{"id":423761,"date":"2026-05-05T12:14:22","date_gmt":"2026-05-05T11:14:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=423761"},"modified":"2026-05-05T12:14:22","modified_gmt":"2026-05-05T11:14:22","slug":"escravidao-de-que-nao-se-fala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/escravidao-de-que-nao-se-fala\/","title":{"rendered":"Escravid\u00e3o de que n\u00e3o se fala"},"content":{"rendered":"<p><em>Mission\u00e1rio portugu\u00eas denuncia \u201cviol\u00eancia contra mulheres\u201d na RD Congo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268347\" aria-describedby=\"caption-attachment-268347\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-268347 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Marcelo-Oliveira-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Marcelo-Oliveira-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Marcelo-Oliveira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Marcelo-Oliveira-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Marcelo-Oliveira-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Marcelo-Oliveira.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268347\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ACN<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A regi\u00e3o leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo tem sido palco de enorme sofrimento para as popula\u00e7\u00f5es civis, nomeadamente as mulheres e as crian\u00e7as. O Padre Marcelo Oliveira, mission\u00e1rio comboniano a viver h\u00e1 v\u00e1rios anos neste pa\u00eds africano, denuncia, em mensagem enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa, a situa\u00e7\u00e3o complicada que se vive por ali, \u201cem que as mulheres s\u00e3o usadas para viol\u00eancias sexuais, e mesmo para escravid\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A guerra, a rapina das riquezas naturais, os ataques contra as popula\u00e7\u00f5es, a viol\u00eancia sexual. Tudo isto faz parte, infelizmente, do dia-a-dia da regi\u00e3o leste na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. \u00c0s vezes fala-se disto. Normalmente h\u00e1 apenas um enorme manto de sil\u00eancio. Mas o facto de n\u00e3o haver not\u00edcias, de n\u00e3o se falar da guerra na regi\u00e3o do Kivu Norte e do Kivu Sul da RD Congo n\u00e3o significa menos viol\u00eancia, menos atrocidades, menos sofrimento. Pelo contr\u00e1rio. O que h\u00e1 \u00e9 um sofrimento ainda maior, pois estas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o sozinhas, est\u00e3o como que abandonadas \u00e0 sua sorte. E isso \u00e9 tr\u00e1gico. O Padre Marcelo Oliveira, um mission\u00e1rio comboniano a viver h\u00e1 v\u00e1rios anos neste pa\u00eds de \u00c1frica, enviou uma mensagem para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa a denunciar tudo isto, e muito concretamente a viol\u00eancia sexual. \u201cOs grupos armados\u201d \u2013 diz o padre \u2013 continuam a usar mulheres, seja para viol\u00eancias sexuais, e mesmo para escravid\u00e3o, e com a consequ\u00eancia de [haver] crian\u00e7as que nascem fruto das viola\u00e7\u00f5es. Esta \u00e9 uma realidade triste, com pessoas que sofrem, com mulheres que s\u00e3o obrigadas a gerar crian\u00e7as e que n\u00e3o optam pelo aborto, mesmo que sejam de uma gravidez for\u00e7ada\u201d, diz, acrescentando que ficam com traumas para o resto das suas vidas. \u201cV\u00e3o continuar a sofrer por falta de apoio, por falta de aten\u00e7\u00e3o, e o sil\u00eancio \u00e9 aquilo que reina.\u201d A mensagem \u00e9 curta, mas as palavras que este sacerdote utiliza s\u00e3o poderosas. E inquietantes. As mulheres s\u00e3o usadas e escravizadas. E, importa acrescentar, toda esta viol\u00eancia \u00e9 fruto da guerra e esta guerra, importa tamb\u00e9m diz\u00ea-lo, \u00e9 fruto da gan\u00e2ncia dos que est\u00e3o a saquear as riquezas naturais, que s\u00e3o abundantes, nesta zona deste pa\u00eds de \u00c1frica. S\u00e3o as famosas terras raras, o coltan, essencial para os smartphones e a inform\u00e1tica, mas tamb\u00e9m o ouro, os diamantes, as madeiras preciosas\u2026<\/p>\n<p><strong>Lista de horrores<\/strong><\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma realidade desconhecida pela ONU. Em Mar\u00e7o, o portal de not\u00edcias das Na\u00e7\u00f5es Unidas falava no \u201cuso persistente da viol\u00eancia sexual como t\u00e1ctica de guerra\u201d, e do \u201csofrimento indescrit\u00edvel\u201d que provoca \u00e0s mulheres e meninas congolesas. E \u00e9 referido ainda que desde Outubro do ano passado houve mesmo \u201cuma escalada de casos contra crian\u00e7as\u201d. Tamb\u00e9m o Vaticano j\u00e1 denunciou o que se passa na regi\u00e3o leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. O <em>Vatican News<\/em> denunciava, no final de Mar\u00e7o, \u201cviola\u00e7\u00f5es durante os ataques a aldeias, estupros colectivos, por vezes p\u00fablicos, actos de viol\u00eancia cometidos na presen\u00e7a de familiares, sequestros nas estradas ou nos campos, cativeiro e escravid\u00e3o sexual, invas\u00f5es nocturnas de resid\u00eancias, abusos durante a deten\u00e7\u00e3o\u201d. Tudo isto est\u00e1 num artigo intitulado precisamente \u201co estupro como arma de guerra\u201d. Um artigo em que se escreve que \u201ca lista de horrores\u201d n\u00e3o p\u00e1ra de crescer e em que s\u00e3o referidas concretamente as prov\u00edncias de Kivu do Sul e do Norte e de Ituri, como estando no epicentro dos confrontos entre o ex\u00e9rcito congol\u00eas e os grupos paramilitares. Grupos, na sua maioria, ligados ao movimento armado M23. \u00c9 s\u00f3 por ser rica que esta regi\u00e3o est\u00e1 a saque por estas mil\u00edcias, tantas vezes \u00e0s ordens de outros pa\u00edses, como o Ruanda, numa disputa despudorada pelo que se esconde ali no subsolo. As mulheres e as raparigas s\u00e3o apenas uma esp\u00e9cie de trof\u00e9u destes criminosos que por ali usam tamb\u00e9m muitas vezes a bandeira do Isl\u00e3o radical. \u201cContinuemos a rezar por estas mulheres, tantas vezes perseguidas, sofredoras, mas que continuam a acreditar num valor fundamental, que \u00e9 o valor da vida humana\u201d, diz o Padre Marcelo Oliveira a concluir a mensagem enviada para Lisboa, para a Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mission\u00e1rio portugu\u00eas denuncia \u201cviol\u00eancia contra mulheres\u201d na RD Congo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-423761","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=423761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423761\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=423761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=423761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=423761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}