{"id":42686,"date":"2009-12-25T10:27:54","date_gmt":"2009-12-25T10:27:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/25\/mensagem-de-natal-do-cardeal-patriarca\/"},"modified":"2009-12-25T10:27:54","modified_gmt":"2009-12-25T10:27:54","slug":"mensagem-de-natal-do-cardeal-patriarca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-cardeal-patriarca\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do Cardeal-Patriarca"},"content":{"rendered":"<p>1. &Eacute; Natal! O Natal &eacute; o an&uacute;ncio do amor inaudito de Deus pela humanidade, an&uacute;ncio jubiloso, cumprimento de uma promessa e realiza&ccedil;&atilde;o de um desejo do cora&ccedil;&atilde;o humano. &Eacute; assim que os textos da B&iacute;blia que as comunidades meditar&atilde;o esta noite, apresentam o nascimento de Jesus: &ldquo;Anuncio uma grande alegria para todo o Povo: nasceu-vos, hoje, na cidade de David, um Salvador, que &eacute; Cristo Senhor&rdquo; (Lc. 2,10).<\/p>\n<p>Esta noite, dirijo-me a v&oacute;s com total sinceridade. Eu acredito em Deus e, por isso tenho de fazer desta mensagem um an&uacute;ncio a todos v&oacute;s que me escutais: Deus existe e continua a amar a humanidade, no seu Filho Jesus Cristo, Deus e Homem, que nasceu em Bel&eacute;m h&aacute; 2000 anos, Filho da Virgem Maria. Este an&uacute;ncio &eacute; sincero e feito com humildade. &Eacute; an&uacute;ncio que s&oacute; tocar&aacute; o cora&ccedil;&atilde;o daqueles e daquelas que, talvez alguns sem o saberem, procuram o encontro com Deus, um Deus que conhecemos pouco, um Deus em que alguns n&atilde;o acreditam ou n&atilde;o deixaram entrar no concreto das suas vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Nos &uacute;ltimos tempos, entre n&oacute;s, falou-se muito de ate&iacute;smo; exprimiram-se ateus, pessoas e organiza&ccedil;&otilde;es, defendeu-se o direito de ser ateu e de exprimir a nega&ccedil;&atilde;o de Deus, manifesta&ccedil;&atilde;o da liberdade de consci&ecirc;ncia; deu-se a entender que n&atilde;o &eacute; o facto de os crentes acreditarem em Deus que faz com que Ele exista. Mas esqueceu-se a afirma&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o &eacute; o facto de algu&eacute;m n&atilde;o acreditar em Deus que faz com que Ele n&atilde;o exista. Acreditar ou n&atilde;o acreditar s&atilde;o sempre tomadas de posi&ccedil;&atilde;o da nossa intelig&ecirc;ncia e da nossa liberdade em rela&ccedil;&atilde;o a esse mist&eacute;rio que nos interpela e, porventura, nos incomoda. N&oacute;s acreditamos, porque Ele existe e o encontr&aacute;mos. Citaram-se nomes sonantes da nossa literatura, como Miguel Torga, que referindo-se a Deus, afirmou ter tido toda a vida a coragem de O negar, mas nunca ter sido capaz de O esquecer.<\/p>\n<p>Um Menino nasceu para n&oacute;s, Deus vem ao nosso encontro. O Natal continua a trazer a todos uma mensagem de harmonia e de paz. Ser crente ou descrente n&atilde;o pode transformar-se em conflito, um motivo mais para as tens&otilde;es e agress&otilde;es m&uacute;tuas entre os homens. S&atilde;o atitudes e experi&ecirc;ncias a ser vividas com humildade, que exprimem a nossa situa&ccedil;&atilde;o de peregrinos da Vida e da Verdade. S&oacute; procuram Deus aqueles que n&atilde;o desistiram de se encontrar a si mesmos numa percep&ccedil;&atilde;o cada vez mais profunda do seu pr&oacute;prio mist&eacute;rio. Surpreendem-me as certezas apod&iacute;cticas com que alguns proclamam o seu ate&iacute;smo. As pr&oacute;prias certezas da f&eacute;, sendo firmes, s&atilde;o humildes. O crente ser&aacute; sempre aquele que procura o seu Senhor. &Eacute; uma longa peregrina&ccedil;&atilde;o que tem a grandeza e a humildade da longa caminhada da vida. E nesse longo caminhar, h&aacute; momentos de obscuridade e de d&uacute;vida, que nos fazem desejar, mais ardentemente, a luz da Verdade, na esperan&ccedil;a de que, no grande dia, ela brilhe esplendorosa e de forma definitiva. A f&eacute; &eacute; uma luz que nos conduz nesta vida, mas nos encaminha para a eternidade, onde a luz de Deus brilhar&aacute; para todos.<\/p>\n<p>&ldquo;V&oacute;s sois na verdade um Deus escondido&rdquo;, canta o salmista do Antigo Testamento. N&oacute;s, os crentes, n&atilde;o invent&aacute;mos Deus. Ele &eacute; misterioso demais para ser inven&ccedil;&atilde;o humana. Acreditamos n&rsquo;Ele porque Ele nos atrai e nunca permitiu que a Sua not&iacute;cia se apagasse do cora&ccedil;&atilde;o humano. E sabemos, por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria, por vezes dolorosa, que a nossa vida e a vida de todos os homens ganham um rumo novo quando se deseja e se busca o rosto de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Nesta noite de harmonia e de paz, com a mesma sinceridade que vos prometi, sa&uacute;do todos aqueles e aquelas que acreditam em Deus atrav&eacute;s de outras tradi&ccedil;&otilde;es religiosas. Temos muitas diferen&ccedil;as, mas temos algo de precioso em comum, a f&eacute; em Deus, ser supremo e amigo dos homens. A nossa f&eacute;, como a vossa, constitui um elemento decisivo para que esta nossa sociedade, por vezes t&atilde;o desviada de uma dimens&atilde;o grandiosa da vida, encontre o sentido da harmonia, da fraternidade e da paz.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do os nossos irm&atilde;os judeus, membros do mesmo povo crente ao qual pertencemos, deles herd&aacute;mos a beleza da Alian&ccedil;a, a ousadia dos profetas, a piedade orante dos Salmos, a certeza de que Deus interv&eacute;m na nossa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do todos os irm&atilde;os que acreditam no Deus &uacute;nico, santo e misericordioso e que, como o povo b&iacute;blico, fundamentaram no encontro de Deus com Abra&atilde;o o in&iacute;cio da sua f&eacute;.<\/p>\n<p>A todos v&oacute;s, quando um dia receberdes o pr&eacute;mio da vossa fidelidade, ser&aacute; revelado o Seu Filho, Jesus Cristo, que vos encher&aacute; de alegria. Todos juntos havemos de contribuir para que Deus n&atilde;o seja exclu&iacute;do do nosso mundo e da nossa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Queria muito que esta minha mensagem fosse an&uacute;ncio, como o dos profetas e dos anjos aos pastores. Esse Deus escondido e misericordioso vem ao nosso encontro, nascendo Menino, filho de Maria. S&atilde;o Jo&atilde;o resume toda a densidade deste an&uacute;ncio: &ldquo;A Deus nunca ningu&eacute;m O viu. O Filho Unig&eacute;nito, que est&aacute; no seio do Pai, &eacute; que O deu a conhecer&rdquo; (Jo. 1,18), porque nos foi entregue pelos bra&ccedil;os estendidos de Maria, sua M&atilde;e, que nos acompanha sempre nesta peregrina&ccedil;&atilde;o na f&eacute;.<\/p>\n<p>Desejo muito que sejais felizes nesta Noite de Natal.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. &Eacute; Natal! 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