{"id":42317,"date":"2009-12-08T16:03:57","date_gmt":"2009-12-08T16:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/08\/imaculada-conceicao-4\/"},"modified":"2009-12-08T16:03:57","modified_gmt":"2009-12-08T16:03:57","slug":"imaculada-conceicao-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/imaculada-conceicao-4\/","title":{"rendered":"Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa <!--more--> <\/p>\n<h1>&ldquo;A santidade de Maria lembra-nos que todos somos chamados &agrave; santidade, em Jesus Cristo&rdquo;<\/h1>\n<h1><span style=\"font-size: x-small;\">Homilia proferida na Solenidade da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, S&eacute; Patriarcal, 8 de Dezembro de 2009 <\/span><\/h1>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. Esta Solenidade celebra a santidade de Maria, a sempre Imaculada. Maria Sant&iacute;ssima &eacute; o t&iacute;tulo com que a designamos e reconhecemos. Celebramo-la com tanta solenidade porque evoca o cerne da nossa voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;: o chamamento &agrave; santidade. Deus criou o homem &agrave; Sua Imagem, para ser santo como Deus &eacute; Santo. &ldquo;Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo&rdquo; (1Pet. 1,16). No drama do pecado, que a Leitura do G&eacute;nesis nos evoca, a humanidade desvia-se do caminho da santidade, porque esquece a Palavra do Senhor, trocando-a por outras palavras: a do inimigo de Deus. Mas Deus n&atilde;o desistiu da santidade do homem. Depois do pecado, o &uacute;nico caminho da santidade &eacute; a reden&ccedil;&atilde;o. A santidade define-nos como criaturas de Deus, identifica-nos com Deus. E porque Deus &eacute; amor, ser amor &eacute; experi&ecirc;ncia de liberdade. Inten&ccedil;&atilde;o inicial de Deus, a santidade do homem &eacute; um fruto da sua liberdade, &eacute; a express&atilde;o m&aacute;xima da liberdade. &ldquo;Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou Santo&rdquo; (1Pet. 1,16). No homem, ela realiza-se ao ritmo da liberdade: pode supor a recusa e o dom, a obedi&ecirc;ncia &agrave; Palavra do Senhor e a autonomia da liberdade humana. Desde a primeira p&aacute;gina da Cria&ccedil;&atilde;o, a autonomia e a obedi&ecirc;ncia &agrave; Palavra de Deus comp&otilde;em o cen&aacute;rio dram&aacute;tico da santidade humana. A santidade do homem, querida por Deus no acto criador, desenrola-se ao ritmo da liberdade, at&eacute; percebermos que em Cristo, &ldquo;Deus nos escolheu, antes da cria&ccedil;&atilde;o do mundo, para sermos, na caridade, santos e irrepreens&iacute;veis, diante d&rsquo;Ele&rdquo; (Efs. 1,3).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Ao criar o homem livre, Deus aceitou que a humanidade precisava de aprender a liberdade e, nessa aventura, Deus s&oacute; podia ir-lhe revelando o caminho da liberdade e fortalec&ecirc;-lo na descoberta do verdadeiro caminho da vida. A descoberta da liberdade &eacute;, na inten&ccedil;&atilde;o criadora de Deus, um longo caminho a percorrer, at&eacute; &agrave; sua perfei&ccedil;&atilde;o escatol&oacute;gica. Esse longo caminho da aprendizagem torna-se dram&aacute;tico porque entrou em cena um terceiro personagem, o &ldquo;inimicus homo&rdquo;, que falhou ele pr&oacute;prio a sua caminhada de liberdade e que, ao tornar-se inimigo de Deus, tornou-se inimigo do homem, nova criatura de Deus, que encetava agora o seu caminho de aprendizagem da liberdade. A partir da&iacute;, a caminhada do homem para a liberdade tornou-se dram&aacute;tica: Deus atrai, fortalece a liberdade, indica-lhe o caminho; esse terceiro personagem, a que a B&iacute;blia chama o &ldquo;homem inimigo&rdquo;, tenta continuamente sugerir ao homem que a liberdade &eacute; um caminho de autonomia em rela&ccedil;&atilde;o a Deus. O caminho da liberdade torna-se, ent&atilde;o, um combate entre esse inimigo e Deus que quer a plena liberdade do homem. A vit&oacute;ria de Deus est&aacute; assegurada, mas o exerc&iacute;cio da liberdade transforma-se num grande combate. &ldquo;Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descend&ecirc;ncia e a descend&ecirc;ncia dela&rdquo; (Gen. 3,15). Assim, desde o in&iacute;cio, a conquista da liberdade tornou-se um grande combate, de vida ou de morte. Essa foi a ousadia do dem&oacute;nio, ao pensar que podia vencer esse combate. A descend&ecirc;ncia da mulher &ldquo;h&aacute;-de atingir-te na cabe&ccedil;a e tu a atingir&aacute;s no calcanhar&rdquo; (Gen. 3,15). Essa descend&ecirc;ncia da mulher &eacute; Cristo, Filho de Maria. A Sua derrota aparente no Calv&aacute;rio torna-se na vit&oacute;ria definitiva de Deus e na derrota definitiva do &ldquo;homem inimigo&rdquo;. O mais que este consegue s&atilde;o danos colaterais.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. Nesta luta pela liberdade, e &eacute; preciso n&atilde;o esquecer que a liberdade resume e inclui tudo o que &eacute; humano. O homem precisa de ser salvo e esta salva&ccedil;&atilde;o reveste-se dos tra&ccedil;os de um drama. Deus n&atilde;o desiste, investe neste combate toda a sua for&ccedil;a, at&eacute; &agrave; ousadia de se tornar presente no meio de n&oacute;s como Homem, para O sentirmos lado a lado nesse combate. Pela sua Palavra revela o verdadeiro sentido da liberdade; pelo seu amor infinito, fortalece o homem para este poder obedecer &agrave; sua Palavra e escolher o verdadeiro sentido da liberdade. A obedi&ecirc;ncia da f&eacute; &eacute; o caminho, e este caminho &eacute; gra&ccedil;a, isto &eacute;, exerc&iacute;cio humano da liberdade com a for&ccedil;a do amor de Deus. A esta obedi&ecirc;ncia da f&eacute;, o &ldquo;inimigo&rdquo; contrap&otilde;e a autonomia da raz&atilde;o como &uacute;nica fonte de sentido e a ousadia de pensar que o homem pode percorrer o caminho da liberdade s&oacute; com as suas pr&oacute;prias for&ccedil;as.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria &eacute; saudada como a cheia de gra&ccedil;a, ela &eacute; a primeira mulher completamente livre, porque se abandona &agrave; Palavra do Senhor, na f&eacute;, e confia na for&ccedil;a do Seu amor. Santo Agostinho diz que Maria acreditou pela f&eacute; e, por isso, concebeu pela f&eacute;. &ldquo;Maria cumpriu perfeitamente a vontade do Pai e, por isso, Maria tem mais m&eacute;rito por ter sido disc&iacute;pula de Cristo do que por ter sido M&atilde;e de Cristo; mais ditosa &eacute; Maria por ter sido disc&iacute;pula de Cristo do que por ter sido M&atilde;e de Cristo&rdquo; (Santo Agostinho, Serm&otilde;es, Ser. 25, PL 46, 937-938). J&aacute; a sua parente Isabel a saudara assim: feliz &eacute;s tu porque acreditaste na Palavra que o Senhor te disse (cf. Lc. 1,45). Em Maria, a plenitude de gra&ccedil;a come&ccedil;a por ser a perfei&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, que aceita o caminho misterioso de Deus e se abandona ao amor.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maria &eacute;, assim, modelo de liberdade. Nela, a liberdade plenifica todas as capacidades da natureza. &Eacute; esposa e m&atilde;e. S&atilde;o Lucas faz quest&atilde;o de lembrar que o Anjo Gabriel &eacute; enviado a uma Virgem que era noiva de Jos&eacute;, e que ela conceber&aacute; no seu seio. Mas o princ&iacute;pio da fecundidade &eacute; o mesmo da santidade crist&atilde; daqueles que, em Cristo, se tornaram novas criaturas. Tamb&eacute;m o fruto do seu seio ser&aacute; obra do Esp&iacute;rito Santo. Esta &eacute; a grande novidade crist&atilde;: a obra da gra&ccedil;a n&atilde;o menosprezar&aacute; nenhuma capacidade da natureza, antes a elevar&aacute; &agrave; sua plenitude. &Eacute; por isso que em Maria, a cheia de gra&ccedil;a, que &eacute; esposa e m&atilde;e, se anuncia a Igreja toda; ela obra do Esp&iacute;rito Santo e plenitude da cria&ccedil;&atilde;o. Santo Agostinho, no Serm&atilde;o j&aacute; citado, afirma com ousada surpresa: &ldquo;Maria &eacute; Santa, Maria &eacute; Bem-Aventurada. Mas &eacute; mais importante a Igreja do que a Virgem Maria. Porqu&ecirc;? Porque Maria &eacute; uma parte da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas apesar disso membro do corpo total. Se &eacute; membro do corpo, &eacute; certamente mais o corpo do que o membro. A cabe&ccedil;a &eacute; o Senhor, e Cristo total &eacute; a cabe&ccedil;a e o corpo&rdquo; (Santo Agostinho, Serm&otilde;es, Ser. 25, PL 46, 937-938).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cristo e a Igreja s&atilde;o o caminho na longa marcha da liberdade. Os membros da Igreja, criaturas novas em Cristo, podem aprender com Maria a obedi&ecirc;ncia da f&eacute; e a abandonar-se ao amor de Cristo, que &eacute; o Esp&iacute;rito Santo. Do mesmo modo que, nessa aprendizagem da liberdade, precisa do amor dos seus irm&atilde;os, cada crist&atilde;o pode sempre contar com a ternura sol&iacute;cita de Maria, a cheia de gra&ccedil;a e M&atilde;e da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[231],"class_list":["post-42317","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-imaculada-conceicao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42317"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42317\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}