#8211; se est\u00e3o l\u00e1 \u00e9 porque cometeram algum crime. E por causa disso levam um r\u00f3tulo da sociedade e s\u00e3o esquecidas -porqu\u00ea cuidar se h\u00e1 tantas outras mulheres, crian\u00e7as que est\u00e3o c\u00e1 fora, e que sim, que tamb\u00e9m passaram pelas mesmas dificuldades, mas n\u00e3o cometeram aqueles crimes?\u201d, explica.<\/p>\n<p>A volunt\u00e1ria recorda a \u201cconfian\u00e7a\u201d de uma reclusa quando um senhor \u201cultrapassou o estigma\u201d e ofereceu emprego num supermercado, destaca a import\u00e2ncia de \u201cum telefonema que \u00e0s vezes faz a diferen\u00e7a\u201d, e a ajuda de um volunt\u00e1rio advogado que no aux\u00edlio a uma reclusa permitiu que n\u00e3o fosse extraditada e a sua filha n\u00e3o fosse institucionalizada.<\/p>\n<p>\u201cUnimos uma fam\u00edlia e onde ningu\u00e9m achava que valeria a pena investir, a \u00abDar a M\u00e3o\u00bb esteve l\u00e1 e ajudou. S\u00e3o impactos que, com coisas pequenas, podemos ir fazendo\u201d, concretiza.<\/p>\n<p>A conversa com Sofia Sim\u00f5es pode ser acompanhada no programa ECCLESIA, com emiss\u00e3o na Antena 1, pouco depois da meia-noite, e disponibilizado no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00e3o \u00abDar a M\u00e3o\u00bb, criada nos anos 80, promove a reintegra\u00e7\u00e3o social e ajuda acombater a reincid\u00eancia criminal de mulheres reclusas<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":427359,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[89,3],"tags":[278,329],"class_list":["post-427355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque2","category-nacional","tag-pastoral-das-prisoes","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427355\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/427359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}