{"id":42688,"date":"2009-12-25T10:40:45","date_gmt":"2009-12-25T10:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/25\/a-liturgia-e-anuncio-da-salvacao\/"},"modified":"2009-12-25T10:40:45","modified_gmt":"2009-12-25T10:40:45","slug":"a-liturgia-e-anuncio-da-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-liturgia-e-anuncio-da-salvacao\/","title":{"rendered":"A Liturgia \u00e9 an\u00fancio da Salva\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D.Jos\u00e9 Policarpo na Noite de Natal <!--more--> <\/p>\n<p>1. A Igreja tem, como miss&atilde;o priorit&aacute;ria, anunciar a salva&ccedil;&atilde;o definitivamente realizada em Jesus Cristo. F&aacute;-lo de muitos modos, mas o mais eficaz &eacute; o testemunho da vida, a f&eacute; traduzida em experi&ecirc;ncia de salva&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a densidade do testemunho que d&aacute; autenticidade &agrave; palavra. As express&otilde;es da f&eacute; vivida que mais tocam os cora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o a sua celebra&ccedil;&atilde;o pela comunidade crente e o amor fraterno. &Eacute; por isso que a Liturgia &eacute;, na sua verdade mais profunda, an&uacute;ncio da salva&ccedil;&atilde;o e meio para a miss&atilde;o evangelizadora da Igreja.<\/p>\n<p>Na Liturgia, de modo particular na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, a comunidade crist&atilde; escuta a Palavra do Senhor com o cora&ccedil;&atilde;o aberto e comovido, acolhe o dom de Jesus Cristo que se entrega de novo &agrave; Sua Igreja, express&atilde;o do infinito amor de Deus por n&oacute;s, une-se e identifica-se com Cristo a ponto de se entregar pela salva&ccedil;&atilde;o de todo o g&eacute;nero humano. Na Liturgia, a Igreja vive a salva&ccedil;&atilde;o, identifica-se com Cristo, deseja renovar-se com a for&ccedil;a do seu amor e participa j&aacute; do j&uacute;bilo da P&aacute;tria celeste. A celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia &eacute; o momento da verdade da Igreja, que lhe d&aacute; autoridade para anunciar a salva&ccedil;&atilde;o. A partir dela, os crentes s&atilde;o enviados, sempre de novo, para o meio do mundo, para anunciarem com a vida e com a palavra o dom da vida nova. A for&ccedil;a anunciadora dessa vida e dessa palavra, &eacute; a da Eucaristia que celebraram. Toda a evangeliza&ccedil;&atilde;o parte da Eucaristia e converge para a Eucaristia.<\/p>\n<p>Estamos a celebrar o Natal. A Liturgia desta noite tem de ser an&uacute;ncio de Jesus Cristo, a express&atilde;o do amor de Deus por n&oacute;s que Ele encarnou, isto &eacute;, humanizou, exprimiu na nossa realidade humana. O Natal &eacute; uma festa crist&atilde; enriquecida culturalmente de forma muito bela, exprimindo valores e anseios fundamentais da fam&iacute;lia humana: a harmonia, a paz, o calor da conviv&ecirc;ncia, a partilha de dons, a descoberta da dimens&atilde;o festiva da vida. Mas s&oacute; a densidade da celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica tem a for&ccedil;a transformadora de um an&uacute;ncio, se nela acolhermos de novo o Filho de Deus feito homem como manifesta&ccedil;&atilde;o do amor de Deus por n&oacute;s, se nos abrirmos mais radicalmente ao dom da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. N&atilde;o &eacute; por acaso que os tr&ecirc;s textos da Sagrada Escritura que, nesta celebra&ccedil;&atilde;o, nos foram proclamados para os escutarmos como a Palavra amorosa que Deus nos diz esta noite, s&atilde;o tr&ecirc;s textos de an&uacute;ncio desse momento decisivo da humanidade que foi o nascimento de Jesus. O primeiro an&uacute;ncio &eacute; feito por um mensageiro de Deus, um Anjo: &ldquo;Anuncio-vos uma grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje, na Cidade de David, um Salvador que &eacute; Cristo Senhor&rdquo; (Lc. 2,11). O nascimento de Jesus &eacute; anunciado como o dom da salva&ccedil;&atilde;o, acto decisivo de Deus para resgatar a humanidade. J&aacute; tinha sido assim que outro mensageiro divino o tinha anunciado a Maria: &ldquo;Conceber&aacute;s e dar&aacute;s &agrave; luz um Filho e dar-lhe-&aacute;s o nome de Jesus. Ele ser&aacute; grande e chamar-lhe-&atilde;o Filho do Alt&iacute;ssimo&rdquo; (Lc. 1,31-32). Neste an&uacute;ncio &eacute; claro que a salva&ccedil;&atilde;o &eacute; obra amorosa de Deus, s&oacute; Deus nos pode salvar. A alegria anunciada &eacute; a alegria da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O segundo an&uacute;ncio &eacute; feito pelo Profeta Isa&iacute;as, a um Povo que esperava a salva&ccedil;&atilde;o como concretiza&ccedil;&atilde;o &uacute;ltima da fidelidade do Deus da Alian&ccedil;a. &ldquo;Um Menino nasceu para n&oacute;s, um Filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e ser&aacute; chamado conselheiro admir&aacute;vel, Deus forte, Pai eterno, Pr&iacute;ncipe da Paz&rdquo; (Is. 9,5-6). Para Isa&iacute;as &eacute; claro que Deus estar&aacute; presente neste Menino, que ter&aacute; a realeza de Deus e a salva&ccedil;&atilde;o anunciada consistir&aacute; numa paz duradoira e no triunfo da justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>O terceiro an&uacute;ncio acontece j&aacute; no seio da Igreja nascente, na realidade da salva&ccedil;&atilde;o vivida e procurada por aqueles que se uniram a Jesus Cristo. A salva&ccedil;&atilde;o &eacute; agora experi&ecirc;ncia nova da vida em Cristo, participa&ccedil;&atilde;o da novidade pascal da ressurrei&ccedil;&atilde;o, processo a realizar-se com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito e que permite esperar poder um dia participar no triunfo final de Jesus Cristo. Este an&uacute;ncio &eacute; expresso por S&atilde;o Paulo na sua Carta a Tito: &ldquo;Manifestou-se a gra&ccedil;a de Deus, fonte de salva&ccedil;&atilde;o para todos os homens&rdquo; (Tit. 2,11).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Esta celebra&ccedil;&atilde;o, pela densidade da sua f&eacute;, tem de ser an&uacute;ncio, antes de mais para n&oacute;s que aqui estamos reunidos com o Senhor e em seu nome. &Eacute; a partir de n&oacute;s, atrav&eacute;s do nosso testemunho, que ser&aacute; inevit&aacute;vel e espont&acirc;neo, &agrave; nossa sociedade, aos nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s que celebram o Natal sem lhes captar a mensagem, a densidade da alegria. Que aqueles tr&ecirc;s an&uacute;ncios da Palavra de Deus inspirem o nosso cora&ccedil;&atilde;o para acolher, de novo, o an&uacute;ncio da salva&ccedil;&atilde;o e orientem o nosso testemunho &agrave;s pessoas que nos rodeiam. Sintetizemos o conte&uacute;do dessa mensagem:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Antes de mais, Jesus, o Menino que nasceu em Bel&eacute;m, &eacute; o Filho de Deus. Ele &eacute; chamado Filho do Deus Alt&iacute;ssimo, tem todo o poder sobre os seus ombros, que se manifestar&aacute; plenamente depois da ressurrei&ccedil;&atilde;o. Ele tem a realeza do Messias esperado: os crist&atilde;os aprenderam a chamar-lhe Senhor. Contemplar o pres&eacute;pio sem acreditar na divindade daquele Menino &eacute; n&atilde;o permitir que o nosso olhar penetre na profundidade do mist&eacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Ele &eacute; o Salvador, porque &eacute; Deus, tem o poder de recriar. S&oacute; Deus nos pode salvar. Porque &eacute; homem, sabe como este &uacute;ltimo desafio de Deus se pode concretizar na nossa realidade humana. Ele sabe que o segredo do homem &eacute; o seu cora&ccedil;&atilde;o, e que se aceitar de Deus um cora&ccedil;&atilde;o novo, toda a sua vida mudar&aacute;, porque ser&aacute; transformada pelo amor. Maria, a M&atilde;e, a mulher de cora&ccedil;&atilde;o imaculado, diz-nos como isso &eacute; poss&iacute;vel e onde nos levar&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Apontam-se, depois, os primeiros frutos da salva&ccedil;&atilde;o nos cora&ccedil;&otilde;es renovados: a alegria, a paz, a justi&ccedil;a. O mundo actual perdeu o sentido da verdadeira alegria, e vai-se afastando dela. Procura-a por caminhos fren&eacute;ticos de excita&ccedil;&atilde;o, na busca de prazeres, de interesses, de frui&ccedil;&atilde;o dos bens materiais, tudo isto em ritmos alucinantes, que provocam a solid&atilde;o e, quase sempre, a tristeza. A alegria &eacute; experi&ecirc;ncia simples e profunda, brota dos cora&ccedil;&otilde;es puros e generosos.<\/p>\n<p>A encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus ensina-nos que s&oacute; o amor generoso, a experi&ecirc;ncia da generosidade, do dom e da partilha, a contempla&ccedil;&atilde;o da beleza dos outros homens, meus irm&atilde;os, s&atilde;o caminhos da verdadeira paz. S&oacute; o Natal nos faz perceber que a justi&ccedil;a &eacute; a concretiza&ccedil;&atilde;o da verdade profunda do homem, chamado a viver em comunh&atilde;o com os outros homens e que s&oacute; homens justos podem ser obreiros da justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Acolhamos a mensagem desta celebra&ccedil;&atilde;o, empenhando-nos nela e faremos, talvez, a experi&ecirc;ncia de uma alegria, que sendo humana, n&atilde;o se reduz a nenhuma realidade deste mundo. Talvez percebamos de novo o que queremos dizer uns aos outros quando nos saudamos, desejando &ldquo;Bom Natal&rdquo;, &ldquo;Santo Natal&rdquo;.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>S&eacute; Patriarcal, 24 de Dezembro de 2009<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D.Jos\u00e9 Policarpo na Noite de Natal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[295,246,267],"class_list":["post-42688","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-biblia","tag-liturgia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42688","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42688"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42688\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}