{"id":42508,"date":"2009-12-15T15:35:55","date_gmt":"2009-12-15T15:35:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/15\/cristaos-judeus-e-islamicos-debateram-multiculturalidade-no-algarve\/"},"modified":"2009-12-15T15:35:55","modified_gmt":"2009-12-15T15:35:55","slug":"cristaos-judeus-e-islamicos-debateram-multiculturalidade-no-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristaos-judeus-e-islamicos-debateram-multiculturalidade-no-algarve\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3os, judeus e isl\u00e2micos debateram multiculturalidade no Algarve"},"content":{"rendered":"<p>A HERA &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o para a Valoriza&ccedil;&atilde;o e Promo&ccedil;&atilde;o do Patrim&oacute;nio promoveu na passada Sexta-feira, dia 11 de Dezembro, uma confer&ecirc;ncia sobre &lsquo;Hist&oacute;ria e Multiculturalidade&rsquo; no Museu Municipal de Faro. A iniciativa, que se realizou no &acirc;mbito do ciclo de confer&ecirc;ncias PAIDEIA, procurou abordar os mecanismos de encontro entre culturas e contou com a participa&ccedil;&atilde;o dos representantes algarvios das comunidades Isl&acirc;mica e Judaica e da Igreja cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o de Sara Ferreira, antrop&oacute;loga, sobre a quest&atilde;o da multiculturalidade, Ralf Pinto, director do Centro Judaico de Faro, explicou que a Comunidade Judaica &eacute; constitu&iacute;da no mundo por um total de 14 mil pessoas, sendo que 600 se encontram em Portugal, distribu&iacute;das por Lisboa, Porto, Belmonte (distrito de Castelo-Branco) e Algarve.<\/p>\n<p>Sublinhando que, para um judeu, &ldquo;Deus &eacute; uma convic&ccedil;&atilde;o espiritual com raiz no pr&oacute;prio ser&rdquo;, deteve-se na enumera&ccedil;&atilde;o de preceitos, leis e celebra&ccedil;&otilde;es do Juda&iacute;smo e afirmou que membros da comunidade procuram &ldquo;adorar a Deus com todo o cora&ccedil;&atilde;o e alma&rdquo; e ensinam isso aos filhos. &ldquo;O objectivo do Juda&iacute;smo &eacute; tornar sagrados todos os actos quotidianos. Por esta raz&atilde;o temos b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os para cada ocasi&atilde;o&rdquo;, acrescentou.<\/p>\n<p>Ralf Pinto disse ainda que o facto de n&atilde;o haver actualmente uma sinagoga no Algarve &ldquo;n&atilde;o &eacute; problema&rdquo; para quem professa a f&eacute; judaica. O director do Centro Judaico de Faro disse tamb&eacute;m que, no que respeita &agrave; multiculturalidade, &ldquo;o Juda&iacute;smo n&atilde;o &eacute; proselitista&rdquo;.<\/p>\n<p>O padre Miguel Neto, do Gabinete de Informa&ccedil;&atilde;o da Diocese do Algarve, que apresentou alguns t&oacute;picos hist&oacute;ricos, uma vis&atilde;o da realidade actual e algumas perspectivas futuras para a Igreja cat&oacute;lica, defendeu que &ldquo;&eacute; preciso abrir uma nova era no relacionamento entre as v&aacute;rias religi&otilde;es com algum fundamento hist&oacute;rico&rdquo;.<\/p>\n<p>O sacerdote considerou, no entanto, que &ldquo;se h&aacute; s&iacute;tio da Igreja primitiva onde foram realizadas iniciativas de &acirc;mbito multicultural, principalmente com a conquista isl&acirc;mica, foi o Algarve&rdquo; e explicou que &ldquo;havia grande conviv&ecirc;ncia, quer no Algarve, quer na Andaluzia, entre crist&atilde;os e mu&ccedil;ulmanos&rdquo;. &ldquo;Os mo&ccedil;&aacute;rabes crist&atilde;os adaptaram os seus ritos &agrave; realidade em que viviam&rdquo;, justificou, lembrando que &ldquo;at&eacute; &agrave; primeira conquista de Silves, obras de autores mu&ccedil;ulmanos retratam a exist&ecirc;ncia de uma conviv&ecirc;ncia salutar, apesar dos altos impostos que os mu&ccedil;ulmanos pagar os que praticavam uma religi&atilde;o diferente&rdquo;.<\/p>\n<p>O representante do Cristianismo evidenciou ent&atilde;o o Algarve como regi&atilde;o de acolhimento inter-cultural e religioso. &ldquo;Se h&aacute; s&iacute;tio no nosso pa&iacute;s onde &eacute; habitual conviver com gente de outras etnias e religi&otilde;es &eacute; o Algarve pelas caracter&iacute;sticas que todos n&oacute;s conhecemos&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>O padre Miguel Neto defendeu ainda que &ldquo;ser crist&atilde;o, hoje em dia, &eacute; uma escolha pessoal&rdquo;. &ldquo;At&eacute; aqui ser crist&atilde;o era uma caracter&iacute;stica social e tradicional. Felizmente isto vai deixar de ser assim e essa mudan&ccedil;a come&ccedil;ou pelo Algarve&rdquo;, frisou, considerando que &ldquo;outra coisa &eacute; as pessoas serem culturalmente crist&atilde;s&rdquo;.<\/p>\n<p>O sacerdote defendeu que &ldquo;as religi&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o fora de moda&rdquo; e lamentou que surjam &ldquo;novos fen&oacute;menos religiosos que n&atilde;o implicam compromisso, convers&atilde;o e mudan&ccedil;a de vida&rdquo;. &ldquo;Ser crist&atilde;o n&atilde;o &eacute; exercer um conjunto de regras, mas aderir &agrave; pessoa de Cristo e implica mudan&ccedil;a de vida e convers&atilde;o&rdquo;, advertiu, criticando as que &ldquo;querem ter um p&eacute; fora e outro dentro [da religi&atilde;o], querem algo que as ajude espiritualmente mas n&atilde;o querem essa convers&atilde;o e essa mudan&ccedil;a de vida&rdquo;.<\/p>\n<p>O representante de Igreja cat&oacute;lica lamentou o referendo da Su&iacute;&ccedil;a, considerando que &ldquo;imiscuiu-se na pr&oacute;pria esfera privada da religi&atilde;o isl&acirc;mica e isso &eacute; inadmiss&iacute;vel&rdquo;. &ldquo;Eu sou livre de usar uma cruz ao peito, o senhor Ralf Pinto &eacute; livre de usar o quip&aacute; na cabe&ccedil;a e o dr. Ben-Hamadou &eacute; livre de usar outro sinal da f&eacute; isl&acirc;mica. Est&atilde;o a querer remeter as religi&otilde;es a algo privado quando faz parte da sua ess&ecirc;ncia, sobretudo do Cristianismo e do Islamismo, o testemunho de f&eacute; e a evangeliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, advertiu.<\/p>\n<p>O padre Miguel Neto considerou ainda que o Algarve, &ldquo;pela sua particular situa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e civilizacional, tende a ser uma importante regi&atilde;o no entendimento entre as v&aacute;rias confiss&otilde;es religiosas e as diversas religi&otilde;es&rdquo;. No entanto, a regi&atilde;o corre tamb&eacute;m o risco de &ldquo;ser uma regi&atilde;o sem uma identidade religiosa espec&iacute;fica e com uma pan&oacute;plia de cren&ccedil;as e de crentes&rdquo;, explicou. &ldquo;O n&uacute;mero dos crist&atilde;os pode diminuir, mas os que existem assumem a f&eacute; e tendem a ser sinceros, verdadeiros e coerentes com o credo que professam&rdquo;, concluiu.<\/p>\n<p>Radhouan Ben-Hamadou, rectificando o sacerdote algarvio, preferiu utilizar o termo presen&ccedil;a em vez de invas&atilde;o isl&acirc;mica e lembrou que &ldquo;a cultura isl&acirc;mica deixou muitas marcas&rdquo; n&atilde;o s&oacute; em Portugal como na Europa. &ldquo;Diz-se muito que a cultura europeia &eacute; judaico-crist&atilde; e esquecemo-nos que a cultura &aacute;rabe foi a identidade da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica&rdquo;, constatou, apontando os exemplos das influ&ecirc;ncias que perduram na agricultura, na gastronomia, nas artes e nas ci&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Cultura Isl&acirc;mica do Algarve reconheceu que o processo de multiculturalidade entre crist&atilde;os e mu&ccedil;ulmanos &ldquo;nem sempre o processo foi pac&iacute;fico&rdquo;, mas considerou que &ldquo;o que ressalta &eacute; que os povos tinham as capacidades de gerir a sua f&eacute; sem problemas&rdquo;. Procurando precisar o padre Miguel Neto, explicou que o imposto aplicado pelos &aacute;rabes &ldquo;n&atilde;o era resultado de uma segrega&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os que professam diferentes religi&otilde;es, mas um imposto que &eacute; pago porque quem n&atilde;o professa a f&eacute; isl&acirc;mica que n&atilde;o tem obriga&ccedil;&atilde;o de proteger a na&ccedil;&atilde;o e paga por isso para ser protegido&rdquo;.<\/p>\n<p>Ben-Hamadou rejeitou os termos toler&acirc;ncia e respeito, prefiro falar em parceria. &ldquo;Devemos basear as nossas colabora&ccedil;&otilde;es sobre um projecto que tenha as pessoas como centro. A integra&ccedil;&atilde;o dentro das cidades n&atilde;o pode ser em termos de assimila&ccedil;&atilde;o, mas um enriquecimento com as identidades que chegam e com as quais se pode conviver. A diferen&ccedil;a provoca medo e &eacute; preciso ultrapass&aacute;-lo. &Eacute; preciso construir pontes, dialogar e criar valores que definam uma nova identidade para uma cidadania participativa de todas as pessoas&rdquo;, defendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A HERA &#8211; Associa&ccedil;&atilde;o para a Valoriza&ccedil;&atilde;o e Promo&ccedil;&atilde;o do Patrim&oacute;nio promoveu na passada Sexta-feira, dia 11 de Dezembro, uma confer&ecirc;ncia sobre &lsquo;Hist&oacute;ria e Multiculturalidade&rsquo; no Museu Municipal de Faro. 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