{"id":42308,"date":"2009-12-07T15:30:32","date_gmt":"2009-12-07T15:30:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/07\/a-justica-e-os-principios-humanistas\/"},"modified":"2009-12-07T15:30:32","modified_gmt":"2009-12-07T15:30:32","slug":"a-justica-e-os-principios-humanistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-justica-e-os-principios-humanistas\/","title":{"rendered":"A Justi\u00e7a e os princ\u00edpios humanistas"},"content":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Portalegre-Castelo Branco <!--more--> <\/p>\n<p>Num cartaz afixado ao p&uacute;blico, em alguns tribunais, podem ler-se os &laquo;Compromissos &eacute;ticos dos ju&iacute;zes portugueses&raquo;. De entre esses compromissos, h&aacute; um que diz: &ldquo;o exerc&iacute;cio do poder judicial, ao atribuir ao juiz um papel criador na interpreta&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o da lei, vincula-o aos valores da justi&ccedil;a e aos princ&iacute;pios humanistas da dignidade da pessoa humana e da igualdade.&rdquo;<strong> <\/strong><\/p>\n<p>Este compromisso distingue os <em>valores da justi&ccedil;a<\/em> dos <em>princ&iacute;pios humanistas da dignidade da pessoa humana<\/em> e, por isso, eles est&atilde;o ligados por uma conjun&ccedil;&atilde;o copulativa &acute;<em>e&acute;<\/em> que indica uma rela&ccedil;&atilde;o de soma ou adi&ccedil;&atilde;o. Dito de outra maneira: na interpreta&ccedil;&atilde;o e na aplica&ccedil;&atilde;o da lei, nem sempre os &ldquo;princ&iacute;pios humanistas da dignidade da pessoa humana&rdquo; est&atilde;o inclu&iacute;dos nos &ldquo;valores da justi&ccedil;a&rdquo;. E exemplos desta n&atilde;o inclus&atilde;o, infelizmente, sobejam. Assim, quando a justi&ccedil;a<\/p>\n<p>&#8211; consente nos julgamentos na pra&ccedil;a p&uacute;blica de nomes cujos detentores n&atilde;o foram, ainda, a julgamento judicial;<\/p>\n<p>&#8211; demora indefinidamente a tomada de decis&otilde;es judiciais, pondo em risco a idoneidade e a sobreviv&ecirc;ncia de pessoas e institui&ccedil;&otilde;es;<\/p>\n<p>&#8211; sobrep&otilde;e a aplica&ccedil;&atilde;o escrupulosa da lei &agrave; pessoa, nas suas envolv&ecirc;ncias afectivas mais profundas, principalmente, se esta &eacute; crian&ccedil;a, pobre ou fraca,<\/p>\n<p>ent&atilde;o a considera&ccedil;&atilde;o pelos tais princ&iacute;pios humanistas da dignidade da pessoa humana quase que n&atilde;o existe.<\/p>\n<p>At&eacute; mesmo nos pequenos, mas significativos detalhes, como o de obrigar as testemunhas a esperarem, num tempo que se vai adiando, para serem ouvidas, se pode aquilatar da aten&ccedil;&atilde;o que &eacute; dada aos tais princ&iacute;pios humanistas.<\/p>\n<p>Quando a aplica&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a n&atilde;o &eacute; oportuna e subvaloriza a dignidade humana, n&atilde;o contribui para o estabelecimento da paz. A justi&ccedil;a traz em si o g&eacute;rmen da paz, assim como a paz proporciona a exist&ecirc;ncia da justi&ccedil;a. Ora, o desenvolvimento das sociedades humanas assenta nos pilares da justi&ccedil;a e da paz. E isto &eacute; bem evidente quando est&aacute; em causa a exist&ecirc;ncia de uma justi&ccedil;a social que &eacute; incompat&iacute;vel com as grandes desigualdades. Mas n&atilde;o deixa, tamb&eacute;m, de ser aplic&aacute;vel aquela afirma&ccedil;&atilde;o &agrave;s realidades do nosso quotidiano em que as injusti&ccedil;as, resultantes dos conflitos interpessoais ou interinstitucionais, n&atilde;o conseguindo ser reparadas pelo poder judicial, v&atilde;o fomentando uma sociedade mais agressiva. Este poder, quantas vezes, mais preocupado com a aplica&ccedil;&atilde;o cega da lei, que os olhos vendados do seu s&iacute;mbolo t&atilde;o bem o ilustram, mal presta aten&ccedil;&atilde;o &agrave;queles detalhes de humanidade que s&atilde;o, afinal, os <em>princ&iacute;pios humanistas da dignidade da pessoa humana,<\/em> que o compromisso atr&aacute;s refere.<\/p>\n<p>&ldquo;A paz &eacute; fruto da justi&ccedil;a&rdquo;, diz-se em Isa&iacute;as (32,17). &ldquo;Para prevenir conflitos e viol&ecirc;ncias, &eacute; absolutamente necess&aacute;rio que a paz comece a ser vivida como valor profundo no &iacute;ntimo de cada pessoa: s&oacute; assim pode estender-se &agrave;s fam&iacute;lias e &agrave;s diversas formas de agrega&ccedil;&atilde;o social, at&eacute; envolver toda a comunidade pol&iacute;tica&rdquo; (1). De igual modo, se poderia dizer da justi&ccedil;a: &eacute; preciso que ela comece a ser vivida no &iacute;ntimo de cada um e que possa envolver todo o tecido social para que, verdadeiramente, se constitua como um aut&ecirc;ntico factor impulsionador da paz. Se assim for, talvez, aquela conjun&ccedil;&atilde;o &acute;<em>e&acute;<\/em>, referida inicialmente, deixe de ter cabimento, passando os valores da justi&ccedil;a a inclu&iacute;rem os princ&iacute;pios humanistas da dignidade da pessoa humana, de que fala o compromisso dos ju&iacute;zes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>NOTA:<\/p>\n<p>1 &#8211; Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja, n&ordm;495<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,179],"class_list":["post-42308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}