{"id":42696,"date":"2009-12-26T23:13:37","date_gmt":"2009-12-26T23:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/26\/o-verbo-fez-se-carne-e-habitou-entre-nos-e-nos-vimos-a-sua-gloria\/"},"modified":"2009-12-26T23:13:37","modified_gmt":"2009-12-26T23:13:37","slug":"o-verbo-fez-se-carne-e-habitou-entre-nos-e-nos-vimos-a-sua-gloria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-verbo-fez-se-carne-e-habitou-entre-nos-e-nos-vimos-a-sua-gloria\/","title":{"rendered":"\u00abO Verbo fez-se carne e habitou entre n\u00f3s. E n\u00f3s vimos a Sua gl\u00f3ria\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Santar\u00e9m na Missa de Natal <!--more--> <\/p>\n<p>A terceira missa de Natal que estamos a celebrar convida-nos a contemplar o mist&eacute;rio do acontecimento natal&iacute;cio. Enquanto a missa da meia-noite ou do Galo descreve de uma forma viva e movimentada a cena do nascimento do Menino, o an&uacute;ncio aos pastores e a visita destes ao pres&eacute;pio de Bel&eacute;m, a celebra&ccedil;&atilde;o do dia apresenta-nos uma medita&ccedil;&atilde;o de grande profundidade e beleza espiritual, feita pelo evangelista S&atilde;o Jo&atilde;o, acerca da identidade do Menino que nasceu e do significado do seu nascimento. Na simplicidade encantadora do pres&eacute;pio manifesta-se o mist&eacute;rio que o evangelista resume nestas palavras: &ldquo;O Verbo fez-se carne&rdquo;. O Filho de Deus e Sua palavra eterna assumiu a condi&ccedil;&atilde;o humana. Deus apresenta-se no meio de n&oacute;s na fragilidade e na pobreza de uma crian&ccedil;a. O Menino reclinado numa manjedoira revela-nos a verdade de Deus e a verdade do homem. &ldquo;Fez-se o que somos para nos fazer participantes do que Ele &eacute;&rdquo; (S. Cirilo de Alexandria).<strong><\/strong><\/p>\n<p>Porque &eacute; que Deus se tornou homem? Para habitar connosco, diz a narrativa evang&eacute;lica. O Natal celebra a visita do Verbo de Deus, n&atilde;o uma visita de passagem mas para permanecer. Deus partilha a nossa condi&ccedil;&atilde;o humana, est&aacute; pr&oacute;ximo de todo o que nele cr&ecirc; e O invoca, mostra-se um amigo, irm&atilde;o e companheiro em quem podemos confiar. Compreendemos, assim, o alcance profundo da afirma&ccedil;&atilde;o que fazemos. &ldquo;Deus est&aacute; connosco&rdquo; ou &ldquo;Deus est&aacute; comigo&rdquo;. &Eacute; um vizinho excelente que veio morar no meio de n&oacute;s e a quem podemos bater &agrave; porta.<\/p>\n<p>S&atilde;o Jo&atilde;o refere outro objectivo da sua vinda: &ldquo;N&oacute;s vimos a Sua gl&oacute;ria&rdquo;. Ou seja, o Natal torna Deus vis&iacute;vel. V&aacute;rias vezes os textos b&iacute;blicos repetem a invisibilidade de Deus. &Eacute; &oacute;bvia para n&oacute;s. &ldquo;A Deus nunca ningu&eacute;m o Viu&rdquo;, afirmava o texto de S&atilde;o Jo&atilde;o. Tantos justos desejaram ver e pediram para ver: &ldquo;O Vosso rosto eu procuro Senhor, n&atilde;o escondais de mim o vosso rosto&rdquo;. &ldquo;Mostrai-nos Senhor o Vosso rosto&rdquo;. N&oacute;s sabemos que Deus n&atilde;o tem rosto, &eacute; invis&iacute;vel. Mas desejar&iacute;amos ver ao menos um sinal, ter uma manifesta&ccedil;&atilde;o, uma prova que apoiasse a nossa f&eacute;. Porque Deus parece escondido e para muitos parece mesmo ausente.<\/p>\n<p>Ora o Natal, diz S&atilde;o Jo&atilde;o, torna Deus vis&iacute;vel: &ldquo;A Deus nunca ningu&eacute;m O viu. O Filho Unig&eacute;nito que est&aacute; no seio do Pai &eacute; que O deu a conhecer&rdquo;. O mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o deu um rosto a Deus. Quando Tom&eacute; pediu a Jesus &ldquo;Senhor mostra-nos o Pai&rdquo;, Ele respondeu: &ldquo;Quem me v&ecirc;, v&ecirc; o Pai&rdquo;. Na verdade, Jesus torna vis&iacute;vel o rosto de Deus. Quando Jesus entra em casa de Pedro e cura a sogra, quando come e bebe com os pecadores, quando perdoa aos pecadores (ao explorador Zaqueu, &agrave; Madalena arrependida, ao paral&iacute;tico estendido na enxerga), Ele d&aacute; visibilidade ao Deus. Um Deus amigo do homem, pr&oacute;ximo, misericordioso.<\/p>\n<p>Jesus &eacute;, na verdade, o sinal de Deus por excel&ecirc;ncia. H&aacute; outros sinais vis&iacute;veis, como a Escritura, o universo, os crentes, a experi&ecirc;ncia religiosa de tantos que sentiram a sua protec&ccedil;&atilde;o, viveram em uni&atilde;o m&iacute;stica com Ele e mudaram as suas vidas. V&aacute;rias vezes, nos textos desta celebra&ccedil;&atilde;o, ouvimos a possibilidade de ver alguns sinais em que Deus se manifesta. Em Isa&iacute;as, os mensageiros da Boa Nova v&ecirc;em com seus pr&oacute;prios olhos o Senhor que volta para viver com seu povo em Si&atilde;o. E o salmo vai mais longe ao proclamar que todos os confins da terra viram a salva&ccedil;&atilde;o do nosso Deus. &Eacute; uma vis&atilde;o no sentido amplo, com o olhar da f&eacute;. Mas num ambiente de descren&ccedil;a todos precisamos de procurar o rosto de Deus e de descobrir sinais vis&iacute;veis da Sua presen&ccedil;a.<\/p>\n<p>As leituras desta missa sugerem-nos um caminho acess&iacute;vel a todos, em que podemos fazer uma experi&ecirc;ncia pessoal de entrar em contacto com Deus e descobrir mais profundamente o Seu rosto. A Carta aos Hebreus esclarecia neste sentido: <em>&ldquo;Antigamente Deus falou muitas vezes e de muitos modos aos nossos pais pelos profetas&rdquo;.<\/em> As Sagradas Escrituras, s&atilde;o, na verdade, uma ponte para entrar em contacto com Deus e dialogar com Ele. A referida Carta continuava: &ldquo;<em>Nestes dias, que s&atilde;o os &uacute;ltimos, Deus falou-nos pelo seu pr&oacute;prio Filho&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p>Na mesma linha, o evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o designa o Filho como o &ldquo;Verbo&rdquo; ou Palavra eterna de Deus. <em>&ldquo;Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens&rdquo;.<\/em> Portanto, quando escutamos atentamente ou fazemos uma leitura meditada e interiorizada da Sagrada Escritura, Deus vem conversar com Seus Filhos. Atrav&eacute;s dos textos b&iacute;blicos temos a possibilidade de dialogar com Deus, como se dialoga com um amigo. Assim, a B&iacute;blia deixa de ser letra morta e torna-se palavra viva de Deus.<\/p>\n<p>Este &eacute; um caminho acess&iacute;vel para nos encontrarmos com o Senhor, para descobrir o rosto invis&iacute;vel de Deus. Ou&ccedil;amos Santo Hip&oacute;lito, te&oacute;logo do s&eacute;c. III:<\/p>\n<p><em>&ldquo;&Uacute;nico &eacute; o Deus que conhecemos, irm&atilde;os, e n&atilde;o por outra fonte que n&atilde;o seja a Sagrada Escritura. Devemos, pois, saber o que as divinas Escrituras anunciam e compreender o que ensinam. Devemos conhecer o Pai como Ele quer ser conhecido, glorificar o Filho, como o Pai quer que O glorifiquemos e receber o Esp&iacute;rito Santo como Ele no-lo quer conceder. Esforcemo-nos por chegar &agrave; compreens&atilde;o das realidades divinas, n&atilde;o segundo o nosso arb&iacute;trio e interpreta&ccedil;&atilde;o pessoal, nem fazendo viol&ecirc;ncia aos dons de Deus, mas seguindo os caminhos que o mesmo Senhor nos deu a conhecer nas santas Escrituras&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>A leitura meditada e orante da B&iacute;blia, (que designamos por &ldquo;lectio divina&rdquo;), a princ&iacute;pio n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Mas com exerc&iacute;cio perseverante e com o apoio de um grupo b&iacute;blico, leva-nos adquirir gosto e a alcan&ccedil;ar fruto. &ldquo;Scriptura crescit cum legente&rdquo; (S. Greg&oacute;rio). Assim o Verbo ou Palavra eterna de Deus torna-se luz e vida na nossa exist&ecirc;ncia, leva-nos a contemplar a gl&oacute;ria de Deus e a receber a sua gra&ccedil;a e verdade.<\/p>\n<p>+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo de Santar\u00e9m na Missa de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[295,180,267],"class_list":["post-42696","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-biblia","tag-diocese-de-santarem","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42696\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}