{"id":42694,"date":"2009-12-25T23:23:27","date_gmt":"2009-12-25T23:23:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/25\/nao-adiemos-o-natal\/"},"modified":"2009-12-25T23:23:27","modified_gmt":"2009-12-25T23:23:27","slug":"nao-adiemos-o-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-adiemos-o-natal\/","title":{"rendered":"N\u00e3o adiemos o Natal"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Missa de Natal <!--more--> <\/p>\n<p>O&nbsp;Natal nem sempre &eacute; convenientemente interpretado. O Evangelho concentra-nos no essencial e deveria secundarizar outros aspectos que, podendo ser importantes, recebem o significado da compreens&atilde;o daquilo que &eacute; verdadeiramente essencial.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;O Verbo fez-se carne e habitou entre n&oacute;s&rdquo; como luz que ilumina todos os homens embora muitos n&atilde;o o queiram receber, s&oacute; que a luz deve continuar a brilhar no meio das trevas pois s&oacute; n&rsquo;Ele est&aacute; a vida.<\/p>\n<p>Se as trevas de hoje se adensam, numa perspectiva religiosa e social, Cristo deve continuar a Sua ac&ccedil;&atilde;o no mundo. Sabemos que persiste uma estrutura&ccedil;&atilde;o e descri&ccedil;&atilde;o da sociedade radicalmente injusta e totalmente corrupta com muitos sinais de desintegra&ccedil;&atilde;o. Mas, em simult&acirc;neo, torna-se imperioso reconhecer um mundo e uma sociedade, mergulhadas no meio de mil dificuldades e ambiguidades, mas que &eacute; capaz de gerar vida, paz, justi&ccedil;a, solidariedade. N&atilde;o podemos ficar numa vis&atilde;o pessimista e negativa do mundo.<\/p>\n<p>S&oacute; interpretando positivamente a realidade actual seremos capazes de estruturar uma vontade concreta de acreditar que tudo poder&aacute; mudar.<\/p>\n<p>No tempo de Advento ouv&iacute;amos Isa&iacute;as perguntar: &ldquo;Sentinela, em que altura vai a noite?&rdquo; (Is 21, 14). Ningu&eacute;m ignora a escurid&atilde;o que nos &eacute; dado viver. Mas, o dinamismo que a comunidade crist&atilde; deve manifestar continua a ser interprete de esperan&ccedil;a pois &ldquo;s&atilde;o belos sobre os montes os p&eacute;s do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa not&iacute;cia, que anuncia a salva&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Is 52, 7).<\/p>\n<p>Mais do que nunca a Igreja deve estar intimamente unida ao mundo, sem se confundir ou ter medo dele. Nenhum motivo pode servir para se afastar do mesmo. Ela necessita de, com aud&aacute;cia e sentido de testemunho duma mensagem com par&acirc;metros diferentes, colocar-se uma atitude de solidariedade e permuta m&uacute;tua com a hist&oacute;ria, real e concreta, do mundo. S&oacute; mergulhando nos seus dinamismos mais &iacute;ntimos poder&aacute; ser &ldquo;experta em humanidade&rdquo; e, em nome do Evangelho, entender a sua miss&atilde;o como servi&ccedil;o &agrave; fam&iacute;lia humana.<\/p>\n<p>Caminhar com o mundo, como verdadeira incarna&ccedil;&atilde;o, e ousar proclamar a fidelidade a Algu&eacute;m que se fez mundo para a Verdadeira Salva&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Deus falou muitas vezes e de muitos modos&rdquo;. &ldquo;Nestes dias falou-nos por Seu Filho&rdquo;(Heb 1, 1-2).<\/p>\n<p>&Eacute; Cristo, nascido em Bel&eacute;m e morto em Jerusal&eacute;m, que deve falar numa reinterpreta&ccedil;&atilde;o do Seu Evangelho que continua pleno de actualidade. A Palavra de Deus &eacute; o grande dom da Igreja que ela deve colocar no cora&ccedil;&atilde;o da humanidade numa atitude humilde e de servi&ccedil;o. S&oacute; o Evangelho distingue a Igreja doutras ideologias ou pensamentos sobre a sociedade. Revertida da mesma Palavra nunca poder&aacute; olhar o mundo como estranho e aproximar-se dele como algo alheio. Interessa-se, procura conhec&ecirc;-lo, aprecia-o, alegra-se com o seu crescimento, condivide as suas preocupa&ccedil;&otilde;es, as suas conquistas e interroga&ccedil;&otilde;es, partilha as suas feridas e ambiguidades, acompanha todos os seus passos e leva os seus pesos para em tudo o amar e servir.<\/p>\n<p>No mundo a Igreja &eacute; chamada a mostrar que o Evangelho de Jesus Cristo n&atilde;o &eacute; uma realidade do passado. Ele &eacute; o futuro aut&ecirc;ntico da humanidade porque oferece um verdadeiro olhar sobre tudo o que &eacute; humano.<\/p>\n<p>&Eacute; um futuro que a Igreja e o mundo, em escuta e di&aacute;logo m&uacute;tuos, saber&atilde;o continuamente a edificar, respondendo &agrave;s diversas quest&otilde;es da humanidade nunca numa mera perspectiva espiritual, nunca numa dimens&atilde;o verdadeiramente humana. Em cada ser humano est&aacute; sempre patente a necessidade de viver melhor neste mundo mas inseparavelmente unida ao desejo de mais alguma coisa. &ldquo;Nem s&oacute; de p&atilde;o vive o homem.&rdquo; H&aacute; algo que transcende o p&atilde;o. Esquecer ou truncar uma destas dimens&otilde;es ser&aacute; sempre apostar num desenvolvimento falso que ilude e engana. S&oacute; uma ac&ccedil;&atilde;o conjunta destes dois horizontes atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o eclesial e da ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, permitir&aacute; uma sociedade &agrave; medida do homem e realizadora de felicidade.<\/p>\n<p>&Eacute; nesta convic&ccedil;&atilde;o que gostaria de congratular-me com quanto o Tratado de Lisboa &ndash; que recentemente entrou em vigor &ndash; sublinha. &ldquo;A Uni&atilde;o respeita e n&atilde;o interfere no estatuto de que gozam, ao abrigo do direito nacional, as Igrejas e associa&ccedil;&otilde;es ou comunidades religiosas nos Estados membros&rdquo; (Art. 17 &sect;1).<\/p>\n<p>&ldquo;Reconhecendo a sua identidade e o seu contributo espec&iacute;fico, a Uni&atilde;o mant&eacute;m um di&aacute;logo aberto, transparente e regular com as referidas igrejas e organiza&ccedil;&otilde;es.&rdquo; (Art. 17 &sect;3).<\/p>\n<p>Com este articulado a Igreja deve concentrar-se no genu&iacute;no da sua identidade para poder dar um contributo espec&iacute;fico que &eacute; &uacute;nico e importante para a constru&ccedil;&atilde;o duma sociedade nova. Com este programa centrado do essencial, pode, deve e quer esperar um di&aacute;logo permanente e a prop&oacute;sito das quest&otilde;es estruturantes da sociedade para uma caminhada comum que n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o obstaculriza a laicidade do Estado mas lhe concede o estatuto duma positividade que a todos envolve e compromete na prossecu&ccedil;&atilde;o do bem comum.<\/p>\n<p>O Natal tamb&eacute;m pode ter este significado e deve conduzir-nos a uma participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica que n&atilde;o se det&ecirc;m perante as dificuldades.<\/p>\n<p>Cristo tem algo a dizer &agrave; sociedade portuguesa e importa que o fa&ccedil;a pela Igreja como comunh&atilde;o hier&aacute;rquica onde todos s&atilde;o correspons&aacute;veis.<\/p>\n<p>&Eacute; Ele que, em todos os crist&atilde;os, deve falar sempre com o exemplo e, frequentemente, com a palavra, chegando a todos os &acirc;mbitos da vida. O crist&atilde;o, homem ou mulher, &eacute; este sinal de que o Natal continua a acontecer na pol&iacute;tica, na escola, na sa&uacute;de, na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, nas f&aacute;bricas, no com&eacute;rcio, na ind&uacute;stria&hellip;<\/p>\n<p>Se Cristo n&atilde;o nasceu no aconchego dum lar pode significar esta urg&ecirc;ncia de que chegue pelos crist&atilde;os a mundos que parecem nada ter com a vida da Igreja. Esta est&aacute; em todos os mundos e s&oacute; os crist&atilde;os podem demonstrar a verdade desta doutrina.<\/p>\n<p>O Natal ainda n&atilde;o aconteceu. Isto &eacute; maravilhoso. S&oacute; a Igreja, sacerdotes e leigos, permitir&aacute; que a noite se ultrapasse e resplande&ccedil;a a aurora dum mundo mais humano e fraterno.<\/p>\n<p>&ldquo;Aquele amor divino &eacute; a luz &ndash; fundamentalmente, a &uacute;nica &ndash; que ilumina, incessantemente, um mundo &agrave;s escuras e nos d&aacute; a coragem de viver e agir&rdquo; (D.C.E. 39). Compete-nos manifest&aacute;-lo.<\/p>\n<p>S&eacute; Catedral, 25-12-09<\/p>\n<p>&dagger; Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Missa de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[100,172,267,314],"class_list":["post-42694","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-advento","tag-diocese-de-braga","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42694\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}