{"id":4241,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/justica-e-consciencia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"justica-e-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/justica-e-consciencia\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a e consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A abertura do Ano Judicial de 2004 teve, entre n\u00f3s, tons diferentes de anos anteriores. Inseriu-se num contexto particularmente complexo, marcado por um fen\u00f3meno vincado do nosso tempo: a doutrina surge cada vez mais a partir dos acontecimentos. E os factos, com uma envolvente emocional que pode enriquecer ou prejudicar a reflex\u00e3o serena sobre os grandes princ\u00edpios. Entre os diversos discursos, artigos de opini\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, merece uma aten\u00e7\u00e3o particular a palavra do Cardeal Patriarca, na S\u00e9 de Lisboa, na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia de Abertura do Ano Judicial. Trata-se de uma reflex\u00e3o inspirada na Palavra eterna de Deus, na experi\u00eancia hist\u00f3rica dos homens, nos anseios profundos de justi\u00e7a, na busca sobre-humana da verdade. O cristianismo tem esta originalidade: liga o eterno ao quotidiano, inspira leis e gestos, sugere a convers\u00e3o do real, sem se enredar na tecnicidade que compete a cada profiss\u00e3o e a cada construtor da cidade terrestre. A justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um problema prioritariamente burocr\u00e1tico. Por isso esta palavra do Patriarca de Lisboa relan\u00e7a todos os dramas e aspira\u00e7\u00f5es dos culpados e dos inocentes, dos ju\u00edzes e dos julgados, dos advogados e das testemunhas, e da sociedade, interveniente ou expectante: \u201dA primeira pedra do edif\u00edcio de uma cultura da justi\u00e7a \u00e9 a consci\u00eancia de que a justi\u00e7a \u00e9 a s\u00edntese harm\u00f3nica de todos os valores espirituais e morais que tecem a identidade de uma comunidade\u201d. N\u00e3o se faz nenhuma justi\u00e7a \u00e0 altura da dignidade da pessoa humana sem uma cultura da verdade: \u201da mentira \u00e9 uma das grandes amea\u00e7as das sociedades contempor\u00e2neas\u2026Da mentira, mesmo quando desmentida, sempre algo fica a germinar\u201d. Mas que fique longe a tenta\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a sem liberdade:\u201d a justi\u00e7a \u00e9 dos mais belos frutos da flor da liberdade\u2026 e nunca se constr\u00f3i reprimindo a liberdade. A liberdade n\u00e3o \u00e9, em si mesma, um factor de perturba\u00e7\u00e3o\u2026mas a irresponsabilidade, sim.\u201d  Em momentos como este \u201cos olhares voltam-se, espontaneamente, para as estruturas judiciais, a quem compete defender os direitos dos inocentes e punir os culpados na aplica\u00e7\u00e3o da lei, no respeito pela dignidade fundamental de todos eles. Mas o cultivo da justi\u00e7a \u00e9 responsabilidade de todos n\u00f3s.\u201d Tornou-se fundamental esta palavra pr\u00f3xima e distante do nosso quotidiano. N\u00e3o h\u00e1 lei, nem advocacia, nem magistratura, nem minist\u00e9rio que nos salve, sem a consci\u00eancia como primeiro instrumento de justi\u00e7a, verdade e respeito pela dignidade humana.  Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A abertura do Ano Judicial de 2004 teve, entre n\u00f3s, tons diferentes de anos anteriores. 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