{"id":426178,"date":"2026-05-20T09:55:35","date_gmt":"2026-05-20T08:55:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=426178"},"modified":"2026-05-19T12:58:20","modified_gmt":"2026-05-19T11:58:20","slug":"o-cansaco-do-clero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-cansaco-do-clero\/","title":{"rendered":"O Cansa\u00e7o do Clero"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Est\u00e1-se a debater e a comentar, neste momento, dentro da Igreja, o cansa\u00e7o do clero. Chovem alertas de v\u00e1rios quadrantes e j\u00e1 come\u00e7am a existir alguns estudos que comprovam que o assunto merece muita aten\u00e7\u00e3o. Um bom n\u00famero de padres manifesta burnout ministerial. Um clero cansado n\u00e3o serve bem e n\u00e3o exerce o seu minist\u00e9rio com qualidade, e n\u00e3o se esquecendo, sobretudo, os graves danos que poder\u00e3o advir para a sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n<p>\u00c9 normal haver dias e per\u00edodos em que h\u00e1 mais trabalho e se sente mais exaust\u00e3o. Mas depois descansa-se e recuperar-se. Mas o problema aqui \u00e9 quando essa exaust\u00e3o se torna cont\u00ednua, \u00e9 quotidiana, e vai arrastando a pessoa para a incapacidade f\u00edsica e mental e at\u00e9 para uma profunda sensa\u00e7\u00e3o de vazio, falta de alegria e de realiza\u00e7\u00e3o. Exercer o minist\u00e9rio e viver como padre em fadiga cr\u00f3nica, que \u00e9 o caldo perfeito para se dar um apag\u00e3o. Nos \u00faltimos anos, por falta de padres, os p\u00e1rocos t\u00eam assumido cada vez mais par\u00f3quias e t\u00eam acumulado mais fun\u00e7\u00f5es e atividades lit\u00fargicas, administrativas, financeiras e sociais. S\u00e3o chamados a exercer v\u00e1rios pap\u00e9is e servi\u00e7os ao mesmo tempo e alguns de grande exig\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o. Os padres s\u00e3o uma esp\u00e9cie de canivetes su\u00ed\u00e7os.<\/p>\n<p>Em muitas par\u00f3quias os recursos humanos come\u00e7am a ser limitados (por falta de popula\u00e7\u00e3o, envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, absentismo crist\u00e3o). Vai sobrando tudo para o padre. Devido ao trabalho excessivo, come\u00e7a a faltar tempo para o bom descanso, a vida espiritual, a forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e at\u00e9 para o cuidado pessoal, que \u00e9 fundamental para se viver e servir de forma saud\u00e1vel. Al\u00e9m do mais, persiste a cultura eclesial de que tudo tem de passar pelo padre ou pelo bispo, e que t\u00eam de estar presentes em todas as celebra\u00e7\u00f5es, atividades e acontecimentos, acarretando, muitas vezes, mais trabalho e horas desgastantes. Exige-se ao padre uma disponibilidade permanente, um sacrif\u00edcio constante por todas as solicita\u00e7\u00f5es que lhe batem \u00e0 porta, pouco se respeitando a sua humanidade, que tem limites. A m\u00e9dio e longo prazo, \u00e9 inevit\u00e1vel o cansa\u00e7o e at\u00e9 o colapso f\u00edsico e mental.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso questionar, quanto antes, uma certa idealiza\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio e o elogio da exaust\u00e3o e da entrega desmedida (quando esta fisicamente j\u00e1 \u00e9 insuport\u00e1vel) at\u00e9 ao limite na vida da Igreja. Promove-se um certo hero\u00edsmo clerical, passando-se a mensagem de que um padre n\u00e3o pode dizer n\u00e3o, nem pode virar a cara \u00e0s dificuldades e obst\u00e1culos que enfrenta, seja de que ordem for. Mesmo que esteja estafado, tem de se doar e lutar sempre, resistir at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota do seu suor, mesmo em grave preju\u00edzo para a sua sa\u00fade. Hoje sabemos que, neste estado, n\u00e3o se presta um bom servi\u00e7o ao Povo de Deus e \u00e9 caminho certo para muitos desequil\u00edbrios e adoecimentos, alguns de grande gravidade. N\u00e3o \u00e9 raro, \u00e0s vezes, escutarmos em muitas homilias o elogio de santos que viveram vidas de grande sacrif\u00edcio f\u00edsico e humano, para l\u00e1 do aceit\u00e1vel humanamente, e indicar isso aos fi\u00e9is como exemplo a seguir, sinal de uma amor total e extraordin\u00e1rio, caminho certo para o c\u00e9u. Isto ser\u00e1 aceit\u00e1vel e n\u00e3o ser\u00e1 exagerado e at\u00e9 descabido? Um colega, de saudosa mem\u00f3ria, j\u00e1 falecido, tinha um joelho em cacos e estava com febre. Mesmo assim, n\u00e3o se negou a fazer o seu trabalho pastoral durante v\u00e1rios dias at\u00e9 que desmaiou numa Eucaristia. O povo foi o primeiro a repreend\u00ea-lo: \u201cO que \u00e9 que o senhor veio aqui fazer nesse estado?\u201d Resposta do colega:\u201d Fomos criados na mentalidade do sacrif\u00edcio, que tem de se fazer tudo at\u00e9 ao limite pelo bem do povo\u201d. Esta mentalidade, com pingos de heroicidade, fez muita escola dentro da Igreja.<\/p>\n<p>O sacrif\u00edcio tamb\u00e9m tem limites e \u00e9 preciso respeitar a humanidade das pessoas. T\u00e3o humanos que queremos ser que nos tornamos desumanos. Por outro lado, tamb\u00e9m cabe ao padre n\u00e3o viver num ativismo febril (e \u00e0s vezes este ativismo at\u00e9 \u00e9 para tapar o vazio e a falta de realiza\u00e7\u00e3o que sente, quem sabe uma fuga ou um escape), saber delegar responsabilidades e trabalhar com os outros e definir prioridades. Respeitar os seus limites e ter boas amizades com os colegas \u00e9 remedio para muitos desequil\u00edbrios. Ao mesmo tempo, \u00e9 bom lembrar que um padre n\u00e3o se define s\u00f3 pela sua a\u00e7\u00e3o, sendo de evitar o excesso de atividade para se ter reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o diante dos outros, alimentando-se a perce\u00e7\u00e3o de que quanto mais se faz e se aparece, mais respeito e considera\u00e7\u00e3o se vai ter do povo de Deus ou da sociedade. N\u00e3o se deixa de ser um bom padre se n\u00e3o tivermos uma homenagem na vida, um nome numa rua ou uma l\u00e1pide num qualquer edif\u00edcio social ou eclesial, penduricalhos que podem distorcer a viv\u00eancia do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u00c9 um assunto que deve ser refletido com alguma urg\u00eancia nas comunidades crist\u00e3s. Esperemos que a reflex\u00e3o sinodal, que se est\u00e1 a realizar atualmente na vida da Igreja, aponte novos caminhos e proponha algumas solu\u00e7\u00f5es para esta situa\u00e7\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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