{"id":424888,"date":"2026-05-12T11:38:11","date_gmt":"2026-05-12T10:38:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=424888"},"modified":"2026-05-12T11:38:11","modified_gmt":"2026-05-12T10:38:11","slug":"fracao-do-pao-a-entrega-que-gera-unidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fracao-do-pao-a-entrega-que-gera-unidade\/","title":{"rendered":"Fra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o: a entrega que gera unidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. Tiago Torres, Diocese de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_345587\" aria-describedby=\"caption-attachment-345587\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-345587\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1729431889974-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1729431889974-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1729431889974-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1729431889974-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1729431889974-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/1729431889974.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-345587\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia ECCLESIA\/LS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao aproximar-nos da grande festa do Corpo de Deus, proponho olhar para alguns elementos da espiritualidade eucar\u00edstica \u2013 tesouro verdadeiramente inesgot\u00e1vel \u2013 a partir de alguns textos das Ora\u00e7\u00f5es Eucar\u00edsticas (OE) e do gesto da <em>fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p>Esse gesto que deu nome \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o nos tempos apost\u00f3licos (cf. IGMR 83) e que t\u00e3o despercebido parece passar hoje, talvez, em parte, pela discri\u00e7\u00e3o simples que lhe \u00e9 inerente. Discri\u00e7\u00e3o essa que n\u00e3o \u00e9, de todo, insignificante para a sua riqueza simb\u00f3lica, capaz de nos conduzir ao centro mesmo do Mist\u00e9rio Eucar\u00edstico. O gesto da frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o \u201csignifica que os fi\u00e9is, <em>apesar de muitos, se tornam um s\u00f3 corpo<\/em>, pela Comunh\u00e3o do <em>mesmo p\u00e3o da vida que \u00e9 Cristo, morto e ressuscitado<\/em> pela salva\u00e7\u00e3o do mundo\u201d (IGMR 83). Unidade e Paix\u00e3o, Banquete e Sacrif\u00edcio: duas dimens\u00f5es do Mist\u00e9rio, reunidas no \u00fanico gesto do <em>P\u00e3o partido<\/em>, distribu\u00eddo, entregue por n\u00f3s. No P\u00e3o \u00fanico que se parte, para que todos os que dele participem se tornem um s\u00f3, encontramos o memorial e a atualiza\u00e7\u00e3o da entrega do pr\u00f3prio Senhor, Corpo partido e entregue em favor da \u201chumanidade dilacerada por divis\u00f5es e disc\u00f3rdias\u201d (Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica da Reconcilia\u00e7\u00e3o II)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Mas, podemos perguntar, de que forma a comunh\u00e3o no Corpo repartido de Cristo chega a gerar tal unidade? N\u00e3o convivemos n\u00f3s no seio da Igreja que, comungando desse Corpo, todos os dias sente a tens\u00e3o da divis\u00e3o e da disc\u00f3rdia? O dinamismo do P\u00e3o partido \u00e9 verdadeiramente capaz de gerar unidade, quando gera naqueles que dele participam o dinamismo de uma vida partida, repartida, entregue \u2013 verdadeira comunh\u00e3o na Vida partida, repartida, entregue do Senhor Crucificado e Ressuscitado.<\/p>\n<p>T\u00e3o claro fica este dinamismo de entrega que, na liturgia hisp\u00e2nica de Quinta-feira Santa se pode chegar a perguntar \u201cPor que nos admiramos de que, pr\u00f3ximo j\u00e1 \u00e0 morte volunt\u00e1ria, retirasse as vestes e cumprisse o of\u00edcio dos servos, quando sendo Deus se aniquilou a si mesmo?\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Esta entrega implica-nos, o que se percebe n\u00e3o s\u00f3 no pedido pela unidade que atravessa todas as ora\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas, mas pelo car\u00e1cter oblativo dessa mesma unidade: \u201cO Esp\u00edrito Santo <em>fa\u00e7a de n\u00f3s<\/em> uma oferenda permanente\u201d (OE III), \u201cAceitai-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s, Pai santo, com a obla\u00e7\u00e3o do vosso Filho\u201d (OE Reconcilia\u00e7\u00e3o I), \u201ca fim de vivermos <em>n\u00e3o j\u00e1 para n\u00f3s pr\u00f3prios mas para Ele<\/em>, que por n\u00f3s morreu e ressuscitou\u201d (OE IV). Assim se compreende que a Igreja que comunga do Corpo partido do Senhor possa pedir para si mesma que \u201cresplande\u00e7a como sinal prof\u00e9tico de unidade e conc\u00f3rdia\u201d (OE V\/A), um sinal que se manifesta ao abrir \u201cos olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades e sofrimentos dos irm\u00e3os\u201d, servindo-os de cora\u00e7\u00e3o sincero (cf. OE V\/A).<\/p>\n<p>Uma espiritualidade eucar\u00edstica permite ver que uma vida entoada com beleza \u00e9 aquela que, comungando do Corpo \u00fanico que se parte, assume em si mesma o dinamismo da obla\u00e7\u00e3o. Descobrindo no P\u00e3o partido da Vida do Senhor o \u00fanico valor que permanece, por contraposi\u00e7\u00e3o a tantos falsos valores que se quebram e nos quebram, aceita incorporar-se no Corpo M\u00edstico que continuamente \u00e9 chamado a partir-se e repartir-se na entrega generosa de si mesmo. Tamb\u00e9m por isso, uma espiritualidade eucar\u00edstica n\u00e3o renuncia a receber o testemunho de quantos encarnaram a fundo este movimento, particularmente da vida plenamente entregue e, portanto, imaculada da Virgem Maria, como eloquentemente expressa certa an\u00e1fora galicana: \u201cMaria os criou entre car\u00edcias, dando-lhes terno p\u00e3o como alimento; e nenhum de seus filhos morre a n\u00e3o ser que sinta fastio deste p\u00e3o.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Afinal de contas, se sentirmos fastio do P\u00e3o partido da Vida entregue, o que nos resta?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Pe. Tiago Torres<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doravante abreviaremos Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica por OE.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> S\u00e1nchez Caro e Mart\u00edn Pindado, <em>La gran oraci\u00f3n eucar\u00edstica. Textos de ayer y de hoy <\/em>(Salamanca: La Muralla, 1986), 354.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> An\u00e1fora Mariana da liturgia galicana na Assun\u00e7\u00e3o de Santa Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Tiago Torres, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":345587,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-424888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424888"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424888\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/345587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}