{"id":42718,"date":"2009-12-29T11:03:52","date_gmt":"2009-12-29T11:03:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/29\/homilia-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-na-missa-do-galo\/"},"modified":"2009-12-29T11:03:52","modified_gmt":"2009-12-29T11:03:52","slug":"homilia-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-na-missa-do-galo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-portalegre-castelo-branco-na-missa-do-galo\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Portalegre-Castelo Branco na Missa do Galo"},"content":{"rendered":"<p><strong>A noite fora longa, escura, fria.<br \/>Ai noites de Natal que d&aacute;veis luz,<br \/>Que sombra dessa luz nos alumia?<br \/>Vim a mim dum mau sono, e disse: &laquo;Meu Jesus&hellip;&raquo;<br \/>Sem bem saber, sequer, porque o dizia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o Anjo do Senhor: &laquo;Ave, Maria!&raquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na cama em que jazia,<br \/>De joelhos me pus<br \/>E as m&atilde;os erguia.<br \/>Comigo repetia: &laquo;Meu Jesus&hellip;&raquo;<br \/>Que ent&atilde;o me recordei do santo dia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o Anjo do Senhor: &laquo;Ave, Maria!&raquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ai dias de Natal a transbordar de luz,<br \/>Onde a vossa alegria?<br \/>Todo o dia eu gemia: &laquo;Meu Jesus&hellip;&raquo;<br \/>E a tarde descaiu, lenta e sombria.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o Anjo do Senhor: &laquo;Ave, Maria!&raquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>De novo a noite, longa, escura, fria,<br \/>Sobre a terra caiu, como um capuz<br \/>Que a engolia.<br \/>Deitando-me de novo, eu disse: &laquo;Meu Jesus&hellip;&raquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>E assim, mais uma vez, Jesus nascia.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Come&ccedil;o esta reflex&atilde;o com a <strong>Litania do Natal<\/strong> de Jos&eacute; R&eacute;gio que viveu a sua vida numa tentativa constante de ascens&atilde;o at&eacute; ao absoluto embora de forma sempre insatisfeita. Que o digam os &ldquo;Amigos de R&eacute;gio&rdquo; que, aqui em Portalegre, celebram os oitenta anos da sua chegada a esta cidade.<\/p>\n<p>Neste poema, al&eacute;m de outras dimens&otilde;es que nos podem levar a reflectir, refere-se ele, num contexto interior que lhe era peculiar, &agrave; luz que transborda do Natal.<\/p>\n<p>&Eacute; essa luz que permeia toda a liturgia desta Celebra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a irrup&ccedil;&atilde;o da luz divina no mundo cheio de escurid&atilde;o e frio.<\/p>\n<p>&ldquo;Deus &eacute; Luz e nele n&atilde;o h&aacute; trevas&rdquo;, diz S. Jo&atilde;o (I Jo 1,5).<\/p>\n<p>A luz &eacute; fonte de vida. Deixa-nos ver e conhecer. Indica-nos a estrada. Gera calor e, por isso, a luz significa tamb&eacute;m amor. Onde h&aacute; amor, h&aacute; luz. Onde h&aacute; &oacute;dio, h&aacute; escurid&atilde;o.<\/p>\n<p>Em Bel&eacute;m, apareceu a grande luz que o mundo esperava. Naquele menino, Deus mostra a sua gl&oacute;ria &ndash; a gl&oacute;ria do amor, em que Ele mesmo se entrega em dom e se despoja de toda a grandeza para nos conduzir pelo caminho do amor. O Menino nasce na pobreza de um curral: este &eacute; o sinal de Deus. Passam os anos, os s&eacute;culos e os mil&eacute;nios, mas o sinal permanece e vale tamb&eacute;m para n&oacute;s. Ele &eacute; sinal de esperan&ccedil;a para toda a fam&iacute;lia humana. &Eacute; sinal de paz para todos quantos vivem mergulhados em conflitos e guerras, em caprichos e amuos que n&atilde;o d&atilde;o nem pedem explica&ccedil;&otilde;es, tantas vezes na intimidade das pr&oacute;prias fam&iacute;lias. &Eacute; sinal de liberta&ccedil;&atilde;o para os pobres e oprimidos, para os desempregados e exclu&iacute;dos. E que tantos!&#8230; &Eacute; sinal de miseric&oacute;rdia para quem se instala no pecado, na auto-sufici&ecirc;ncia e sobranceria que corrompe e destr&oacute;i. &Eacute; sinal de amor e de consola&ccedil;&atilde;o para quem se sente s&oacute; e abandonado, sem fam&iacute;lia nem amigos, sem vizinhos nem pr&oacute;ximos. &Eacute; sinal pequeno e fr&aacute;gil, humilde e silencioso, mas rico do poder de Deus que, por amor, se fez homem.<\/p>\n<p>Nasceu e viveu pobre. Quis tornar-se o &uacute;ltimo para nos apontar o caminho.<\/p>\n<p>Charles de Foucauld rezava assim: &ldquo;Senhor, quero aproximar-me de ti, mas por muito que me fa&ccedil;a o &uacute;ltimo, eu serei sempre o pen&uacute;ltimo, pois Tu ocupaste o &uacute;ltimo lugar. A Tua vida foi sempre um descer, descer, descer, porque Tu &eacute;s amor e o amor quer dar, o amor &eacute; humilde, o amor &eacute; pobre&rdquo;.<\/p>\n<p>Frente &agrave; grandeza do mist&eacute;rio de Cristo, Napole&atilde;o de Bonaparte escreveu um dia, no seu ex&iacute;lio em Santa Helena: &ldquo;Eu conhe&ccedil;o os homens e, por isso, digo-vos que Jesus n&atilde;o &eacute; um homem. Os esp&iacute;ritos superficiais encontram uma certa semelhan&ccedil;a entre Ele e os fundadores de imp&eacute;rios, os conquistadores e os deuses de outras religi&otilde;es, mas essa semelhan&ccedil;a n&atilde;o existe. Entre o cristianismo e qualquer outra religi&atilde;o h&aacute; a diferen&ccedil;a do infinito: Cristo &eacute; &uacute;nico (&hellip;). Quem &eacute; o morto capaz de conquistar a terra com um ex&eacute;rcito devoto e fiel &agrave; sua mem&oacute;ria? Quem pode contar os seus soldados sem soldo, sem desejos de gl&oacute;ria terrena, votados unicamente a toda a ren&uacute;ncia?<\/p>\n<p>E, por fim, digo que n&atilde;o existiria um Deus nos C&eacute;us, se um simples mortal pudesse conceber e realizar o gigantesco des&iacute;gnio de se arrogar o culto supremo, usurpando o nome de Deus.<\/p>\n<p>O &uacute;nico que jamais ousou afirmar categoricamente &ldquo;Eu sou Deus&rdquo; (que &eacute; muito diferente de dizer: &ldquo;Eu sou um deus&rdquo;) foi apenas Jesus: a hist&oacute;ria n&atilde;o recorda nenhum outro indiv&iacute;duo que tenha atribu&iacute;do a si pr&oacute;prio este t&iacute;tulo com o seu significado preciso&hellip; De que modo este judeu, este filho de um carpinteiro, conseguiu que acreditassem nele como Deus, como o Ser por excel&ecirc;ncia, o Criador do C&eacute;u e da Terra, e ser adorado e edificar um templo, constru&iacute;do n&atilde;o com pedras, mas no cora&ccedil;&atilde;o dos homens, com um prod&iacute;gio que ultrapassa todos os outros prod&iacute;gios?&rdquo;.<\/p>\n<p>Fa&ccedil;amos sil&ecirc;ncio. Fixemos o nosso olhar e pensamento no Menino, em Maria e Jos&eacute;. Escutemos a bela leitura do Natal que Jean-Paul Sartre, fil&oacute;sofo franc&ecirc;s, escritor e cr&iacute;tico ateu e conhecido representante do existencialismo fez quando estava preso num campo de concentra&ccedil;&atilde;o, em Treviri. Ao reflectir sobre este acontecimento &iacute;mpar e ao olhar para Maria e Jos&eacute;, como que d&aacute; conselhos aos poss&iacute;veis pintores da cena e a si pr&oacute;prio se fosse pintor. Escreveu ele:<\/p>\n<p>&ldquo;Aquilo que deveriam pintar no rosto de Maria &eacute; aquele assombro cheio de expectativa que uma &uacute;nica vez se estampou no rosto de um ser humano. De facto, Cristo &eacute; o seu filho, carne da sua carne e fruto do seu ventre. Trouxe-o nove meses dentro de si, amament&aacute;-lo-&aacute; e o seu leite tornar-se-&aacute; sangue de Deus. Em certos momentos, a tenta&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o forte que nos esquecemos que ele &eacute; Deus. Aperta-o entre os bra&ccedil;os e diz: meu pequenino! Noutros momentos, por&eacute;m, fica interdita e pensa: Deus est&aacute; aqui! Ent&atilde;o sente-se dominada por um horror religioso frente a esse Deus mudo, a esse Menino aterrador. Na verdade, em certos momentos, todas as m&atilde;es ficam completamente petrificadas frente a esse fragmento rebelde da sua pr&oacute;pria carne que &eacute; o seu filho, e sentem-se no ex&iacute;lio, frente a essa nova vida que foi feita com a sua pr&oacute;pria vida e que provoca nelas uma imensid&atilde;o de pensamentos estranhos. Contudo, nenhum filho foi t&atilde;o cruel e t&atilde;o rapidamente arrancado &agrave; sua m&atilde;e, pois Ele &eacute; Deus, ultrapassando tudo aquilo que ela possa imaginar. E &eacute; uma dura prova para uma m&atilde;e ter vergonha de si pr&oacute;pria e da sua condi&ccedil;&atilde;o humana frente ao seu filho. No entanto, penso que tamb&eacute;m h&aacute; outros momentos, fugazes e duros, em que sente que Cristo &eacute; o seu filho, &eacute; o seu pequenino, e ao mesmo tempo &eacute; Deus. Olha para Ele e pensa: &ldquo;Este Deus &eacute; meu filho. Esta carne divina &eacute; minha carne. &Eacute; feita de mim, tem os meus olhos, e a forma da sua boca &eacute; igual &agrave; minha. Parece-se comigo. &Eacute; Deus e parece-se comigo.&rdquo; E nenhuma mulher teve assim o seu Deus s&oacute; para si. Um Deus pequenino, que se pode tomar nos bra&ccedil;os e cobrir de beijos, um Deus afectuoso, que sorri e respira, um Deus que se pode tocar e est&aacute; vivo. E seria nesses momentos que eu, se fosse pintor, pintaria Maria, tentando dar vida &agrave; express&atilde;o de terna aud&aacute;cia e timidez com que ela estende o dedo para tocar na pele macia deste Deus Menino, cujo peso t&eacute;pido sente sobre os joelhos, e que lhe sorri. E &eacute; tudo sobre Jesus e Maria&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;E Jos&eacute;? A Jos&eacute;, n&atilde;o o pintaria. Mostraria apenas uma sombra ao fundo do pres&eacute;pio e dois olhos brilhantes. Na verdade, n&atilde;o sei que dizer acerca de Jos&eacute;, e Jos&eacute; tamb&eacute;m n&atilde;o sabe que dizer acerca de si pr&oacute;prio. Adora e sente-se feliz por adorar, sentindo-se um pouco no ex&iacute;lio. Creio que sofre, embora n&atilde;o o confesse. Sofre ao ver como a mulher que ele ama se parece com Deus, como ela j&aacute; est&aacute; perto de Deus. Na verdade, Deus deflagrou como uma bomba na intimidade desta fam&iacute;lia. Jos&eacute; e Maria s&atilde;o separados para sempre por este inc&ecirc;ndio de luz. E imagino que toda a vida de Jos&eacute; ser&aacute; para aprender a aceitar.&rdquo;<\/p>\n<p>Como s&atilde;o belas estas palavras &hellip;. de um ateu! Como &eacute; profunda a leitura do Natal&hellip; feita por Jean Paul Sartre, comenta &Acirc;ngelo Comastri ao terminar esta cita&ccedil;&atilde;o no seu livro sobre o Natal.<\/p>\n<p>E n&oacute;s? Que Natal &eacute; o nosso? Os que est&atilde;o de fora da Igreja em busca da Verdade olham-nos com aten&ccedil;&atilde;o. Curzio Malaperte, escritor contundente e que morreu em 1957, ano em que foi baptizado e um m&ecirc;s depois morreu reconciliado com a f&eacute; e com Cristo, escreveu uma &ldquo;p&aacute;gina violent&iacute;ssima sobre o Natal&rdquo;. &Eacute; uma p&aacute;gina &ldquo;que denota nervosismo, inquieta&ccedil;&atilde;o e ressentimento; contudo, faz-nos entender como &eacute; dif&iacute;cil viver crist&atilde;mente e compreender o Natal de forma igualmente crist&atilde;. Escreve Cruzio Malaparte: &ldquo;Dentro de poucos dias &eacute; Natal e os homens j&aacute; come&ccedil;am a preparar-se para a suprema hipocrisia. Por que raz&atilde;o nenhum de n&oacute;s tem a coragem de dizer que o s&eacute;culo, o mundo, nunca foi t&atilde;o pouco crist&atilde;o como na &eacute;poca actual? Por que &eacute; que nenhum de n&oacute;s se atreve a reconhecer que a grandiloqu&ecirc;ncia dos homens pol&iacute;ticos, a grande parada dos sentimentos evang&eacute;licos, as prociss&otilde;es dos falsos devotos, servem apenas para ocultar esta terr&iacute;vel verdade: que os homens j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o crist&atilde;os, que Cristo morreu na alma dos seus filhos, que a hipocrisia desceu da pol&iacute;tica para a vida social, familiar e individual. N&atilde;o nos importa nada quem sofre; n&atilde;o fazemos nada para impedir o sofrimento, a mis&eacute;ria, o mal, os delitos, a viol&ecirc;ncia, as matan&ccedil;as; ficamos quietos e calados, festejando o Santo Natal.&rdquo; E acrescenta: &ldquo;Gostava que no dia de Natal o <em>panettone<\/em> se tornasse carne sofredora sob a nossa faca e o vinho se transformasse em sangue, e todos n&oacute;s sent&iacute;ssemos, por um instante, o horror do mundo na boca. Gostava que, no dia de Natal, as nossas crian&ccedil;as nos aparecessem de repente como ser&atilde;o amanh&atilde;, dentro de alguns anos, se n&atilde;o ousarmos rebelar-nos contra o mal que nos amea&ccedil;a: pobres corpos dilacerados, abandonados na lama ensanguentada de um campo de batalha. Gostaria que na noite de Natal, em todas as igrejas do mundo, um pobre sacerdote se erguesse, gritando: fora deste ber&ccedil;o, hip&oacute;critas, embusteiros! Ide para casa, chorar sobre o ber&ccedil;o dos vossos filhos. Se o mundo sofre, a culpa tamb&eacute;m &eacute; vossa, que n&atilde;o ousais defender a justi&ccedil;a e a bondade e tendes medo de ser crist&atilde;os de forma radical. Fora deste ber&ccedil;o, hip&oacute;critas. Este Menino, que nasceu para salvar o mundo, tem horror de v&oacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p>S&atilde;o palavras dram&aacute;ticas de quem procura a verdade atrav&eacute;s do estudo e reflex&atilde;o, com certeza, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s do exemplo de quem acredita.<\/p>\n<p>Corre por a&iacute; um outro texto de um autor an&oacute;nimo que nos fala fundo pela maneira como ele tamb&eacute;m v&ecirc; o Natal de muita gente. Gente crente e crist&atilde;, possivelmente.<\/p>\n<p>Gostaria que tamb&eacute;m este n&atilde;o fosse o nosso Natal. Creio mesmo que n&atilde;o &eacute;!<\/p>\n<p>Colocando o Menino Deus a falar diz ele:<\/p>\n<p>&ldquo;V&oacute;s festejais a minha chegada &agrave; terra e, contudo, procurais expulsar-me da terra. Festejais o facto de Eu ter vindo salvar-vos mas, no fundo, n&atilde;o tendes a inten&ccedil;&atilde;o de ser salvos. Fazeis festa porque, quando eu nasci, os Anjos anunciaram a paz, mas, at&eacute; hoje, s&oacute; pensais em fazer a guerra.<\/p>\n<p>Em meu nome gritais: Paz! Paz! Mas, quando n&atilde;o fazeis guerra, fazeis com que os outros a fa&ccedil;am. Fazeis festa nas vossas casas porque dizeis que o Natal &eacute; a Festa da Fam&iacute;lia, mas, entretanto, quase destru&iacute;s a fam&iacute;lia. Fazeis festa porque Deus nasceu como homem no meio de v&oacute;s, mas, entre v&oacute;s n&atilde;o nasce Deus e cada vez &eacute; mais raro o nascimento de um homem. Fazeis festa junto ao pres&eacute;pio onde eu estou deitado no feno, mas as vossas casas transbordam de todos os bens. Muitos acorrem &agrave;s est&acirc;ncias de Inverno enquanto Eu estou no caminho, exposto a todos os males. N&atilde;o quero perturbar as vossas festas nem a vossa consci&ecirc;ncia: convido-vos apenas a reconhecer que esta &eacute; a vossa festa, e n&atilde;o a minha&rdquo;.<\/p>\n<p>Celebrar o Natal &eacute; celebrar o amor, a solidariedade e a caridade de Deus para connosco. &Eacute; celebrar o amor, a solidariedade e a caridade de uns para com os outros. &Eacute; celebrar a fraternidade, sentindo-nos verdadeiramente fam&iacute;lia, vizinhos, pr&oacute;ximos e irm&atilde;os.<\/p>\n<p>No entanto, sem querer ser masoquista, qu&atilde;o longe estaremos n&oacute;s duma verdadeira celebra&ccedil;&atilde;o do Natal! Falta muito para que seja Natal e Natal todos os dias para toda a gente. Sim, falta. Falta muito em n&oacute;s e noutros.<\/p>\n<p>Dentro do esp&iacute;rito de testemunhos que quis imprimir a esta homilia, escutemos em nome de todos aqueles que sofrem, dores morais ou f&iacute;sicas na multiplicidade das suas causas, a experi&ecirc;ncia desta m&atilde;e:<\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;Sou uma pessoa completamente vulgar e n&atilde;o sei se v&atilde;o tomar em considera&ccedil;&atilde;o esta minha carta. Em breve, por&eacute;m, ser&aacute; Natal. Para muitos ser&aacute; um dia de alegria, para outros um dia sempre igual: assim ser&aacute; para as pessoas que vivem nos lares ou para as m&atilde;es que vivem sozinhas em casas vazias, sem calor humano, &agrave; espera dos filhos que n&atilde;o v&ecirc;m, que n&atilde;o vir&atilde;o, que nunca mais vir&atilde;o &hellip;Devo reconhecer, como m&atilde;e, que hoje, no mundo, h&aacute; muita indiferen&ccedil;a: a sociedade preocupa-se com muitas coisas, at&eacute; com os c&atilde;es abandonados, mas n&atilde;o com as m&atilde;es&rdquo;<a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/bo\/index.cgi?session=ctktaiuwdkhFrYgDcP&amp;x=60&amp;tbl=noticias&amp;action=tbl_add#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>&Eacute; evidente que no desabafo desta m&atilde;e n&atilde;o est&aacute; o desprezo pelos animais ou pela cria&ccedil;&atilde;o. Est&aacute; o sentimento de abandono a que se sente devotada. Este testemunho &eacute; uma simples amostra do muitos que tantos poderiam contar.<\/p>\n<p>Noticiavam por estes dias os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social que aumentam todos os dias aquelas pessoas que entram nas urg&ecirc;ncias dos hospitais com problemas associados &agrave; idade ou situa&ccedil;&otilde;es cr&oacute;nicas agudizadas e que, ap&oacute;s alta cl&iacute;nica, ningu&eacute;m os reclama. E como se isto n&atilde;o bastasse, os familiares que nem sequer os visitam, desviam-lhes as pens&otilde;es de reforma. Em alguns casos, diziam os m&eacute;dicos, ganham depress&otilde;es por terem o discernimento suficiente para entenderem que foram abandonados. N&atilde;o &eacute; que falem do abandono. Sentem-se envergonhados e cultivam o sil&ecirc;ncio em redor deste assunto.<\/p>\n<p>Somos crist&atilde;os. Anunciemos com alegria este Menino, o seu exemplo e Mensagem para que seja Natal em cada dia do ano e em todas as circunst&acirc;ncias, para cada pessoa, para cada fam&iacute;lia, para todos os povos e na&ccedil;&otilde;es. Que todos possam abrir o seu cora&ccedil;&atilde;o a Cristo Redentor e cantar em un&iacute;ssono: &ldquo;Gl&oacute;ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados&rdquo;.<\/p>\n<p>Feliz Natal para todos!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/bo\/index.cgi?session=ctktaiuwdkhFrYgDcP&amp;x=60&amp;tbl=noticias&amp;action=tbl_add#_ftnref1\">[1]<\/a> As v&aacute;rias cita&ccedil;&otilde;es que aparecem neste texto encontram-se no livro <em>&ldquo;Prepara o ber&ccedil;o: &Eacute; NATAL!&rdquo;<\/em>, de &Acirc;ngelo Comastri, Ed. Paulinas, Novembro de 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A noite fora longa, escura, fria.Ai noites de Natal que d&aacute;veis luz,Que sombra dessa luz nos alumia?Vim a mim dum mau sono, e disse: &laquo;Meu Jesus&hellip;&raquo;Sem bem saber, sequer, porque o dizia. E o Anjo do Senhor: &laquo;Ave, Maria!&raquo; Na cama em que jazia,De joelhos me pusE as m&atilde;os erguia.Comigo repetia: &laquo;Meu Jesus&hellip;&raquo;Que ent&atilde;o me [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[179,246,267,314],"class_list":["post-42718","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-liturgia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42718"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42718\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}