{"id":422298,"date":"2026-04-25T09:03:51","date_gmt":"2026-04-25T08:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=422298"},"modified":"2026-04-28T10:56:39","modified_gmt":"2026-04-28T09:56:39","slug":"somos-livres-somos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/somos-livres-somos\/","title":{"rendered":"Somos livres\u2026 Somos?"},"content":{"rendered":"<p><em>Henrique Matos, Ag\u00eancia ECCLESIA<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_263905\" aria-describedby=\"caption-attachment-263905\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-263905\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/henrique-matos2022a.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-263905\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste 52\u00ba anivers\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o de abril, que tradicionalmente festeja a liberdade conquistada aos que a entendiam como um devaneio perigoso, recordo Ermelinda Duarte.<\/p>\n<p>Naqueles dias, no embalo da revolu\u00e7\u00e3o, entoava-se uma m\u00fasica cujas duas primeiras estrofes poucos recordam e cujo registo de marca revolucion\u00e1ria abria depois, com os arranjos de Jos\u00e9 Cid, para uma melodia que ficava no ouvido. A men\u00e7\u00e3o a uma gaivota que voava, voava\u2026 ajuda a identificar ao que me refiro por\u00e9m, aquela que todos recordam como a m\u00fasica da gaivota, tem por t\u00edtulo \u201cSomos livres\u201d.<\/p>\n<p>A express\u00e3o, apresentava-se naquele momento como uma evid\u00eancia que traduzia a nova realidade dos portugueses depois de d\u00e9cadas de controlo pol\u00edtico hegem\u00f3nico. A ousadia e o risco que alguns correram para usufruto de todos, n\u00e3o podem ser ignorados e essa atitude, deve permanecer como valor a revisitar.<\/p>\n<p>Se a ditadura foi longa, o per\u00edodo da liberdade j\u00e1 a supera em anos, 48 contra 52. Na evoca\u00e7\u00e3o anual de abril, temo que nos fechemos em demasia na evoca\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e menos no questionar se somos hoje fi\u00e9is ao legado recebido. Se porventura n\u00e3o temos vindo a desbaratar este bem, pelo facto de o considerarmos garantido e evidente.<\/p>\n<p>Sendo a liberdade, ingrediente obrigat\u00f3rio da democracia, sendo esta \u00faltima uma conquista civilizacional, talvez valha a pena perguntar porque crescem hoje movimentos que a questionam sugerindo solu\u00e7\u00f5es simplistas e imediatas para problemas complexos?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a democracia se descuidou? Que a liberdade afinal \u00e9 limitada sempre que as necessidades elementares de cada um n\u00e3o s\u00e3o asseguradas? Quando o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, ao trabalho digno, a uma vida previs\u00edvel e com oportunidades, continua uma fic\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Em Portugal, 52 anos depois do Abril da liberdade, 9 em cada 100 trabalhadores s\u00e3o considerados &#8220;pobres&#8221;, totalizando quase meio milh\u00e3o de pessoas que, apesar de terem emprego, n\u00e3o superam o limiar da pobreza.<\/p>\n<p>Esta circunst\u00e2ncia, gera os desiludidos da liberdade e os descontentes da democracia,\u00a0 acendendo neles, quanto mais n\u00e3o seja, o benef\u00edcio da d\u00favida perante as promessas populistas. A dist\u00e2ncia temporal que apaga a mem\u00f3ria, faz o resto do trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 proibido proibir, gritava-se em 68 em Paris, apregoando uma liberdade id\u00edlica onde qualquer limite lembrava censura e regresso ao passado. Anos antes, em 1945, na obra A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos, Karl Poper formulava o paradoxo da toler\u00e2ncia, defendendo que a toler\u00e2ncia ilimitada leva ao desaparecimento da toler\u00e2ncia. Se a sociedade tolerar os intolerantes sem restri\u00e7\u00f5es, os tolerantes ser\u00e3o destru\u00eddos e a toler\u00e2ncia com eles.<\/p>\n<p>Isto para lembrar que a liberdade tem custos e \u00e9 exigente, \u00e9 um direito cheio de deveres. E a democracia n\u00e3o pode ser apenas uma apar\u00eancia e um chav\u00e3o a servir apenas um pequeno grupo. Deve ser uma mesa grande onde todos t\u00eam lugar, no usufruto e na contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Importa a mem\u00f3ria, mas \u00e9 fundamental o seu confronto com o presente. Lembrar a liberdade \u00e9 tamb\u00e9m ter consci\u00eancia das bolhas digitais que nos dividem e aprisionam, dos algoritmos que alimentamos com devo\u00e7\u00e3o mas que nos roubam a identidade, daqueles que n\u00e3o se mostram, mas que edificam um sistema de controlo implac\u00e1vel capaz de fazer corar ditadores de outros tempos.<\/p>\n<p><em>Somos um povo que cerra fileiras<br \/>\n<\/em><em>Parte \u00e0 conquista do p\u00e3<\/em><em>o e da paz<br \/>\n<\/em><em>Somos livres, somos livres<br \/>\n<\/em><em>N\u00e3o voltaremos atr\u00e1s<\/em><\/p>\n<p>A estrofe de Ermelinda Duarte, apela a que fa\u00e7amos por isso sabendo que, como h\u00e1 52 anos, nada se conquista sem ousadia e sem risco.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henrique Matos, Ag\u00eancia ECCLESIA<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":263905,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center 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