{"id":42635,"date":"2009-12-21T13:04:05","date_gmt":"2009-12-21T13:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/21\/mensagem-de-natal-do-bispo-de-beja\/"},"modified":"2009-12-21T13:04:05","modified_gmt":"2009-12-21T13:04:05","slug":"mensagem-de-natal-do-bispo-de-beja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-bispo-de-beja\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do Bispo de Beja"},"content":{"rendered":"<p><strong>Natal e o sentido da vida<\/strong><\/p>\n<p>Ao celebrarmos mais um Natal, dirijo-me aos meus diocesanos de Beja com a habitual mensagem natal&iacute;cia, tocando alguns aspectos da situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos. O modo superficial e consumista como se vive esta quadra anual em nada contribui para a compreens&atilde;o e viv&ecirc;ncia do esp&iacute;rito do Natal crist&atilde;o. Por isso, come&ccedil;ando por chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o essencial do acontecimento natal&iacute;cio, tentarei mostrar a actualidade da sua mensagem.<\/p>\n<p>Todos sabemos que o Natal se refere ao nascimento de Jesus de Nazar&eacute;, que para os crist&atilde;os &eacute; o Messias esperado, o Salvador, a manifesta&ccedil;&atilde;o do amor de Deus &agrave; humanidade, assumindo a nossa condi&ccedil;&atilde;o, em tudo igual a n&oacute;s, excepto no pecado. Ele &eacute; o Emanuel, Deus connosco.<\/p>\n<p>O Natal &eacute; o cumprimento das promessas feitas atrav&eacute;s do profeta Isa&iacute;as: <em>O povo que andava nas trevas viu uma grande luz&#8230; Pois nasceu uma crian&ccedil;a, Deus mandou-nos um menino, que ser&aacute; o nosso rei. Ele ser&aacute; chamado de &ldquo;Conselheiro Maravilhoso&rdquo;, &ldquo;Deus Poderoso&rdquo;, &ldquo;Pai Eterno&rdquo;, &ldquo;Pr&iacute;ncipe da Paz&rdquo; (Is. 9, 2-6).<\/em><\/p>\n<p>Quais eram as trevas de ent&atilde;o e quais s&atilde;o as de hoje, que precisam de ser iluminadas, para vermos o caminho e descobrimos o sentido da nossa vida?<\/p>\n<p>O Natal desafia-nos a olhar a nossa exist&ecirc;ncia como um dom, acolhido com carinho pelos nossos progenitores e amparado no seu crescimento at&eacute; &agrave; maturidade de assumir a pr&oacute;pria vida como uma doa&ccedil;&atilde;o, para atingir a sua plenitude, como aconteceu com o nascimento de Jesus e se manifestou pela sua vida fora at&eacute; &agrave; sua entrega total na cruz pela salva&ccedil;&atilde;o da humanidade. Esta foi uma vida plena de sentido, exemplar para todo o ser humano.<\/p>\n<p>O evangelista Jo&atilde;o dir&aacute; que <em>&#8220;a luz brilhou nas trevas, mas as trevas n&atilde;o a receberam&#8221; (Jo 1, 5). <\/em><em>Mas a todos quantos o receberam, aos que cr&ecirc;em nele, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes n&atilde;o nasceram de la&ccedil;os de sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas nasceram de Deus. A Palavra fez-se homem e veio habitar no meio de n&oacute;s, e n&oacute;s contemplamos a sua gl&oacute;ria, como gl&oacute;ria do filho &uacute;nico do Pai, cheio de gra&ccedil;a e de verdade (Jo 1, 12-14).<\/em><\/p>\n<p>Nestas palavras densas do profeta Isa&iacute;as e do Evangelho de S. Jo&atilde;o est&aacute; contido todo o mist&eacute;rio deste nascimento. Que significado exemplar brota da&iacute; para o sentido da vida humana? Estaremos n&oacute;s entre os que acolhem esta luz ou preferimos as trevas de um mundo sem Deus, sem horizontes, fechado no ego&iacute;smo e no consumo materialista dos bens deste mundo?<\/p>\n<p>Como h&aacute; dois mil anos, Deus quer estar connosco.&nbsp; Ele abre a vida humana &agrave; plenitude do seu sentido, a vida eterna na comunh&atilde;o de amor com Deus e com todas as criaturas.<\/p>\n<p>Num mundo de grandes potencialidades com a evolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m envolvido em grandes contrastes e graves conflitos, em que ningu&eacute;m quer ceder nada do n&iacute;vel alcan&ccedil;ado, mesmo que muitos habitantes do planeta e povos inteiros sejam sacrificados, at&eacute; mesmo as condi&ccedil;&otilde;es de sobreviv&ecirc;ncia de futuras gera&ccedil;&otilde;es &ndash;basta analisar os fracos resultados da cimeira de Copenhaga sobre a polui&ccedil;&atilde;o do ambiente-, surge a novidade do Natal. Deus vem em aux&iacute;lio da nossa fraqueza, tornando-se ele mesmo d&eacute;bil na pessoa da crian&ccedil;a nascida em Bel&eacute;m, para nos assumir e acompanhar em direc&ccedil;&atilde;o da plenitude de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Natal e Ano Sacerdotal<\/strong><\/p>\n<p>O Natal deste ano &eacute; celebrado em contexto de Ano Sacerdotal, proclamado pelo Papa Bento XVI e com vig&ecirc;ncia de 19 de Junho passado at&eacute; 11 de Junho pr&oacute;ximo. O sacerdote &eacute; no mundo e na hist&oacute;ria aquele que faz da mem&oacute;ria hist&oacute;rica do Natal uma realidade do presente, fazendo que Jesus com toda a sua vida plena nas&ccedil;a na actualidade no cora&ccedil;&atilde;o e na assembleia de todos os que acreditam e celebram no mist&eacute;rio da Eucaristia, no perd&atilde;o sacramental, no nascimento baptismal, na confirma&ccedil;&atilde;o da filia&ccedil;&atilde;o divina e na corresponsabilidade comunit&aacute;ria pelo dom do Esp&iacute;rito Santo, na proclama&ccedil;&atilde;o da Boa Nova do Evangelho, na b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos que unem as suas vidas em matrim&oacute;nio, fundando uma nova fam&iacute;lia, na consola&ccedil;&atilde;o dos doentes e no acompanhamento espiritual dos que sofrem, abrindo a todos os horizontes do amor e da miseric&oacute;rdia infinita de Deus, manifestada em Jesus Cristo e continuada na vida da Igreja.<\/p>\n<p>Perante toda esta dignidade, concedida ao sacerdote pelo dom da voca&ccedil;&atilde;o, confirmada pelo chamamento da Igreja e pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os do Bispo e confirmada pela un&ccedil;&atilde;o presbiteral, temos de agradecer a Deus esta possibilidade que nos &eacute; dada, para nos tornarmos contempor&acirc;neos da vida e da miss&atilde;o de Jesus Cristo. Mas todos sabemos que trazemos este dom em vasos de barro. Conscientes da nossa fragilidade, mas tamb&eacute;m da nossa dignidade e responsabilidade, temos necessidade de implorar constantemente a protec&ccedil;&atilde;o divina e pedir a todos os crentes ora&ccedil;&atilde;o e apoio.<\/p>\n<p>O carinho e aten&ccedil;&atilde;o prestados aos sacerdotes revertem em favor de toda a comunidade, que hoje, mais que nunca, precisa de guias espirituais, de algu&eacute;m, como se exprimia o Santo Cura de Ars, padroeiro dos p&aacute;rocos, que &ldquo;lhes mostre o caminho do c&eacute;u&rdquo;. Num mundo de imensos recursos, mas deprimido por uma profunda crise, todos estamos conscientes de que as causas n&atilde;o s&atilde;o apenas de ordem financeira e econ&oacute;mica, mas sobretudo de ordem moral, falta de &eacute;tica no comportamento de muitos decisores econ&oacute;micos. O mundo precisa de se abrir ao esp&iacute;rito e aos valores &eacute;ticos da&iacute; derivantes, para poder superar esta e outras crises, que sempre as haver&aacute;, A miss&atilde;o da Igreja e dos sacerdotes, intermedi&aacute;rios entre Deus e os homens e vice-versa, insere-se principalmente nesta dimens&atilde;o. Se o fermento do bem, da dignidade da pessoa humana e do amor ao pr&oacute;ximo for forte e perseverante, o percurso do mundo e da sociedade encaminhar-se-&aacute; no sentido dum progresso sustent&aacute;vel, sem exclus&atilde;o de ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>Atendendo &agrave;s necessidades espirituais da popula&ccedil;&atilde;o dispersa do Baixo Alentejo, dirijo-me aos meus directos colaboradores, mas tamb&eacute;m a todas as pessoas de boa vontade, desejosas de uma sociedade mais justa e fraterna, para que unamos for&ccedil;as e amparemos as voca&ccedil;&otilde;es de especial consagra&ccedil;&atilde;o na vida e no servi&ccedil;o da Igreja, sejam masculinas ou femininas, pois a mulher consagrada tem uma grande miss&atilde;o a desempenhar na vida da Igreja e da nossa diocese. Pe&ccedil;o tamb&eacute;m a todos que amparem os candidatos ao sacerd&oacute;cio e apoiem o nosso Semin&aacute;rio, onde se formam os futuros padres.<\/p>\n<p>Neste sentido e na firme esperan&ccedil;a de que todos os homens e mulheres de boa vontade querem restaurar o sentido crist&atilde;o desta quadra festiva e tirar as consequ&ecirc;ncias para a sua vida pessoal, familiar e social, desejo a todos um Santo Natal e um ano de 2010 forte no crescimento moral e espiritual e tamb&eacute;m na realiza&ccedil;&atilde;o dos bons sonhos para a plenitude da vida, na paz e na alegria esfuziante de nos sabermos amados por Deus e rodeados de quem nos quer bem.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Vitalino, Bispo de Beja<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Natal e o sentido da vida Ao celebrarmos mais um Natal, dirijo-me aos meus diocesanos de Beja com a habitual mensagem natal&iacute;cia, tocando alguns aspectos da situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos. 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