{"id":4263,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/donos-ou-senhores-de-que-ou-de-quem\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"donos-ou-senhores-de-que-ou-de-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/donos-ou-senhores-de-que-ou-de-quem\/","title":{"rendered":"Donos ou senhores, de qu\u00ea ou de quem?"},"content":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio do bispo de Aveiro <!--more--> A maioria dos pais, dos professores, dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, podemos mesmo dizer dos cidad\u00e3os em geral, para al\u00e9m daqueles que fazem dessa atitude uma voca\u00e7\u00e3o ou praticam um voluntariado permanente e generoso, entende a sua vida como um servi\u00e7o aos outros e procura orientar nesse sentido o que \u00e9 e o que faz.   Por\u00e9m, v\u00e3o surgindo, um pouco por todo o lado, grupos ou indiv\u00edduos com manifesta voca\u00e7\u00e3o de senhores ou de donos, os quais, para que n\u00e3o haja d\u00favidas do que s\u00e3o ou pretendem, o proclamam, alto e em bom som, beneficiando das horas nobres dos hor\u00e1rios televisivos os das primeiras p\u00e1ginas dos jornais. S\u00e3o estudantes que se dizem donos das escolas e as fecham a cadeado; s\u00e3o grupos de mulheres que se proclamam donas do seu corpo e decidem da vida de filhos que geraram e trazem no seio; s\u00e3o empres\u00e1rios que se consideram donos dos seus oper\u00e1rios e os atiram para o desemprego, sem ju\u00edzo nem apelo; s\u00e3o automobilistas que se pensam donos da estrada e nela semeiam perigo e morte; s\u00e3o partidos pol\u00edticos que se arvoram em donos de todos os infelizes do reino; s\u00e3o filhos que decidem da vida dos seus pais idosos, os tiram da casa que constru\u00edram e onde os criaram e os deixam em urg\u00eancias de hospitais ou em lares de gente que eles n\u00e3o conhecem; s\u00e3o pais que imp\u00f5em aos filhos os seus sonhos e projectos e lhes negam a liberdade de escolherem e constru\u00edrem eles mesmos o seu futuro;  s\u00e3o autarcas e pol\u00edticos que dispensam colaboradores necess\u00e1rios e agem como se tudo lhes pertencesse, ainda que por pouco tempo\u2026 Ser dono e senhor \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que pode atingir a todos, na Igreja, na sociedade civil, na vida empresarial e pol\u00edtica, na fam\u00edlia e at\u00e9 no metro quadrado que cada um julga ser apenas seu.  Uma sociedade em que prolifere o clima de senhorio n\u00e3o vai longe. Estados em que havia apenas um dono ru\u00edram como muros velhos e carcomidos; regimes pol\u00edticos que s\u00f3 admitem cidad\u00e3os atentos \u00e0 voz do senhor, estiolam; comunidades locais, regidas pela batuta indiscut\u00edvel de quem a elas preside, onde se calam as vozes dissonantes e n\u00e3o se aproveita o contributo de quem tem algo para dizer e fazer, n\u00e3o t\u00eam mais futuro; fam\u00edlias onde a\u00ed reina o \u201caqui mando eu\u201d, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o fam\u00edlias. A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m se basta a si pr\u00f3prio e todos precisam de todos. Os donos s\u00e3o sempre os que presumem daquilo que n\u00e3o t\u00eam nem s\u00e3o e, com o seu grito mentiroso, abafam a sua indig\u00eancia. Ningu\u00e9m tem categoria para ser dono de algu\u00e9m. O valor de todos \u00e9 radicalmente igual. O ser humano de poucas semanas que se desenvolve pacificamente no seu ambiente natural, o ventre materno, ou o velhinho que cabeceia de sono no canto de um grande sal\u00e3o pejado de outros como ele, valem tanto como o primeiro magistrado da na\u00e7\u00e3o ou como o futebolista pago a peso de ouro. Os seus direitos, por\u00e9m, s\u00e3o redobrados, porque n\u00e3o se podem defender dos abusivos agressores, arvorados em seus donos e senhores. A gera\u00e7\u00e3o dos senhores e dos donos, se se deixa crescer impunemente e se continua a merecer, como est\u00e1 acontecendo em alguns casos, o favor escandaloso da comunica\u00e7\u00e3o social, constitui um obst\u00e1culo para a humaniza\u00e7\u00e3o da nossa sociedade. Trata-se de uma mentira arvorada em direito, uma falsidade com p\u00e9s de barro, uma subcultura perigosa, uma atraso civilizacional, uma tentativa de subvers\u00e3o da sociedade que clama pelos direitos humanos e j\u00e1 n\u00e3o dispensa um clima democr\u00e1tico, onde todos se sintam radicalmente iguais e ningu\u00e9m possa espezinhar, como se fora uma coisa, o semelhante mais humilde. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio do bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[170,189,206,329],"class_list":["post-4263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-aveiro","tag-direitos-humanos","tag-familia","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4263\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}