{"id":42652,"date":"2009-12-22T12:19:28","date_gmt":"2009-12-22T12:19:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/22\/homilia-do-bispo-de-vila-real-em-ordenacoes-sacerdotal-e-diaconais\/"},"modified":"2009-12-22T12:19:28","modified_gmt":"2009-12-22T12:19:28","slug":"homilia-do-bispo-de-vila-real-em-ordenacoes-sacerdotal-e-diaconais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-vila-real-em-ordenacoes-sacerdotal-e-diaconais\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Vila Real em ordena\u00e7\u00f5es sacerdotal e diaconais"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Presb&iacute;tero, educador da f&eacute; e da raz&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1- A liturgia deste Domingo antes do Natal lembra as circunst&acirc;ncias de lugar e de parentesco do Messias prometido: nascer&aacute; em Bel&eacute;m, da tribo de Jud&aacute;, e sua M&atilde;e ser&aacute; Maria, uma virgem de Nazar&eacute;. Noutros textos referiu j&aacute; o nome do pai legal, Jos&eacute;, e no dia da festa precisar&aacute; a data do nascimento, o tempo do imperador romano C&eacute;sar Augusto.<\/p>\n<p>Estes pormenores s&atilde;o importantes para sublinhar que Jesus n&atilde;o &eacute; uma lenda, uma fic&ccedil;&atilde;o passada fora do tempo e do espa&ccedil;o, mas uma pessoa com data e lugar hist&oacute;ricos, Deus verdadeiramente encarnado.<\/p>\n<p>A Encarna&ccedil;&atilde;o &eacute; &uacute;nica na hist&oacute;ria das religi&otilde;es, sendo o Cristianismo a &uacute;nica religi&atilde;o que tem este mist&eacute;rio de Deus feito homem, connosco e para n&oacute;s. Como diz o salmo, Deus &laquo;tem um rosto&raquo;, um rosto humano.<\/p>\n<p>A segunda leitura faz a liga&ccedil;&atilde;o do Natal com a P&aacute;scoa, fala do sacerd&oacute;cio de Jesus, revelando a plenitude da miss&atilde;o do Messias, a sua morte salvadora. O Natal &eacute; o in&iacute;cio do novo culto: &laquo;ao entrar no mundo, Jesus disse: &laquo;sacrif&iacute;cios e holocaustos n&atilde;o os quiseste, mas deste-me um corpo. Eu venho, &oacute; Pai, para fazer a tua vontade&raquo;. H&aacute; dias o Papa recomendava que olh&aacute;ssemos para o Natal com olhos da P&aacute;scoa. &Eacute; o que j&aacute; pregava Paulo aos Filipenses: &laquo;ao fazer-se homem, o Filho de Deus desceu, despojou-se da sua gl&oacute;ria, esvaziou-se, aniquilou-se, fazendo-se igual a n&oacute;s; e ao morrer no Calv&aacute;rio e ao ser sepultado desceu ainda mais (Fil 2).<\/p>\n<p>Nesta nossa S&eacute; temos estes tr&ecirc;s passos bem gravados na arte sacra: nos janel&otilde;es altos da nave central, a divindade eterna do Verbo &#8211; &laquo;No princ&iacute;pio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus&raquo;; no ret&aacute;bulo do presbit&eacute;rio, no andar inferior, vemos Maria, Jos&eacute; e o Menino, as figuras do pres&eacute;pio; no andar superior do mesmo ret&aacute;bulo, o Crucificado, a Deposi&ccedil;&atilde;o e a Ressurrei&ccedil;&atilde;o. Em todos eles o mesmo amor: o amor que O fez descer ao pres&eacute;pio e o amor que O fez subir ao Calv&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2- &Eacute; neste cen&aacute;rio do Natal e da P&aacute;scoa que se faz esta Ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal e diaconal. O Padre tem algo do Natal e algo da P&aacute;scoa: o Padre &eacute; o homem da proximidade com o povo, um pastor do pres&eacute;pio no meio do povo, e &eacute; tamb&eacute;m o homem da oferenda que Jesus iniciou na Encarna&ccedil;&atilde;o, exprimiu na apresenta&ccedil;&atilde;o no Templo e consumou no Calv&aacute;rio.<\/p>\n<p>Nunca vos esque&ccedil;ais desta dupla dimens&atilde;o: trazeis convosco o minist&eacute;rio e o minist&eacute;rio de Jesus na sua realidade hist&oacute;rica e sacramental. Precisareis de uma vida inteira para assimilar estas verdades, de modo que vos sintais bem perto das pessoas e, ao mesmo tempo, vos sintais ministros da oferenda, carregados de outro amor e de outro poder, de modo a estardes junto do povo sem ser do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2- Gostaria de deixar uma palavra aos cinco Leitores hoje institu&iacute;dos e, com eles, aos catequistas, aos professores e aos educadores aqui presentes, e aos p&aacute;rocos neste Ano Sacerdotal.<\/p>\n<p>A f&eacute; crist&atilde; n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de bons sentimentos, como erradamente se ouve &agrave;s vezes dizer. N&atilde;o basta ter bom cora&ccedil;&atilde;o, bons sentimentos, &eacute; preciso ter boa cabe&ccedil;a. Jesus apresentou-se como Mestre, como o Logos, a Sabedora de Deus, o Verbo de Deus: foi o Verbo de Deus que se fez carne&raquo;, a Sabedoria que habitou entre n&oacute;s.<\/p>\n<p>A institui&ccedil;&atilde;o dos Leitores lembra essa presen&ccedil;a e import&acirc;ncia da palavra de Deus. A miss&atilde;o do Leitor n&atilde;o &eacute; s&oacute; proclamar os textos b&iacute;blicos nas celebra&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m fazer todo o tipo de catequese do povo crist&atilde;o, das crian&ccedil;as e dos adultos. Dito de outro modo, dar &agrave;s pessoas uma estrutura mental que preceda e d&ecirc; consist&ecirc;ncia ao comportamento &eacute;tico e religioso.<\/p>\n<p>Esta miss&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia &eacute; actual&iacute;ssima. Dentro da Igreja, corremos hoje o perigo de ter crist&atilde;os que v&atilde;o &agrave; Missa, casam pela Igreja, frequentam os sacramentos, mandam os filhos &agrave; catequese e, no seu &iacute;ntimo, pensam de modo pag&atilde;o, dizem n&atilde;o concordar com o Papa, nem com os bispos, nem com a Igreja. O que &eacute; isto? Seria uma religi&atilde;o de sentimentos soltos, uma religi&atilde;o ac&eacute;fala, verdadeiros monstros.<\/p>\n<p>Mas a crise estende-se aos que n&atilde;o t&ecirc;m f&eacute;. Assistimos hoje &aacute; degrada&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria natureza e da intelig&ecirc;ncia. Acerca da natureza, ainda ontem terminou uma assembleia mundial sem quaisquer compromissos sobre o respeito pela terra. E o mesmo acontece quanto &agrave; intelig&ecirc;ncia e aos seus mecanismos. Vivemos uma profunda crise da intelig&ecirc;ncia e do uso da raz&atilde;o, uma &eacute;poca de logofobia, horror &agrave; l&oacute;gica natural, de cabe&ccedil;a invertida: raciocina-se &agrave;s avessas, sem respeito pela realidade biol&oacute;gica e pela realidade sociol&oacute;gica. Tratar de modo igual o que &eacute; diferente, dar o mesmo nome a realidades naturalmente distintas, chamar normal ao que &eacute; excep&ccedil;&atilde;o, &eacute; ofender a raz&atilde;o, &eacute; deseducar, &eacute; desgovernar. Assiste-se a uma tentativa de legislar sem cabe&ccedil;a, sem respeitar as leis da biologia, sem respeitar a cultura, sem respeitar o povo, uma legisla&ccedil;&atilde;o nascida do capricho de grupos de press&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; anos o Papa Paulo VI dizia que faz parte do minist&eacute;rio da Igreja ensinar as pessoas a raciocinarem bem, para depois agirem correctamente. Dizia mesmo que a filosofia sadia pode ser uma pr&eacute;-evangeliza&ccedil;&atilde;o. De facto, uma cabe&ccedil;a mal arrumada tudo perverte.<\/p>\n<p>A B&iacute;blia diz que devemos amar a Deus com toda a intelig&ecirc;ncia, e o Papa actual n&atilde;o se cansa de o fazer em todos os seus documentos, com apelos &agrave; f&eacute; e &agrave; raz&atilde;o. N&atilde;o &eacute; a f&eacute; que corre perigo, &eacute; a pr&oacute;pria laicidade natural que &eacute; desprezada. O crist&atilde;o &eacute; hoje chamado a salvar a Cria&ccedil;&atilde;o e a intelig&ecirc;ncia humana: defender as pessoas do mau uso das plantas, do mau uso do vinho, do mau uso do corpo, do mau uso da intelig&ecirc;ncia, aquilo que os antigos chamavam sof&iacute;stica e que S. Paulo refere nas suas cartas.<\/p>\n<p>Quando fazemos o Sinal da Cruz &eacute; pela cabe&ccedil;a que come&ccedil;amos, e s&oacute; depois descemos aos l&aacute;bios, ao peito e aos bra&ccedil;os. &Eacute; assim que baptizamos e &eacute; assim que fazemos ao iniciar e ao terminar a celebra&ccedil;&atilde;o. Quando subirdes ao amb&atilde;o para fazer as leituras, lembrai-vos sempre que sois disc&iacute;pulos de Jesus, que se chama o Mestre, o Verbo de Deus.<\/p>\n<p>&Eacute; com Ele que vamos prosseguir a nossa celebra&ccedil;&atilde;o, com rigor de pensamento que d&ecirc; seguran&ccedil;a ao nosso comportamento e alegria sadia que d&ecirc; calor &agrave; nossa ora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vila Real, 20 de Dezembro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Joaquim Gon&ccedil;alves, Bispo de Vila Real<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presb&iacute;tero, educador da f&eacute; e da raz&atilde;o &nbsp; 1- A liturgia deste Domingo antes do Natal lembra as circunst&acirc;ncias de lugar e de parentesco do Messias prometido: nascer&aacute; em Bel&eacute;m, da tribo de Jud&aacute;, e sua M&atilde;e ser&aacute; Maria, uma virgem de Nazar&eacute;. 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