{"id":424308,"date":"2026-05-10T09:31:55","date_gmt":"2026-05-10T08:31:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=424308"},"modified":"2026-05-14T11:12:25","modified_gmt":"2026-05-14T10:12:25","slug":"igreja-portugal-nao-podemos-ceder-a-tentacao-de-exprimir-a-nossa-fe-de-forma-liquida-irma-angela-coelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-portugal-nao-podemos-ceder-a-tentacao-de-exprimir-a-nossa-fe-de-forma-liquida-irma-angela-coelho\/","title":{"rendered":"Igreja\/Portugal: \u00ab N\u00e3o podemos ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de exprimir a nossa f\u00e9 de forma l\u00edquida\u00bb &#8211; irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho"},"content":{"rendered":"<p><em>A Vida Consagrada enfrenta hoje desafios que v\u00e3o desde a resposta firme \u00e0 crise dos abusos at\u00e9 \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o do an\u00fancio do Evangelho num tempo de &#8220;f\u00e9 l\u00edquida&#8221;. Para nos ajudar a ler este momento, recebemos a irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho, recentemente eleita presidenta da Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) e tamb\u00e9m da Uni\u00e3o das Confer\u00eancias Europeias dos Superiores Maiores (UCESM)<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_424120\" aria-describedby=\"caption-attachment-424120\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-424120 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/BK5A1101-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-424120\" class=\"wp-caption-text\">Foto: In\u00eas Braga Sampaio\/Renascen\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A Irm\u00e3 \u00c2ngela assumiu recentemente a lideran\u00e7a dos Institutos Religiosos n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, mas tamb\u00e9m \u00e0 escala europeia, na UCESM. Com esta vis\u00e3o de conjunto, que retrato faz hoje da Vida Consagrada na Europa e no nosso pa\u00eds? Quais s\u00e3o as nossas maiores fragilidades e as nossas principais esperan\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>De facto, estar a liderar a UCESM permite uma vis\u00e3o muito mais ampla da realidade da\u00a0Vida Consagrada na Europa. E a primeira palavra \u00e9 esta: como somos diferentes, a grande\u00a0diversidade entre os pa\u00edses do Sul, do Leste, do Ocidente Europeu, de que n\u00e3o tinha tanta\u00a0consci\u00eancia. Uma coisa \u00e9 ler artigos e not\u00edcias, outra coisa \u00e9 contactar com as\u00a0pessoas, com os superiores maiores desses pa\u00edses e ver que, apesar das diferen\u00e7as,\u00a0h\u00e1 um grande desejo de comunh\u00e3o.\u00a0A palavra sinodalidade \u00e9, efetivamente, uma palavra muito presente na Vida Consagrada.\u00a0H\u00e1 fragilidades, sim, e prendem-se desde logo com a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de membros e os desafios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A famosa crise de voca\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Exatamente.\u00a0E isto d\u00e1 um desafio \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam de enfrentar, desde o repensar e reordenar\u00a0miss\u00f5es at\u00e9, \u00e0s vezes, repensar carismas.\u00a0Isto \u00e9 uma fragilidade que tamb\u00e9m coincide com a nossa sociedade europeia.<\/p>\n<p>Isto, sim, est\u00e1 mais ou menos unificado entre o Norte da Europa e o Sul da Europa,\u00a0que \u00e9 uma sociedade secularizada.\u00a0Mas sabe que vejo nisto, nesta sociedade secularizada, precisamente uma esperan\u00e7a, ou seja, \u00e9 neste\u00a0contexto europeu e portugu\u00eas que a Vida Consagrada pode ser aquilo que \u00e9, que \u00e9 sinal prof\u00e9tico\u00a0na radicalidade do seguimento de Cristo.\u00a0E isto, os jovens europeus, tanto quanto me consigo aperceber, e a minha experi\u00eancia\u00a0ainda \u00e9 muito limitada, querem respostas radicais, sabe? sinto isto. E\u00a0rejeitam esta tibieza, ser morno, pelo menos na nossa sociedade ocidental.\u00a0Ou seja, ou eles se empenham ou n\u00e3o se empenham. Isto, respostas a meio g\u00e1s, parece que n\u00e3o\u00a0encaixam muito bem com a juventude da Europa deste tempo.<\/p>\n<p>Ora, a Vida Consagrada \u00e9 chamada, precisamente, a isto, a n\u00e3o dar respostas a meio g\u00e1s. Se somos ou n\u00e3o capazes de o fazer \u00e9 outra coisa.\u00a0Mas vejo nesta caracter\u00edstica das nossas sociedades da Europa um desafio ao qual a Vida\u00a0Consagrada pode, de alguma forma, responder.\u00a0E tamb\u00e9m reparo o sentido da vida, n\u00e3o \u00e9?\u00a0Que numa sociedade materializada, ou que tem tudo, ou aparentemente tudo, mas que faltando Deus, falta um pouco este sentido de vida, tamb\u00e9m a Vida Consagrada pode aqui responder,\u00a0\u00e9 uma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>E um elemento que reparei, agora que estive na Assembleia Geral na Cro\u00e1cia, onde fui\u00a0eleita, \u00e9 que o quanto a nossa vida em comum, ou seja, os consagrados t\u00eam, os\u00a0religiosos, como defini\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, a vida em comum, pode ser tamb\u00e9m um sinal\u00a0prof\u00e9tico para uma sociedade onde as rela\u00e7\u00f5es interpessoais s\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A necessidade da comunh\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Onde o sentido\u00a0de compromisso mesmo relacional nas fam\u00edlias, nas institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existe ou est\u00e1 mais\u00a0fragilizado; a\u00a0Vida Consagrada na sua dimens\u00e3o de vida em comum &#8211; concretamente a vida religiosa &#8211;\u00a0pode ser um sinal prof\u00e9tico que \u00e9 uma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No comunicado da vossa \u00faltima Assembleia, a CIRP comprometeu-se de forma muito clara\u00a0com o apoio \u00e0s v\u00edtimas de abusos sexuais e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de menores.<br \/>\nQue passos concretos est\u00e3o a ser dados pelas diferentes congrega\u00e7\u00f5es em Portugal para passar do documento \u00e0 a\u00e7\u00e3o, garantindo que as vossas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o espa\u00e7os verdadeiramente\u00a0seguros?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 uma boa quest\u00e3o, e de facto estamos a centrar-nos numa grande \u00e1rea que \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o.\u00a0N\u00e3o podemos deixar acontecer estes casos outra vez, um s\u00f3 j\u00e1 ser\u00e1 uma trag\u00e9dia e\u00a0um fracasso das nossas institui\u00e7\u00f5es.\u00a0A preven\u00e7\u00e3o passa pela forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, que n\u00e3o podemos baixar os bra\u00e7os na forma\u00e7\u00e3o,\u00a0e tamb\u00e9m pelo fixar de procedimentos no nosso agir, nas nossas miss\u00f5es, nas nossas comunidades,\u00a0nas pessoas com quem lidamos. Portanto, fixa\u00e7\u00e3o de procedimentos que deem garantia que a vida religiosa \u00e9 e oferece\u00a0um ambiente seguro com quem contactamos.<\/p>\n<p><em>A forma como a Igreja conduziu o processo tem sido criticada at\u00e9 por grupos de cat\u00f3licos.\u00a0Existem raz\u00f5es para isso?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal est\u00e1 a dar passos concretos de responsabilidade,\u00a0de compromisso, verdadeiramente a tocar-nos, ou seja, estamos envolvidos, est\u00e1 a ser uma\u00a0resposta conjunta entre as dioceses e a vida religiosa, desde o princ\u00edpio.<\/p>\n<p>Claro que tem sobressaltos, claro que nunca \u00e9 perfeito, claro que provavelmente nunca\u00a0estamos satisfeitos e nunca, nunca responderemos \u00e0 grande ferida que causamos nas pessoas\u00a0a quem servimos.\u00a0Mas penso que est\u00e3o a ser dados passos concretos que significam claramente um pedido de perd\u00e3o,\u00a0um compromisso com as v\u00edtimas, que \u00e9 quem queremos proteger, cuidar e ajudar, a quem\u00a0estamos a dar assist\u00eancia desde o princ\u00edpio, do ponto de vista psicol\u00f3gico e agora,\u00a0com as compensa\u00e7\u00f5es financeiras.\u00a0Portanto, eu acho que est\u00e3o a ser dados passos concretos, sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda nessa \u00faltima Assembleia, o comunicado evocava um contexto de &#8220;f\u00e9 l\u00edquida&#8221;. A nota referia um paradoxo\u00a0de um afastamento da Igreja, mas aliado a uma intensa busca espiritual.\u00a0Isto \u00e9 um desafio para os consagrados, a ideia de ler o tempo presente e inventar\u00a0novas formas de estar, e de anunciar o Evangelho?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, esse \u00e9 o grande desafio, e de facto \u00e9 uma daquelas perguntas \u00e0s quais\u00a0temos sempre de responder e nunca gostamos da resposta que damos, nunca \u00e9 a cabal.\u00a0Eu penso que na vida consagrada, na vida religiosa, temos sempre de partir\u00a0de Cristo.\u00a0Ele \u00e9 o ponto de partida, \u00e9 o ponto de chegada do nosso agir e de nos compreendermos, da nossa\u00a0identidade, e se olharmos para o Senhor Jesus e para aquilo que na teologia chamamos o\u00a0realismo da encarna\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00f3s vemos que Ele ao encarnar foi sempre fiel \u00e0 sua identidade,\u00a0a quem \u00e9: o\u00a0Filho do Pai, mas muito adaptado e veiculando a mensagem de forma que aquela cultura onde\u00a0ele viveu o pudesse compreender.\u00a0Portanto, Cristo ao encarnar \u00e9 sempre fiel \u00e0 sua identidade, \u00e9 o Filho do Pai, mas por\u00a0outro lado \u00e9 fiel \u00e0 humanidade concreta, \u00e0 cultura onde viveu, e isto \u00e9 o grande\u00a0desafio para n\u00f3s consagrados. N\u00e3o podemos ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de exprimir a\u00a0nossa f\u00e9 de forma l\u00edquida, ou seja, sem consist\u00eancia, sem a for\u00e7a da coer\u00eancia\u00a0do nosso testemunho de vida e da nossa identidade, quem somos, mas por outro lado temos tamb\u00e9m\u00a0de saber, diria, inculturar-nos, adaptar-nos \u00e0s pessoas concretas e \u00e0s sociedades a quem\u00a0servimos, com muita ternura, com muita compaix\u00e3o &#8211; eu acredito muito nisto &#8211; e ter a consci\u00eancia\u00a0de que sim, somos cada vez menos, tamb\u00e9m se falava nisso na nossa Assembleia Geral, \u00a0na forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se calhar estamos a assumir aquilo que o Senhor disse que n\u00f3s ser\u00edamos,\u00a0fermento na massa, sal e luz.\u00a0O sal na comida, obviamente o sal n\u00e3o \u00e9 a refei\u00e7\u00e3o, a refei\u00e7\u00e3o \u00e9 outra, mas o\u00a0sal faz a diferen\u00e7a. Fermento na massa, pois n\u00f3s os consagrados se calhar n\u00e3o somos a\u00a0massa, n\u00e3o somos a realidade total, mas sem o fermento a massa n\u00e3o vai levedar, n\u00e3o\u00a0vai crescer.<\/p>\n<p>Sermos luz, pois a realidade \u00e9 a cidade, estamos numa bel\u00edssima cidade do Porto. A realidade\u00a0\u00e9 esta, as pessoas a quem servimos, mas somos chamados a ser luz, sobretudo quando a cidade\u00a0est\u00e1 \u00e0s escuras, e ser pequeno, mas n\u00e3o perder a for\u00e7a da sua identidade, creio que\u00a0poder\u00e1 ser uma forma de respondermos a esta f\u00e9 l\u00edquida que toca um bocado a nossa sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s assistimos recentemente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da nova Comiss\u00e3o Mista, que junta a Confer\u00eancia\u00a0Episcopal e a CIRP, e D. N\u00e9lio Pita dizia que ganhamos todos com este di\u00e1logo.\u00a0De que forma \u00e9 que esta articula\u00e7\u00e3o mais estreita com os bispos vem valorizar o papel\u00a0dos religiosos e esbater aquela ideia de que por vezes a vida consagrada e a Igreja\u00a0diocesana\u00a0caminhavam em vias paralelas?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A pergunta \u00e9 muito interessante, e sim, ora bem, a realidade eclesial \u00e9 una, \u00e9 \u00fanica,\u00a0tem dioceses, tem vida consagrada, mas n\u00e3o s\u00e3o realidades paralelas. Poder\u00e1 ter havido \u00e9pocas em que isto poder\u00e1 ter sido, se calhar era a sensa\u00e7\u00e3o que dava,\u00a0mas efetivamente a vida consagrada&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se calhar era um defeito da abund\u00e2ncia, n\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Pois, provavelmente.\u00a0Agora sim, estamos juntos e somos juntos porque servimos as mesmas pessoas, temos como\u00a0ponto de partida o batismo, somos todos batizados, e este \u00e9 o ponto que nos une. A colabora\u00e7\u00e3o\u00a0entre as dioceses e a vida consagrada esteve sempre presente, sempre estar\u00e1 presente,\u00a0mas eu penso que a op\u00e7\u00e3o desta comiss\u00e3o valoriza precisamente a comunh\u00e3o. O que nos\u00a0une esta m\u00fatua integra\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o, que no fundo \u00e9 a mesma, \u00e9 levar o Evangelho de\u00a0Jesus cada um com os seus carismas espec\u00edficos. Estamos a come\u00e7ar e estamos tamb\u00e9m a pens\u00e1-la e a estrutur\u00e1-la bem. \u00c9 interessante, \u00e9 que esta comiss\u00e3o pode\u00a0permitir\u00a0que processos de elementos ou de pessoas que toquem concretamente e mais\u00a0especificamente estas duas realidades sejam pensados e sejam apresentadas solu\u00e7\u00f5es a\u00a0estes problemas em comum, ou seja, que o processo de compreender e de encontrar solu\u00e7\u00f5es seja\u00a0comum desde o princ\u00edpio at\u00e9 ao final. Isto, creio que \u00e9 uma mais-valia para todos\u00a0n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Acabamos de celebrar o primeiro anivers\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o do Papa Le\u00e3o XIV. H\u00e1 uma curiosidade, os dois \u00faltimos Papas vieram da Vida Consagrada,\u00a0penso que \u00e9 um sinal interessante. Gostava que comentasse tamb\u00e9m isso e gostava de saber\u00a0o que \u00e9 que a tem marcado mais nas palavras e nos gestos do Santo Padre nestes primeiros\u00a012 meses de pontificado?<\/em><\/p>\n<p>Sabe que eu acredito muito que o Esp\u00edrito Santo sabe o que faz, e acredito obviamente, totalmente na a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na Igreja. Efetivamente a riqueza da Igreja \u00e9\u00a0plural e \u00e9 muito grande, e efetivamente a pluralidade desta riqueza exprime-se na diversidade\u00a0de carismas, quer nos institutos de Vida Consagrada, quer tamb\u00e9m no clero diocesano, e o Papado\u00a0tamb\u00e9m reflete essa riqueza da Igreja e essa pluralidade da Igreja, por isso que os\u00a0\u00faltimos Papas que sejam ou tenham sido religiosos, \u00e9 interessante, mas os anteriores n\u00e3o eram. O\u00a0Papado, a escolha dos Papas est\u00e1 a exprimir concretamente que cada carisma\u00a0tem o seu lugar numa Igreja que \u00e9 plural e que estamos em comunh\u00e3o. E a\u00ed parto j\u00e1\u00a0para aquilo que mais me tem tocado no pontificado do Papa Le\u00e3o XIV. Eu estava na Pra\u00e7a S\u00e3o\u00a0Pedro quando ele foi eleito, porque coincidia com um encontro de Uni\u00e3o das Superioras\u00a0Gerais do mundo, portanto foi muito interessante, a provid\u00eancia divina quis-me ali, assim como a tantas outras religiosas.\u00a0 E\u00a0perceber em primeiro lugar o seu lema &#8211; a unidade &#8211; eu n\u00e3o sabia,\u00a0n\u00e3o conhecia muito bem, esta unidade naquilo que \u00e9 um, somos um, que nos permite ver o\u00a0quanto este homem tem como pensamento e como a\u00e7\u00e3o a unidade, a reconcilia\u00e7\u00e3o, e \u00e9 daqui\u00a0eu creio que nasce outra marca fort\u00edssima, o seu profundo apelo \u00e0 paz. Desde aquele\u00a0momento que sai, e da paz desarmada e desarmante, at\u00e9 aos gestos concretos, \u00e0s palavras que\u00a0tem dito at\u00e9 aos tempos de hoje, sem medo. Gosto muito desta sobriedade, desta liberdade\u00a0interior que n\u00e3o tem medo de dizer, com palavras muito simples, estamos para anunciar\u00a0o Evangelho.\u00a0E o Evangelho da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E sem medo das cr\u00edticas de Donald Trump, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 extraordin\u00e1ria a liberdade deste homem, e ao mesmo tempo a simplicidade com que o faz. Ver as suas entrevistas, por exemplo, a bordo do avi\u00e3o, \u00e9 de uma forma t\u00e3o simples, t\u00e3o\u00a0serena, mas t\u00e3o segura, que se v\u00ea que estas palavras saem de uma profunda experi\u00eancia\u00a0de Deus e de um profundo estar enraizado em Cristo e no Evangelho.\u00a0Claro que obviamente se percebe que \u00e9 um Papa tamb\u00e9m em continuidade com o papado anterior,\u00a0com o pontificado anterior, n\u00e3o h\u00e1 rutura, mas ele est\u00e1 a fazer o caminho com o seu\u00a0estilo. Um estilo, direi, mais discreto, mas com uma grande capacidade de objetivar e de\u00a0concretizar alguns passos, algumas intui\u00e7\u00f5es, que no pontificado de Francisco come\u00e7aram,\u00a0mas que ele agora consegue levar a cabo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos quase a terminar a nossa conversa, e estamos \u00e0s portas de mais um 13 de\u00a0maio.\u00a0A irm\u00e3 \u00c2ngela \u00e9 vice-postuladora da causa de canoniza\u00e7\u00e3o da irm\u00e3 L\u00facia e tamb\u00e9m\u00a0uma profunda estudiosa de F\u00e1tima.\u00a0Olhando para L\u00facia e para a ess\u00eancia desta mensagem, que apelo gostaria de deixar aos\u00a0milhares de peregrinos que neste tempo de tantas incertezas e de guerras est\u00e3o a rumar \u00e0 Cova da Iria?<\/em><\/p>\n<p>Boa quest\u00e3o. De facto, vivemos num momento de conflitos, como em 1917, e eu penso que\u00a0os peregrinos podem encontrar em Nossa Senhora o que ela foi para L\u00facia e para n\u00f3s desde\u00a0h\u00e1 cem anos, que o seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 este ref\u00fagio, que nos d\u00e1 esperan\u00e7a, que nos ilumina nas\u00a0noites da hist\u00f3ria e desta noite da hist\u00f3ria que vivemos com a instabilidade, com a guerra,\u00a0que Nossa Senhora continua a ser e quer ser este ref\u00fagio, que nos d\u00e1 seguran\u00e7a e onde\u00a0podemos caminhar com ela at\u00e9 Deus e tamb\u00e9m encontrarem na irm\u00e3 L\u00facia &#8211; a quem fa\u00e7o apelo\u00a0para rezarem pela canoniza\u00e7\u00e3o dela &#8211; encontrarem uma amiga que nos acompanha, ela que se chamava\u00a0a si mesma Peregrina Oculta da Cova da Iria, que caminhe com os peregrinos at\u00e9 ao cora\u00e7\u00e3o\u00a0de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Vida Consagrada enfrenta hoje desafios que v\u00e3o desde a resposta firme \u00e0 crise dos abusos at\u00e9 \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o do an\u00fancio do Evangelho num tempo de &#8220;f\u00e9 l\u00edquida&#8221;. Para nos ajudar a ler este momento, recebemos a irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho, recentemente eleita presidenta da Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) e tamb\u00e9m da Uni\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":424120,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[326],"class_list":["post-424308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424308\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/424120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}