{"id":42693,"date":"2009-12-25T12:06:09","date_gmt":"2009-12-25T12:06:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/25\/natal-com-os-agnosticos-e-os-ateus\/"},"modified":"2009-12-25T12:06:09","modified_gmt":"2009-12-25T12:06:09","slug":"natal-com-os-agnosticos-e-os-ateus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-com-os-agnosticos-e-os-ateus\/","title":{"rendered":"Natal com os agn\u00f3sticos e os ateus"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca na Missa do Natal do Senhor <!--more--> <\/p>\n<p>&nbsp;<strong><em>&Agrave; procura do Rosto de Deus<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1. O in&iacute;cio do Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o, que agora escut&aacute;mos, resume bem o que significa para o homem esta ousadia do amor de Deus, que foi fazer-se Homem. &ldquo;A Deus nunca ningu&eacute;m O viu. O Filho Unig&eacute;nito, que est&aacute; no seio do Pai, &eacute; que O deu a conhecer&rdquo; (Jo. 1,18). Est&aacute; explicado o motivo de Deus para a encarna&ccedil;&atilde;o do seu Verbo eterno: para que o homem O pudesse conhecer, pudesse ver o Seu rosto. Ver o rosto de Deus, conhec&ecirc;-l&rsquo;O face a face, foi um anseio profundo dos crentes de Israel. Mois&eacute;s, o homem de Deus, com quem Deus falava como um amigo fala ao seu amigo (cf. Ex. 33,11), no alto do Sinai, ousa pedir: &ldquo;Senhor, deixa-me ver o Teu rosto&rdquo; (Ex. 33,18).<\/p>\n<p>Este desejo brota da f&eacute; de Israel. S&oacute; se deseja conhecer o rosto de um amigo, de algu&eacute;m que sentimos perto de n&oacute;s. O crente de Israel sofre a tens&atilde;o de uma dupla experi&ecirc;ncia: a certeza de que Deus est&aacute; presente, interessa-se pelo Povo, nas maravilhas que realiza em seu favor, &eacute; um Deus que deseja intimidade; mas, por outro lado, Ele &eacute; um mist&eacute;rio dif&iacute;cil de alcan&ccedil;ar, o que leva o Salmista a exclamar: &ldquo;Tu &eacute;s, na verdade, um Deus escondido&rdquo; (Is. 45,15). Tudo isto faz ressaltar o dom inaudito da Encarna&ccedil;&atilde;o: em Jesus Cristo pode contemplar-se o rosto de Deus. Ele &eacute; a derradeira atitude de Deus para se tornar pr&oacute;ximo e se dar a conhecer ao Seu Povo, Ele que &ldquo;muitas vezes e de muitos modos falou antigamente aos nossos pais, pelos profetas e que, nestes dias que s&atilde;o os &uacute;ltimos, nos falou por Seu Filho&rdquo; (He. 1,1ss).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. J&aacute; Isa&iacute;as enalteceu os mensageiros que trazem a not&iacute;cia do regresso de Deus a Si&atilde;o, que leva todos a soltar brados de alegria porque v&ecirc;em, com os pr&oacute;prios olhos, Deus que volta para Si&atilde;o. O Profeta acredita que esse regresso de Deus &agrave; intimidade com o Povo da Alian&ccedil;a ser&aacute; o ponto de partida do an&uacute;ncio do Deus vivo a todos os povos do mundo. &ldquo;O Senhor descobriu o seu santo bra&ccedil;o &agrave; vista de todas as na&ccedil;&otilde;es e todos os confins da terra ver&atilde;o a salva&ccedil;&atilde;o do nosso Deus&rdquo; (Is. 52,10). Esta consci&ecirc;ncia de que o Povo do Senhor ter&aacute; como miss&atilde;o anunciar o Deus vivo a todos os povos, radicalizar-se-&aacute; em Jesus Cristo e na sua Igreja, que &eacute; sacramento de salva&ccedil;&atilde;o para todos os povos. Ir por todo o mundo a anunciar a salva&ccedil;&atilde;o de Deus, em Jesus Cristo, &eacute; a miss&atilde;o da Igreja, expressa no &uacute;ltimo envio dos Ap&oacute;stolos, por Jesus: &ldquo;Todo o poder Me foi dado no C&eacute;u e na Terra; ide, pois, e fazei disc&iacute;pulos em todas as na&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Mt. 28,18).<\/p>\n<p>Este an&uacute;ncio do profeta do regresso de Deus a Si&atilde;o &eacute; o an&uacute;ncio do Messias, da encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus. Nunca como em Jesus Cristo, Deus esteve presente no meio do seu Povo. Esta vinda de Deus para Si&atilde;o n&atilde;o foi facilmente reconhecida pela totalidade do Povo. S&atilde;o Jo&atilde;o reconhece-o: &ldquo;Veio para o que era seu e os seus n&atilde;o O receberam&rdquo; (Jo. 1,11); &ldquo;a luz brilha nas trevas e as trevas n&atilde;o a receberam&rdquo; (Jo. 1,5). Este &eacute; um dos grandes paradoxos da hist&oacute;ria: um povo oficialmente crente em Deus, n&atilde;o reconhece Deus que o visita.<\/p>\n<p>Este paradoxo verifica-se hoje, na nossa sociedade. Somos um povo cuja cultura foi profundamente marcada pelo cristianismo, em que a grande maioria dos portugueses s&atilde;o baptizados, mas que celebrando o Natal de forma cultural, n&atilde;o reconhece em Jesus o Deus que o visita.<\/p>\n<p>O Natal interpela, antes de mais, a Igreja. O nascimento de Jesus &eacute; uma proposta de intimidade com Deus que vem, sempre de novo, ao nosso encontro em Jesus Cristo. Se n&atilde;o vivermos a profundidade e a surpresa desse encontro, n&atilde;o o podemos anunciar com convic&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o seremos o lugar a partir do qual &eacute; anunciado ao mundo o verdadeiro Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. S&oacute; esse an&uacute;ncio, que seja testemunho do encontro com o rosto de Deus no rosto humano de Jesus, ser&aacute; luz que brilha nas trevas, vencer&aacute; a indiferen&ccedil;a, o agnosticismo e mesmo o ate&iacute;smo. Hoje, na nossa sociedade, h&aacute; alguns que negam mesmo a exist&ecirc;ncia de Deus, atitude que pode parecer clara na l&oacute;gica da raz&atilde;o, mas que n&atilde;o tranquiliza o cora&ccedil;&atilde;o. Outros refugiam-se na atitude agn&oacute;stica de quem n&atilde;o se pronuncia, de quem n&atilde;o sabe dizer nada sobre Deus, que respeitam os crentes mas n&atilde;o se sentem interpelados por eles, esquecendo que h&aacute; inquieta&ccedil;&otilde;es profundas que dificilmente se podem calar, que &ldquo;o cora&ccedil;&atilde;o tem raz&otilde;es que a raz&atilde;o desconhece&rdquo;, na express&atilde;o popular que tenta definir o amor. Mas a maior parte dos nossos contempor&acirc;neos adiam sempre, para mais tarde, uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o sobre Deus, acabando assim por adiar um encontro com o pr&oacute;prio Deus. No di&aacute;logo com todos estes nossos irm&atilde;os devemos apresentar-nos na humildade da nossa f&eacute;, que se gera certezas inabal&aacute;veis, sem sempre exclui a obscuridade e a d&uacute;vida. Temos em comum com todos os que procuram, o nosso desejo de ver a Deus, de poder contemplar o Seu rosto.<\/p>\n<p>A compreens&atilde;o da f&eacute;, em todo o Novo Testamento, &eacute; uma ades&atilde;o a Jesus Cristo como caminho para a vis&atilde;o de Deus. A sua express&atilde;o mais forte &eacute; a esperan&ccedil;a, que vence obst&aacute;culos e dificuldades, desejando ver a Deus face a face. Em S&atilde;o Paulo &eacute; clara essa compreens&atilde;o da f&eacute; como caminho humilde e confiante &agrave; procura do rosto de Deus. Aos Cor&iacute;ntios ele escreve: &ldquo;hoje vemos como num espelho, de maneira confusa, mas ent&atilde;o veremos face a face. Hoje conhe&ccedil;o de maneira imperfeita, mas ent&atilde;o conhecerei como sou conhecido&rdquo; (1Cor. 13,12). O encontro perfeito e definitivo com Cristo &eacute; para Paulo o cumular da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Contemplemos o nascimento de Jesus celebrando a sua P&aacute;scoa. Esta proporciona-nos, continuamente, o encontro vivo com Ele, por via sacramental, e assim vamos aprendendo a desejar, sempre mais, aquele momento em que, no Seu rosto, contemplaremos o rosto de Deus.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>S&eacute; Patriarcal, 25 de Dezembro de 2009<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p align=\"center\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal-Patriarca na Missa do Natal do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[267],"class_list":["post-42693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42693\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}