{"id":42726,"date":"2009-12-29T15:37:25","date_gmt":"2009-12-29T15:37:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/29\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-celebracao-do-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2009-12-29T15:37:25","modified_gmt":"2009-12-29T15:37:25","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-a-celebracao-do-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-a-celebracao-do-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p><strong>&laquo;Se queres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o&raquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Por ocasi&atilde;o do in&iacute;cio do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades crist&atilde;s, aos respons&aacute;veis das na&ccedil;&otilde;es, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: <em>Se queres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o<\/em>. O respeito pela cria&ccedil;&atilde;o reveste-se de grande import&acirc;ncia, designadamente porque &laquo;a cria&ccedil;&atilde;o &eacute; o princ&iacute;pio e o fundamento de todas as obras de Deus&raquo; (1) e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica da humanidade. Com efeito, se s&atilde;o numerosos os perigos que amea&ccedil;am a paz e o aut&ecirc;ntico desenvolvimento humano integral, devido &agrave; desumanidade do homem para com o seu semelhante &ndash; guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos &ndash; n&atilde;o s&atilde;o menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se n&atilde;o mesmo do abuso, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, &eacute; indispens&aacute;vel que a humanidade renove e reforce &laquo;aquela alian&ccedil;a entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho&raquo;(2).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Na enc&iacute;clica <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, pus em realce que o desenvolvimento humano integral est&aacute; intimamente ligado com os deveres que nascem da <em>rela&ccedil;&atilde;o do homem com o ambiente natural<\/em>, considerado como uma d&aacute;diva de Deus para todos, cuja utiliza&ccedil;&atilde;o comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gera&ccedil;&otilde;es futuras. Assinalei tamb&eacute;m que corre o risco de atenuar-se, nas consci&ecirc;ncias, a no&ccedil;&atilde;o da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano s&atilde;o considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo (3). Pelo contr&aacute;rio, conceber a cria&ccedil;&atilde;o como d&aacute;diva de Deus &agrave; humanidade ajuda-nos a compreender a voca&ccedil;&atilde;o e o valor do homem; na realidade, cheios de admira&ccedil;&atilde;o, podemos proclamar com o salmista: &laquo;Quando contemplo os c&eacute;us, obra das vossas m&atilde;os, a lua e as estrelas que l&aacute; colocastes, que &eacute; o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?&raquo; (<em>Sl<\/em> 8,4-5). Contemplar a beleza da cria&ccedil;&atilde;o &eacute; um est&iacute;mulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que &laquo;move o sol e as outras estrelas&raquo; (4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. H&aacute; vinte anos, ao dedicar a Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/messages\/peace\/documents\/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html\">Paz com Deus criador, paz com toda a cria&ccedil;&atilde;o<\/a><\/em>, o <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/index_po.htm\">Papa Jo&atilde;o Paulo II<\/a> chamava a aten&ccedil;&atilde;o para a rela&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. &laquo;Observa-se nos nossos dias &ndash; escrevia ele &ndash; uma consci&ecirc;ncia crescente de que a paz mundial est&aacute; amea&ccedil;ada (&hellip;) tamb&eacute;m pela falta do respeito devido &agrave; natureza&raquo;. E acrescentava que esta <em>consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica<\/em> &laquo;n&atilde;o deve ser reprimida mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e v&aacute; amadurecendo at&eacute; encontrar express&atilde;o adequada em programas e iniciativas concretas&raquo; (5). J&aacute; outros meus predecessores se referiram &agrave; rela&ccedil;&atilde;o existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasi&atilde;o do octog&eacute;simo anivers&aacute;rio da enc&iacute;clica <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_15051891_rerum-novarum_po.html\">Rerum novarum<\/a><\/em> de <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/leo_xiii\/index_po.htm\">Le&atilde;o XIII<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/index_po.htm\">Paulo VI<\/a> houve por bem sublinhar que, &laquo;por motivo de uma explora&ccedil;&atilde;o inconsiderada da natureza, [o homem] come&ccedil;a a correr o risco de a destruir e de vir a ser, tamb&eacute;m ele, v&iacute;tima dessa degrada&ccedil;&atilde;o&raquo;. E acrescentou que, deste modo, &laquo;n&atilde;o s&oacute; o ambiente material se torna uma amea&ccedil;a permanente &ndash; polui&ccedil;&otilde;es e lixo, novas doen&ccedil;as, poder destruidor absoluto &ndash; mas &eacute; o pr&oacute;prio contexto humano que o homem n&atilde;o consegue dominar, criando assim para o dia de amanh&atilde; um ambiente global que se lhe poder&aacute; tornar insuport&aacute;vel. Problema social de grande envergadura, que diz respeito a toda a fam&iacute;lia humana&raquo; (6).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Embora evitando intervir sobre solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas espec&iacute;ficas, a Igreja, &laquo;perita em humanidade&raquo;, tem a peito chamar vigorosamente a aten&ccedil;&atilde;o para a rela&ccedil;&atilde;o entre o Criador, o ser humano e a cria&ccedil;&atilde;o. Em 1990, <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/index_po.htm\">Jo&atilde;o Paulo II<\/a> falava de &laquo;crise ecol&oacute;gica&raquo; e, real&ccedil;ando o car&aacute;cter prevalentemente &eacute;tico de que a mesma se revestia, indicava &laquo;a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade&raquo; (7). Hoje, com o proliferar de manifesta&ccedil;&otilde;es duma crise que seria irrespons&aacute;vel n&atilde;o tomar em s&eacute;ria considera&ccedil;&atilde;o, tal apelo aparece ainda mais premente. Como ficar indiferente perante as problem&aacute;ticas que derivam de fen&oacute;menos como as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, a desertifica&ccedil;&atilde;o, a deteriora&ccedil;&atilde;o e a perda de produtividade de vastas &aacute;reas agr&iacute;colas, a polui&ccedil;&atilde;o dos rios e dos len&ccedil;&oacute;is de &aacute;gua, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das &aacute;reas equatoriais e tropicais? Como descurar o fen&oacute;meno crescente dos chamados &laquo;refugiados ambientais&raquo;, ou seja, pessoas que, por causa da degrada&ccedil;&atilde;o do ambiente onde vivem, se v&ecirc;em obrigadas a abandon&aacute;-lo &ndash; deixando l&aacute; muitas vezes tamb&eacute;m os seus bens &ndash; tendo de enfrentar os perigos e as inc&oacute;gnitas de uma desloca&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada? Com n&atilde;o reagir perante os conflitos, j&aacute; em acto ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de quest&otilde;es que t&ecirc;m um impacto profundo no exerc&iacute;cio dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito &agrave; vida, &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, &agrave; sa&uacute;de, ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Entretanto tenha-se na devida conta que n&atilde;o se pode avaliar a crise ecol&oacute;gica prescindindo das quest&otilde;es relacionadas com ela, nomeadamente o pr&oacute;prio conceito de desenvolvimento e a vis&atilde;o do homem e das suas rela&ccedil;&otilde;es com os seus semelhantes e com a cria&ccedil;&atilde;o. Por isso, &eacute; decis&atilde;o sensata realizar uma <em>revis&atilde;o profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento<\/em> e tamb&eacute;m reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfun&ccedil;&otilde;es e deturpa&ccedil;&otilde;es. Exige-o o estado de sa&uacute;de ecol&oacute;gica da terra; reclama-o tamb&eacute;m e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas h&aacute; muito tempo que se manifestam por toda a parte (8). A humanidade tem necessidade de uma <em>profunda renova&ccedil;&atilde;o cultural<\/em>; precisa de <em>redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme <\/em>sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situa&ccedil;&otilde;es de crise que est&aacute; atravessando, de car&aacute;cter econ&oacute;mico, alimentar, ambiental ou social, no fundo s&atilde;o tamb&eacute;m crises morais e est&atilde;o todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Imp&otilde;em, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confian&ccedil;a e coragem nas experi&ecirc;ncias positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. &Eacute; o &uacute;nico modo de fazer com que a crise actual se torne uma <em>ocasi&atilde;o para discernimento e nova planifica&ccedil;&atilde;o<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Porventura n&atilde;o &eacute; verdade que, na origem daquela que em sentido c&oacute;smico chamamos &laquo;natureza&raquo;, h&aacute; &laquo;um des&iacute;gnio de amor e de verdade&raquo;? O mundo &laquo;n&atilde;o &eacute; fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (&hellip;) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade&raquo; (9). Nas suas p&aacute;ginas iniciais, o livro do<em> G&eacute;nesis<\/em> introduz-nos no projecto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus que, no v&eacute;rtice, colocou o homem e a mulher, criados &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a do Criador, para &laquo;encher e dominar a terra&raquo; como &laquo;administradores&raquo; em nome do pr&oacute;prio Deus (cf. <em>Gn<\/em> 1,28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a cria&ccedil;&atilde;o foi quebrada pelo pecado de Ad&atilde;o e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequ&ecirc;ncia, ficou deturpada tamb&eacute;m a tarefa de &laquo;dominar&raquo; a terra, de a &laquo;cultivar e guardar&raquo; e gerou-se um conflito entre eles e o resto da cria&ccedil;&atilde;o (cf. <em>Gn<\/em> 3,17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo ego&iacute;smo, perdendo o sentido do mandato de Deus e, no relacionamento com a cria&ccedil;&atilde;o, comportou-se como explorador pretendendo exercer um dom&iacute;nio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do<em> G&eacute;nesis<\/em>, n&atilde;o consistia numa simples concess&atilde;o de autoridade, mas antes num apelo &agrave; responsabilidade. Ali&aacute;s, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza est&aacute; &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o como &laquo;um monte de lixo espalhado ao acaso&raquo; (10), enquanto que a Revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica nos fez compreender que a natureza &eacute; dom do Criador, o Qual nela colocou leis intr&iacute;nsecas a fim de que o homem da&iacute; pudesse deduzir as orienta&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a &laquo;cultivar e guardar&raquo; (cf. <em>Gn<\/em> 2,15) (11). Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas n&atilde;o &agrave; sua arbitr&aacute;ria disposi&ccedil;&atilde;o. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua fun&ccedil;&atilde;o de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebeli&atilde;o da natureza, &laquo;mais tiranizada que governada por ele&raquo; (12). O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo respons&aacute;vel da cria&ccedil;&atilde;o, preservando-a e cultivando-a (13).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. Infelizmente temos de constatar que um grande n&uacute;mero de pessoas, em v&aacute;rios pa&iacute;ses e regi&otilde;es da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo respons&aacute;vel. O <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_po.htm\">Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II<\/a> lembrou que &laquo;Deus destinou a terra com tudo o que ela cont&eacute;m para uso de todos os homens e povos&raquo; (14). Por isso, a heran&ccedil;a da cria&ccedil;&atilde;o pertence &agrave; humanidade inteira. Entretanto o ritmo actual de explora&ccedil;&atilde;o p&otilde;e seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais n&atilde;o s&oacute; para a gera&ccedil;&atilde;o actual, mas sobretudo para as gera&ccedil;&otilde;es futuras (15). Ora n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil constatar como a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute; muitas vezes o resultado da falta de projectos pol&iacute;ticos clarividentes ou da persecu&ccedil;&atilde;o de m&iacute;opes interesses econ&oacute;micos, que se transformam, infelizmente, numa s&eacute;ria amea&ccedil;a para a cria&ccedil;&atilde;o. Para contrastar tal fen&oacute;meno, na certeza de que &laquo;<em>cada decis&atilde;o econ&oacute;mica tem consequ&ecirc;ncias de car&aacute;cter moral<\/em>&raquo; (16), &eacute; necess&aacute;rio tamb&eacute;m que a actividade econ&oacute;mica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lan&ccedil;a m&atilde;o dos recursos naturais, &eacute; preciso preocupar-se com a sua preserva&ccedil;&atilde;o prevendo tamb&eacute;m os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da actividade econ&oacute;mica. Compete &agrave; comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima &eacute; preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jur&iacute;dico e econ&oacute;mico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regi&otilde;es mais pobres da terra e &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. Na realidade, &eacute; urgente a obten&ccedil;&atilde;o de uma leal <em>solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es<\/em>. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns n&atilde;o podem ficar a cargo das gera&ccedil;&otilde;es futuras. &laquo;Herdeiros das gera&ccedil;&otilde;es passadas e benefici&aacute;rios do trabalho dos nossos contempor&acirc;neos, temos obriga&ccedil;&otilde;es para com todos, e n&atilde;o podemos desinteressar-nos dos que vir&atilde;o depois de n&oacute;s aumentar o c&iacute;rculo da fam&iacute;lia humana. A solidariedade universal &eacute; para n&oacute;s n&atilde;o s&oacute; um facto e um benef&iacute;cio, mas tamb&eacute;m um dever. <em>Trata-se de uma responsabilidade que as gera&ccedil;&otilde;es presentes t&ecirc;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s futuras<\/em>, uma responsabilidade que pertence tamb&eacute;m a cada um dos Estados e &agrave; comunidade internacional&raquo; (17). O uso dos recursos naturais dever&aacute; verificar-se em condi&ccedil;&otilde;es tais que as vantagens imediatas n&atilde;o comportem consequ&ecirc;ncias negativas para os seres vivos, humanos e n&atilde;o humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada n&atilde;o dificulte o destino universal dos bens (18); que a interven&ccedil;&atilde;o do homem n&atilde;o comprometa a fecundidade da terra para benef&iacute;cio do dia de hoje e do amanh&atilde;. Para al&eacute;m de uma leal solidariedade entre as gera&ccedil;&otilde;es, h&aacute; que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada <em>solidariedade entre os indiv&iacute;duos da mesma gera&ccedil;&atilde;o<\/em>, especialmente nas rela&ccedil;&otilde;es entre os pa&iacute;ses em vias de desenvolvimento e os pa&iacute;ses altamente industrializados: &laquo;A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos n&atilde;o renov&aacute;veis, com a participa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m dos pa&iacute;ses pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro&raquo; (19). <em>A crise ecol&oacute;gica manifesta a urg&ecirc;ncia de uma solidariedade que se projecte no espa&ccedil;o e no tempo<\/em>. Com efeito, &eacute; importante reconhecer, entre as causas da crise ecol&oacute;gica actual, a responsabilidade hist&oacute;rica dos pa&iacute;ses industrializados. Contudo os pa&iacute;ses menos desenvolvidos e, de modo particular, os pa&iacute;ses emergentes n&atilde;o est&atilde;o exonerados da sua pr&oacute;pria responsabilidade para com a cria&ccedil;&atilde;o, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e pol&iacute;ticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse c&aacute;lculos menos interesseiros na assist&ecirc;ncia, na transfer&ecirc;ncia dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9. Uma das quest&otilde;es principais a enfrentar pela comunidade internacional &eacute;, sem d&uacute;vida, a dos recursos energ&eacute;ticos, delineando estrat&eacute;gias compartilhadas e sustent&aacute;veis para satisfazer as necessidades de energia da gera&ccedil;&atilde;o actual e das gera&ccedil;&otilde;es futuras. Para isso, &eacute; preciso que as sociedades tecnologicamente avan&ccedil;adas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as pr&oacute;prias necessidades de energia e melhorando as condi&ccedil;&otilde;es da sua utiliza&ccedil;&atilde;o. Ao mesmo tempo &eacute; preciso promover a pesquisa e a aplica&ccedil;&atilde;o de energias de menor impacto ambiental e a &laquo;redistribui&ccedil;&atilde;o mundial dos recursos energ&eacute;ticos, de modo que os pr&oacute;prios pa&iacute;ses desprovidos possam ter acesso aos mesmos&raquo; (20). Deste modo, a crise ecol&oacute;gica oferece uma oportunidade hist&oacute;rica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direc&ccedil;&atilde;o mais respeitadora da cria&ccedil;&atilde;o e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores pr&oacute;prios da caridade na verdade. Fa&ccedil;o votos, portanto, de que se adopte um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promo&ccedil;&atilde;o e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consci&ecirc;ncia da necessidade de mudar os estilos de vida e na prud&ecirc;ncia, virtude que indica as ac&ccedil;&otilde;es que se devem realizar hoje na previs&atilde;o do que poder&aacute; suceder amanh&atilde; (21).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10. A fim de guiar a humanidade para uma gest&atilde;o globalmente sustent&aacute;vel do ambiente e dos recursos da terra, o homem &eacute; chamado a concentrar a sua intelig&ecirc;ncia no campo da pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica e na aplica&ccedil;&atilde;o das descobertas que da&iacute; derivam. A &laquo;nova solidariedade&raquo;, que Jo&atilde;o Paulo II prop&ocirc;s na <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/messages\/peace\/documents\/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990<\/a> (22),<\/em> e a &laquo;solidariedade global&raquo;, a que eu mesmo fiz apelo na <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20081208_xlii-world-day-peace_po.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009<\/a> (23),<\/em> apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da cria&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de um sistema de gest&atilde;o dos recursos da terra melhor coordenado a n&iacute;vel internacional, sobretudo no momento em que se v&ecirc; aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte rela&ccedil;&atilde;o que existe entre a luta contra a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma din&acirc;mica imprescind&iacute;vel, j&aacute; que &laquo;o desenvolvimento integral do homem n&atilde;o pode realizar-se sem o desenvolvimento solid&aacute;rio da humanidade&raquo; (24). Muitas s&atilde;o hoje as oportunidades cient&iacute;ficas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais &eacute; poss&iacute;vel fornecer solu&ccedil;&otilde;es satisfat&oacute;rias e respeitadoras da rela&ccedil;&atilde;o entre o homem e o ambiente. Por exemplo, &eacute; preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma aten&ccedil;&atilde;o se deve prestar &agrave; quest&atilde;o, hoje mundial, da &aacute;gua e ao sistema hidrol&oacute;gico global, cujo ciclo se reveste de prim&aacute;ria import&acirc;ncia para a vida na terra, mas est&aacute; fortemente amea&ccedil;ado na sua estabilidade pelas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estrat&eacute;gias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas fam&iacute;lias, sendo necess&aacute;rio tamb&eacute;m elaborar pol&iacute;ticas id&oacute;neas para a gest&atilde;o das florestas, o tratamento do lixo, a valoriza&ccedil;&atilde;o das sinergias existentes entre a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e a luta contra a pobreza. S&atilde;o precisas pol&iacute;ticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necess&aacute;rio empenho internacional que h&aacute;-de trazer importantes benef&iacute;cios sobretudo a m&eacute;dio e a longo prazo. Enfim, &eacute; necess&aacute;rio sair da l&oacute;gica de mero consumo para promover formas de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e industrial que respeitem a ordem da cria&ccedil;&atilde;o e satisfa&ccedil;am as necessidades prim&aacute;rias de todos. A quest&atilde;o ecol&oacute;gica n&atilde;o deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental esbo&ccedil;a no horizonte; o motivo principal h&aacute;-de ser a busca duma aut&ecirc;ntica solidariedade de dimens&atilde;o mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justi&ccedil;a e do bem comum. Por outro lado, como j&aacute; tive ocasi&atilde;o de recordar, a t&eacute;cnica &laquo;nunca &eacute; simplesmente t&eacute;cnica; mas manifesta o homem e as suas aspira&ccedil;&otilde;es ao desenvolvimento, exprime a tens&atilde;o do &acirc;nimo humano para uma gradual supera&ccedil;&atilde;o de certos condicionamentos materiais. Assim, <em>a t&eacute;cnica insere-se no mandato de &ldquo;cultivar e guardar a terra&rdquo;<\/em> (cf. <em>Gn<\/em> 2,15) que Deus confiou ao homem, e h&aacute;-de ser orientada para refor&ccedil;ar aquela alian&ccedil;a entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus&raquo; (25).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11. &Eacute; cada vez mais claro que o tema da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental p&otilde;e em quest&atilde;o os comportamentos de cada um de n&oacute;s, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produ&ccedil;&atilde;o hoje dominantes, muitas vezes insustent&aacute;veis do ponto de vista social, ambiental e at&eacute; econ&oacute;mico. Torna-se indispens&aacute;vel uma real mudan&ccedil;a de mentalidade que induza a todos a adoptarem <em>novos estilos de vida<\/em>, &laquo;nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunh&atilde;o com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as op&ccedil;&otilde;es do consumo, da poupan&ccedil;a e do investimento&raquo; (26). Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de op&ccedil;&otilde;es clarividentes a n&iacute;vel pessoal, familiar, comunit&aacute;rio e pol&iacute;tico. Todos somos respons&aacute;veis pela protec&ccedil;&atilde;o e cuidado da cria&ccedil;&atilde;o. Tal responsabilidade n&atilde;o conhece fronteiras. Segundo <em>o princ&iacute;pio de subsidiariedade<\/em>, &eacute; importante que cada um, no n&iacute;vel que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o compete de modo particular aos v&aacute;rios sujeitos da sociedade civil e &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, empenhados com determina&ccedil;&atilde;o e generosidade na difus&atilde;o de uma responsabilidade ecol&oacute;gica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela &laquo;ecologia humana&raquo;. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social neste &acirc;mbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspira&ccedil;&atilde;o. &Eacute; que ocupar-se do ambiente requer uma vis&atilde;o larga e global do mundo; um esfor&ccedil;o comum e respons&aacute;vel a fim de passar de uma l&oacute;gica centrada sobre o interesse ego&iacute;sta da na&ccedil;&atilde;o para uma vis&atilde;o que sempre abrace as necessidades de todos os povos. N&atilde;o podemos permanecer indiferentes &agrave;quilo que sucede ao nosso redor, porque a deteriora&ccedil;&atilde;o de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As rela&ccedil;&otilde;es entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as rela&ccedil;&otilde;es entre homem e ambiente s&atilde;o chamadas a assumir o estilo do respeito e da &laquo;caridade na verdade&raquo;. Neste contexto alargado, &eacute; altamente desej&aacute;vel que encontrem eficaz correspond&ecirc;ncia os esfor&ccedil;os da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presen&ccedil;a amea&ccedil;a a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>12. <em>A<\/em><em> Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela cria&ccedil;&atilde;o<\/em> e sente que a deve exercer tamb&eacute;m em &acirc;mbito p&uacute;blico, para defender a terra, a &aacute;gua e o ar, d&aacute;divas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destrui&ccedil;&atilde;o de si mesmo. Com efeito, a degrada&ccedil;&atilde;o da natureza est&aacute; intimamente ligada &agrave; cultura que molda a conviv&ecirc;ncia humana, pelo que, &laquo;<em>quando a &ldquo;ecologia humana&rdquo;&eacute; respeitada dentro da sociedade, beneficia tamb&eacute;m a ecologia ambiental<\/em>&raquo; (27). N&atilde;o se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se n&atilde;o s&atilde;o ajudados, em fam&iacute;lia e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza &eacute; &uacute;nico, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da &eacute;tica pessoal, familiar e social (28). Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educa&ccedil;&atilde;o para uma responsabilidade ecol&oacute;gica, que, como indiquei na enc&iacute;clica <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, salvaguarde uma aut&ecirc;ntica &laquo;ecologia humana&raquo; e consequentemente afirme, com renovada convic&ccedil;&atilde;o, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condi&ccedil;&otilde;es, a dignidade da pessoa e a miss&atilde;o insubstitu&iacute;vel da fam&iacute;lia, onde se educa para o amor ao pr&oacute;ximo e o respeito da natureza (29). &Eacute; preciso preservar o patrim&oacute;nio humano da sociedade. Este patrim&oacute;nio de valores tem a sua origem e est&aacute; inscrito na lei moral natural, que &eacute; fundamento do respeito da pessoa humana e da cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>13. Por fim n&atilde;o se deve esquecer o facto, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto directo com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma esp&eacute;cie de reciprocidade: quando cuidamos da cria&ccedil;&atilde;o, constatamos que Deus, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o, cuida de n&oacute;s. Por outro lado, uma vis&atilde;o correcta da rela&ccedil;&atilde;o do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magist&eacute;rio da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concep&ccedil;&atilde;o do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, f&aacute;-lo porque tal concep&ccedil;&atilde;o elimina a diferen&ccedil;a ontol&oacute;gica e axiol&oacute;gica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a fun&ccedil;&atilde;o superior do homem, favorecendo uma vis&atilde;o igualitarista da &laquo;dignidade&raquo; de todos os seres vivos. Assim se d&aacute; entrada a um novo pante&iacute;smo com acentos neopag&atilde;os que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salva&ccedil;&atilde;o para o homem. Ao contr&aacute;rio, a Igreja convida a colocar a quest&atilde;o de modo equilibrado, no respeito da &laquo;gram&aacute;tica&raquo; que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardi&atilde;o e administrador respons&aacute;vel da cria&ccedil;&atilde;o, papel de que certamente n&atilde;o deve abusar mas tamb&eacute;m n&atilde;o pode abdicar. Com efeito, a posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, que considera a t&eacute;cnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado n&atilde;o s&oacute; &agrave; natureza, mas tamb&eacute;m &agrave; pr&oacute;pria dignidade humana (30).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>14. <em>Se queres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o<\/em>. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade ser&aacute;, sem d&uacute;vida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da rela&ccedil;&atilde;o indivis&iacute;vel que existe entre Deus, os seres humanos e a cria&ccedil;&atilde;o inteira. Os crist&atilde;os, iluminados pela Revela&ccedil;&atilde;o divina e seguindo a Tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja, prestam a sua pr&oacute;pria contribui&ccedil;&atilde;o. Consideram o cosmos e as suas maravilhas &agrave; luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo que, pela sua morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o, reconciliou com Deus &laquo;todas as criaturas, na terra e nos c&eacute;us&raquo; (<em>Cl<\/em> 1,20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu &agrave; humanidade o dom do seu Esp&iacute;rito santificador, que guia o caminho da hist&oacute;ria &agrave; espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, ser&atilde;o inaugurados os &laquo;novos c&eacute;us e uma nova terra&raquo; (<em>2 Pd<\/em> 3,13), onde habitar&atilde;o a justi&ccedil;a e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz &eacute; dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se h&aacute;-de enfrentar com renovado e comum empenho; &eacute; uma oportunidade providencial para entregar &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os respons&aacute;veis das na&ccedil;&otilde;es e quantos, nos diversos n&iacute;veis, t&ecirc;m a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da cria&ccedil;&atilde;o e a realiza&ccedil;&atilde;o da paz s&atilde;o realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador omnipotente e Pai misericordioso, a sua ora&ccedil;&atilde;o fervorosa, para que no cora&ccedil;&atilde;o de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: <em>Se queres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>1 <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/a><\/em>, 198.<\/p>\n<p>2 Bento XVI, <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/messages\/peace\/documents\/hf_ben-xvi_mes_20071208_xli-world-day-peace_po.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz<\/a><\/em> (1 de Janeiro de 2008), 7.<\/p>\n<p>3 Cf. n. 48.<\/p>\n<p>4 Dante Alighieri, <em>Divina Com&eacute;dia: O Para&iacute;so<\/em>, XXXIII, 145.<\/p>\n<p>5 <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/messages\/peace\/documents\/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz<\/a><\/em> (1 de Janeiro de 1990), 1.<\/p>\n<p>6 Carta ap. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/apost_letters\/documents\/hf_p-vi_apl_19710514_octogesima-adveniens_po.html\">Octogesima adveniens<\/a><\/em>, 21.<\/p>\n<p>7 <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/john_paul_ii\/messages\/peace\/documents\/hf_jp-ii_mes_19891208_xxiii-world-day-for-peace_po.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz<\/a> <\/em>(1 de Janeiro de 1990), 10.<\/p>\n<p>8 Cf. Bento XVI, Carta enc.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 32.<\/p>\n<p>9 <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/a><\/em>, 295.<\/p>\n<p>10 Her&aacute;clito de &Eacute;feso(&plusmn; 535-475 a.C.), Fragmento 22B124, in H. Diels-W. Kranz, <em>Die Fragmente der Vorsokratiker<\/em> (Weidmann, Berlim 19526).<\/p>\n<p>11 Cf. Bento XVI, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 48.<\/p>\n<p>12 Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/em>, 37.<\/p>\n<p>13 Cf. Bento XVI, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 50.<\/p>\n<p>14 Const. past. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">Gaudium et spes<\/a><\/em>, 69.<\/p>\n<p>15 Cf. Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc.<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0070\/_INDEX.HTM\">Sollicitudo rei socialis<\/a><\/em>, 34.<\/p>\n<p>16 Cf. Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc.<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0070\/_INDEX.HTM\">Sollicitudo rei socialis<\/a><\/em>, 34.<\/p>\n<p>17 Pont. Conselho &laquo;Justi&ccedil;a e Paz&raquo;, <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/pontifical_councils\/justpeace\/documents\/rc_pc_justpeace_doc_20060526_compendio-dott-soc_po.html\">Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja<\/a><\/em>, 467;cf. Paulo VI, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html\">Populorum progressio<\/a><\/em>, 17.<\/p>\n<p>18 Cf. Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/em>, 30-31.43.<\/p>\n<p>19 Bento XVI, Carta enc.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 49.<\/p>\n<p>20 <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Ibid<\/a><\/em>., 49.<\/p>\n<p>21 Cf. S&atilde;o Tom&aacute;s de Aquino, <em>Summa theologiae,<\/em> II-II, q. 49, 5.<\/p>\n<p>22 Cf. n. 9.<\/p>\n<p>23 Cf. n. 8.<\/p>\n<p>24 Paulo VI, Carta enc.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/paul_vi\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_26031967_populorum_po.html\">Populorum progressio<\/a><\/em>, 43.<\/p>\n<p>25 Carta enc.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 69.<\/p>\n<p>26 Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/em>, 36.<\/p>\n<p>27 Bento XVI, Carta enc. <em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 51.<\/p>\n<p>28 Cf.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">ibid<\/a><\/em>., 15.51.<\/p>\n<p>29 Cf.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">ibid<\/a><\/em>., 28.51.61; Jo&atilde;o Paulo II, Carta enc.<em> <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/edocs\/POR0067\/_INDEX.HTM\">Centesimus annus<\/a><\/em>, 38.39.<\/p>\n<p>30 Cf. Bento XVI, Carta enc. <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a>, 70.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Se queres cultivar a paz, preserva a cria&ccedil;&atilde;o&raquo; 1. Por ocasi&atilde;o do in&iacute;cio do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades crist&atilde;s, aos respons&aacute;veis das na&ccedil;&otilde;es, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. 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