{"id":42732,"date":"2009-12-30T11:10:45","date_gmt":"2009-12-30T11:10:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/30\/alteracoes-climaticas-sao-questao-de-sobrevivencia\/"},"modified":"2009-12-30T11:10:45","modified_gmt":"2009-12-30T11:10:45","slug":"alteracoes-climaticas-sao-questao-de-sobrevivencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/alteracoes-climaticas-sao-questao-de-sobrevivencia\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas est&atilde;o a&iacute; e agora &eacute; uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia para a humanidade e a ecologia. Os mais recentes estudos cient&iacute;ficos dizem-nos que os impactos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas no planeta, na humanidade e na natureza podem ser muito graves. Impactos tal como a subida do n&iacute;vel do mar e fen&oacute;menos meteorol&oacute;gicos extremos e imprevis&iacute;veis, s&atilde;o particularmente devastadores para os pa&iacute;ses em desenvolvimento, que contribu&iacute;ram menos para o problema, nomeadamente os mais pobres e vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>A ci&ecirc;ncia recente mostra tamb&eacute;m que qualquer adiamento em agir far&aacute; subir significativamente os custos de redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases de efeito de estufa (os principais respons&aacute;veis pelas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas) e adapta&ccedil;&atilde;o. Atrasar cinco a dez anos medidas importantes enfraquecer&aacute; a concretiza&ccedil;&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o a longo termo.<\/p>\n<p>Combater as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas de forma inadequada ou injusta pode levantar tamb&eacute;m s&eacute;rios desafios &agrave;s comunidades mais pobres e vulner&aacute;veis. Os esfor&ccedil;os de combate &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas devem reflectir, de forma adequada, o direito ao desenvolvimento sustent&aacute;vel, e tamb&eacute;m os princ&iacute;pios de responsabilidade hist&oacute;rica e comum, mas com responsabilidades e capacidades diferenciadas, tal como consagrado na Conven&ccedil;&atilde;o. Cientes destes princ&iacute;pios, todos os pa&iacute;ses devem assumir um papel no esfor&ccedil;o global, com os pa&iacute;ses desenvolvidos a liderar o combate &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, enquanto o desenvolvimento social e econ&oacute;mico e a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza continuam a ser as prioridades leg&iacute;timas dos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Para manter o aumento da temperatura m&eacute;dia global o mais poss&iacute;vel abaixo dos 2&ordm;C e apoiar os pa&iacute;ses mais vulner&aacute;veis na adapta&ccedil;&atilde;o aos impactos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, mas tamb&eacute;m uma revolu&ccedil;&atilde;o mundial em termos de pesquisa, desenvolvimento e r&aacute;pida difus&atilde;o de tecnologias ambientalmente sustent&aacute;veis, nomeadamente ao n&iacute;vel das energias renov&aacute;veis e efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses desenvolvidos precisam de fornecer pelo menos 195 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares em financiamento p&uacute;blico anual at&eacute; 2020, em acr&eacute;scimo aos compromissos da ajuda p&uacute;blica ao desenvolvimento para ac&ccedil;&otilde;es nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Deste total, 95 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano no apoio ao desenvolvimento baixo em emiss&otilde;es, parando o desmatamento e promovendo a agricultura, tecnologia, investiga&ccedil;&atilde;o e crescimento em pa&iacute;ses em desenvolvimento. Os outros 100 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano em garantias na ajuda &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, incluindo uma reserva internacional de seguros associados ao clima.<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental uma coopera&ccedil;&atilde;o global ao longo de toda a cadeia tecnol&oacute;gica que visem definir a direc&ccedil;&atilde;o e financiamento de pesquisa e desenvolvimento nacionais e al&eacute;m-fronteiras; acelerar a demonstra&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o da tecnologia; definir o &acirc;mbito e a extens&atilde;o da difus&atilde;o tecnol&oacute;gica; o imediatismo e o f&aacute;cil acesso aos produtos, compet&ecirc;ncias e conhecimentos tecnol&oacute;gicos.<\/p>\n<p>Isto requer uma transfer&ecirc;ncia de recursos (informa&ccedil;&atilde;o, compet&ecirc;ncias, conhecimentos, financiamento, bens, equipamentos, etc.) particularmente dos pa&iacute;ses desenvolvidos para os pa&iacute;ses em desenvolvimento, ao longo da cadeia tecnol&oacute;gica, apoiando ao mesmo tempo a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es em todos os pa&iacute;ses que permitam o surgimento de tecnologias ambientalmente sustent&aacute;veis.<\/p>\n<p>Para tal s&atilde;o necess&aacute;rios montantes significativos de fundos p&uacute;blicos, directamente canalizados para o apoio aos objectivos e programas tecnol&oacute;gicos, bem como para impulsionar quer o investimento do sector privado, quer a participa&ccedil;&atilde;o em programas e empreendimentos tecnol&oacute;gicos conjuntos.<\/p>\n<p>Os estudos e observa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas mais recentes mostram que as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas est&atilde;o a acontecer neste momento e que o seu impacto no planeta, na humanidade e na natureza &eacute; cada vez mais grave. Mesmo os mais robustos esfor&ccedil;os de redu&ccedil;&atilde;o dos gases de efeito de estufa (GEE) conseguir&atilde;o apenas limitar e n&atilde;o evitar altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, que est&atilde;o j&aacute; e cada vez mais a exacerbar a pobreza existente, a inseguran&ccedil;a alimentar e a degrada&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas. A actual resposta da comunidade internacional para controlar o aquecimento global e disponibilizar recursos para adapta&ccedil;&atilde;o aos impactos no clima &eacute; totalmente inadequada. A manuten&ccedil;&atilde;o das tend&ecirc;ncias actuais n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;ria uma estrat&eacute;gia clara para uma ac&ccedil;&atilde;o cooperativa forte e alargada e um compromisso de todos os pa&iacute;ses na adapta&ccedil;&atilde;o, especialmente da parte dos pa&iacute;ses desenvolvidos, que devem assumir as suas obriga&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas no aquecimento do planeta e fornecer financiamento total e outros recursos na ajuda &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Ana Rita Antunes, Quercus &ndash; Grupo de Trabalho sobre Energia e Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas est&atilde;o a&iacute; e agora &eacute; uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia para a humanidade e a ecologia. 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