{"id":42674,"date":"2009-12-23T15:21:09","date_gmt":"2009-12-23T15:21:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/23\/mensagem-de-natal-do-bispo-do-algarve\/"},"modified":"2009-12-23T15:21:09","modified_gmt":"2009-12-23T15:21:09","slug":"mensagem-de-natal-do-bispo-do-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-bispo-do-algarve\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do Bispo do Algarve"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Natal solid&aacute;rio, fraterno e aberto &agrave; vida<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Brotam espontaneamente na maioria das pessoas, nesta quadra natal&iacute;cia, mesmo entre as n&atilde;o crist&atilde;s ou que n&atilde;o professam qualquer religi&atilde;o, sentimentos e atitudes que reflectem o sentido crist&atilde;o do Natal.<\/p>\n<p>O esp&iacute;rito que caracteriza esta quadra faz emergir os sentimentos mais nobres do ser humano, em rela&ccedil;&atilde;o ao seu semelhante, mobilizadores de iniciativas e gestos altru&iacute;stas, que exprimem a dimens&atilde;o <em>solid&aacute;ria e fraterna<\/em>, que deveria caracterizar habitualmente as rela&ccedil;&otilde;es humanas e a vida em sociedade.<\/p>\n<p>Foi com agrado que acompanh&aacute;mos tamb&eacute;m este ano, a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades crist&atilde;s algarvias, atrav&eacute;s dos seus movimentos, particularmente o CNE e os Vicentinos, em campanhas de recolha de produtos alimentares, destinados a apoiar os mais carenciados do Algarve.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m da disponibilidade do grande n&uacute;mero de volunt&aacute;rios de diversas proveni&ecirc;ncias, destacamos, de modo particular, a ades&atilde;o e a generosidade de quantos, nesse fim-de-semana, contribu&iacute;ram para essa recolha. Uma gota de &aacute;gua, &eacute; verdade, na resposta &agrave; imensidade das necessidades b&aacute;sicas que atingem a humanidade, mas &ndash; segundo a Madre Teresa de Calcut&aacute; &ndash; o oceano seria menor se lhe faltasse essa gota.<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o do Natal crist&atilde;o permite-nos redescobrir, anualmente, a fonte que motiva e d&aacute; sentido a este movimento <em>solid&aacute;rio e fraterno<\/em>: a realiza&ccedil;&atilde;o do projecto salvador de Deus que, em seu filho Jesus, quis ser o Emanuel, o &ldquo;Deus-connosco&rdquo;, o Deus para n&oacute;s e em n&oacute;s. Deus assumiu, em Cristo Jesus, a nossa humanidade. Com Ele torn&aacute;mo-nos filhos do mesmo Pai; n&rsquo;Ele torn&aacute;mo-nos irm&atilde;os e sentimo-nos impelidos a fazer do amor fraterno o sinal da nossa identidade e da nossa miss&atilde;o: &ldquo;nisto todos saber&atilde;o que sois meus disc&iacute;pulos, se vos amardes uns aos outros&rdquo; (Jo 13,35).<\/p>\n<p>Bento XVI, na sua &uacute;ltima enc&iacute;clica, afirma que a verdadeira causa do subdesenvolvimento reside na falta de fraternidade entre os homens e entre os povos. A globaliza&ccedil;&atilde;o torna-nos vizinhos, mas n&atilde;o nos faz irm&atilde;os.<\/p>\n<p>A raz&atilde;o pode levar-nos a estabelecer princ&iacute;pios defensores da igualdade entre os homens, inspiradores de uma conviv&ecirc;ncia c&iacute;vica entre todos, mas n&atilde;o consegue fundar a fraternidade, cuja origem se situa na voca&ccedil;&atilde;o transcendente de Deus Pai, que nos amou primeiro, ensinando-nos por meio do Filho o que &eacute; a caridade fraterna (cf <em>CV <\/em>19).<\/p>\n<p>Ao olharmos para o mundo que nos rodeia, apercebemo-nos qu&atilde;o longo &eacute; ainda o caminho que temos de percorrer, para correspondermos &agrave; li&ccedil;&atilde;o que a celebra&ccedil;&atilde;o do Natal nos proporciona.<\/p>\n<p>&Eacute; importante promover ac&ccedil;&otilde;es, a n&iacute;vel local, que envolvam o maior n&uacute;mero de pessoas na resposta ao aumento de necessidades b&aacute;sicas, muitas delas consequ&ecirc;ncia da crise que atravessamos. Mas &eacute; ainda mais importante e urgente a ac&ccedil;&atilde;o daqueles que t&ecirc;m o dever e a responsabilidade de encontrar respostas institucionais que eliminem as causas estruturais geradoras das in&uacute;meras car&ecirc;ncias b&aacute;sicas da humanidade (cf <em>CV <\/em>27).<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o do Natal &eacute; tamb&eacute;m celebra&ccedil;&atilde;o da <em>fam&iacute;lia <\/em>e acolhimento da <em>vida<\/em>. Foi no seio duma Fam&iacute;lia de Nazar&eacute; que o Menino-Deus assumiu a nossa humanidade: uma Fam&iacute;lia que viveu de modo an&oacute;nimo numa terra pequena e desconhecida; provada pela pobreza, pela persegui&ccedil;&atilde;o e pelo ex&iacute;lio; que viveu totalmente para Deus e para o seu filho. Fam&iacute;lia que continua a ser refer&ecirc;ncia das fam&iacute;lias crist&atilde;s, na fidelidade aos seus compromissos, no amparo perante as tribula&ccedil;&otilde;es da vida, na generosa abertura &agrave;s necessidades dos outros.<\/p>\n<p>Hoje assistimos &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia institucionalizada com a pretendida equival&ecirc;ncia &agrave; institui&ccedil;&atilde;o familiar de rela&ccedil;&otilde;es afectivas n&atilde;o apoiadas na complementaridade dos sexos.<\/p>\n<p>A n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o ou marginaliza&ccedil;&atilde;o de pessoas, n&atilde;o pode impedir-nos de afirmar e defender que a realidade e a natureza da fam&iacute;lia radicam na ess&ecirc;ncia mais profunda do ser humano, sendo o seu fundamento antropol&oacute;gico, e n&atilde;o o resultado de meras circunst&acirc;ncias s&oacute;cio-temporais.<\/p>\n<p>A verdade da vida humana assenta na complementaridade do homem e da mulher. &Eacute; esta complementaridade dos sexos, expressa de um modo eminente no dom total e perene do amor entre um homem e uma mulher, por princ&iacute;pio aberto &agrave; gera&ccedil;&atilde;o de novas vidas, que constitui a base antropol&oacute;gica da fam&iacute;lia (cf Nota Cons. Permanente-CEP, <em>Em favor do verdadeiro casamento<\/em>).<\/p>\n<p>Neste tempo de Natal sentimos o apelo a defender e a reafirmar o direito da fam&iacute;lia, enquanto institui&ccedil;&atilde;o fundada no casamento entre um homem e uma mulher, a ver reconhecida a sua identidade &uacute;nica e inconfund&iacute;vel com outras formas de conviv&ecirc;ncia humana. O Natal &eacute; tamb&eacute;m tempo de crescer no acolhimento e na abertura &agrave; vida humana.<\/p>\n<p><em>A abertura &agrave; vida est&aacute; no centro do verdadeiro desenvolvimento, <\/em>como refere Bento XVI. Quando uma sociedade come&ccedil;a a negar e a suprimir a vida, acaba por deixar de encontrar as motiva&ccedil;&otilde;es e energias necess&aacute;rias para trabalhar ao servi&ccedil;o do verdadeiro bem do homem.<\/p>\n<p>Se se perde a sensibilidade pessoal e social ao acolhimento duma nova vida, definham tamb&eacute;m outras formas de acolhimento &uacute;teis &agrave; vida social. O acolhimento da vida revigora as energias morais e torna-nos capazes de ajuda rec&iacute;proca (cf <em>CV <\/em>28).<\/p>\n<p>A todos v&oacute;s, meus caros diocesanos e a quantos, n&atilde;o residindo habitualmente no Algarve, aqui passam esta quadra natal&iacute;cia, desejo um SANTO NATAL, com o convite a que concretizemos em n&oacute;s e &agrave; nossa volta a li&ccedil;&atilde;o que, mais uma vez, escutamos com a celebra&ccedil;&atilde;o do nascimento de Cristo.<\/p>\n<p>O &ldquo;Deus-connosco&rdquo; continua a indicar-nos o caminho da constru&ccedil;&atilde;o duma comunidade humana <em>solid&aacute;ria, fraterna e aberta &agrave; vida<\/em>.<\/p>\n<p>Encontremos espa&ccedil;o para Ele em n&oacute;s, nos nossos projectos e no mundo em que vivemos.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. <\/em><em>Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve<\/em><em> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal solid&aacute;rio, fraterno e aberto &agrave; vida Brotam espontaneamente na maioria das pessoas, nesta quadra natal&iacute;cia, mesmo entre as n&atilde;o crist&atilde;s ou que n&atilde;o professam qualquer religi&atilde;o, sentimentos e atitudes que reflectem o sentido crist&atilde;o do Natal. 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