{"id":42343,"date":"2009-12-09T12:50:02","date_gmt":"2009-12-09T12:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/09\/solenidade-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2009-12-09T12:50:02","modified_gmt":"2009-12-09T12:50:02","slug":"solenidade-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/solenidade-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal <!--more--> <\/p>\n<p><strong>Maria Imaculada, reflexo da excelsa beleza de Deus<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Igreja universal celebra hoje a solenidade da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, a singular gra&ccedil;a e privil&eacute;gio da Virgem Maria: desde a sua concep&ccedil;&atilde;o, em ordem &agrave; sua maternidade divina, Maria foi preservada de toda a mancha de pecado e enriquecida com uma plenitude de gra&ccedil;a incompar&aacute;vel. Ela &eacute;, por isso, a mais santa de todas as criaturas.<\/p>\n<p>A Virgem de Nazar&eacute;, a &ldquo;Cheia de Gra&ccedil;a&rdquo;, como lhe disse o Anjo, &eacute; modelo de santidade para todos os filhos da Igreja, que a honram e a invocam em suas necessidades, louvando a Deus, origem e Fonte de toda a santidade. Convocados desde sempre, para sermos &ldquo;santos e irrepreens&iacute;veis, em caridade&hellip;&rdquo; (Ef 1,4), encontramos em Maria o reflexo da beleza infinita de Deus, a concretiza&ccedil;&atilde;o do admir&aacute;vel &ldquo;hino de louvor da Sua gl&oacute;ria&rdquo;, de que nos fala S. Paulo, na segunda leitura.<\/p>\n<p>A liturgia da palavra sublinha, assim, o facto de Nossa Senhora ter sido redimida de uma forma admir&aacute;vel, em aten&ccedil;&atilde;o aos m&eacute;ritos futuros da P&aacute;scoa do seu Filho. Maria &eacute;, na verdade, a Aurora que precede o Dia sem fim, Dia que &eacute; o pr&oacute;prio Cristo Senhor, o Redentor da Humanidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Viver em santidade<\/strong><\/p>\n<p>A primeira leitura &eacute; a narra&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da dram&aacute;tica experi&ecirc;ncia do mal e do pecado do homem e da mulher, com todas as consequ&ecirc;ncias lament&aacute;veis do abuso de liberdade: ruptura livre e respons&aacute;vel com o Amor e o Bem total, ruptura da harmonia universal. Eles que eram felizes, beneficiando da presen&ccedil;a e familiaridade com Deus, uma vez despojados da sua dignidade, por terem &ldquo;comido do fruto proibido&rdquo; (Gen 3,10), quebraram as rela&ccedil;&otilde;es com o seu Criador e, cheios de medo e de vergonha, esconderam-se. Deus, por&eacute;m, em Sua Bondade infinita, continua a amar e a chamar o homem e a mulher &agrave; felicidade e n&atilde;o os abandona no seu pecado. Da&iacute; a promessa de um Salvador, como se referia no final do texto.<\/p>\n<p>S. Paulo, na segunda leitura, fala-nos deste admir&aacute;vel e extraordin&aacute;rio Amor do nosso Deus que, apesar do pecado e do mal, &ldquo;escolheu-nos, antes da cria&ccedil;&atilde;o do mundo, para sermos santos e irrepreens&iacute;veis, em caridade, na sua presen&ccedil;a&rdquo; (Ef 1, 3). Em Cristo, Deus abra&ccedil;a a nossa fragilidade e d&aacute;-nos sabedoria e discernimento, para sermos fi&eacute;is &agrave; voca&ccedil;&atilde;o de santidade, na viv&ecirc;ncia do amor, cada um de acordo com a situa&ccedil;&atilde;o concreta da sua vida pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O &ldquo;Sim&rdquo; que transfigurou a hist&oacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>O important&iacute;ssimo evento da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, narrado por Lucas no texto do Evangelho, acontece numa humilde aldeia de Nazar&eacute;. A destinat&aacute;ria da inesperada mensagem &eacute; uma jovem chamada Maria. A Palavra perturbadora de Deus, dialogada na obedi&ecirc;ncia da f&eacute;, &eacute; traduzida no &ldquo;Sim&rdquo; dessa Jovem de Nazar&eacute;, que mudou completamente o cora&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria da Humanidade. Deus interv&eacute;m e revela-Se na plenitude do Seu Amor: &ldquo;O Esp&iacute;rito Santo descer&aacute; sobre ti&hellip; Dar&aacute;s &agrave; luz um Filho, ao qual por&aacute;s o nome de Jesus&rdquo; (Lc 1, 35-36). Desde ent&atilde;o, o mundo ficou iluminado com uma nova Luz. Surge a nova Aurora da Reden&ccedil;&atilde;o, a grande Esperan&ccedil;a, porque Maria, a nova Eva, nos oferece o novo Ad&atilde;o, Jesus Cristo, o Salvador da Humanidade. No &ldquo;Sim&rdquo; de Maria reatou-se a harmonia c&oacute;smica, a beleza perdida no para&iacute;so. &ldquo;A beleza &eacute; esta presen&ccedil;a de Deus entre n&oacute;s&rdquo; (Simone Weil).<\/p>\n<p>A prop&oacute;sito da beleza, apraz-me recordar o recente encontro do Papa Bento XVI com artistas de todo o mundo, em Roma. Ent&atilde;o, ele reafirmou as boas rela&ccedil;&otilde;es, a amizade da Igreja com o mundo da arte, e pediu-lhes que fossem &ldquo;os guardi&atilde;es da beleza&rdquo;. Sublinhou a import&acirc;ncia e o desejo de um di&aacute;logo renovado e permanente, tendo em conta as inevit&aacute;veis mudan&ccedil;as culturais e sociais. E afirmou, ainda, que &ldquo;a beleza pode tornar-se um caminho para a transcend&ecirc;ncia, para o mist&eacute;rio final&rdquo;. H&aacute; que redescobrir, de facto, o caminho da beleza e da santidade, como caminho de sentido e felicidade, para a vida dos homens e mulheres do nosso tempo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Beleza interior, caminho de liberta&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O homem moderno, secularizado, envolvido em preocupa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, tem dificuldade, muitas vezes, em aceitar as interven&ccedil;&otilde;es sobrenaturais de Deus, porque escapam aos seus limitados saberes. Maria, por&eacute;m, iluminada pelo Esp&iacute;rito Santo, abre-se totalmente a Deus e entrega-se, por inteiro, &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do Seu des&iacute;gnio de Salva&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Eis a serva do Senhor, fa&ccedil;a-se em mim, segundo a Tua Palavra&rdquo;(Lc 1,38).<\/p>\n<p>&Agrave; luz da Palavra revelada, compreendemos mais profundamente a grandeza e a dignidade de cada homem e de cada mulher, criados &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus. De facto, a Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo de Deus realiza e revela a mais alta dignidade da vida e do corpo humano. &Eacute; que o corpo humano n&atilde;o &eacute; apenas um suporte biol&oacute;gico da exist&ecirc;ncia, nem pode ser idolatrado, maltratado ou menosprezado, como acontece, tantas vezes, na sociedade contempor&acirc;nea hedonista. Infelizmente, n&atilde;o faltam v&iacute;timas desta exalta&ccedil;&atilde;o desmesurada, bem como da viol&ecirc;ncia, menosprezo e aviltamento de tanta gente indefesa, que, por for&ccedil;a de certas circunst&acirc;ncias, se v&ecirc; enredada em situa&ccedil;&otilde;es indesej&aacute;veis.<\/p>\n<p>A cultura laica ocidental, aliciada pelo culto da imagem, explora e sobrevaloriza a beleza f&iacute;sica da mulher, em detrimento da beleza interior e dos seus verdadeiros valores. Maria Imaculada &eacute; express&atilde;o da excelsa beleza de Deus, a &uacute;nica Beleza que liberta, transfigura e salva. Bernardete Soubirous, a vidente de Lourdes,&nbsp; jamais esqueceu aquela jovem e bela Senhora, &ldquo;mais bela que todas as criaturas do mundo&rdquo;, a suavidade do seu sorriso e a mensagem nunca dantes escutada: &ldquo;Eu sou a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A dignidade da mulher<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo dos s&eacute;culos, a Igreja, fiel a Cristo e &agrave; humanidade, valorizou e defendeu a dignidade da mulher e a sua insubstitu&iacute;vel miss&atilde;o. No in&iacute;cio da Carta Apost&oacute;lica Mulieris Dignitatem, sobre a dignidade e a voca&ccedil;&atilde;o da mulher, Jo&atilde;o Paulo II recorda-nos, citando o Conc&iacute;lio Vaticano II, que &ldquo;a hora vem, a hora chegou, em que a voca&ccedil;&atilde;o da mulher se realiza em plenitude, a hora em que a mulher adquire no mundo uma influ&ecirc;ncia, um alcance, um poder jamais alcan&ccedil;ados at&eacute; agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudan&ccedil;a t&atilde;o profunda, as mulheres iluminadas pelo esp&iacute;rito do Evangelho muito podem ajudar a humanidade a n&atilde;o decair&rdquo; (n.1), muito podem contribuir para a sua eleva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na verdade, a aut&ecirc;ntica perfei&ccedil;&atilde;o feminina est&aacute; na sua harmonia interior, na sua santidade, que se reflecte exteriormente e confere aos seus gestos dignidade e beleza. Diz-nos Bento XVI: &ldquo;em Maria brilha a dignidade de cada ser humano, que &eacute; sempre precioso aos olhos do Criador&rdquo;. A &eacute;tica da responsabilidade&nbsp; comum, na defesa da vida e no respeito pelo corpo, nunca poder&aacute; ser negligenciada pela sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mulher da Esperan&ccedil;a e da Alegria<\/strong><\/p>\n<p>Maria &eacute; a figura principal do tempo lit&uacute;rgico do Advento, que estamos a viver. A Santa M&atilde;e de Deus &eacute; portadora da grande Esperan&ccedil;a e da Alegria, porque nos traz o Filho do Alt&iacute;ssimo, a Palavra feita Menino. O Advento &eacute; o tempo favor&aacute;vel para escutar e percorrer o caminho da Palavra, uma Palavra sempre nova e bela, que cria intimidade com Deus e com os outros. Palavra que perturba e interpela o nosso comodismo e deve encarnar na nossa vida, em gestos concretos de amor e solidariedade.<\/p>\n<p>Como Bispo desta Diocese, sinto grande alegria pela resson&acirc;ncia, que me tem chegado, da visita da Imagem Peregrina da Virgem de F&aacute;tima, &agrave;s nossas comunidades paroquiais. Esta presen&ccedil;a de Nossa Senhora entre n&oacute;s, acolhida na riqueza da sua mensagem de f&eacute; e de amor, incentiva e estimula, sem d&uacute;vida, a viv&ecirc;ncia do Advento.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m as tradicionais &ldquo;Missas do Parto&rdquo; nos introduzem, mais intimamente, no mist&eacute;rio de Maria e de Jesus. Participar nelas ajudar-nos-&aacute; a corresponder com mais empenho e fidelidade &agrave;s exig&ecirc;ncias do lema escolhido para a visita da Imagem Peregrina: &ldquo;Com Maria, ser Igreja no mundo actual&rdquo;.<\/p>\n<p>Guiados pela &ldquo;Estrela da Manh&atilde;&rdquo;, a Senhora do Advento, e conduzidos pela sua m&atilde;o maternal, sentimo-nos em seguran&ccedil;a e, juntos, fazemos o mesmo percurso para Bel&eacute;m, ao encontro de Jesus que ali nasceu e h&aacute;-de nascer, hoje, no pres&eacute;pio do nosso cora&ccedil;&atilde;o, no pres&eacute;pio da nossa vida.<\/p>\n<p>Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, Senhora do Advento, Virgem Peregrina, Senhora do Monte, rogai por n&oacute;s!<\/p>\n<p>S&eacute; do Funchal, 8 de Dezembro de 2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,120,186,231,246,314],"class_list":["post-42343","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-funchal","tag-imaculada-conceicao","tag-liturgia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42343","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42343"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42343\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42343"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42343"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42343"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}