{"id":42678,"date":"2010-12-24T07:10:22","date_gmt":"2010-12-24T07:10:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/12\/24\/raizes-medievais-do-natal\/"},"modified":"2010-12-24T07:10:22","modified_gmt":"2010-12-24T07:10:22","slug":"raizes-medievais-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/raizes-medievais-do-natal\/","title":{"rendered":"Ra\u00edzes medievais do Natal"},"content":{"rendered":"<p>O Natal &eacute; uma festa culturalmente muito marcada pela tradi&ccedil;&atilde;o medieval do pres&eacute;pio e do Menino Jesus. No s&eacute;culo XI, a espiritualidade da inf&acirc;ncia do Salvador, iniciada por S&atilde;o Bernardo de Claraval, vai gerar um movimento que abre a porta ao pres&eacute;pio. Os pintores inspiram-se nos seus escritos.<\/p>\n<p>A imagin&aacute;ria vai colocar Maria com o Menino de p&eacute; ou sentado no colo da Maria. No Natal, a imagem de Maria ou do Menino Jesus ficava em cima do altar. Estas imagens apresentam o Menino com coroa, ceptro real, manto, mundo na m&atilde;o, para assinalar a realeza e a senhoria de Cristo, de acordo com o esp&iacute;rito medieval. Os vitrais da catedral de Chartres colocam o Menino deitado em cima de um altar. Esta cena vai influenciar os artistas dos s&eacute;culos seguintes.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XIII, a &ldquo;Legenda &Aacute;urea&rdquo; de Jacobo de Vorigine descreve a cena natal&iacute;cia com pormenores ap&oacute;crifos que saciam a curiosidade do povo. A Ordem dos Pregadores divulga a confraria e a prociss&atilde;o em honra do Santo Nome de Jesus.<\/p>\n<p>Mais tarde, no s&eacute;culo XIV, S&atilde;o Bernardino de Sena e Santa Br&iacute;gida espalham a devo&ccedil;&atilde;o ao Menino Jesus e surge a imagin&aacute;ria para satisfazer a piedade. Em Floren&ccedil;a, realiza-se a primeira manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute; e de devo&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica em honra do Menino Jesus. A sua imagem vai ser levada em prociss&atilde;o e outras cidades v&atilde;o seguir o seu exemplo.<\/p>\n<p>Em Roma a imagem do Menino Jesus &eacute; colocada no altar da Ara Coeli. A imagem &eacute; levada em prociss&atilde;o, todos os dias 25 de cada m&ecirc;s. A fama deste Jesus &ldquo;bambino&rdquo; irradiou por toda a parte. Na quadra natal&iacute;cia colocava-se no altar um ret&aacute;bulo com uma cena natal&iacute;cia, uma imagem de Maria com o menino ao colo ou o Menino Jesus sobre o altar.<\/p>\n<p>Assinale-se que a Idade M&eacute;dia &eacute; uma &eacute;poca de liberdade e de grande variedade no dom&iacute;nio religioso. As Dioceses, mosteiros e demais centros espirituais apresentavam tradi&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, com diversidade nas cerim&oacute;nias religiosas.<\/p>\n<p>No ano de 1223, S. Francisco de Assis decidiu celebrar a Missa da v&eacute;spera de Natal com os cidad&atilde;os de Assis de forma diferente: assim, em vez de ser celebrada no interior de uma igreja, foi celebrada numa gruta, que se situava na floresta de Greccio (ou Gr&eacute;cio), perto da cidade.<\/p>\n<p>S. Francisco transportou para essa gruta um boi e um burro reais e feno, para al&eacute;m disto tamb&eacute;m colocou na gruta as imagens do Menino Jesus, da Virgem Maria e de S. Jos&eacute;. Os pres&eacute;pios passaram a ser assim entendidos como uma pequena narrativa, inspirada nos relatos dos Evangelhos, mas a verdade &eacute; que em Portugal alguns deles representam uma outra interpreta&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica, mais ligada &agrave; entroniza&ccedil;&atilde;o do Menino.<\/p>\n<p>O Pe. Jos&eacute; da Cunha Duarte explica na obra &ldquo;Natal no Algarve. Ra&iacute;zes Medievais&rdquo; como a regi&atilde;o da Proven&ccedil;a (sul de Fran&ccedil;a) foi o grande centro de irradia&ccedil;&atilde;o do pres&eacute;pio com ra&iacute;zes medievais. No Natal, surge o Menino Jesus glorioso, triunfante, o Salvador o senhor e Rei do mundo.<\/p>\n<p>Este pres&eacute;pio foi levado pelos portugueses para a Ilha da Madeira, para os A&ccedil;ores e para o Brasil. Em Portugal, ainda podemos ver este pres&eacute;pio no Baixo Alentejo e no Algarve.<\/p>\n<p>O Pres&eacute;pio tradicional algarvio conserva as ra&iacute;zes medievais. &Eacute; um trono ou altar armado em escadaria. O Menino Jesus est&aacute; de p&eacute;, no cimo do trono. &Agrave; volta coloca-se verdura, Ramos de laranjeira. Na escadaria colocam-se laranjas e searinhas germinadas.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio da d&eacute;cada de oitenta o p&aacute;roco de S&atilde;o Br&aacute;s de Alportel iniciou a recolha das imagens feitas pelos pinta-santos algarvios. Na Igreja Matriz arma-se o pres&eacute;pio tradicional, em escadaria, com laranjas e searinhas e o Menino em cima do trono. A igreja tamb&eacute;m se reveste de panos como foi tradi&ccedil;&atilde;o nos s&eacute;culos XVII e XIX.<\/p>\n<p>Na Madeira, este pres&eacute;pio &eacute; conhecido como &ldquo;lapinha&rdquo;. O Menino Jesus est&aacute; de p&eacute;, no cimo do trono. &Agrave; volta coloca-se verdura e na escadaria coloca-se fruta com as &ldquo;searinhas&rdquo;. Uma lamparina acesa est&aacute; sempre presente.<\/p>\n<p>A imagem do Menino Jesus fica em cima do altar. Estas imagens apresentam o Menino com coroa, ceptro real, manto, mundo na m&atilde;o, para assinalar a realeza e a senhoria de Cristo, de acordo com o esp&iacute;rito medieval.<\/p>\n<p>Quando no final do s&eacute;c. XI e princ&iacute;pios do s&eacute;c. XII a liturgia hisp&acirc;nica foi substitu&iacute;da pelo rito romano, os livros que recebemos n&atilde;o vieram de Roma, mas de Fran&ccedil;a, o que justifica esta forte influ&ecirc;ncia que ainda hoje se sente em v&aacute;rias zonas de Portugal e a mistura de elementos que reflectem a cultura, a espiritualidade e a m&iacute;stica da Fran&ccedil;a medieval.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Natal &eacute; uma festa culturalmente muito marcada pela tradi&ccedil;&atilde;o medieval do pres&eacute;pio e do Menino Jesus. No s&eacute;culo XI, a espiritualidade da inf&acirc;ncia do Salvador, iniciada por S&atilde;o Bernardo de Claraval, vai gerar um movimento que abre a porta ao pres&eacute;pio. Os pintores inspiram-se nos seus escritos. 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