{"id":42679,"date":"2009-12-23T15:51:41","date_gmt":"2009-12-23T15:51:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/o-natal-do-outro-lado-da-liberdade\/"},"modified":"2009-12-23T15:51:41","modified_gmt":"2009-12-23T15:51:41","slug":"o-natal-do-outro-lado-da-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-natal-do-outro-lado-da-liberdade\/","title":{"rendered":"O Natal do outro lado da liberdade"},"content":{"rendered":"<p>Estamos dentro de uma Pris&atilde;o.<\/p>\n<p>Nas cadeias h&aacute; pessoas&hellip; e s&atilde;o gente: t&ecirc;m fam&iacute;lia, t&ecirc;m cora&ccedil;&atilde;o, sentimentos, sonhos; pessoas que t&ecirc;m uma consci&ecirc;ncia que tamb&eacute;m fala; h&aacute; l&aacute; dentro mulheres que s&atilde;o M&atilde;es, homens que s&atilde;o Pais, rapazes e mo&ccedil;as que t&ecirc;m c&aacute; fora o namorado ou o noivo, separados pelas grades de ferro, bem feitas, para n&atilde;o poderem ser derrubadas nem ultrapassadas&#8230;<\/p>\n<p>As cadeias s&atilde;o casas onde habitam pessoas: como n&oacute;s; iguais a toda a gente; que foram crian&ccedil;as que brincaram felizes na sua inf&acirc;ncia; que tiveram um colo e riram e choraram ao lado de pessoas que amaram; foram crian&ccedil;as que sonharam outra coisa para o seu futuro; sobre elas pairaram desejos e ambi&ccedil;&otilde;es das M&atilde;es, que sempre sonham as mais belas realiza&ccedil;&otilde;es para seus filhos; crian&ccedil;as que correram para as prendas em dia de Natal!<\/p>\n<p>Nas Pris&otilde;es est&atilde;o pessoas que tamb&eacute;m acreditaram que as presentes de Natal vinham de um amigo, mais ou menos desconhecido; receberam presentes, envolvidos na fantasia que estas coisas sempre comportam, na &ldquo;magia&rdquo; que o Natal oferece.<\/p>\n<p>Dentro da Cadeia, como fora dela, est&atilde;o recorda&ccedil;&otilde;es e saudades, que nem sempre deixam livres de emo&ccedil;&otilde;es quem delas guarda mem&oacute;rias e recorda, com um peso muito especial, quando se est&aacute; onde circunst&acirc;ncias for&ccedil;am uma estadia n&atilde;o sonhada, nem desejada, nem programada.<\/p>\n<p>Como &eacute; o Natal de um Recluso?<\/p>\n<p>Para poupar dores e evitar emo&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o vai falar sobre isso um Preso&hellip; Falo eu, que nem sei imaginar o que seja uma daquelas situa&ccedil;&otilde;es; direi, certamente, coisas sem jeito, que espero n&atilde;o ofendam os meus amigos Reclusos, espalhados por tantos dos Estabelecimentos Prisionais do nosso Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Mas para haver confronto sobre um Natal na Pris&atilde;o, eu terei de saber o que &eacute; um Natal fora da Pris&atilde;o! E eu n&atilde;o sei muito bem&hellip;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, se dissermos que o Natal, deste lado da liberdade, &eacute; festa da Fam&iacute;lia, dos presentes, das compras, do frenesim e das corridas &agrave; loja, que &eacute; a ilumina&ccedil;&atilde;o da rua e da avenida, a festa do conv&iacute;vio, o tempo da viagem para a terra, o dia da roupa nova&hellip; ent&atilde;o o Natal do Preso tem pouco disso.<\/p>\n<p>Mas se o Natal for tempo de encontro, de sil&ecirc;ncio, de di&aacute;logo, de ora&ccedil;&atilde;o; se for um Natal de F&eacute; e de profundas e duradouras emo&ccedil;&otilde;es, ent&atilde;o um Natal assim pode existir em toda a parte e em todo o lugar; tamb&eacute;m numa Cadeia.<\/p>\n<p>Se o Natal fosse a ocasi&atilde;o preparada para ser vivido na Paz criada, carregado de gestos de verdadeira fraternidade, por momentos de renovada e fresca fraternidade, pela aut&ecirc;ntica partilha de vida e de bens, pelo esfor&ccedil;o de ultrapassar escravaturas e ego&iacute;smos tentadores; um Natal de liberdade e de liberta&ccedil;&atilde;o, que ajudasse a recriar no mundo o sentido da serenidade,<\/p>\n<p>da esperan&ccedil;a, da conc&oacute;rdia, da fraternidade, da paz&hellip; este seria o Natal que todos queremos e verdadeiramente sonhamos; este &eacute; o Natal que se deseja sempre, ano ap&oacute;s ano; e que assim vivido e preparado, nunca perderia a sua for&ccedil;a, a sua frescura, a sua novidade&hellip; Este Natal tamb&eacute;m tem espa&ccedil;o nas Cadeias! &Eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m numa Pris&atilde;o!<\/p>\n<p>Um recluso &eacute; uma pessoa que vive, com particular sofrimento, a solid&atilde;o de horas, dias, e anos. Aliviar este peso, &eacute; tarefa de Assistentes espirituais e religiosos, &eacute; tarefa de Colaboradores e de Volunt&aacute;rios que, quanto poss&iacute;vel, refor&ccedil;am nestes dias.<\/p>\n<p>No Natal redobramos os presentes, as presen&ccedil;as, as festas, as celebra&ccedil;&otilde;es, os contactos com as fam&iacute;lias&hellip; tudo e o muito que o cora&ccedil;&atilde;o sugira e as circunst&acirc;ncias permitam.<\/p>\n<p>&Eacute; muito interessante entrar nas nossas Cadeias em tempo de Natal! N&atilde;o faltam os enfeites, as luzes, os pres&eacute;pios; em salas e gabinetes h&aacute; motivos natal&iacute;cios! E tamb&eacute;m n&atilde;o faltam aqueles doces que s&oacute; t&ecirc;m sabor nesta quadra: o bolo-rei, as rabanadas&hellip; porque h&aacute; gente deste lado da liberdade que pensa e dedica muito do seu tempo, dos seus bens e, sobretudo, do seu cora&ccedil;&atilde;o, para que a aproxima&ccedil;&atilde;o da reclus&atilde;o esteja cada vez mais perto da Liberdade.<\/p>\n<p>Com as m&atilde;os dadas, o sofrimento &eacute; aliviado, e o Natal adquire o seu mais verdadeiro significado: porque &eacute; Natal, quando as pessoas est&atilde;o mais perto e se ajudam em la&ccedil;os de Esperan&ccedil;a e de Fraternidade.<\/p>\n<p>Nas Pris&otilde;es, tamb&eacute;m h&aacute; Natal!<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Jo&atilde;o Gon&ccedil;alves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos dentro de uma Pris&atilde;o. Nas cadeias h&aacute; pessoas&hellip; e s&atilde;o gente: t&ecirc;m fam&iacute;lia, t&ecirc;m cora&ccedil;&atilde;o, sentimentos, sonhos; pessoas que t&ecirc;m uma consci&ecirc;ncia que tamb&eacute;m fala; h&aacute; l&aacute; dentro mulheres que s&atilde;o M&atilde;es, homens que s&atilde;o Pais, rapazes e mo&ccedil;as que t&ecirc;m c&aacute; fora o namorado ou o noivo, separados pelas grades de ferro, bem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,267],"class_list":["post-42679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}