{"id":42524,"date":"2009-12-15T21:10:38","date_gmt":"2009-12-15T21:10:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/15\/grupo-de-trabalho-inter-religioso-vai-acompanhar-regulamentacao-da-assistencia-espiritual-nos-hospitais\/"},"modified":"2009-12-15T21:10:38","modified_gmt":"2009-12-15T21:10:38","slug":"grupo-de-trabalho-inter-religioso-vai-acompanhar-regulamentacao-da-assistencia-espiritual-nos-hospitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/grupo-de-trabalho-inter-religioso-vai-acompanhar-regulamentacao-da-assistencia-espiritual-nos-hospitais\/","title":{"rendered":"Grupo de trabalho inter-religioso vai acompanhar regulamenta\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia espiritual nos hospitais"},"content":{"rendered":"<p>Ministra da Sa\u00fade reconhece que novo ordenamento legal implica \u00abmudan\u00e7a muito grande\u00bb na pr\u00e1tica dos estabelecimentos hospitalares <!--more--> <\/p>\n<p>A constitui&ccedil;&atilde;o de um grupo de trabalho inter-religioso, para acompanhar a aplica&ccedil;&atilde;o do decreto-lei que regulamenta a assist&ecirc;ncia espiritual nos estabelecimentos do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, &eacute; um dos elementos da declara&ccedil;&atilde;o final do encontro entre representantes de v&aacute;rios credos que decorreu esta Ter&ccedil;a-feira em Lisboa.<\/p>\n<p>O documento prev&ecirc; igualmente prever a cria&ccedil;&atilde;o de um manual para assist&ecirc;ncia religiosa, que ser&aacute; difundido em grande escala.<\/p>\n<p>Durante a reuni&atilde;o, que decorreu na Universidade Cat&oacute;lica, a ministra da Sa&uacute;de, Ana Jorge, concordou na necessidade de acompanhar a implementa&ccedil;&atilde;o da lei, aspecto referido por grande parte dos representantes que participaram no encontro.<\/p>\n<p>Ana Jorge considerou que o novo ordenamento legal &ldquo;implica uma mudan&ccedil;a muito grande na pr&aacute;tica de muitas institui&ccedil;&otilde;es&rdquo;, pelo que &eacute; necess&aacute;rio antecipar as especificidades de cada credo, evitando que pequenos problemas se transformem em grandes obst&aacute;culos &agrave; assist&ecirc;ncia religiosa nos hospitais.<\/p>\n<p>Para o presidente da Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social, D. Carlos Azevedo, o acompanhamento espiritual &ldquo;n&atilde;o &eacute; o jogo do ganha ou perde&rdquo;, mas &#8220;um servi&ccedil;o ao maior bem da pessoa, no respeito pela sua identidade&rdquo;.<\/p>\n<p>O coordenador da Comiss&atilde;o Nacional da Pastoral da Sa&uacute;de, Mons. Feytor Pinto, sublinhou que a toler&acirc;ncia, a conviv&ecirc;ncia, o di&aacute;logo e a solidariedade s&atilde;o factores sem os quais &ldquo;a sociedade plural n&atilde;o funciona&rdquo;. Neste sentido, &ldquo;a Igreja Cat&oacute;lica est&aacute; empenhada num s&atilde;o ecumenismo e di&aacute;logo inter-religioso&rdquo;.<\/p>\n<p>Em todas as religi&otilde;es, &ldquo;a grande preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre a da espiritualidade&rdquo;, que &ldquo;&eacute; um elemento com dimens&atilde;o cl&iacute;nica&rdquo;, afirmou o sacerdote.<\/p>\n<p>O assistente dos M&eacute;dicos Cat&oacute;licos da Diocese de Lisboa afirmou que a Igreja pretendia a cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;um conselho nacional onde o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de tivesse assento&rdquo;. A proposta n&atilde;o foi aceite, pelo que se procurou &ldquo;substitu&iacute;-la pela ideia de uma comiss&atilde;o que pretende garantir os direitos religiosos a todos os doentes&rdquo;.<\/p>\n<p>Neste sentido, Mons. Feytor Pinto aludiu &agrave; necessidade de os hospitais preverem um regulamento que defina a integra&ccedil;&atilde;o da Igreja Cat&oacute;lica e das outras religi&otilde;es no novo enquadramento legal.<\/p>\n<p>&ldquo;Isto implica uma orienta&ccedil;&atilde;o que seja suficientemente clara para ningu&eacute;m ser sacrificado&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>O coordenador nacional das Capelanias Hospitalares, Pe. Jos&eacute; Nuno, testemunhou &ldquo;o empenho colocado pela senhora ministra da Sa&uacute;de em estar neste encontro&rdquo; e agradeceu &ldquo;aos meus irm&atilde;os de outros credos que est&atilde;o presentes&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Ao longo destes anos trabalh&aacute;mos para tornar poss&iacute;vel este decreto-lei&rdquo;, que, apesar de ainda ser insuficiente, &ldquo;oferece um horizonte novo &agrave;s religi&otilde;es&rdquo;, afirmou o respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>Durante este processo, a Igreja procurou &#8220;defender o sistema de sa&uacute;de de op&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas redutoras&rdquo;, contribuindo para a &ldquo;aprendizagem de uma laicidade positiva&rdquo;, observou o Pe. Jos&eacute; Nuno.<\/p>\n<p><strong>Representantes das confiss&otilde;es religiosas satisfeitos como novo decreto-lei<\/strong><\/p>\n<p>O Pe. Alexandre Bonito, da Igreja Ortodoxa Grega, explicou que a sua comunidade prestava assist&ecirc;ncia aos doentes &ldquo;de forma pessoal e n&atilde;o regulamentada, o que criava alguns obst&aacute;culos&rdquo;. &ldquo;Era um clandestino e hoje passei &agrave; legalidade&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>O bispo Fernando Soares, da Igreja Lusitana, assinalou que &#8220;durante muitos anos, no Hospital de S&atilde;o Jo&atilde;o, no Porto, foi criado um esp&iacute;rito de grande participa&ccedil;&atilde;o entre diversas comunidades religiosas, particularmente as crist&atilde;s&rdquo;.<\/p>\n<p>O representante do Conselho Portugu&ecirc;s das Igrejas Crist&atilde;s afirmou igualmente que &ldquo;&eacute; a partir da rela&ccedil;&atilde;o da compreens&atilde;o ecum&eacute;nica que se criam as condi&ccedil;&otilde;es para que outros passos se possam dar no futuro&rdquo;. &ldquo;Estamos aqui para servir&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p>O presidente da Alian&ccedil;a Evang&eacute;lica Portuguesa considerou que, &ldquo;em teoria&rdquo;, os seus representantes nunca tiveram grandes dificuldades; &ldquo;mas na pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; assim&rdquo;. Era &ldquo;bastante desagrad&aacute;vel&rdquo; viver na &ldquo;clandestinidade&rdquo; e &agrave; merc&ecirc; &ldquo;do humor do seguran&ccedil;a&rdquo; do hospital, referiu.<\/p>\n<p>Jorge Humberto explicou que alguns pastores foram &ldquo;impedidos de exercer o seu m&uacute;nus devido ao facto de as unidades hospitalares n&atilde;o reconhecerem esse direito&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Como os evang&eacute;licos t&ecirc;m uma cultura de sofrer calados, nunca fizemos eco das imensas discrimina&ccedil;&otilde;es que foram feitas no nosso pa&iacute;s durante muitos anos&rdquo;, constatou o Pastor.<\/p>\n<p>Muitas vezes havia a consci&ecirc;ncia de que a autoriza&ccedil;&atilde;o para a visita aos doentes era concedida &ldquo;n&atilde;o por direito, mas porque algu&eacute;m &ldquo;fazia o favor&rdquo; de permitir esse contacto, referiu o respons&aacute;vel.<\/p>\n<p>O novo ordenamento jur&iacute;dico &ldquo;muda totalmente as coisas&rdquo;, na medida em que o acompanhamento pastoral dos utentes &ldquo;n&atilde;o &eacute; um acto de boa vontade da administra&ccedil;&atilde;o, do enfermeiro-chefe ou do porteiro, mas algo que est&aacute; consagrado na lei&rdquo;, esclareceu Jorge Humberto.<\/p>\n<p>Para o director da &aacute;rea da Religi&atilde;o da Comunidade Israelita de Lisboa, o novo enquadramento jur&iacute;dico &ldquo;n&atilde;o vai alterar grande coisa do ponto de vista pr&aacute;tico, porque nunca tivemos problema neste pa&iacute;s em prestar assist&ecirc;ncia a quem est&aacute; internado, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o de alguns detalhes que foram resolvidos com mais ou menos rapidez&rdquo;.<\/p>\n<p>Jos&eacute; Ruah est&aacute; convencido de que a nova legisla&ccedil;&atilde;o &ldquo;&eacute; muito importante&rdquo; porque consagra &ldquo;o respeito pelas diferen&ccedil;as religiosas&rdquo;, traduzindo &ldquo;um avan&ccedil;o na cidadania e na liberdade religiosa&rdquo;.<\/p>\n<p>Do ponto de vista judaico, a presen&ccedil;a nos hospitais concentra-se no acompanhamento aos moribundos: na imin&ecirc;ncia da morte, &ldquo;a pessoa deve ouvir as ora&ccedil;&otilde;es apropriadas para esse momento&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Podem fazer-se ora&ccedil;&otilde;es desejando o restabelecimento das pessoas&rdquo;, mas os &ldquo;judeus sempre confiaram na medicina, sabendo, evidentemente, que a import&acirc;ncia do Criador &eacute; por demais importante&rdquo;, explicou Jos&eacute; Ruah.<\/p>\n<p>O delegado da Comunidade Isl&acirc;mica de Lisboa, Abdool Vakil, disse que &ldquo;nunca nos foi negado o direito de dar assist&ecirc;ncia religiosa nos hospitais, &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece nas pris&otilde;es&rdquo;. &ldquo;Agora passa a estar consagrado na lei o que nos faziam por gentileza e simpatia&rdquo;, sintetizou.<\/p>\n<p>At&eacute; ao presente, &ldquo;o entendimento com a Igreja Cat&oacute;lica tem sido t&aacute;cito&rdquo;. &ldquo;Nestas coisas &ndash; acrescentou o respons&aacute;vel &ndash; n&atilde;o &eacute; preciso escrever: basta que entendamos que temos um fim comum&rdquo;. &ldquo;Na religi&atilde;o isl&acirc;mica &ndash; esclareceu Abdool Vakil &#8211; n&atilde;o precisamos de intermedi&aacute;rio para ir a Deus, mas n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas que o sacerdote ou os volunt&aacute;rios podem ser importantes para confortar o doente e para rezar por ele.&rdquo;<\/p>\n<p>O representante da Comunidade Hindu recordou que a sua religi&atilde;o &ldquo;dependia muito do bom senso dos interlocutores&rdquo;, havendo situa&ccedil;&otilde;es que tardavam em ser superadas&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Passavam-se dias at&eacute; encontrar uma boa alma que pudesse superar os problemas&rdquo;, indicou Ashok Hansraj. &ldquo;A partir de agora, o acesso vai ser garantido por direito, e n&atilde;o pela mera provid&ecirc;ncia&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>&ldquo;A reuni&atilde;o de hoje &ndash; recordou &ndash; &eacute; fruto do trabalho e da conviv&ecirc;ncia com a Igreja Cat&oacute;lica, que remonta &agrave; &eacute;poca em que Portugal administrava os territ&oacute;rios do Ultramar.&rdquo;<\/p>\n<p>As pr&oacute;ximas etapas consistem na regulamenta&ccedil;&atilde;o da lei, atendendo, nomeadamente, aos preceitos alimentares das religi&otilde;es, aspecto que foi mencionado pelas comunidades mu&ccedil;ulmana, judaica e hindu. O Pe. Alexandre Bonito mencionou ainda a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o dos volunt&aacute;rios que prestam assist&ecirc;ncia religiosa e espiritual aos doentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministra da Sa\u00fade reconhece que novo ordenamento legal implica \u00abmudan\u00e7a muito grande\u00bb na pr\u00e1tica dos estabelecimentos hospitalares<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[187,192,199,282,314],"class_list":["post-42524","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-do-porto","tag-ecumenismo","tag-espiritualidade","tag-pastoral-social","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42524\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}