{"id":426530,"date":"2026-05-21T11:38:06","date_gmt":"2026-05-21T10:38:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=426530"},"modified":"2026-05-21T12:07:07","modified_gmt":"2026-05-21T11:07:07","slug":"ciberhumanitas-quem-e-o-virus-para-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ciberhumanitas-quem-e-o-virus-para-nos\/","title":{"rendered":"CIBERHUMANITAS &#8211; Quem \u00e9 o v\u00edrus para n\u00f3s?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-426542 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Miguel-panao2026-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Miguel-panao2026-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Miguel-panao2026-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Miguel-panao2026-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Miguel-panao2026-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Miguel-panao2026.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>Esta \u00e9 uma semana que deveria celebrar o nosso compromisso perene durante todo o ano e para o resto da nossa vida. O compromisso de nos mantermos humanos atrav\u00e9s de uma renovada (ou redescoberta) rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o. A semana a que me estou a referir \u00e9 a que dedicamos \u00e0 <em>Laudato Si\u2019<\/em>. Mas, por que raz\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o nos haveria de manter humanos? N\u00e3o \u00e9 evidente que o somos?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas quando \u00e0 nossa origem biol\u00f3gica como esp\u00e9cie de denomin\u00e1mos de <em>humana<\/em>. Mas o facto de estarmos conscientes disso, implica existir uma dimens\u00e3o existencial mais profunda que a biol\u00f3gica, e n\u00e3o estou a pensar na dimens\u00e3o mental que rege os nossos comportamentos, mas a espiritual que rege as nossas escolhas.<\/p>\n<p>Estou cada vez mais convicto de que o ser humano est\u00e1 em permanente <em>devir<\/em>, isto \u00e9, em transforma\u00e7\u00e3o interior (porque a exterior \u00e9 evidente ao envelhecermos). N\u00e3o somos ainda aquilo que somos chamados a ser, como demonstra a sede de infinito que temos. Uma sede de infinito que se revela de muitos modos, como o <em>transhumanismo<\/em> que apregoa a convic\u00e7\u00e3o de podermos usar a ci\u00eancia e tecnologia para superar os nossos limites biol\u00f3gicos e atingir a imortalidade f\u00edsica, ou o <em>p\u00f3s-humanismo<\/em> que n\u00e3o encara a forma humana como o nosso destino final, mas pretende fundir-nos \u00e0 m\u00e1quina para alterar o nosso contacto com a realidade, implicando, por exemplo, a concep\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia virtual consciente como aquela que experimentamos agora no nosso corpo biol\u00f3gico. Esta \u00faltima vis\u00e3o, mais estrita, \u00e9 radical por admitir ou aspirar a uma exist\u00eancia potencialmente desencarnada, reduzindo essa a bits de informa\u00e7\u00e3o. Por que raz\u00e3o encaramos a nossa corporeidade como uma pris\u00e3o? Dois pensamentos.<\/p>\n<p>Um primeiro pensamento sobre essa raz\u00e3o \u00e9 o da falsa separa\u00e7\u00e3o entre corpo e esp\u00edrito. O esp\u00edrito corresponde a uma dimens\u00e3o da experi\u00eancia humana que transcende, isto \u00e9, vai para a al\u00e9m do espa\u00e7o e do tempo, a experi\u00eancia f\u00edsica que fazemos da realidade \u00e0 nossa volta atrav\u00e9s dos sentidos do corpo e da mente. \u00c9 uma dimens\u00e3o que na minha opini\u00e3o est\u00e1 muito ligada \u00e0 nossa consci\u00eancia, sendo esta um aspecto da exist\u00eancia humana misterioso e que n\u00e3o se pode reduzir \u00e0s conex\u00f5es neuronais que se d\u00e3o no nosso c\u00e9rebro. O facto de as usarmos para experimentar a consci\u00eancia, n\u00e3o implica, necessariamente, que se reduzem a essas. A corporeidade e os seus limites s\u00e3o a g\u00e9nese da experi\u00eancia humana que fazemos quando choramos, rimos, nos chateamos, ou suspiramos. Da\u00ed que seja dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, a uma m\u00e1quina tornar-se humana. Deixemos que a m\u00e1quina, ainda que inteligente, fa\u00e7a o seu percurso existencial. Quando for\u00e7amos a nossa consci\u00eancia a reduzir a exist\u00eancia \u00e0 corporeidade, negando a espiritualidade que, intrinsecamente, perfaz a nossa identidade, fechamo-nos \u00e0 possibilidade de nos transformarmos interiormente, impedindo o nosso devir humano.<\/p>\n<p>Um segundo pensamento dirige-se para o contacto com o mundo natural. Experimentar, cada vez mais e melhor, o que significa ser parte da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma forma de tomarmos contacto com a dimens\u00e3o espiritual da nossa exist\u00eancia, por nos sentirmos, misteriosamente, unidos em rela\u00e7\u00e3o de amor com todas as coisas. Ser fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o significa estar ciente de como o jogo entre o inesperado e os limites do mundo s\u00e3o o ber\u00e7o da novidade que emerge livremente e permite evoluir tudo neste universo ao longo do tempo. Um contacto com a natureza \u00e9 o confronto com os nossos limites que nos pode fazer experimentar como podemos transformar o nosso interior na direc\u00e7\u00e3o de uma maior clareza sobre o que significa, em \u00faltima inst\u00e2ncia, ser parte da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quer isso dizer que um v\u00edrus mortal faz tamb\u00e9m parte da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o? E por que n\u00e3o? Como \u00e9 poss\u00edvel aceitar isso se, como intui o livro do g\u00e9nesis, Deus ao contemplar toda a cria\u00e7\u00e3o expressaria que tudo \u00e9 muito bom? Deus quis o mal tanto quanto quis o bem? Posso amar o \u201cpequeno irm\u00e3o\u201d que me faz mal? N\u00e3o rezou Jesus \u2014 <em>\u00abPai, perdoa\u2011lhes, pois n\u00e3o sabem o que fazem.\u00bb<\/em> (Lc 23, 34)? Se admitimos o perd\u00e3o a uma pessoa humano que n\u00e3o sabe o que faz, mas sabemos que podia saber se fizesse um esfor\u00e7o para isso, por que nos custa tanto perdoar um v\u00edrus?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil aceitar que tudo o que vive seja parte da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o. At\u00e9 um v\u00edrus. Ser\u00e1 que se deve \u00e0 dificuldade que naturalmente temos de aceitar os limites como possibilidades transformativas? Dificuldade em aceitar a morte como parte do limite-\u00faltimo que d\u00e1 beleza \u00e0 vida? O que \u00e9 mais f\u00e1cil? Esmagar o insecto repugnante que pousa sobre a nossa m\u00e3o, ou abrir a janela e deix\u00e1-lo voar? O matem\u00e1tico e fil\u00f3sofo Alfred North Whitehead dizia que a <em>beleza<\/em> consiste na harmonia dos contrastes. Por isso, at\u00e9 na diversidade de viv\u00eancias daquilo que significa para cada pessoa sentir-se parte da fam\u00edlia da cria\u00e7\u00e3o, encontramos os contrastes que um cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e9 convidado a contemplar como beleza, mesmo que n\u00e3o consiga entend\u00ea-la como tal. Ainda.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter <em>Escritos<\/em> neste <a href=\"https:\/\/miguelpanao.us21.list-manage.com\/subscribe?u=79afec46a9b51d4f2fd96b42b&amp;id=de0124808e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LINK<\/a> &#8211; &#8220;<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tempo 3.0 &#8211; Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>&#8221; (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bertrand<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Wook<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FNAC<\/a> )<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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