{"id":425678,"date":"2026-05-15T18:11:44","date_gmt":"2026-05-15T17:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=425678"},"modified":"2026-05-15T18:12:08","modified_gmt":"2026-05-15T17:12:08","slug":"lusofonias-a-arte-de-preservar-vozes-e-rostos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-a-arte-de-preservar-vozes-e-rostos\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; A arte de preservar vozes e rostos"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-425679 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Lusofonias-ComunSociais-15-5-26.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ascens\u00e3o rima sempre com Comunica\u00e7\u00e3o pois o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais \u00e9 celebrado neste Solenidade que antecede o Pentecostes. Ano ap\u00f3s ano, o Papa escreve uma Mensagem, mas publica-a por ocasi\u00e3o da festa de S. Francisco de Sales, Padroeiro dos Escritores e Jornalistas, a 24 de janeiro. Assim aconteceu este ano e o Papa Le\u00e3o XIV surpreendeu com um t\u00edtulo provocador: \u2018Preservar vozes e rostos humanos\u2019.<\/p>\n<p>Diz: \u2018Rosto e voz s\u00e3o sagrados. Foram-nos dados por Deus, que nos criou \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, chamando-nos \u00e0 vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu\u2019. Assim, alerta para alguns perigos que nos trazem a tecnologia digital que \u2018corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civiliza\u00e7\u00e3o humana, que por vezes temos como garantidos. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consci\u00eancia e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como intelig\u00eancia artificial n\u00e3o s\u00f3 interferem nos ecossistemas informativos, como tamb\u00e9m invadem o n\u00edvel mais profundo da comunica\u00e7\u00e3o, ou seja, o das rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas\u2019.<\/p>\n<p>Por isso, \u2018preservar os rostos e as vozes significa, em \u00faltima an\u00e1lise, preservarmo-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios. Aceitar com coragem, determina\u00e7\u00e3o e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela intelig\u00eancia artificial n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de esconder de n\u00f3s mesmos os pontos cr\u00edticos, a opacidade e os riscos\u2019.<\/p>\n<p>Sabemos todos que, \u2018nos \u00faltimos anos, os sistemas de intelig\u00eancia artificial est\u00e3o a assumir cada vez mais o controlo da produ\u00e7\u00e3o de textos, m\u00fasica e v\u00eddeos. Grande parte da ind\u00fastria criativa humana corre o risco de ser destru\u00edda e substitu\u00edda pela etiqueta \u201c<em>Powered by AI<\/em>\u201d, transformando as pessoas em meros consumidores passivos de pensamentos n\u00e3o pensados, de produtos an\u00f3nimos, sem autoria nem amor. Ao mesmo tempo, as obras-primas do g\u00e9nio humano no \u00e2mbito da m\u00fasica, da arte e da literatura v\u00e3o sendo reduzidas a um mero campo de treino para as m\u00e1quinas\u2019. Estas podem e devem ajudar-nos, mas \u2018renunciar ao processo criativo e entregar \u00e0s m\u00e1quinas as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es mentais e a pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o significa enterrar os talentos recebidos para crescer como pessoas em rela\u00e7\u00e3o a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz\u2019.<\/p>\n<p>H\u00e1 que ter muito cuidado com as \u2018ajudas\u2019 das tecnologias \u00e0s rela\u00e7\u00f5es afetivas: a tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode n\u00e3o s\u00f3 ter consequ\u00eancias dolorosas para o destino dos indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m prejudicar o tecido social, cultural e pol\u00edtico das sociedades\u2019.<\/p>\n<p>O jornalismo atual sofre muito: \u2018a falta de verifica\u00e7\u00e3o das fontes, com a crise do jornalismo no terreno, que implica um trabalho cont\u00ednuo de recolha e verifica\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es nos locais onde os eventos ocorrem, pode favorecer um solo ainda mais f\u00e9rtil para a desinforma\u00e7\u00e3o, provocando uma crescente sensa\u00e7\u00e3o de desconfian\u00e7a, desorienta\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a\u2019.<\/p>\n<p>H\u00e1 que construir uma alian\u00e7a entre as pessoas e as novas tecnologias, \u00a0assente em tr\u00eas pilares:\u00a0<em>responsabilidade<\/em>,\u00a0<em>coopera\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e\u00a0<em>educa\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>\u2018A\u00a0<em>responsabilidade<\/em> \u00a0pode ser definida, consoante as fun\u00e7\u00f5es, como honestidade, transpar\u00eancia, coragem, vis\u00e3o, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado. Por\u00e9m, em geral, ningu\u00e9m pode fugir \u00e0 sua responsabilidade diante do futuro que estamos a construir\u2019. Por isso, \u2018igual responsabilidade \u00e9 pedida aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de zelar pelo respeito da dignidade humana\u2019.<\/p>\n<p>O segundo pilar desta alian\u00e7a \u00e9 a <em>coopera\u00e7\u00e3o<\/em>: \u2018nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inova\u00e7\u00e3o digital e governar a IA\u2019.<\/p>\n<p>Finalmente, a <em>educa\u00e7\u00e3o<\/em>. H\u00e1 que \u2018aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os poss\u00edveis interesses por tr\u00e1s da sele\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que nos chegam, compreender os mecanismos psicol\u00f3gicos que elas ativam, permitir \u00e0s nossas fam\u00edlias, comunidades e associa\u00e7\u00f5es a elabora\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios pr\u00e1ticos para uma cultura de comunica\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e respons\u00e1vel\u2019.<\/p>\n<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - A arte de preservar vozes e rostos\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; 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