{"id":42490,"date":"2009-12-22T11:02:14","date_gmt":"2009-12-22T11:02:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/22\/nas-encruzilhadas-regianas\/"},"modified":"2009-12-22T11:02:14","modified_gmt":"2009-12-22T11:02:14","slug":"nas-encruzilhadas-regianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nas-encruzilhadas-regianas\/","title":{"rendered":"Nas Encruzilhadas Regianas"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 R\u00e9gio faleceu h\u00e1 40 anos <!--more--> <\/p>\n<p>Jos&eacute; R&eacute;gio, de seu verdadeiro nome Jos&eacute; Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde, no long&iacute;nquo ano de 1901. Passados 24 anos, em 1925 escreveu um livro que assinala a sua revela&ccedil;&atilde;o como poeta, perante o p&uacute;blico e a cr&iacute;tica: &#8220;Poemas de Deus e do Diabo&#8221;.<\/p>\n<p>O seu ber&ccedil;o foi o norte de Portugal, mas a cidade de Portalegre e o liceu Mouzinho de Albuquerque acolheram-no de bra&ccedil;os abertos. Naquela localidade junto &agrave; Serra de S. Mamede se fixou (durante 30 anos) o poeta que, juntamente com Jo&atilde;o Gaspar Sim&otilde;es e Branquinho da Fonseca fundou a Revista &#8220;Presen&ccedil;a&#8221;. A sua actividade liter&aacute;ria ao n&iacute;vel da poesia n&atilde;o se resume somente &agrave; obra citada nas linhas anteriores. Publicou tamb&eacute;m &#8220;As Encruzilhadas de Deus&#8221; (1936); &#8220;Fado&#8221; (1941); &#8220;Mas Deus &eacute; Grande&#8221; (1945); &#8220;Filho do Homem&#8221; (1961) ou &#8220;C&acirc;ntico Suspenso&#8221; (1968). Pode dizer-se, com toda a certeza, que atingiu a sua consagra&ccedil;&atilde;o entre os principais poetas portugueses contempor&acirc;neos. Mas o &#8220;sangue liter&aacute;rio&#8221; n&atilde;o parou de correr nas veias de Jos&eacute; R&eacute;gio e este revela-se tamb&eacute;m noutras &aacute;reas como romancista, novelista, ensa&iacute;sta e dramaturgo, assinando obras de relevo como &#8220;Jogo da Cabra Cega&#8221; (1934); &#8220;A Velha Casa&#8221; (com cinco volumes escritos de 1945 a 1966); &#8220;Benilde ou a Virgem M&atilde;e&#8221; (escrito em 1947 e adaptado mais tarde ao cinema por Manoel de Oliveira) ou &#8220;Salva&ccedil;&atilde;o do Mundo&#8221; (1955). A terra que o viu nascer despediu-se dele a 22 de Dezembro de 1969. A sua import&acirc;ncia ao n&iacute;vel da literatura foi tanta, que as casas onde nasceu e viveu s&atilde;o hoje museus com o seu nome.<\/p>\n<p><strong>Luta do Humano com o Divino<br \/><\/strong>A sua personalidade tem laivos maternais e paternais. Ao pai, um ourives de profiss&atilde;o, ter&aacute; ficado a dever sobretudo um certo e duradouro gosto pela vida, subjacente e teimoso, mesmo nos piores momentos de desespero. Foi, no entanto, ao temperamento de Maria da Concei&ccedil;&atilde;o Reis, que Jos&eacute; R&eacute;gio foi buscar o seu fundo humano-art&iacute;stico. O poeta, que &agrave; partida (Poemas de Deus e do Diabo) arvorava eloquentemente a sua autonomia e o seu &laquo;n&atilde;o saber&raquo;: &#8220;N&atilde;o sei por onde vou, \/ N&atilde;o sei para onde vou, \/ Sei que n&atilde;o vou por a&iacute;&#8221; aproximava-se do fim da vida, igualmente &#8220;n&atilde;o sabendo&#8221; ao que chegava, mas aparentemente mais s&aacute;bio, sereno e distanciado: &#8220;A pouco e pouco, vou chegando.\/ N&atilde;o sei a qu&ecirc;. Sei que na tarde ruiva, \/ J&aacute; mal respira brando, \/ O vento que s&oacute; raro ainda ruiva.\/ &#8230; \/ Na tarde sossegada, \/ Sem armas, sem escudo, \/ Chegando a qu&ecirc;? Talvez a nada. \/ Talvez a tudo.&#8221;<\/p>\n<p>Aqui Jos&eacute; R&eacute;gio usa a confiss&atilde;o e a m&aacute;scara. Aprofunda a revela&ccedil;&atilde;o do seu eu a um tempo despudorado e secreto. Pergunta e responde&#8230; Qual a solu&ccedil;&atilde;o? Esta obra entra no ponto de ruptura e consegue subjugar-nos por aquilo que &#8220;n&atilde;o diz&#8221; mas insinua. A obra de R&eacute;gio, com toda a vontade de confiss&atilde;o genu&iacute;na, est&aacute; repleta de enigmas. O edif&iacute;cio de clareza da sua literatura deixa-nos apenas a melanc&oacute;lica &#8220;certeza&#8221; de que n&atilde;o h&aacute; certezas, de que a verdade polifacetada &eacute; mais complexa e inating&iacute;vel do que sonha a nossa &#8220;v&atilde; filosofia&#8221; e de que, cada seu novo livro, n&atilde;o passa de mais uma tentativa de &#8220;ver tudo mais por dentro do que vira&#8221;. O grande tema de Jos&eacute; R&eacute;gio &eacute; o confronto do eu com o pr&oacute;prio eu. A obra Regiana abre-nos para a profundidade e complexidade de um outro eu, que poder&aacute; ser o veneno da sua trag&eacute;dia. O outro poder&aacute; ser definido como &#8220;espelho&#8221; e como &#8220;ideal&#8221; &#8211; como a verdadeira imagem do que se &eacute; e implicitamente o absoluto do que se &#8220;deseja ser&#8221;.<\/p>\n<p>De modo ligeiro poderemos dizer que o essencial do drama Regiano &eacute; a luta entre o humano e o divino. Dentro de si h&aacute; uma tentativa de ascens&atilde;o at&eacute; ao absoluto (positivo ou negativo, na medida em que o absoluto do mal tamb&eacute;m poder&aacute; ser uma via). Esta via (a do mal) de atingir o absoluto &eacute; uma das originalidades de R&eacute;gio. O mal n&atilde;o &eacute; visto simplesmente como uma tenta&ccedil;&atilde;o &#8211; &#8220;eu sou o tentador, n&atilde;o o tentado. A imagina&ccedil;&atilde;o dos homens &eacute; estreita: S&oacute; ao mal chamaram eles aten&ccedil;&atilde;o. Como se Deus tamb&eacute;m n&atilde;o tentasse!&#8221; diz o Bobo-Anjo &agrave; Rainha sedu&ccedil;&atilde;o na pe&ccedil;a M&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>Deus e o Diabo<br \/><\/strong>Existe um poema do livro inici&aacute;tico de Jos&eacute; R&eacute;gio, &#8220;Poemas de Deus e do Diabo&#8221;, que cont&eacute;m germinalmente, todo o seu pensamento religioso. Nessas linhas po&eacute;ticas, o autor como que faz uma transposi&ccedil;&atilde;o da cena b&iacute;blica da Tenta&ccedil;&atilde;o de Jesus no Deserto. O poeta aqui situa-se no meio de duas figuras impressionantes, a de um Homem: &laquo;Todo nu, e desfigurado&raquo; em cujo rosto exangue &laquo;as suas l&aacute;grimas corriam misturadas com o seu sangue&raquo; e a de &laquo;Algu&eacute;m&raquo; que &laquo;ria um riso que espantava, \/ Um riso tenebroso, e cheio de atrac&ccedil;&atilde;o, \/ Com o fogo dentro como a boca dum vulc&atilde;o!&raquo;.<\/p>\n<p>Este conflito dram&aacute;tico entre os &#8220;dois vultos desmedidos constitui, no fundo, o destino fatal de cada ser humano&#8221;. Perante esta situa&ccedil;&atilde;o o poeta adianta: &#8220;A noite em que isto foi, n&atilde;o sei&#8230; sei l&aacute;?&#8221;. Mais tarde, no &#8220;C&acirc;ntico Negro&#8221;, o poeta voltar&aacute; a reafirmar a sua convic&ccedil;&atilde;o de que cada personalidade humana &eacute; obrigada a uma op&ccedil;&atilde;o misteriosa entre Deus e o Diabo. Embora se refira, apenas a si pr&oacute;prio, est&aacute; a falar de todos: &#8220;Deus e o Diabo &eacute; que me guiam, mais ningu&eacute;m&#8221; (Poemas de Deus e do Diabo). No mesmo livro R&eacute;gio adianta: &#8220;Seja quem for, \/ (Deus ou Satan&aacute;s) Quero chamar-lhe meu senhor, \/ Acolher-me a seus p&eacute;s como um escravo&#8221;.<\/p>\n<p>Este poema apresenta res&iacute;duos daquele &laquo;Satanismo&raquo;, com que o Romantismo liter&aacute;rio logrou subsistir, durante algum tempo, nas veias do primeiro Modernismo. Para Jos&eacute; R&eacute;gio, todavia, ele assume tons metaf&iacute;sicos. Deixa de ser uma express&atilde;o &eacute;pica ou &#8220;quixotesca&#8221;, para se transformar num apelo &agrave; liberdade pessoal. O poeta associa o seu &#8220;Satanismo&#8221; ao &#8220;C&acirc;ntico Negro&#8221; zaratustriano do her&oacute;i, cuja gl&oacute;ria &eacute; &#8220;Criar desumanidade! \/ N&atilde;o acompanhar ningu&eacute;m&#8221; (Poemas de Deus e do Diabo).<\/p>\n<p>Na sua poesia &eacute; constante uma concep&ccedil;&atilde;o religiosa tensional e maniqueia, avessa aos aspectos gozosos e jubilosos do cristianismo. Para conseguir uma vibra&ccedil;&atilde;o exasperada do sofrimento, Jos&eacute; R&eacute;gio cria um Cristo po&eacute;tico, um homem das dores que n&atilde;o ressuscita. Existe uma fixa&ccedil;&atilde;o, quem sabe uma contempla&ccedil;&atilde;o do crucificado, como se n&atilde;o existisse um sol pascal. A vasta colec&ccedil;&atilde;o de crucifixos que reuniu ao longo da sua vida (que est&atilde;o patentes ao p&uacute;blico nas casas museu de Portalegre e de Vila Conde) revela-nos uma inclina&ccedil;&atilde;o pelo lado tr&aacute;gico da religi&atilde;o crist&atilde;. Um cristianismo de lamento e n&atilde;o de alegria pela manh&atilde; de P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>No poema &#8220;Exorta&ccedil;&atilde;o ao meu Anjo&#8221;, na Obra &#8220;As Encruzilhadas de Deus&#8221;, Jos&eacute; R&eacute;gio usa &#8220;o ferimento&#8221; t&iacute;pico da ansiedade. Por um lado pede &#8220;aux&iacute;lio&#8221; ao seu anjo: &#8220;Quando, a meio da noite e da ansiedade, \/ Eu me rojar por terra e te pedir piedade&#8221;. Mas nas linhas seguintes deseja a solid&atilde;o: &#8220;N&atilde;o me apare&ccedil;as nem me fales! \/ Deixa-me s&oacute; com o meu c&aacute;lix&#8221;. Ser&aacute; apenas ang&uacute;stia po&eacute;tica ou busca de transcend&ecirc;ncia? Certezas n&atilde;o existem mas ele afirma que a terra &#8220;esconde os mais secretos dos meus gritos!&#8221;. A terra pode dissimular &#8220;o confidencial&#8221;, mas as linhas &#8220;de sangue po&eacute;tico&#8221; afirmaram que o &#8220;Outro&#8221; falava &#8220;por par&aacute;bolas, nas vinhas, \/ E atra&iacute;a as mulheres p&uacute;blicas, \/ Os pobres \/ E as criancinhas&#8221; e continuava: &#8220;Tinha um ar de iluminado&#8221; e &#8220;Falou de destinos a cumprir&#8230;&#8221; (Poema &#8220;Quando Deus fala&#8221; &#8211; As Encruzilhadas de Deus). O poeta equaciona em diversificados registos po&eacute;ticos uma angustiada procura religiosa, muitas vezes, compar&aacute;vel a Antero de Quental. N&atilde;o ser&aacute; isto uma real confiss&atilde;o na acep&ccedil;&atilde;o mais nobre do termo!<\/p>\n<p><strong>A hip&eacute;rbole de R&eacute;gio<\/strong><br \/>A leitura da Obra Regiana n&atilde;o poder&aacute; ser feita sem pausas&#8230; Tal como o autor confessou, quer em conversas quer nos seus livros, n&atilde;o &#8220;devemos devorar livros&#8221; e &#8220;desconfiou sempre de um tal tipo de leitor&#8221; a quem chamou de &#8220;mangeur de livres&#8221;. Jos&eacute; Maria dos Reis Pereira foi um leitor atento, apaixonado, perspicaz e fiel aos seus amores, mas n&atilde;o um leitor voraz. Os textos de Camilo, Florbela, S&aacute;-Carneiro e Proust fazem-no &#8220;perder tempo&#8221;, mas ele gosta de se demorar com os escritos, meditando-os, interrogando-os frequentemente. Em &#8220;O Pr&iacute;ncipe com Orelhas de Burro&#8221;, romance po&eacute;tico-simb&oacute;lico, riqu&iacute;ssimo em chaves e &#8220;confiss&otilde;es&#8221; mascaradas, um dos personagens confessar&aacute; ao perplexo e desorientado Leonel: &#8220;N&atilde;o tenho mais de meia d&uacute;zia (de livros). Mas s&atilde;o bons, n&atilde;o &eacute; preciso mais&#8221;. E acrescenta: &#8220;pede que te leiam algumas p&aacute;ginas de vez em quando; e pensa&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Jos&eacute; R&eacute;gio prefere saborear a leitura. E a sua literatura n&atilde;o merece ser motivo de deleite? Quando afirma: &#8220;A minha vida &eacute; um vendaval que se soltou, \/ &Eacute; uma onda que se alevantou \/ &Eacute; um &aacute;tomo a mais que se animou&#8230;&#8221; N&atilde;o existe nenhum sinal STOP, mas talvez fosse conveniente parar e escutar. Afinal o que &eacute; a vida? N&atilde;o ser&aacute;, como ele salienta no &#8220;C&acirc;ntico Negro&#8221;, &#8220;o Longe e a Miragem&#8221;?<\/p>\n<p>Neste horizonte long&iacute;nquo falta-lhe a Ressurrei&ccedil;&atilde;o ou como afirma Armindo Trevissan &#8220;R&eacute;gio representa um cristianismo sem P&aacute;scoa&#8221; mas a sua obra po&eacute;tica &#8220;&eacute; essencialmente crist&atilde;, consideramo-la uma express&atilde;o original e v&aacute;lida da poesia religiosa de l&iacute;ngua portuguesa&#8221;. Evidentemente, Jos&eacute; R&eacute;gio refere-se a Cristo. Mas ser&aacute; este Cristo o &#8220;Logos de Deus&#8221;, que se fez Carne e habitou entre n&oacute;s? Sem d&uacute;vida, n&atilde;o h&aacute; Cristianismo sem Cristo; a quest&atilde;o, por&eacute;m, consiste em saber se n&atilde;o haver&aacute; Cristos sem Cristianismo. Mas no fundo &eacute; na poesia que encontramos mais concentrado um n&uacute;cleo de obsess&otilde;es presente em toda a escrita do poeta, geralmente conotada com um individualismo &#8211; o c&eacute;lebre &#8220;Sei que n&atilde;o vou por a&iacute;&#8221;. Se sabe qual o caminho ou a estrada porque n&atilde;o utiliza essa via? N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desligarmos os tormentos sinuosos do autor com a incerteza constante do enigma humano e divino.<\/p>\n<p>O homem e o escritor recusava liminarmente as solu&ccedil;&otilde;es autorit&aacute;rias, de qualquer tipo, como afirmou numa missiva a seu pai, logo ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1949: &#8220;Para ser, como sou, contra o comunismo, tamb&eacute;m tinha de me mostrar advers&aacute;rio da ditadura salazarista&#8221; (Jos&eacute; R&eacute;gio, Correspond&ecirc;ncia Familiar, cit. p. 174). Os grandes valores do cristianismo, a mensagem que esse Cristo &#8211; Homem, que sempre o impressionou, trouxe ao mundo, temperavam a democracia, que n&atilde;o podia ser apenas formal. E se nesse regime existia alguma divindade para al&eacute;m desse ser supremo em que R&eacute;gio acreditava, como muito bem expressou na inacabada &#8220;Confiss&atilde;o de um Homem Religioso&#8221;, essa divindade s&oacute; podia ser a liberdade. Uma sensa&ccedil;&atilde;o de autonomia libertadora que ao mesmo tempo lhe &#8220;fornecia&#8221; uma ang&uacute;stia no seu ser mais &iacute;ntimo.&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; esta insatisfa&ccedil;&atilde;o permanente que condensa na ess&ecirc;ncia a palavra &#8220;poesia&#8221;. O padre Manuel Antunes &eacute; o pr&oacute;prio a dizer que Jos&eacute; R&eacute;gio &#8220;foi a figura liter&aacute;ria mais completa do s&eacute;culo XX&#8221;. Essa import&acirc;ncia releva n&atilde;o apenas da estatura art&iacute;stica da sua escrita torrencial e reflexiva, de elevada tens&atilde;o l&iacute;rica e dram&aacute;tica, mas tamb&eacute;m do facto de o escritor ocupar um lugar predominante dentro da tradi&ccedil;&atilde;o da literatura religiosa. Um poeta a&ccedil;oriano (um escritor no sentido pleno da palavra) sobejamente conhecido, Vitorino Nem&eacute;sio, reconhece que religi&atilde;o e poesia s&atilde;o sentidas, &#8220;embora a graus diversos, como esferas de espiritualidade&#8221;.<\/p>\n<p>Acima de tudo, a personalidade liter&aacute;ria de Jos&eacute; R&eacute;gio est&aacute; longe do deslocamento situacional da escrita contempor&acirc;nea. Existe uma enorme galeria de nomes que no seu sangue literato reflectem o mist&eacute;rio da vida e os meandros de uma procura de sentido para a exist&ecirc;ncia humana, pois, como adverte Ortega Y Gasset, &#8220;a d&uacute;vida sem caminho &agrave; vista n&atilde;o &eacute; d&uacute;vida, &eacute; desespero&#8221; (Origen hist&oacute;rico de la Filosofia). A ideia de Deus habitava nele como uma percep&ccedil;&atilde;o muito forte que o levava ao desejo insaci&aacute;vel de v&ecirc;-la concretizada por um sinal, fosse qual fosse. Por&eacute;m, essa matriz nunca chegou. Este total sil&ecirc;ncio para quem, t&atilde;o seu &#8220;amante&#8221; lhe parecia n&atilde;o merecer, levou-o ao desespero e &agrave; revolta.<\/p>\n<p>Em conclus&atilde;o: o poeta foi sempre, poeticamente, um insaci&aacute;vel buscador de Deus.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><em>Luis Filipe Santos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 R\u00e9gio faleceu h\u00e1 40 anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[171,199],"class_list":["post-42490","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-beja","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42490\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}