{"id":42333,"date":"2009-12-09T11:38:49","date_gmt":"2009-12-09T11:38:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/09\/diaconado-permanente-na-hora-actual-da-igreja-em-portugal\/"},"modified":"2009-12-09T11:38:49","modified_gmt":"2009-12-09T11:38:49","slug":"diaconado-permanente-na-hora-actual-da-igreja-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diaconado-permanente-na-hora-actual-da-igreja-em-portugal\/","title":{"rendered":"Diaconado Permanente na hora actual da Igreja em Portugal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong><em>Introdu&ccedil;&atilde;o ao tema<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&ldquo;<em>Por esses dias, como o n&uacute;mero dos disc&iacute;pulos ia aumentando, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas vi&uacute;vas eram esquecidas no servi&ccedil;o di&aacute;rio. Os doze convocaram, ent&atilde;o, a assembleia dos disc&iacute;pulos e disseram: &ldquo; N&atilde;o conv&eacute;m deixarmos a Palavra de Deus para servirmos &agrave; mesa. &Eacute; melhor procurardes entre v&oacute;s, irm&atilde;os, sete homens de boa reputa&ccedil;&atilde;o, cheiros do Esp&iacute;rito Santo e de sabedoria, e confiar-lhes-emos esta tarefa. Quanto a n&oacute;s, entregar-nos-emos assiduamente &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e ao servi&ccedil;o da Palavra&rdquo;. A proposta agradou a toda a assembleia e escolheram Est&ecirc;v&atilde;o, homem cheio de f&eacute; e do Esp&iacute;rito Santo, Filipe, Pr&oacute;coro, Nicanor, Tim&atilde;o, Permenas e Nicolau, pros&eacute;lito de Antioquia. Foram apresentados aos Ap&oacute;stolos que, depois de rezarem, lhes impuseram as m&atilde;os.&rdquo; (Ac 6, 1-6)<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Quero come&ccedil;ar por estas palavras dos Actos dos Ap&oacute;stolos, que designam a matriz b&iacute;blica e eclesial do diaconado permanente, criado na Igreja para o servi&ccedil;o dos pobres. Palavras cheias de ensinamentos da Igreja nascente, para a Igreja de ontem e de hoje, que n&atilde;o se podem esquecer, dado que, se elas foram ilumina&ccedil;&atilde;o para a iniciativa apost&oacute;lica da institui&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m o podem ser para o melhor discernimento na escolha a fazer e no servi&ccedil;o a realizar.<\/p>\n<p>Sublinho a responsabilidade dos Ap&oacute;stolos, desejosos de ser fi&eacute;is ao essencial da miss&atilde;o recebida, perante o aumento dos crentes e as queixas ouvidas; o cuidado devido &agrave; comunidade dos irm&atilde;os em necessidade; a interven&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel da assembleia dos disc&iacute;pulos, depois de consciencializada, em ordem &agrave; solu&ccedil;&atilde;o do problema sentido; a seriedade como ela assumiu a participa&ccedil;&atilde;o que lhe foi pedida; a obedi&ecirc;ncia aos crit&eacute;rios estabelecidos; a abertura da miss&atilde;o aos pros&eacute;litos; a confirma&ccedil;&atilde;o, por parte dos doze Ap&oacute;stolos, depois da ora&ccedil;&atilde;o e pelo gesto da imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, que, tamb&eacute;m, Cristo tivera com eles&hellip;<\/p>\n<p>Como &eacute; importante para a Igreja, bem como para todos os seus membros, prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s exig&ecirc;ncias da Comunh&atilde;o. S&atilde;o elas que ajudam a vencer a tenta&ccedil;&atilde;o de uma Igreja dominada pelos crit&eacute;rios administrativa. Seria pobre a solu&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica se tudo terminasse no &ecirc;xito final de 7 di&aacute;conos para se resolver um problema. N&atilde;o menos importante, &eacute; a s&aacute;bia e pr&aacute;tica pedagogia dos Ap&oacute;stolos na condu&ccedil;&atilde;o de todo o processo, que sendo em favor de todos, tinha a ver com todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Princ&iacute;pios gerais a ter em conta<\/em><\/strong><\/p>\n<p>1. Quem recebe um dom, sem que tenha sido por m&eacute;rito pr&oacute;prio, mas sim em favor de outros, n&atilde;o pode deixar de aprofundar, cada dia, o valor, a raz&atilde;o e o sentido desse dom, ser-lhe fiel, n&atilde;o deixar desvirtuar, nem cair na rotina, e estar atento ao seu melhor investimento, ou seja, que ele seja, verdadeiramente, e como entendido e acolhido, um dom para todos, a quem &eacute; devido.<\/p>\n<p>O diaconado permanente &eacute; um dom desta natureza, feito &agrave; Igreja, frente a uma necessidade concreta e, atrav&eacute;s dela, &agrave;s pessoas que reclamavam a sua aten&ccedil;&atilde;o e cuidado&#8230;<\/p>\n<p>A realidade que nos cerca, com seus problemas e desafios, tanto na comunidade eclesial de que somos membros, como na sociedade em que vivemos como cidad&atilde;os, ajuda-nos hoje a penetrar na natureza do dom e no seu melhor aproveitamento pastoral.<\/p>\n<p>2. A Igreja &eacute;, por sua natureza, serva, ou seja, exerce, em perman&ecirc;ncia, a &ldquo;diaconia&rdquo; de Jesus Cristo, o Servo, que veio ao mundo, como Ele pr&oacute;prio disse &ldquo;<em>n&atilde;o para ser servido, mas para servir e dar a vida, a fim de que todos se salvem<\/em>&rdquo;. A li&ccedil;&atilde;o do lava-p&eacute;s (Jo 13, 3-15) &eacute; bem elucidativa para que nenhum servidor se esque&ccedil;a que o &eacute;, e esteja atento &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de mais desejar ser mestre. A par&aacute;bola do bom samaritano (Lc 10, 25-37) marca o sentido desta diaconia e molda o cora&ccedil;&atilde;o para melhor a exercer.<\/p>\n<p>3. Deus n&atilde;o escolhe ningu&eacute;m para o privilegiar ou honrar ou para o distinguir &agrave; maneira profana, nem para compensar os servi&ccedil;os a Ele prestados ou os talentos, que d&acute;Ele tamb&eacute;m foram gratuitamente recebidos. Escolhe por amor ao seu Povo e para que n&atilde;o falte a este Povo e a cada um dos seus membros, quem os ajude a ser de Deus, a andar pelos Seus caminhos e a realizar o Seu plano de salva&ccedil;&atilde;o universal, a sentir-se amado.<\/p>\n<p>A escolha envolve separa&ccedil;&atilde;o, mas separado n&atilde;o quer dizer distinguido por honras ou favores pessoais, mas posto em condi&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o esquecer nunca a raz&atilde;o de ser do seu chamamento. &ldquo;<em>N&atilde;o fostes v&oacute;s que Me escolhestes. Fui Eu que vos escolhi para que vades, deis<\/em> <em>fruto e fruto que<\/em> <em>permane&ccedil;a.<\/em>&rdquo; Assim gravou no cora&ccedil;&atilde;o dos escolhidos a raz&atilde;o de ser da sua escolha.<\/p>\n<p>A escolha de Deus n&atilde;o se faz para determinar classes sociais, porque a Igreja n&atilde;o &eacute; uma sociedade de classes. Ele &eacute; uma comunh&atilde;o de dons, minist&eacute;rios e servi&ccedil;os, ordenados todos e sempre, para a edifica&ccedil;&atilde;o harm&oacute;nica do Povo de Deus.<\/p>\n<p>Este servi&ccedil;o essencial da comunh&atilde;o exerce-o a Igreja, como Serva de Jesus Cristo, atrav&eacute;s da profecia, da liturgia, da caridade, tornando-se <em>koinonia<\/em>, <em>martirya<\/em>, <em>diaconia<\/em> e <em>liturgia<\/em>, em ordem &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o da comunidade crist&atilde;, lugar de viv&ecirc;ncia da Comunh&atilde;o, da visibilidade do Reino, e da sua concretiza&ccedil;&atilde;o como Povo de Deus peregrino, em marcha para a sua plenitude. Exerce-o, ainda, como servi&ccedil;o humanizador e solid&aacute;rio para com a sociedade em geral.<\/p>\n<p>4. O bispo, como sucessor dos Ap&oacute;stolos, &eacute;, por raz&atilde;o do seu minist&eacute;rio, o primeiro respons&aacute;vel das ac&ccedil;&otilde;es eclesiais essenciais, o garante da unidade, o promotor da comunh&atilde;o e o modelo de servidor. Tem como colaboradores necess&aacute;rios para todas estas ac&ccedil;&otilde;es, os presb&iacute;teros, e, tamb&eacute;m, os di&aacute;conos, na parte que lhes diz respeito.<\/p>\n<p>Enquanto os presb&iacute;teros s&atilde;o chamados a exercer e a animar a comunidade com todas as ac&ccedil;&otilde;es eclesiais, os di&aacute;conos s&atilde;o ordenados para o exerc&iacute;cio de todas elas, dando prioridade &agrave; diaconia, sempre entendida, segundo a sua origem b&iacute;blica, como servi&ccedil;o e cuidado dos mais pobres e menos atendidos, e atentos, em cada tempo, &agrave;s diversas formas de pobreza. Diaconia que exercida no seio da comunidade crist&atilde; &eacute; chamada a partilhar, promover e praticar a comunica&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de bens. No seio da comunidade crist&atilde; e da comunidade humana a diaconia expressa-se, de modo especial, servindo os exclu&iacute;dos sociais e os marginalizados, lutando pela sua dignifica&ccedil;&atilde;o humana e integra&ccedil;&atilde;o social<\/p>\n<p>5. Todos os baptizados s&atilde;o fieis que, &ldquo;<em>incorporados em Cristo pelo Baptismo e integrados no Povo de Deus, se tornam participantes, a seu modo, da fun&ccedil;&atilde;o sacerdotal, prof&eacute;tica e real de Cristo<\/em>, <em>exercendo na Igreja e no mundo a miss&atilde;o de todo o povo crist&atilde;o, na parte que lhes corresponde<\/em>.&rdquo; (LG 31)<\/p>\n<p>&Eacute; entre estes, como j&aacute; o dissemos, porque todos eles t&ecirc;m uma igual dignidade, que Deus escolhe e chama alguns, entre os seus filhos, por media&ccedil;&atilde;o da Igreja, ao minist&eacute;rio ordenado, a fim de que exer&ccedil;am, como filhos e Deus e membros da Igreja, o mesmo minist&eacute;rio de Cristo, na parte que, a partir da sua ordena&ccedil;&atilde;o, lhes &eacute; pr&oacute;pria.<\/p>\n<p>O seu servi&ccedil;o, a sua diaconia, n&atilde;o se exerce por conta pr&oacute;pria, nem os pode separar da miss&atilde;o da Igreja e do dever de ajudar todos os baptizados, a que tomem consci&ecirc;ncia da sua dignidade, e a viverem e agirem, de harmonia com a miss&atilde;o que lhes compete, na Igreja e no mundo.<\/p>\n<p>Assim a Igreja vai realizando a sua diaconia atrav&eacute;s de uma maior participa&ccedil;&atilde;o no servi&ccedil;o aos outros de todos os seus membros.<\/p>\n<p>A entrega aos outros d&aacute; aos que a praticam na verdade, uma alegria inesperada e o rosto da Igreja aparece assim, atrav&eacute;s da sua miss&atilde;o de serva, cada vez mais um rosto de miseric&oacute;rdia, de alegria e de paz. N&atilde;o &eacute; esse o verdadeiro rosto de Deus Pai, revelado em Jesus Cristo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Olhar a realidade actual da Igreja e da sociedade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>6. O mundo vai mudando e como a Igreja est&aacute; implantada na seio da comunidade humana, tamb&eacute;m ela vai mudando, sendo chamada a viver, diariamente, novas situa&ccedil;&otilde;es, novos apelos, novos desafios, novas formas de proposta e resposta aos problemas que emergem e p&otilde;em em causa tradi&ccedil;&otilde;es e f&oacute;rmulas que perderam o sentido. Os seus membros s&atilde;o, tamb&eacute;m, membros dessa comunidade humana e civil, que sofre mudan&ccedil;as profundas e r&aacute;pidas, enriquecidos por uma dupla cidadania que os responsabiliza numa e noutra comunidade.<\/p>\n<p>O di&aacute;cono permanente tem um campo pr&oacute;prio de ac&ccedil;&atilde;o diaconal no seio da sua Diocese. O seu bispo lho determina, de harmonia com o minist&eacute;rio recebido e a sua condi&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, distinta da dos presb&iacute;teros A sua presen&ccedil;a activa na sociedade permite-lhe, em raz&atilde;o da vida familiar e profissional e dos desafios que tem ele pr&oacute;prio de enfrentar cada dia, experi&ecirc;ncias multiformes e renovadas, que melhor o levam a conhecer a realidade, e a levar para o seio da Igreja, um contributo existencial v&aacute;lido, que outros membros ordenados para o servi&ccedil;o da comunidade crist&atilde;, n&atilde;o t&ecirc;m, pelo menos na mesma t&oacute;nica, pessoal e existencial.<\/p>\n<p>Se quiser dar exemplos comezinhos e pr&aacute;ticos, a&iacute; v&atilde;o alguns. Como esposo pode ver o desamparo de muitos casais; como pai poder&aacute; sentir a pobreza pastoral das par&oacute;quias em ordem ao acompanhamento adequado aos mais jovens. Como profissional poder&aacute; sentir ao vivo, os efeitos da crise das empresas, do desemprego, pr&oacute;prio ou de colegas&hellip;<\/p>\n<p>7. Olhamos a Igreja, que amamos, e que vemos nela de mais saliente e interpelante?<\/p>\n<p>&Eacute; crescente o n&uacute;mero de di&aacute;conos permanentes nas dioceses; h&aacute; um despertar consciente de muitos crist&atilde;os para a viv&ecirc;ncia da sua f&eacute; e para o compromisso apost&oacute;lico, assim como, h&aacute; uma vontade mais alargada, por parte de leigos adultos, de forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;; a ades&atilde;o a movimentos familiares e de casais; crescem as iniciativas de grupos de jovens, programadas segundo a sua mentalidade, express&otilde;es e interesses; o voluntariado mission&aacute;rio de muitos jovens e mesmo de adultos j&aacute; em servi&ccedil;o profissional; as voca&ccedil;&otilde;es de adultos com cursos superiores; a presen&ccedil;a efectiva da Igreja no campo s&oacute;cio-caritativo com inumer&aacute;veis institui&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os; o manifesto alargamento da rede de comunica&ccedil;&otilde;es, segundo as novas tecnologias, ao servi&ccedil;o da evangeliza&ccedil;&atilde;o; a generosidade extraordin&aacute;ria de muitos agentes pastorais (cl&eacute;rigos, consagrados e leigos) &hellip;<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a Igreja em Portugal, como no comum dos pa&iacute;ses da Europa, passa, ao mesmo tempo, por momentos dif&iacute;ceis e complexos, tais como, sem pretens&atilde;o de esgotar a sua enumera&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Menos padres e mais idosos e doentes.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobrecarga dos mesmos que, em algumas dioceses, t&ecirc;m a seu cargo v&aacute;rias par&oacute;quias ou s&atilde;o sozinhos em par&oacute;quias grandes, que antes tinham pelo menos dois padres.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Padres demasiadamente ocupados com obras sociais e preocupados com os problemas que as mesmas enfrentam hoje.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Padres mais novos a abandonar o exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diminui&ccedil;&atilde;o manifesta do n&uacute;mero de crist&atilde;os a procurar o sacramento da<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tend&ecirc;ncia de diminui&ccedil;&atilde;o de voca&ccedil;&otilde;es para o presbiterado<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Frequentemente os padres novos apresentam-se fr&aacute;geis e, quando s&oacute;s, &agrave; frente de par&oacute;quias, manifestam, frequentemente, um certo individualismo e prepot&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em muitos casos maior cuidado com o esplendor lit&uacute;rgico. Que com a educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; e as exig&ecirc;ncias da caridade efectiva para com os mais pobres;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Crise de voca&ccedil;&otilde;es de consagra&ccedil;&atilde;o, mormente em institutos femininos de vida activa<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fam&iacute;lias a desagregarem-se, mesmo ap&oacute;s muitos anos de casamento e de pr&aacute;tica religiosa regular, situa&ccedil;&atilde;o periclitante das gera&ccedil;&otilde;es mais idosas;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aumento dos div&oacute;rcios e das uni&otilde;es de facto e diminui&ccedil;&atilde;o dos casamentos na Igreja.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Menosprezo pela cultura da vida, com in&uacute;mero de abortos e tentativas de novas formas de falta de apre&ccedil;o pela mesma vida.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Muitos jovens a afastarem-se da Igreja, mesmo quando tiveram 10 anos de catequese e receberam a Confirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Agentes pastorais com pouca prepara&ccedil;&atilde;o para dar raz&atilde;o da sua f&eacute; e realizarem o apostolado que lhes &eacute; pedido.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; In&uacute;meros campos de ac&ccedil;&atilde;o pastoral e apost&oacute;lica a descoberto na sociedade, mesmo quando h&aacute; a&iacute; crist&atilde;os, que, por vezes e de modo f&aacute;cil, se omitem e retraem.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Crescimento de movimentos apost&oacute;licos com pouca dimens&atilde;o mission&aacute;ria &nbsp;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Menosprezo pelas normas morais que a Igreja prop&otilde;e e defende como evang&eacute;licas.<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O desafio dos novos imigrantes, com express&otilde;es religiosas e culturais pr&oacute;prias&hellip;<\/p>\n<p>8. Ao mesmo tempo, e com repercuss&atilde;o clara na comunidade eclesial e na vida dos seus membros mais dependentes das tradi&ccedil;&otilde;es, verificamos:<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a crescente seculariza&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o sendo, em si mesma, um mal ou um dado negativo, provoca in&uacute;meras mudan&ccedil;as sociais e culturais que apanharam a Igreja, em muitos campos, verdadeiramente desprevenida. S&atilde;o express&otilde;es da modernidade:<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a leg&iacute;tima personaliza&ccedil;&atilde;o e consequente afirma&ccedil;&atilde;o de liberdade pessoal que n&atilde;o admite peias;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o individualismo e ego&iacute;smo fruto de uma mal entendida liberdade;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o desprezo pelas leis, normas e todas as formas de autoridade;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a participa&ccedil;&atilde;o, a todos os n&iacute;veis, como um direito e um dever;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o confronto com novas express&otilde;es religiosas, das confiss&otilde;es mais &nbsp;consistentes &agrave;s seitas mais facilitadoras;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a frequente proclama&ccedil;&atilde;o pessoal de ate&iacute;smo e agnosticismo e a milit&acirc;ncia operada, a partir de grupos organizados que os professam;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; as muitas leis necess&aacute;rias, cada vez mais influenciadas pelo laicismo reinante, e menos pela tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, cultura e hist&oacute;ria do pa&iacute;s que somos; o n&uacute;mero crescente de cidad&atilde;os com cursos superiores, cada vez mais exigentes por via da sua cultura e estatuto social;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; as crises sociais que afectam o mundo empresarial e econ&oacute;mico e levam ao crescente desemprego portador de situa&ccedil;&otilde;es gravosas para a vida das pessoas e das fam&iacute;lias;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a publicidade que arrasta ao consumismo e &agrave; permissividade moral;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a pol&iacute;tica cada vez mais vazia de ideologia e transformada em pr&aacute;tica de imediatismo tapa-buracos e favorecedora de interesses de grupos;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o pessimismo ante a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; o clima alargado de inseguran&ccedil;a, intoler&acirc;ncia e corrup&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a criminalidade que atinge familiares e rela&ccedil;&otilde;es afectivas, em meios &nbsp;antes moldados pelo agir crist&atilde;o das comunidades&hellip;<\/p>\n<p>Certamente que todos poder&iacute;amos ainda acrescentar outras express&otilde;es desta realidade, que n&atilde;o nos passa ao lado, mas nos cerca e nos influencia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O diaconado permanente neste contexto eclesial e social<\/em><\/strong><strong> <\/strong><\/p>\n<p>9. &Eacute; tempo de os mais respons&aacute;veis se porem em causa e de se interrogarem, em assembleia, mas, tamb&eacute;m, em cada diocese com os seus di&aacute;conos e os presb&iacute;teros e os leigos com que eles trabalham regularmente, sobre o lugar do diaconado permanente, neste contexto eclesial e social, como servi&ccedil;o da Igreja aos outros, mormente aos mais pobres, atingidos pela pobreza de sempre a agora pelas novas formas de pobreza.<\/p>\n<p>O tempo &eacute; de reflex&atilde;o, para que se evitem v&aacute;rias tenta&ccedil;&otilde;es, pr&oacute;prias dos tempos de crise, como aqueles que vivemos e cuja tend&ecirc;ncia &eacute; para perdurar e se agravar.<\/p>\n<p>Tenta&ccedil;&atilde;o de desanimar ante a grandeza e a urg&ecirc;ncia dos problemas e dos poucos meios de que dispomos? Tenta&ccedil;&atilde;o de uma generosidade atabalhoada que quer responder a tudo ao mesmo tempo? Tenta&ccedil;&atilde;o de pensar que as coisas v&atilde;o mudar e nada de dramatismo? Tenta&ccedil;&atilde;o de investir os recursos existentes, para apenas considerar a situa&ccedil;&atilde;o da Igreja e das suas comunidades, privadas ou agora com menos de apoios religiosos que sempre tiveram?&#8230;<\/p>\n<p>Tudo isto pode levar a descentrar do essencial da miss&atilde;o ou a pensar que, quando nada se pode, a nada se &eacute; obrigado e, ent&atilde;o, salve-se quem puder.<\/p>\n<p>10. Na sua hist&oacute;ria sempre a Igreja passou por situa&ccedil;&otilde;es de crise e desafios dif&iacute;ceis. E, por fidelidade &agrave; miss&atilde;o, com a luz e a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, n&atilde;o se negou nunca &agrave; resposta poss&iacute;vel. Assim foi superando os problemas em campo. Quando outros surgiam, foram encarados com iguais sentimentos e prop&oacute;sitos.<\/p>\n<p>Deus a ningu&eacute;m exige tudo, mas n&atilde;o dispensa o que cada um pode dar.<\/p>\n<p>Os tempos, portanto, s&atilde;o de responsabilidade, mas sempre de esperan&ccedil;a. Se a Igreja souber ler e discernir os &ldquo;sinais dos tempos, ela ter&aacute; luz para lhes responder, com a luz e a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito que a anima.<\/p>\n<p>11. &Eacute; verdade que o di&aacute;cono, em comunh&atilde;o com o seu bispo, a este deve estar unido para responder ao que lhe &eacute; pedido. Por&eacute;m, salvos casos especiais e, mesmo assim, considerados e atendidos na fidelidade ao que no minist&eacute;rio diaconal &eacute; priorit&aacute;rio, o servi&ccedil;o dos mais pobres, outros servi&ccedil;os pedidos, mesmo realizando-os generosamente, n&atilde;o devem descentrar o di&aacute;cono do fundamental.<\/p>\n<p>A tend&ecirc;ncia mais generalizada dos di&aacute;conos permanentes vem se afirmando, na maior parte dos acasos, ocuparem, preferentemente, do servi&ccedil;o do altar, dos sacramentos e dos sacramentais, ou seja no campo lit&uacute;rgico. &nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; um servi&ccedil;o para eles mais f&aacute;cil, menos criativo e exigente, e que melhor os coloca em realce na comunidade.<\/p>\n<p>Importante, n&atilde;o se duvida e cabendo, como ac&ccedil;&atilde;o importante, no &acirc;mbito do minist&eacute;rio. Zonas da Igreja, tanto o real&ccedil;am, que os di&aacute;conos mais v&atilde;o aparecendo a realizar, por sistema, os papeis do presb&iacute;tero que lhe s&atilde;o poss&iacute;veis, que outros que o minist&eacute;rio comporta e ficam a descoberto.<\/p>\n<p>N&atilde;o esque&ccedil;o que o Vaticano II no Dec Ad Gentes (16) diz que podem ser confiadas ao di&aacute;cono permanente par&oacute;quias e comunidades crist&atilde;s e que o CDC d&aacute; normas quando tal ter&aacute; de acontecer. Mas o regime de &ldquo;miss&atilde;o ad gentes&rdquo; ou a situa&ccedil;&otilde;es mais graves que tal justificam n&atilde;o devem ser, a meu ver, a regra normal.<\/p>\n<p>Esta insist&ecirc;ncia, por vezes pouco cr&iacute;tica e alheia aos crit&eacute;rios das origens, tem feito crescer a esperan&ccedil;a nost&aacute;lgica de muitos di&aacute;conos, poderem um dia ser ordenados presb&iacute;teros, o que ali&aacute;s j&aacute; vai acontecendo. N&atilde;o &eacute; verdade que muitos criticam o facto de se chamarem &ldquo;permanentes&rdquo;?<\/p>\n<p>A falta de padres, a sua idade avan&ccedil;ada e a sobrecarga de trabalhos pastorais diversificados, convidam os bispos a colmatar estas defici&ecirc;ncias com a nomea&ccedil;&atilde;o de di&aacute;conos para apoio lit&uacute;rgico nas par&oacute;quias.<\/p>\n<p>Nada impede que, ao ser assim, os trabalhos lit&uacute;rgicos sejam considerados um complemento, mas que a primeira ocupa&ccedil;&atilde;o seja na linha da catequese familiar e juvenil, hoje um largo campo de pobreza, e da ac&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa, onde n&atilde;o faltam situa&ccedil;&otilde;es apelativas novas, o cuidado dos doentes e dos mais pobres de p&atilde;o e de amor, das vitimas da solid&atilde;o por abandono ou desaten&ccedil;&atilde;o dos familiares ou porque os n&atilde;o t&ecirc;m, dos imigrantes desatendidos das minorais sociais e &eacute;tnicas&hellip;<\/p>\n<p>O trabalho nas institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade social da par&oacute;quia, bem como a o lan&ccedil;amento ou a ordena&ccedil;&atilde;o, a anima&ccedil;&atilde;o e o acompanhamento dos servi&ccedil;os da caridade do arciprestado ou vigararia e da unidade pastoral, pode e deve ser um campo priorit&aacute;rio de empenhamento pastoral dos di&aacute;conos, n&atilde;o como t&eacute;cnicos sociais, mas como animadores pastorais.<\/p>\n<p>De igual modo a pastoral familiar e juvenil, a pastoral das comunica&ccedil;&otilde;es sociais, do turismo, das migra&ccedil;&otilde;es, das novas realidades sociais, de grupos de voluntariado, com os Bombeiros, da cultura, nas suas diversas express&otilde;es, da promo&ccedil;&atilde;o da Doutrina Social da Igreja nos grupos e na comunidades, da defesa e a valoriza&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio hist&oacute;rico e religioso, e ainda os servi&ccedil;os da C&uacute;ria Diocesana e o acolhimento paroquial, s&atilde;o campo aberto para os di&aacute;conos permanentes.<\/p>\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Uma exig&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o cada vez mais premente<\/em><\/strong><\/p>\n<p>12. Certamente que temos consci&ecirc;ncia de que ser di&aacute;cono neste tempo e para os servi&ccedil;os que traduzam o exerc&iacute;cio da diaconia, mormente no campo da forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, catequese ou outra forma, e no campo da caridade, exige muito mais do que saber manusear, correctamente, o ritual do Baptismo, do Matrim&oacute;nio ou o livro das ex&eacute;quias, ou ser expedito no servi&ccedil;o do altar, mesmo que acompanha o bispo, ou mesmo da forma&ccedil;&atilde;o inicial e em um ou outro encontro de forma&ccedil;&atilde;o organizado pela Diocese.<\/p>\n<p>A f&eacute; tradicional, de recep&ccedil;&atilde;o acr&iacute;tica por parte de muita gente e que, habitualmente, n&atilde;o foi al&eacute;m de uma catequese infantil exige agora, quando se trata de encontros de forma&ccedil;&atilde;o de adultos ou de forma&ccedil;&atilde;o por motivo da recep&ccedil;&atilde;o do Baptismo dos filhos, exige agora maiores conhecimentos e mais actualizadas viv&ecirc;ncias pessoais.<\/p>\n<p>Os problemas sociais t&ecirc;m hoje muitas causas e, por isso mesmo, muitas leituras. Muitas vezes exigem uma resposta em colabora&ccedil;&atilde;o ou rede. Da&iacute; uma abertura a outros intervenientes, na fidelidade &agrave;s pessoas e &agrave; verdade evang&eacute;lica. Problemas novos, da mais diversa ordem, saem-nos ao caminho, e &eacute; preciso saber interpret&aacute;-los, escutar os seus intervenientes, para se possam inovar respostas v&aacute;lidas&hellip;<\/p>\n<p>O conhecimento da DSI da Igreja &eacute; uma urg&ecirc;ncia. &Agrave;s tentativas legais em ordem &agrave; fam&iacute;lia e sua consist&ecirc;ncia, em ordem &agrave; vida e seu menosprezo, n&atilde;o se responde com simples gestos de boa vontade, nem com palavras de condena&ccedil;&atilde;o ou comisera&ccedil;&atilde;o. Responde-se com o testemunho de vida, as raz&otilde;es da f&eacute;, as orienta&ccedil;&otilde;es do magist&eacute;rio&hellip;<\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua &eacute;, portanto, para os agentes da pastoral, um dever de consci&ecirc;ncia que afecta quem a deve propor de modo acess&iacute;vel, como os servi&ccedil;os diocesanos, e de quem a deve acolher, com assiduidade e interesse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Di&aacute;cono permanente, fermento e semente activos de diaconia na Igreja e na sociedade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>13. A tend&ecirc;ncia para o individualismo, para pensar nos outros s&oacute; em momentos de calamidade ou em campanhas de apoio, para se fechar no seu mundo, sem abertura solid&aacute;ria permanente ao mundo dos outros, ganhou ra&iacute;zes profundas em algumas comunidades crist&atilde;s: tens&otilde;es que v&ecirc;m de longe nas estruturas territoriais, dioceses e par&oacute;quias, nos diversos movimentos laicais, antigos e modernos, nos agentes dos servi&ccedil;os pastorais cl&eacute;rigos e leigos&hellip; Coisas do passado, hoje muito mais atenuadas, mas que perduram enquanto a realidade eclesial da &ldquo; Comunh&atilde;o&rdquo; n&atilde;o for assimilada e fa&ccedil;am da Igreja uma escola de comunh&atilde;o, como pediu Jo&atilde;o Paulo II, como projecto do III Mil&eacute;nio.<\/p>\n<p>No conjunto da vida social o individualismo cresce e as diversas estruturas sociais favorecem esta tend&ecirc;ncia empobrecedora.<\/p>\n<p>Vive-se cada vez mais em pr&eacute;dios onde ningu&eacute;m se conhece nem se quer conhecer, ou em urbaniza&ccedil;&otilde;es fechadas e guardadas por seguran&ccedil;as; o estilo de vida &eacute; cada vez mais urbano e influenciado pela mentalidade urbana; as grandes superf&iacute;cies comerciais s&atilde;o espa&ccedil;os de massifica&ccedil;&atilde;o, de trocas e de escolhas apressadas, ou de simples procura de lazer sem criar la&ccedil;os pessoais; os transportes pessoais multiplicam-se e os p&uacute;blicos s&atilde;o, frequentemente, colmeias de incomunica&ccedil;&atilde;o que despejam gente sempre apressada e com ares de preocupada; a televis&atilde;o e as novas t&eacute;cnicas de comunica&ccedil;&atilde;o geram isolamento no seio da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, e cada um mais comunica com o seu aparelho pessoal, do que com quem vive ao seu lado; telefona-se, andando apressadamente na rua, sem se reparar por quem se passa ou pelo que quer que seja que chame a aten&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p>Um mundo que se torna frio, em que n&atilde;o h&aacute; tempo para os outros, nem para os gestos gratuitos que lhes alimentem a vida&hellip;<\/p>\n<p>Mundo insolid&aacute;rio, onde aumenta a solid&atilde;o, escasseia a rela&ccedil;&atilde;o, mesmo que se viva em multid&atilde;o&hellip; Mundo, como nos recorda Bento XVI, na sua &uacute;ltima enc&iacute;clica &ldquo;Caridade na Verdade&rdquo; onde a globaliza&ccedil;&atilde;o, mesmo quando nos aproxima e nos diz o que se passa no mundo, n&atilde;o nos faz irm&atilde;os, nem nos molda o cora&ccedil;&atilde;o ao outro.<\/p>\n<p>14. A diaconia, vivida a s&eacute;rio, torna-se fermento e semente activos, no seio desta massa humana, cada vez mais amorfa e humanamente pouco eficaz.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso que os di&aacute;conos permanente, cujo n&uacute;mero cresce entre n&oacute;s, sintam o dever de fermentar a comunidade crist&atilde; e a sociedade onde vivem e onde tocam, com esp&iacute;rito de servi&ccedil;o gratuito e fraterno, aten&ccedil;&atilde;o aos outros, acolhimento respeitoso e atento, partilha de bens, mormente para com os mais pobres e desprotegidos.<\/p>\n<p>O di&aacute;cono &eacute; sempre di&aacute;cono, esteja em servi&ccedil;o pastoral, esteja em tempo de trabalho ou em lazer. Sempre algu&eacute;m que incarna livremente a condi&ccedil;&atilde;o de ser um para os outros<\/p>\n<p>Fazem-no, na comunidade crist&atilde; e nos espa&ccedil;os religiosos, no seio da fam&iacute;lia, nos grupos com que trabalham, por todos os modos poss&iacute;veis. A&iacute; devem ter o prop&oacute;sito de desencadear o aparecimento de novos agentes apost&oacute;licos e n&atilde;o quererem fazer tudo ou estarem em tudo. Mas, tamb&eacute;m, na prega&ccedil;&atilde;o e catequeses que tenham de fazer, nas quais nunca devem esquecer que s&atilde;o di&aacute;conos e t&ecirc;m o dever de meter em tudo, de modo normal, o apelo &agrave; diaconia, dado que numa Igreja que se proclamou serva, todos se devem considerar servos e actuar como tal.<\/p>\n<p>Mas, sentem-se, igualmente, fermento e semente de diaconia na sociedade, nas ocupa&ccedil;&otilde;es profissionais, nas rela&ccedil;&otilde;es pessoais, nos compromissos socialmente assumidos, nas interven&ccedil;&otilde;es privadas e p&uacute;blicas, onde n&atilde;o t&ecirc;m que publicitar o seu diaconado, mas fazer que o mesmo transpare&ccedil;a no que se diz e se faz, e no modo de fazer uma e outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Conclus&atilde;o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>15. V&ecirc;m-se aconselhando as Dioceses a repensar o minist&eacute;rio diaconal, passados que s&atilde;o mais de quarenta anos da sua restaura&ccedil;&atilde;o na Igreja, depois de s&eacute;culos longos de suspens&atilde;o.<\/p>\n<p>Num mundo que muda e obriga a Igreja a mudan&ccedil;as na sua ac&ccedil;&atilde;o pastoral, esta reflex&atilde;o tem sentido e interesse. A mudan&ccedil;a, quando se trata de servi&ccedil;o aos outros &eacute; mais urgente, porque a rotina atinge a todos e a inova&ccedil;&atilde;o imp&otilde;e-se mais.<\/p>\n<p>O minist&eacute;rio diaconal, como tal, n&atilde;o est&aacute; em discuss&atilde;o. Est&aacute;, sim, o seu exerc&iacute;cio e o seu melhor investimento pastoral, a clarifica&ccedil;&atilde;o da sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros graus do minist&eacute;rio ordenado, a sua integra&ccedil;&atilde;o nas comunidades crist&atilde;s, e, tamb&eacute;m, na sociedade, dada as caracter&iacute;sticas de se ordenarem homens casados e profissionalizados, a express&atilde;o da sua originalidade como minist&eacute;rio ordenado, a sua melhor interpreta&ccedil;&atilde;o &agrave; luz da sua origem b&iacute;blica.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m j&aacute; existem di&aacute;conos permanentes em muitas dioceses em n&uacute;mero suficiente para que a reflex&atilde;o se fa&ccedil;a a partir da sua experi&ecirc;ncia pastoral e da evolu&ccedil;&atilde;o social e eclesial operada.<\/p>\n<p>Desta tarefa se ocupa a Comiss&atilde;o Episcopal das Voca&ccedil;&otilde;es e Minist&eacute;rios, mas pouco resultar&aacute; deste esfor&ccedil;o, se em cada diocese n&atilde;o se fizer, de modo empenhado, a mesma reflex&atilde;o a diversos n&iacute;veis.<\/p>\n<p>Jornada Pastoral dos di&aacute;conos permanentes &ndash; F&aacute;tima 01.12.2009<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Ant&oacute;nio Baltasar Marcelino<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu&ccedil;&atilde;o ao tema &nbsp;&ldquo;Por esses dias, como o n&uacute;mero dos disc&iacute;pulos ia aumentando, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas vi&uacute;vas eram esquecidas no servi&ccedil;o di&aacute;rio. Os doze convocaram, ent&atilde;o, a assembleia dos disc&iacute;pulos e disseram: &ldquo; N&atilde;o conv&eacute;m deixarmos a Palavra de Deus para servirmos &agrave; mesa. &Eacute; melhor procurardes entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,120,127,168,203,246,294,314,320,329],"class_list":["post-42333","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-europa","tag-liturgia","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-turismo","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42333\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}