{"id":426673,"date":"2026-05-24T09:31:20","date_gmt":"2026-05-24T08:31:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=426673"},"modified":"2026-05-22T11:01:13","modified_gmt":"2026-05-22T10:01:13","slug":"igreja-portugal-persistencia-da-pobreza-tem-de-inquietar-a-sociedade-e-as-comunidades-catolicas-d-roberto-mariz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-persistencia-da-pobreza-tem-de-inquietar-a-sociedade-e-as-comunidades-catolicas-d-roberto-mariz\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: Persist\u00eancia da pobreza \u00abtem de inquietar\u00bb a sociedade e as comunidades cat\u00f3licas \u2013 D. Roberto Mariz"},"content":{"rendered":"<p><em>Depois de uma\u00a0 negocia\u00e7\u00e3o de nove meses, em que os parceiros sociais n\u00e3o chegaram a acordo, o Governo aprovou em Conselho de Ministros as altera\u00e7\u00f5es \u00e0 Lei Laboral, que agora o Parlamento se vai encarregar de apreciar.\u00a0Este \u00e9 um dos temas para a entrevista Ecclesia\/Renascen\u00e7a com o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_426675\" aria-describedby=\"caption-attachment-426675\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-426675 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/roberto_mariz_RR-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-426675\" class=\"wp-caption-text\">FOTO: RR\/In\u00eas Braga Sampaio<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Existe o risco de uma divis\u00e3o profunda ao n\u00edvel social, por for\u00e7a das diverg\u00eancias\u00a0que encerra a proposta que agora chega ao Parlamento?<\/em><\/p>\n<p>Desejo que n\u00e3o e esper\u00e1vamos todos que n\u00e3o.\u00a0Desejo que a divis\u00e3o profunda n\u00e3o aconte\u00e7a.\u00a0\u00c9 verdade que a Lei Laboral \u00e9 uma lei estruturante da nossa vida em sociedade, por cruzar com\u00a0profundidade a vida das pessoas, a economia e as empresas, e por isso esta lei na relev\u00e2ncia,\u00a0pertin\u00eancia e import\u00e2ncia que tem, importa que possa acontecer de um modo saud\u00e1vel,\u00a0sereno e sadio, porque certamente ningu\u00e9m ganhar\u00e1 com uma fratura.<\/p>\n<p>Era esta import\u00e2ncia e relev\u00e2ncia que claramente eu salientaria. H\u00e1 um processo como referiu, um percurso de nove meses, numa lei que foi colocada em\u00a0negocia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aconteceu o acordo. Ela agora h\u00e1 de se deslocar para o Parlamento\u00a0para continuar o seu caminho, o seu percurso, mas o convite claro que eu fa\u00e7o \u00e9 que se seja capaz de olhar para a Lei Laboral, naquilo que existe, nos potenciais transformadores\u00a0da lei, e se olhe na serenidade dos v\u00e1rios parceiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas h\u00e1 uma parte substancial da opini\u00e3o p\u00fablica que diz que o pa\u00eds n\u00e3o precisava\u00a0de uma reforma da Lei Laboral e que o Governo n\u00e3o a incluiu no seu programa eleitoral.\u00a0Isto tamb\u00e9m pode fraturar ainda mais, n\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Pelo menos \u00e9 uma vari\u00e1vel que se coloca como um embara\u00e7o para aquilo que \u00e9 a serenidade\u00a0desse mesmo percurso.\u00a0Eu estive quatro anos, permitam essa refer\u00eancia, em negocia\u00e7\u00e3o\u00a0da contrata\u00e7\u00e3o coletiva pelo setor social, fazia parte das IPSS e felizmente nos quatro\u00a0anos conseguiu-se sempre chegar a acordo com os v\u00e1rios ramos dos sindicatos, dos tr\u00eas\u00a0grupos.\u00a0Contudo, sabemos que h\u00e1 muitas vezes interpreta\u00e7\u00f5es, olhares e desejos diferenciados\u00a0e diferentes.<\/p>\n<p>Ainda assim, deve-se comungar de um lado e de outro, com plenitude, trabalhadores, empregadores,\u00a0no caso o Governo e o Estado, daquilo que \u00e9 o bem do cidad\u00e3o, o bem\u00a0das fam\u00edlias, o bem da economia.\u00a0H\u00e1 aqui tr\u00eas bens que n\u00e3o podem ser descartados e \u00e9 importante cada medida, quando \u00e9 olhada, se perceba que \u00e9 um potenciador de bem para cada uma dessas dimens\u00f5es.\u00a0Quando n\u00e3o \u00e9, ser\u00e1 fraturante.<\/p>\n<p>E eu n\u00e3o conhe\u00e7o os pormenores desta nova lei,\u00a0mas importa que se perceba que \u00e9 em parceria e na articula\u00e7\u00e3o da concerta\u00e7\u00e3o\u00a0que\u00a0ser\u00e1 sempre mais f\u00e1cil o seu acolhimento pela sociedade para ser bem implementado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O trabalho \u00e9 uma dimens\u00e3o central\u00a0do pensamento social-crist\u00e3o.\u00a0Diz que n\u00e3o conhece em pormenor o articulado, mas sente que pode haver algum aspeto desta nova proposta\u00a0que falhe em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Doutrina Social da Igreja?<\/em><\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 uma pedra angular da Doutrina Social da Igreja, com a Rerum Novarum. O Papa\u00a0Le\u00e3o XIV escolheu at\u00e9 o nome &#8211;\u00a0 ele tinha um nome bonito, que era Roberto &#8211; escolheu\u00a0Le\u00e3o XIV, precisamente atendendo a Le\u00e3o XIII, Papa na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, onde as\u00a0condi\u00e7\u00f5es de trabalho eram muito indignas, num convite profundo que foi feito\u00a0para que os trabalhadores se juntassem, se unissem, para que nessa uni\u00e3o conseguissem\u00a0encontrar as melhores condi\u00e7\u00f5es de dignidade para o desempenho do seu trabalho.\u00a0Presentemente, neste C\u00f3digo do Trabalho, o contexto \u00e9 muito diferente face aos s\u00e9culos XIX e XX, no mundo em que nos encontramos, no patamar em que estamos.<\/p>\n<p>Uma das propostas que causa mais embara\u00e7o \u00e9 a da situa\u00e7\u00e3o do despedimento, em que se depois se declarar em tribunal que n\u00e3o havia justa causa, o patr\u00e3o n\u00e3o ser obrigado \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma\u00a0situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1, obviamente, com acordo de\u00a0um lado e de outro, e percebe-se que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o delicada.<\/p>\n<p>Quando se fala do banco de horas, o que me \u00e9 dado a entender \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 em si\u00a0um problema em absoluto.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O problema ser\u00e1 a forma como se usa esse banco de horas?<\/em><\/p>\n<p>Isso mesmo, porque \u00e9 por vezes olhado at\u00e9 como um potenciador, a forma e o modo de se\u00a0colocar \u00e9 que \u00e9 preciso olhar, porque os pormenores, por vezes, obviamente, fazem tamb\u00e9m\u00a0diferen\u00e7a e t\u00eam muita relev\u00e2ncia, e isso sim, obriga a grande aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou da Rerum Novarum, de Le\u00e3o XIII, e n\u00f3s na segunda-feira vamos ter uma\u00a0nova enc\u00edclica do Papa Le\u00e3o XIV. \u00a0Um documento sobre as coisas \u201cmuit\u00edssimo novas\u201d, como o impacto da intelig\u00eancia artificial,\u00a0da automa\u00e7\u00e3o, daquilo que se sabe que v\u00e3o ser perdas ou transforma\u00e7\u00f5es de postos de\u00a0trabalho com o advento da intelig\u00eancia artificial. \u00c9 uma mat\u00e9ria que tamb\u00e9m o preocupa?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma mat\u00e9ria que nos obriga a olhar com uma racionalidade atenta e \u00e9tica profundas.\u00a0Eu n\u00e3o olharia como um problema, como um \u201cbicho\u201d que est\u00e1 a\u00ed a chegar, permitam-me\u00a0uma express\u00e3o sem fazer a cita\u00e7\u00e3o, mas quando chegou o comboio, a dado momento, algu\u00e9m\u00a0com grande relev\u00e2ncia disse, \u201cest\u00e1 a chegar a\u00ed o dem\u00f3nio\u201d, e o comboio n\u00e3o era o dem\u00f3nio, de todo.<\/p>\n<p>Os patamares de inova\u00e7\u00e3o que acontecem, trazem sempre riscos, potenciadores\u00a0de solu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m sempre riscos que obviamente inquietam e provocam receio.\u00a0Quando falamos do mundo digital, com a intelig\u00eancia artificial ,no qual nos encontramos, \u00e9 um\u00a0patamar que n\u00e3o t\u00ednhamos antes, de todo, e \u00e9 onde ele toca a nossa vida. Aquilo que\u00a0o Papa colocou como a defesa do rosto e da voz, s\u00e3o dois apontamentos absolutamente\u00a0estruturantes que n\u00e3o t\u00ednhamos. A partir da transforma\u00e7\u00e3o do rosto e de uma voz que\u00a0nunca existiu, que se p\u00f5e com a mesma tonalidade do pr\u00f3prio, e dizer a maior mentira, a maior\u00a0situa\u00e7\u00e3o diversa daquilo que alguma vez ele disse, tem um impacto brutal sobre a verdade, a \u00e9tica, o humanismo. E por isso esta magn\u00edfica\u00a0humanidade somos n\u00f3s, a intelig\u00eancia artificial, o que tem de magn\u00edfico, foi a partir daquilo\u00a0que n\u00f3s seres humanos fomos capazes de a criar. Que ela n\u00e3o nos destrua, que n\u00e3o\u00a0nos tire dignidade.\u00a0Que n\u00e3o nos manipule.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Para terminarmos esta quest\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o laboral, que apelos e que conselhos \u00e9 que o presidente\u00a0da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social gostaria de deixar?<\/em><\/p>\n<p>O meu conselho \u00e9 muito claro.\u00a0H\u00e1 uma express\u00e3o que por vezes utilizamos em negocia\u00e7\u00e3o, a linguagem das trincheiras. A linguagem das trincheiras \u00e9 uma linguagem de guerra.\u00a0Conhecemos a I Guerra Mundial, infelizmente no nosso tempo as trincheiras existem, basta\u00a0ver a guerra t\u00e3o bem da Ucr\u00e2nia e como novamente reapareceu essa realidade.\u00a0E aquilo que eu diria \u00e9: n\u00e3o \u00e0 linguagem das trincheiras, de um lado e de outro.<\/p>\n<p>Nesta negocia\u00e7\u00e3o todos s\u00e3o relevantes.\u00a0\u00a0\u00c9 relevante o ponto de vista do governo, mas tamb\u00e9m o ponto de vista dos sindicatos. Os sindicatos\u00a0s\u00e3o relevantes e importantes, na contrata\u00e7\u00e3o coletiva e para a defini\u00e7\u00e3o da lei laboral. \u00c9 muito importante tamb\u00e9m que se perceba que, de um lado e de\u00a0outro, podem ser apresentadas propostas com elementos favor\u00e1veis e potenciadores de uma lei melhor.\u00a0Se a atitude for esta, de di\u00e1logo e de perceber os pontos positivos de um lado e de outro,\u00a0estou certo que se consegue chegar a meio da ponte.<\/p>\n<p>A lei laboral, como\u00a0disse \u00e9 absolutamente estruturante e o que seria de n\u00f3s a anarquia e o desumanismo sem\u00a0uma lei laboral que funcionasse protegendo trabalhadores, protegendo a dignidade do trabalho\u00a0e protegendo tamb\u00e9m o mundo empregador, o mundo da economia.\u00a0Por isso desejo que seja poss\u00edvel, claramente, enquadrar-se num patamar de di\u00e1logo para\u00a0que aconte\u00e7a efetivamente um acordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para Portugal, sente que se vive uma crise social e se a desigualdade\u00a0entre ricos e pobres tamb\u00e9m ajuda a acentuar esta tens\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o social e socioecon\u00f3mica do nosso pa\u00eds \u00e9 conhecida, s\u00e3o muitos os indicadores\u00a0que, olhando e comparando-nos na Europa, n\u00e3o estamos acima, estamos abaixo e isso obviamente\u00a0que nos inquieta.\u00a0Quem lida com a realidade do apoio \u00e0 fragilidade das pessoas e das fam\u00edlias tem claramente\u00a0contato com isso.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios indicadores: um \u00e9 esta dimens\u00e3o do sal\u00e1rio relativamente ao custo\u00a0de vida, \u00e0 infla\u00e7\u00e3o que tem crescido e agora a \u00faltima bolada \u00e9 esta dimens\u00e3o do\u00a0pre\u00e7o dos combust\u00edveis &#8211; que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 os combust\u00edveis, isto depois tem um efeito\u00a0bola de neve em toda a economia. Se os sal\u00e1rios n\u00e3o permitem que as pessoas n\u00e3o estejam\u00a0fora de uma situa\u00e7\u00e3o de pobreza e de depend\u00eancia, isso \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 bom.\u00a0Sabemos que existem circunst\u00e2ncias e situa\u00e7\u00f5es dessa mesma realidade.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo a dimens\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecida, n\u00e3o faltam estudos sobre isso. E sabemos o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 algu\u00e9m com um sal\u00e1rio baixo ou at\u00e9 m\u00e9dio conseguir, em muitas zonas do nosso pa\u00eds, comprar uma habita\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 ter o arrendamento. \u00e3o \u00e9 assim f\u00e1cil, por isso est\u00e3o aqui alguns\u00a0indicadores que claramente t\u00eam um peso muito grande naquilo que \u00e9 a fragilidade econ\u00f3mica\u00a0do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Felizmente tamb\u00e9m h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es muito saud\u00e1veis, tamb\u00e9m h\u00e1 uma economia que vai caminhando. Em visita pastoral, tenho percorrido bastantes empresas, a gente percebe aquelas\u00a0que est\u00e3o tamb\u00e9m a trabalhar com bastante sa\u00fade econ\u00f3mica, mas tamb\u00e9m sabemos de outras\u00a0da fragilidade em que se encontram. Esta dimens\u00e3o do sal\u00e1rio,\u00a0que sentimos que \u00e9 baixo naquilo que \u00e9 a m\u00e9dia europeia e baixo para o custo de vida, \u00e9 claramente um indicador fort\u00edssimo, porque isto depois vai influenciar tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E s\u00e3o sempre fatores de tens\u00e3o social?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os n\u00fameros da pobreza em Portugal n\u00e3o se reduzem consoante aquilo que mais desejar\u00edamos,\u00a0apesar de esta semana haver indicadores positivos, alguma redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pobres em Portugal,\u00a0de acordo com um estudo que foi publicado na passada quarta-feira.\u00a0Ainda assim o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, esse, continua a aumentar e\u00a0reportando-me ainda a esse estudo que foi publicado nesta \u00faltima quarta-feira, h\u00e1 um dado que\u00a0me parece que deve merecer a reflex\u00e3o de todos n\u00f3s, \u00e9 que uma em cada vinte crian\u00e7as\u00a0pobres teve fome e n\u00e3o comeu por falta de dinheiro&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, ouvi na r\u00e1dio essa dupla refer\u00eancia, uma era\u00a0de que o risco de pobreza ter\u00e1 diminu\u00eddo de 17% para 15%, mas dentro dos pobres, uma\u00a0em cada 20 crian\u00e7as que n\u00e3o teria tido o necess\u00e1rio para se alimentar.<\/p>\n<p>\u00c9 algo que nos tem de inquietar.\u00a0A pobreza n\u00e3o \u00e9 mero conceito sociol\u00f3gico, muitas vezes a Doutrina Social da Igreja fala disto,\u00a0porque estamos perante um rosto, \u00e9 um ser humano.\u00a0Se n\u00f3s, a n\u00edvel das crian\u00e7as, n\u00e3o conseguimos ter uma resposta, enquanto estrutura de sociedade, na articula\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0s pessoas e \u00e0s fam\u00edlias, a partir do poder local e\u00a0do poder estatal incorporado nas institui\u00e7\u00f5es sociais e de coletividade, isso tem de nos inquietar profundamente. Temos de encontrar resposta. N\u00e3o podemos ficar parados meramente com a n\u00e3o-resposta, tem de nos inquietar e levar\u00a0a encontrar resposta para essas situa\u00e7\u00f5es, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Estou aqui para tamb\u00e9m dar a minha voz naquilo que \u00e9 a dimens\u00e3o da Igreja e da igreja em\u00a0Portugal, de pegarmos nesses dados e vermos onde e como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel que isso\u00a0n\u00e3o aconte\u00e7a, num pr\u00f3ximo relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falava ainda pouco da sua experi\u00eancia no setor social.\u00a0Sabemos que as institui\u00e7\u00f5es, as IPSS, t\u00eam sido fundamentais muitas vezes para amortecer\u00a0estas situa\u00e7\u00f5es de crise e de maiores dificuldades.\u00a0Sente que o pa\u00eds ainda n\u00e3o reconhece a import\u00e2ncia do papel que essas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu tenho de ser levado a afirmar que o pa\u00eds tem de o reconhecer. Pode haver franjas do pa\u00eds que n\u00e3o o reconhecem na totalidade.\u00a0Contudo, aquilo que \u00e9 a minha experi\u00eancia \u00e9 que, na grande generalidade, quer das pessoas\u00a0desta sociedade da qual fazemos parte, que reconhecem porque usufruem daquilo que s\u00e3o os\u00a0servi\u00e7os destas institui\u00e7\u00f5es, e que v\u00e3o desde a inf\u00e2ncia aos idosos, \u00e0s pessoas com fragilidades,\u00a0com doen\u00e7as, ligadas \u00e0 sa\u00fade, a tantas outras situa\u00e7\u00f5es que cruza quase a totalidade\u00a0das fam\u00edlias.\u00a0Eu n\u00e3o vou dizer a totalidade, mas ser\u00e3o poucas as fam\u00edlias que hoje n\u00e3o t\u00eam algum\u00a0membro que n\u00e3o se cruza com esta rede do setor social.<\/p>\n<p>Contudo o setor social e as entidades que est\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o da sua negocia\u00e7\u00e3o,\u00a0como \u00e9 a CNIS, como \u00e9 a Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias, depois o setor cooperativo e as mutualidades, \u00e9 verdade que na negocia\u00e7\u00e3o com o Estado sentem dificuldades em conseguirem\u00a0aquilo que s\u00e3o as vari\u00e1veis\u00a0necess\u00e1rias, nomeadamente em apoio e protocolo, para poderem funcionar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essa \u00e9 uma forma de n\u00e3o reconhecer o seu papel, se calhar?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O financiamento necess\u00e1rio \u00e9 uma forma de o reconhecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas institui\u00e7\u00f5es dizem que n\u00e3o efetuado esse financiamento necess\u00e1rio&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Se n\u00e3o o \u00e9, eis a\u00ed um caminho a ser percorrido, sem d\u00favida.\u00a0E \u00e9 verdade, n\u00e3o falo de cor, sou conhecedor da realidade. H\u00e1 determinados\u00a0aspetos e determinadas val\u00eancias que precisam de ser olhadas e precisam de ser postas em\u00a0pr\u00e1tica, a partir at\u00e9 daquela m\u00e9trica que era os 50% que ainda n\u00e3o foi claramente\u00a0atingida. Esse ponto, n\u00e3o sendo a solu\u00e7\u00e3o para tudo, \u00e9 um bom ponto para ajudar nesse\u00a0reconhecimento e neste trabalho em parceria e articula\u00e7\u00e3o entre Estado e setor social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Da realidade que conhece, h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que podem continuar a sofrer esta degrada\u00e7\u00e3o\u00a0e eventualmente a abrir fal\u00eancia, como aconteceu ao longo dos \u00faltimos anos?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>O setor social \u00e9 din\u00e2mico, enquanto setor, como qualquer outro setor, h\u00e1 o nascer, h\u00e1\u00a0o desenvolver e por vezes h\u00e1 o morrer.\u00a0Aquilo que nos inquieta \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1ria pelo servi\u00e7o real, que\u00a0presta no meio para a resposta \u00e0s pessoas e \u00e0s fam\u00edlias, se ela vai morrer por n\u00e3o\u00a0ter sustentabilidade, e se \u00e9 necess\u00e1rio o seu servi\u00e7o, isso \u00e9 algo que n\u00e3o poderia acontecer\u00a0ou que n\u00e3o deveria acontecer.\u00a0Temos institui\u00e7\u00f5es que conhecemos que est\u00e3o no fio da navalha, temos institui\u00e7\u00f5es que\u00a0est\u00e3o no fio da navalha, sabemos outras que est\u00e3o felizmente tamb\u00e9m bastante saud\u00e1veis\u00a0e sustent\u00e1veis e \u00e9 importante dar a pertin\u00eancia e a relev\u00e2ncia \u00e0s duas realidades como not\u00edcia.<\/p>\n<p>Gostaria de deixar isto muito claro, mas preocupam-nos as que est\u00e3o em dificuldade, preocupam-nos\u00a0todas, mas as que est\u00e3o em dificuldade, perceber como conseguir o enquadramento para\u00a0que elas possam viver e viver sem estar com a corda ao pesco\u00e7o, isto \u00e9, com sustentabilidade,\u00a0com serenidade naquilo que \u00e9 a gest\u00e3o, na sua previsibilidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 um setor que saiu da anterior Comiss\u00e3o Episcopal, que era Pastoral Social e Mobilidade\u00a0Humana, mas n\u00e3o posso deixar de lhe perguntar, sobre esta quest\u00e3o. Em Portugal, como muitos pa\u00edses europeus, a\u00a0press\u00e3o social acentuou-se com os fluxos migrat\u00f3rios e isso tem feito sobressair ideias\u00a0pouco inclusivas e por vezes at\u00e9 populistas. Ttem receio de Portugal estar\u00a0a ficar um pa\u00eds intolerante?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o direi que o nosso pa\u00eds seja intolerante, tend\u00eancias para a intoler\u00e2ncia sim, agora\u00a0o pa\u00eds enquanto pa\u00eds, a sociedade enquanto sociedade, da qual todos n\u00f3s fazemos parte,\u00a0n\u00e3o direi que seja de todo um pa\u00eds intolerante e que esteja a\u00ed com um problema com a imigra\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma alegria enorme que n\u00f3s vemos a positividade que eles s\u00e3o no\u00a0trabalho, em empresas, a positividade em IPSS, a positividade em comunidades crentes nossas,\u00a0cat\u00f3licas, pela sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Agora, sabemos que existem fermentos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 intoler\u00e2ncia e alguns sinais, t\u00eam de merecer a nossa inquieta\u00e7\u00e3o para podermos ter uma voz e uma mensagem absolutamente\u00a0diferente.<\/p>\n<p>E \u00e9 preciso combater essas ideias populistas,\u00a0porque criam tamb\u00e9m um engodo a partir de falsos\u00a0dados, com o receio e o medo, e da\u00ed se v\u00e3o cavalgar atitudes nada humanas,\u00a0nada humanistas, muito menos evang\u00e9licas em rela\u00e7\u00e3o ao outro ser humano que est\u00e1\u00a0ali connosco e como n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tendo assumido quando a sua elei\u00e7\u00e3o na CEP, o compromisso de remar contra a discrimina\u00e7\u00e3o,\u00a0como \u00e9 que olha para a forma como a sociedade e o poder pol\u00edtico est\u00e3o a debater temas\u00a0fraturantes como as altera\u00e7\u00f5es \u00e0 lei da nacionalidade ou as propostas sobre uma eventual\u00a0lei de retorno?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Temas fraturantes, sem d\u00favida, sem d\u00favida.\u00a0A discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que marca profundamente o ser humano, se a gente falar como psic\u00f3logos\u00a0ou psiquiatras, quando est\u00e3o naquilo que \u00e9 fase jovem ou adultos, a resolver os problemas\u00a0interiores do ser humano, quantos n\u00e3o surgem por aquilo que foram processos discriminat\u00f3rios\u00a0que aconteceram na inf\u00e2ncia em dada circunst\u00e2ncia do contexto social, escolar ou familiar.\u00a0E isto s\u00f3 para dizer como isso marca profundamente e identitariamente o presente e o futuro do\u00a0ser humano.<\/p>\n<p>E era isso que eu referia, quando h\u00e1 algo que vai ser discriminat\u00f3rio temos se ter\u00a0uma sensibilidade muito afinada para conseguir tirar isso, e isso cabe-nos a todos pessoalmente,\u00a0cabe-nos a uma fam\u00edlia, cabe \u00e0 escola, cabe \u00e0 sociedade, cabe a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>N\u00f3s quanto \u00e0 quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o, obviamente sabemos que n\u00e3o\u00a0\u00e9 an\u00e1rquica, que tamb\u00e9m ningu\u00e9m defende uma situa\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica, mas temos de olhar\u00a0sempre para o ser humano como o ser humano.\u00a0Aquela express\u00e3o que n\u00f3s aqui n\u00e3o somos estrangeiros, somos irm\u00e3os, somos irm\u00e3os\u00a0e companheiros do caminhar aqui deste mesmo mundo, deve ser a linha principal e a trave-mestra para este nosso caminhar em sociedade. E a partir da\u00ed ent\u00e3o que\u00a0sejam colocadas as balizas da legalidade para que as coisas tamb\u00e9m n\u00e3o sejam aproveitadas por\u00a0redes que exploram profundamente muitas vezes esta quest\u00e3o das redes migrat\u00f3rias, e infelizmente\u00a0o nosso mundo ainda carrega muito disto, que \u00e9 o tr\u00e1fico humano, que tem mais peso econ\u00f3mico\u00a0do que o tr\u00e1fico da droga, e isto \u00e9 algo de brandar aos c\u00e9us e p\u00f4r as m\u00e3os na cabe\u00e7a, pois\u00a0pens\u00e1vamos que no s\u00e9culo XXI isto n\u00e3o existiria.<\/p>\n<p>Cada ser humano \u00e9 um irm\u00e3o e companheiro, tem de ser olhado desse modo, e a lei deve proteg\u00ea-lo enquanto tal. Temos de conseguir um\u00a0trabalho articulado entre os povos e os pa\u00edses para que a rede de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo,\u00a0do outro, na fragilidade das suas vidas, seja terminada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas existe, na sua opini\u00e3o, o risco de ideias mais populistas, xen\u00f3fobas, depois\u00a0se refletirem nestas leis que est\u00e3o a ser elaboradas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Podem fermentar e podem influenciar uma dada tend\u00eancia de inclina\u00e7\u00e3o legal. H\u00e1 sempre esse risco, \u00e9 \u00f3bvio.\u00a0Cabe ao Parlamento, \u00e0 casa legisladora, ter a sensibilidade para perceber isso, e n\u00f3s\u00a0como sociedade, tamb\u00e9m nesta dimens\u00e3o correspons\u00e1vel de aten\u00e7\u00e3o ao caminhar p\u00fablico de todos\u00a0n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em 2025 a Igreja Cat\u00f3lica viveu um jubileu em que se falou muito dos mais necessitados,\u00a0dos exclu\u00eddos da sociedade, este modelo de uma Igreja dos pobres, exige ainda uma mudan\u00e7a\u00a0de atitude por parte das par\u00f3quias e das institui\u00e7\u00f5es que passem de um modelo assistencialista\u00a0para um modelo de integra\u00e7\u00e3o e dar voz a quem n\u00e3o a tem?<\/em><\/p>\n<p>A Doutrina Social da Igreja tem esse foco muito grande que \u00e9 o apoio \u00e0 situa\u00e7\u00e3o\u00a0das pessoas em fragilidade, conseguir que elas se estruturem para sair da situa\u00e7\u00e3o\u00a0de fragilidade, e sabemos que nem sempre conseguimos.<\/p>\n<p>Eu quando articulo no caminhar da dimens\u00e3o social dentro da Igreja e fora da Igreja,\u00a0naquilo que vamos tendo alguns encontros, digo sempre, quanto maior for a articula\u00e7\u00e3o\u00a0e do trabalho em rede nesta realidade, melhor estaremos a potenciar as condi\u00e7\u00f5es para\u00a0este sair das situa\u00e7\u00f5es de conting\u00eancia que as pessoas est\u00e3o e poderem ter nas suas\u00a0m\u00e3os o conduzir da sua vida com maior e melhor dignidade.\u00a0As nossas comunidades, eu n\u00e3o poderei dizer porque n\u00e3o seria bom na minha consci\u00eancia\u00a0e n\u00e3o \u00e9 o dado que eu tenho de que as comunidades n\u00e3o t\u00eam esta sensibilidade.<\/p>\n<p>Muitas\u00a0vezes as comunidades n\u00e3o t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es para conseguir tirar a pessoa da situa\u00e7\u00e3o de pobreza em que est\u00e1, e por isso o assistencialismo n\u00e3o deixa de ter o seu lugar: a dimens\u00e3o da esmola da caridade, da ajuda,\u00a0o matar a fome. H\u00e1 pouco referiu-se que uma crian\u00e7a em cada 20 em situa\u00e7\u00e3o de pobreza n\u00e3o conseguiu sequer ao menos ter alimentos, \u00e9 algo que n\u00f3s tamb\u00e9m temos de fazer.<\/p>\n<p>O foco n\u00e3o pode ser esse e o estruturalmente n\u00e3o pode ser este, isto \u00e9, no apoio que damos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea e daquela circunst\u00e2ncia de apoiar \u00e9 absolutamente certo e correto, faz parte da nossa identidade, mas n\u00f3s queremos trabalhar enquanto comunidade\u00a0e sociedade, a Igreja e a sociedade no seu todo, para criar as condi\u00e7\u00f5es para que as pessoas\u00a0n\u00e3o fiquem na depend\u00eancia. Isso \u00e9 absolutamente estrutural e nem sempre o conseguimos, reconhecemos\u00a0isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de uma\u00a0 negocia\u00e7\u00e3o de nove meses, em que os parceiros sociais n\u00e3o chegaram a acordo, o Governo aprovou em Conselho de Ministros as altera\u00e7\u00f5es \u00e0 Lei Laboral, que agora o Parlamento se vai encarregar de apreciar.\u00a0Este \u00e9 um dos temas para a entrevista Ecclesia\/Renascen\u00e7a com o presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral Social<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":426675,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-426673","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=426673"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/426673\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/426675"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=426673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=426673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=426673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}