{"id":42392,"date":"2009-12-10T16:21:39","date_gmt":"2009-12-10T16:21:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/10\/mensagem-de-natal-do-arcebispo-de-braga\/"},"modified":"2009-12-10T16:21:39","modified_gmt":"2009-12-10T16:21:39","slug":"mensagem-de-natal-do-arcebispo-de-braga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-natal-do-arcebispo-de-braga\/","title":{"rendered":"Mensagem de Natal do Arcebispo de Braga"},"content":{"rendered":"<p><strong>&laquo;Dai-lhes v&oacute;s de comer&raquo; (Lc 9, 13)<\/strong><\/p>\n<p>H&aacute; dias, na Semana Social que decorreu em Aveiro, foram recordados os &laquo;direitos sociais&raquo; que a Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa reconhece para todos os cidad&atilde;os: trabalho, fam&iacute;lia, educa&ccedil;&atilde;o, alimenta&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o e ambiente.<\/p>\n<p>Alguns dias depois, o Santo Padre, na sua visita &agrave; sede da FAO em Roma (16 de Novembro), lan&ccedil;ava o desafio, com car&aacute;cter de urg&ecirc;ncia, para promover &laquo;uma consci&ecirc;ncia solid&aacute;ria que considere o direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e o acesso &agrave; &aacute;gua como direitos universais de todos os seres humanos, sem distin&ccedil;&otilde;es ou discrimina&ccedil;&otilde;es&raquo;.<\/p>\n<p>S&atilde;o doutrinas que todos aceitam mas que os factos, infelizmente, desmentem, uma vez que continuamos a assistir &laquo;ao dram&aacute;tico crescimento do n&uacute;mero de pessoas que sofrem a fome&raquo;. O esc&acirc;ndalo persiste em diversos pa&iacute;ses e n&atilde;o deixa de ter acuidade entre n&oacute;s. A vida digna para todos continua a ser uma miragem e torna-se imperioso reconhecer, sem camuflar, a realidade e encontrar respostas adequadas. Ou&ccedil;amos, por isso, o grito alucinante de muitos vizinhos que continuam a viver sem o indispens&aacute;vel.<\/p>\n<p>A liturgia, no seu ritmo anual, reserva-nos momentos que interpelam as consci&ecirc;ncias. O Advento e o Natal obrigam a reconhecer a fraternidade e agir dum modo consequente. Recordo os Ap&oacute;stolos a &ldquo;ver&rdquo; a fome da multid&atilde;o e esperar que Jesus encontre uma solu&ccedil;&atilde;o. S&oacute; que esta acontece solicitando-lhes o seu trabalho e estimulando a sua generosidade. O pouco que possu&iacute;am foi sufi ciente para saciar.<\/p>\n<p>Neste contexto de sombras, que a realidade portuguesa manifesta, o crist&atilde;o tem de acolher a ordem de Cristo: &laquo;Dai-lhes v&oacute;s de comer&raquo; (Lc 9, 13). A tenta&ccedil;&atilde;o est&aacute; em alhear-se ou esperar que a solu&ccedil;&atilde;o venha de outro lado. Mas, o dramatismo das situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode esperar. Urge operar com o que se tem e acreditar que a dignidade pode regressar para muitos com o pouco de cada um.<\/p>\n<p>&laquo;Dai-lhes v&oacute;s de comer&raquo; &agrave;queles vizinhos que, na vergonha, n&atilde;o ousam pedir; aos que perderam o emprego e n&atilde;o conseguem enfrentar as exig&ecirc;ncias familiares; aos pedintes e sem-abrigo que n&atilde;o conhecemos mas que necessitam do calor de um afecto ou de algo para enganar o est&ocirc;mago.<\/p>\n<p>&laquo;Dai-lhes v&oacute;s de comer&raquo; &eacute; solicitado &agrave;s comunidades para que estruturem grupos capazes de reconhecer as necessidades e, em conjunto, descortinar solu&ccedil;&otilde;es de solidariedade efectiva. O rosto duma comunidade crist&atilde; &eacute; o amor criativo que sabe que pode e deve dar sentido a muitas vidas.<\/p>\n<p>Esta responsabilidade, individual e comunit&aacute;ria, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel na medida em que a coragem de mudar de estilo de vida acontece. N&atilde;o podemos fechar-nos no nosso bem-estar.<\/p>\n<p>Para muitos ainda acontece o uso exagerado de bens, aos quais se apegam como imprescind&iacute;veis. S&oacute; a ren&uacute;ncia consciente ao sup&eacute;rfluo permite a partilha e esta realiza milagres desde que efectiva e organizada. Pode parecer pouco. O renunciado para dar torna-se um sinal que questiona quem vive na opul&ecirc;ncia, esquecendo ou desprezando os necessitados. O amor inquieta e incomoda e diz, no sil&ecirc;ncio do testemunho, que a sociedade nunca ser&aacute; humana se persistirem as desigualdades e as car&ecirc;ncias do essencial.<\/p>\n<p>O pr&oacute;ximo ano ser&aacute; considerado como Ano Europeu da Pobreza e Exclus&atilde;o Social. H&aacute; fome de p&atilde;o e de amor. D&ecirc;mos de comer a quem tem fome. Invistamos no amor. &laquo;O amor &eacute; poss&iacute;vel, e n&oacute;s somos capazes de o praticar, porque somos criados &agrave; imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo&raquo; (DCE 39) &eacute; a proposta que fa&ccedil;o para que valha a pena celebrar o Natal.<\/p>\n<p>Braga, 2 de Dezembro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Jorge Ortiga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Dai-lhes v&oacute;s de comer&raquo; (Lc 9, 13) H&aacute; dias, na Semana Social que decorreu em Aveiro, foram recordados os &laquo;direitos sociais&raquo; que a Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa reconhece para todos os cidad&atilde;os: trabalho, fam&iacute;lia, educa&ccedil;&atilde;o, alimenta&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o e ambiente. 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