{"id":42527,"date":"2009-12-16T11:09:22","date_gmt":"2009-12-16T11:09:22","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/16\/intervencao-do-coordenador-das-capelanias-hospitalares-no-encontro-inter-religioso-sobre-assistencia-espiritual-e-religiosa-no-sns\/"},"modified":"2009-12-16T11:09:22","modified_gmt":"2009-12-16T11:09:22","slug":"intervencao-do-coordenador-das-capelanias-hospitalares-no-encontro-inter-religioso-sobre-assistencia-espiritual-e-religiosa-no-sns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencao-do-coordenador-das-capelanias-hospitalares-no-encontro-inter-religioso-sobre-assistencia-espiritual-e-religiosa-no-sns\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do Coordenador das Capelanias Hospitalares no Encontro Inter-Religioso sobre Assist\u00eancia Espiritual e Religiosa no SNS"},"content":{"rendered":"<p>Hoje &eacute; um dia desejado e projectado e constru&iacute;do ao longo de muitos anos.<\/p>\n<p>Em 2003, quando convidada a intervir na elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Sa&uacute;de, que definiria as Orienta&ccedil;&otilde;es Estrat&eacute;gicas para o per&iacute;odo 2004-2010, a Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional das Capelanias Hospitalares, modo colegial de exercer a miss&atilde;o que a anterior regulamenta&ccedil;&atilde;o &ndash; Decreto Regulamentar 58\/80 &ndash; previa, aceit&aacute;mos o convite e tivemos a alegria de ver a nossa proposta considerada na &iacute;ntegra e inserida no texto definitivo do Plano.<\/p>\n<p>Em s&iacute;ntese, no diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o refer&iacute;amos a crescente pluralidade de op&ccedil;&otilde;es espirituais e religiosas presentes na sociedade portuguesa e a insufici&ecirc;ncia do modelo de servi&ccedil;o religioso vigente, que s&oacute; definia o estatuto dos capel&atilde;es hospitalares da Igreja cat&oacute;lica. Nas sugest&otilde;es, apresent&aacute;vamos como caminhos inadi&aacute;veis a considera&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o do acompanhamento espiritual, para al&eacute;m da assist&ecirc;ncia religiosa e, no que a esta concerne, a necessidade de reconfigurar os Servi&ccedil;os Religiosos Hospitalares, tendo em conta, para al&eacute;m da Concordata que, por esses dias, se dizia por novas palavras, tamb&eacute;m a Lei da Liberdade Religiosa que, h&aacute; anos j&aacute;, pedia regulamenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desde a&iacute;, a defesa da causa enunciada &ndash; a oferta da possibilidade de acesso aos Doentes internados por parte de todos os cultos e op&ccedil;&otilde;es espirituais sem restri&ccedil;&otilde;es nem barreiras &ndash; esteve na primeira linha das nossas prioridades. Sab&iacute;amos, como muitas vezes dissemos, que a consci&ecirc;ncia que o quotidiano nos dava, da import&acirc;ncia para os cat&oacute;licos da assist&ecirc;ncia que lhes proporcion&aacute;vamos, nos obrigava a sermos os primeiros na reivindica&ccedil;&atilde;o de igual possibilidade para todos.<\/p>\n<p>A Igreja cat&oacute;lica n&atilde;o l&ecirc;, na especificidade &ndash; que n&atilde;o quer desrespeitada &ndash; do seu car&aacute;cter hist&oacute;rico e maiorit&aacute;rio na sociedade portuguesa, uma fonte de privil&eacute;gios, mas uma responsabilidade social e pastoral em rela&ccedil;&atilde;o a todos os demais Credos e op&ccedil;&otilde;es espirituais. A prov&aacute;-lo est&aacute; a hist&oacute;ria que nos trouxe a este dia, a este encontro inter-religioso e ao Decreto-Lei 253\/2009 de 23 de Setembro que o motiva.<\/p>\n<p>Ao longo destes anos trabalh&aacute;mos efectivamente, no terreno dos hospitais do nosso pa&iacute;s, na paciente labora&ccedil;&atilde;o dos gabinetes e na larga pra&ccedil;a medi&aacute;tica que forma a opini&atilde;o p&uacute;blica, no sentido de tornar poss&iacute;vel este Decreto-Lei que, com as possibilidades que abre e as insufici&ecirc;ncias que ainda n&atilde;o foi poss&iacute;vel superar, oferece, no entanto, um horizonte novo ao exerc&iacute;cio da miss&atilde;o que cabe &agrave;s Religi&otilde;es no contexto que, com premente insist&ecirc;ncia, reclamam o seu contributo, para salvaguardar a integridade dos cuidados de sa&uacute;de que se praticam nos hospitais do SNS.<\/p>\n<p>Algumas palavras-chave que us&aacute;mos abriram os diversos intervenientes no processo a este passo que, n&atilde;o sendo dado, significaria um recuo cultural em contra-corrente com todo o mundo ocidental em que nos integramos:<\/p>\n<p>&#8211; O acompanhamento espiritual e religioso &eacute;, antes de mais, um direito dos doentes, sem deixar de ser, ao mesmo tempo, direito e dever das entidades religiosas, a todas reconhecido e por todas assumido, mas sempre em raz&atilde;o desta centralidade &uacute;nica que &eacute; a pessoa que est&aacute; doente, na express&atilde;o da sua necessidade de ser acompanhada e assistida nesta dimens&atilde;o da sua identidade, que a experi&ecirc;ncia da doen&ccedil;a torna particularmente importante e que a sociedade toma como tarefa sua considerar, formulando-a como direito;<\/p>\n<p>&#8211; Direito dos doentes a que s&oacute; as Religi&otilde;es &ndash; salvaguarda-se aqui a quest&atilde;o que fica por resolver do Agnosticismo e do Ate&iacute;smo, que o tempo torna progressivamente relevantes &ndash; podem corresponder, situados como estamos no terreno mais sagrado da liberdade de consci&ecirc;ncia, de religi&atilde;o e de culto, crit&eacute;rio &uacute;ltimo de aferi&ccedil;&atilde;o da verdade democr&aacute;tica e da toler&acirc;ncia em qualquer sociedade;<\/p>\n<p>&#8211; Direito que, por ter que ser exercido em institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, exige um respons&aacute;vel compromisso do Estado, que n&atilde;o pode de modo algum recuar para a posi&ccedil;&atilde;o de mero facilitador demission&aacute;rio mas, cabendo-lhe, como cabe, garantir a integridade dos cuidados de sa&uacute;de que oferece aos seus cidad&atilde;o, deve actuar positivamente, n&atilde;o s&oacute; abrindo possibilidades como oferecendo-as, no respeito pelo princ&iacute;pio da separa&ccedil;&atilde;o e pelo da coopera&ccedil;&atilde;o, que estabelecem uma plataforma de isen&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o nem sempre f&aacute;cil mas gerador de uma tens&atilde;o positiva que cria futuro;<\/p>\n<p>&#8211; Acresce, ainda, a defesa de uma considera&ccedil;&atilde;o antropologicamente fundamentada e culturalmente enraizada do fen&oacute;meno humano, que, fazendo emergir um determinado conceito de mist&eacute;rio da pessoa, pede consequ&ecirc;ncias no modo de definir o que &eacute; a sa&uacute;de e de compreender o que &eacute; a doen&ccedil;a e o sofrimento e a morte, mat&eacute;ria prima deste lugar t&atilde;o especial da sociedade em que nos encontramos &ndash; a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de: sem a luz que s&oacute; a antropologia oferece, por mais &eacute;tica que se injecte, os cuidados de sa&uacute;de n&atilde;o respeitam a totalidade, integridade e unidade da pessoa humana. Ao longo destes anos, muitas vezes nos sentimos a defender o Sistema de Sa&uacute;de de si mesmo, de vis&otilde;es ideologicamente redutoras; vis&otilde;es que, se se impusessem, ditariam de op&ccedil;&otilde;es reducionistas.<\/p>\n<p>Movidos por estas convic&ccedil;&otilde;es, em di&aacute;logo progressivamente estreitado com muitas das entidades hoje aqui presentes, e outras que n&atilde;o puderam estar, fomos erguendo os fundamentos deste dia. Foi com este Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de que, finalmente, se reuniram as condi&ccedil;&otilde;es de sabedoria que tornaram poss&iacute;vel este Decreto-Lei que, repito, ainda &eacute; apenas o poss&iacute;vel, como ser&aacute; sempre apenas o poss&iacute;vel o que venha a ser o seu futuro, porque a vida &eacute; que apresenta as circunst&acirc;ncias que definem limites e abrem caminhos. Mas &eacute; claro desde j&aacute; que, aplica&ccedil;&atilde;o da nova regulamenta&ccedil;&atilde;o superar&aacute; o regulamentado. A vida &eacute; sempre mais do que a lei e &eacute; bom podermos dizer, de uma lei, que a vida que por ela se regulamenta, n&atilde;o encontra nela entrave, mas, pelo contr&aacute;rio, incentivo a ir mais al&eacute;m, a aprofundar-se, a expandir-se, a ser mais vida e mais humana. &Eacute; isso que o dia de hoje, este Encontro inter-religioso, promete.<\/p>\n<p>Resta-me formular uma esperan&ccedil;a, que onze anos como capel&atilde;o hospitalar e com esta hist&oacute;ria vivida, me permitem e me obrigam a dizer: cada vez mais, os hospitais s&atilde;o chamados a uma nova miss&atilde;o social: a de serem lugar de uma pedagogia cultural de valoriza&ccedil;&atilde;o do essencial, de uma did&aacute;ctica do sentido e de uma gram&aacute;tica dos fundamentos. &Eacute; nos hospitais, autenticamente lugares existenciais integrais, que acontece a vida nos momentos cruciais de revela&ccedil;&atilde;o do essencial, quando todo o acess&oacute;rio e ilus&atilde;o se quebram, no confronto com a verdade da nossa radical conting&ecirc;ncia &ndash; talvez, melhor, indig&ecirc;ncia. Creio que, este Encontro e o novo quadro em que ele acontece, potencia os hospitais para, tamb&eacute;m neste aspecto, cumprirem a sua nova voca&ccedil;&atilde;o a serem lugares de pedagogia cultural de valoriza&ccedil;&atilde;o do essencial. Neste caso, o essencial &eacute; a aprendizagem de uma laicidade positiva que, aferindo-se pela verdade da sociedade de que dimana o Estado para a servir, cria condi&ccedil;&otilde;es para que flores&ccedil;a a toler&acirc;ncia e a liberdade justamente entendidas, resistindo &agrave;s tenta&ccedil;&otilde;es de terraplanagem ideologicamente negativa da hist&oacute;ria e da cultura, com o pluralismo de Tradi&ccedil;&otilde;es que a constituem e enformam, e oferece lugar &agrave;s diferen&ccedil;as para se expressarem e aos seus sujeitos, espa&ccedil;os para se encontrarem, dialogarem e colaborarem.<\/p>\n<p>Como cidad&atilde;o deste pa&iacute;s, felicito o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de que soube, neste aspecto concreto, entender positivamente a Laicidade do Estado como potencia&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de emerg&ecirc;ncia, n&atilde;o de apagamento, da diversidade; no fundo, reconhecendo que a qualidade da Democracia reside tanto no respeito pela maioria como na inclus&atilde;o das minorias que constituem a sociedade que lhe cumpre servir.<\/p>\n<p>O futuro est&aacute;-nos confiado. E o futuro n&atilde;o se pode desenhar sem o contributo das Religi&otilde;es. Em nome da verdade da Pessoa Humana.<\/p>\n<p>Obrigado.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Jos&eacute; Nuno, Coordenador das Capelanias Hospitalares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje &eacute; um dia desejado e projectado e constru&iacute;do ao longo de muitos anos. 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