{"id":42685,"date":"2009-12-23T18:00:05","date_gmt":"2009-12-23T18:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/bento-xvi-origens-historicas-do-natal\/"},"modified":"2009-12-23T18:00:05","modified_gmt":"2009-12-23T18:00:05","slug":"bento-xvi-origens-historicas-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-origens-historicas-do-natal\/","title":{"rendered":"Bento XVI: origens hist\u00f3ricas do Natal"},"content":{"rendered":"<p>Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente &agrave; origem hist&oacute;rica desta solenidade.<\/p>\n<p>O ano lit&uacute;rgico da Igreja, de facto, n&atilde;o se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o. Por isso, a festa mais antiga do Cristianismo n&atilde;o &eacute; o Natal, mas a P&aacute;scoa: a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo funda a f&eacute; crist&atilde;, est&aacute; na base do an&uacute;ncio do Evangelho e faz nascer a Igreja. Por isso, ser crist&atilde;o significa viver de maneira pascal, fazendo-se envolver pelo dinamismo que se originou no Baptismo e que leva a morrer para o pecado e a viver com Deus (cf Rm 6,4).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira pessoa a afirmar com clareza que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro foi Hip&oacute;lito de Roma, no seu coment&aacute;rio ao livro do profeta Daniel, escrito cerca de 204. Este exegeta nota, depois, que nesse dia se celebrava a Dedica&ccedil;&atilde;o do Templo de Jerusal&eacute;m, institu&iacute;da por Judas Macabeu no ano 164 antes de Cristo. A coincid&ecirc;ncia de datas significaria, ent&atilde;o, que com Jesus, aparecido como luz de Deus na noite, se realiza verdadeiramente a consagra&ccedil;&atilde;o do templo, o Advento de Deus nesta terra.<\/p>\n<p>No Cristianismo, a festa do Natal assumiu uma forma definida no s&eacute;c. IV, quando tomou o lugar da festa romana do &ldquo;Sol invictus&rdquo;, o sol invenc&iacute;vel, colocando assim em evid&ecirc;ncia que o nascimento de Cristo &eacute; a vit&oacute;ria da verdadeira luz sobre as trevas do mal e do pecado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todavia, a particular e intensa atmosfera espiritual que rodeia o Natal desenvolveu-se na Idade M&eacute;dia gra&ccedil;as a S&atilde;o Francisco de Assis, profundamente enamorado pelo homem Jesus, o Deus-Connosco. O seu primeiro bi&oacute;grafo, Tom&aacute;s de Celano, conta que S&atilde;o Francisco &ldquo;acima de todas as outras solenidades, celebrava com inef&aacute;vel carinho o Natal do Menino Jesus, chamando festa das festas ao dia em que Deus, feito pequena crian&ccedil;a, tinha surgido de um seio humano&rdquo; (<em>Fonti Francescane<\/em>, n. 199, p. 492).<\/p>\n<p>Desta devo&ccedil;&atilde;o particular ao mist&eacute;rio da encarna&ccedil;&atilde;o teve origem a famosa celebra&ccedil;&atilde;o do Natal em Gr&eacute;cio (1223, <em>ndr<\/em>). Ela foi provavelmente inspirada pela peregrina&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Francisco &agrave; Terra Santa e pelo pres&eacute;pio de Santa Maria Maior, em Roma. O que animava o pequeno pobre de Assis era o desejo de experimentar de forma concreta, viva e actual a humilde grandeza do evento do nascimento do Menino Jesus e comunicar essa alegria a todos.<\/p>\n<p>Na primeira biografia, Tom&aacute;s de Celano fala da noite do pres&eacute;pio de Gr&eacute;cio de modo vivo e tocante, oferecendo um contributo decisivo para a difus&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o natal&iacute;cia mais bela, a do pres&eacute;pio. A noite de Gr&eacute;cio, de facto, voltou a dar ao Cristianismo a intensidade e a beleza da festa do Natal, educando o Povo de Deus a colher a sua mensagem mais aut&ecirc;ntica, o seu calor particular, e a amar e adorar a humanidade de Cristo.<\/p>\n<p>Esta aproxima&ccedil;&atilde;o particular ao Natal ofereceu &agrave; f&eacute; crist&atilde; uma nova dimens&atilde;o. A P&aacute;scoa tinha centrado a aten&ccedil;&atilde;o sobre o poder de Deus que vence a morte, inaugura a vida nova e ensina a espera no mundo que vir&aacute;. Com S&atilde;o Francisco e o seu pres&eacute;pio, eram colocados em evid&ecirc;ncia o amor indefeso de Deus, a sua humildade e benignidade, que na Incarna&ccedil;&atilde;o do Verbo se manifesta aos homens para ensinar um novo modo de viver e de amar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/audiences\/2009\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20091223_it.html\">Cidade do Vaticano, 23 de Dezembro de 2009<\/a><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Bento XVI<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para compreender melhor o significado do Natal do Senhor, gostaria de acenar brevemente &agrave; origem hist&oacute;rica desta solenidade. O ano lit&uacute;rgico da Igreja, de facto, n&atilde;o se desenvolveu inicialmente partindo do nascimento de Cristo, mas da f&eacute; na ressurrei&ccedil;&atilde;o. 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