{"id":42202,"date":"2009-12-02T11:15:39","date_gmt":"2009-12-02T11:15:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/02\/o-magisterio-de-bento-xvi-sobre-a-ecologia\/"},"modified":"2009-12-02T11:15:39","modified_gmt":"2009-12-02T11:15:39","slug":"o-magisterio-de-bento-xvi-sobre-a-ecologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-magisterio-de-bento-xvi-sobre-a-ecologia\/","title":{"rendered":"O magist\u00e9rio de Bento XVI sobre a ecologia"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Duarte da Cunha, secret\u00e1rio-geral do Conselho das Confer\u00eancias Episcopais da Europa <!--more--> <\/p>\n<p>Na Cimeira de Copenhaga, v&aacute;rios chefes de Estados v&atilde;o encontrar-se para tentar redigir um acordo que ajude a fazer frente &agrave;s chamadas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. A enc&iacute;clica do Papa Bento XVI, <em>Caritas in Veritate<\/em>, diz-nos quais s&atilde;o os principais temas que a Igreja deve ter em conta, sem entrar directamente na discuss&atilde;o sobre o aquecimento global e sobre uma hipot&eacute;tica influ&ecirc;ncia humana no clima.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, Bento XVI recorda que toda a cria&ccedil;&atilde;o vem de Deus e deve ser administrada e desenvolvida e n&atilde;o abusada e destru&iacute;da. Esta quest&atilde;o &eacute; teol&oacute;gica: porque se negamos que Deus &eacute; o Criador dizemos que tudo vem do acaso e nesse caso &eacute; dif&iacute;cil perceber o que o homem deve fazer. &ldquo;Quando a natureza, a come&ccedil;ar pelo ser humano, &eacute; considerada como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo, a no&ccedil;&atilde;o da referida responsabilidade debilita-se nas consci&ecirc;ncias.&rdquo; (n.48)<\/p>\n<p>Outro aspecto fundamental e que se liga imediatamente a este &eacute; que nunca se pode falar da natureza como se esta fosse inimiga do ser humano. &Eacute; por isso que o cuidado pela vida humana deve ser a primeira preocupa&ccedil;&atilde;o a ter presente quando se fala de ambiente. Diz o santo Padre: &ldquo;<em>A Igreja sente o seu peso de responsabilidade pela cria&ccedil;&atilde;o <\/em>e deve fazer valer esta responsabilidade tamb&eacute;m em p&uacute;blico. Ao faz&ecirc;-lo, n&atilde;o tem apenas de defender a terra, a &aacute;gua e o ar como dons da cria&ccedil;&atilde;o que pertencem a todos, mas deve sobretudo proteger o homem da destrui&ccedil;&atilde;o de si mesmo. Requer-se uma esp&eacute;cie de ecologia do homem (&hellip;). De facto, a degrada&ccedil;&atilde;o da natureza est&aacute; estreitamente ligada &agrave; cultura que molda a conviv&ecirc;ncia humana: <em>quando a &laquo;ecologia humana&raquo;<\/em> <em>&eacute; respeitada dentro da sociedade, beneficia tamb&eacute;m a ecologia ambiental<\/em>.&rdquo; (n.51)<\/p>\n<p>Tudo isto levanta a quest&atilde;o que tem sido um ponto de insist&ecirc;ncia de todo o magist&eacute;rio Papal que &eacute; a da &ldquo;solidez moral da sociedade&rdquo;. &ldquo;Se n&atilde;o &eacute; respeitado o direito &agrave; vida e &agrave; morte natural, se se tornam artificiais a concep&ccedil;&atilde;o, a gesta&ccedil;&atilde;o e o nascimento do homem, se s&atilde;o sacrificados embri&otilde;es humanos na pesquisa, a consci&ecirc;ncia comum acaba por perder o conceito de ecologia humana e, com ele, o de ecologia ambiental. &Eacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o pedir &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es o respeito do ambiente natural, quando a educa&ccedil;&atilde;o e as leis n&atilde;o as ajudam a respeitar-se a si mesmas.&rdquo; (n.51)<\/p>\n<p>Na perspectiva do cuidado pela verdade da pessoa e tendo presente cada pessoa e todas as pessoas, o desenvolvimento aparece como uma voca&ccedil;&atilde;o que deve ser submetido &agrave; regra da caridade, pela qual somos levados a pensar nos mais pobres e nas pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es. (cf. n. 49)<\/p>\n<p>Isto liga-se ao que o Papa pretende quando diz que &ldquo;&eacute; necess&aacute;ria uma real mudan&ccedil;a de mentalidade que nos induza a adoptar <em>novos estilos de vida<\/em>.&rdquo;(n. 51). Usando esta express&atilde;o muito em voga entre os crist&atilde;os que falam de ambiente, o Papa, que &eacute; t&atilde;o contr&aacute;rio ao endeusamento do progresso tecnol&oacute;gico como &agrave; ideia de que o desenvolvimento &eacute; um mal, defende um desenvolvimento que tenha em conta a pessoa humana na sua integralidade.<\/p>\n<p>Contrariando as teses de influ&ecirc;ncia malthusiana, que algumas ag&ecirc;ncias da ONU t&ecirc;m expresso, o Papa lembra que &ldquo;H&aacute; espa&ccedil;o para todos nesta nossa terra&rdquo;(n.50). E mostra-se mesmo preocupado que muitos digam que &eacute; preciso reduzir a popula&ccedil;&atilde;o por causa dum poss&iacute;vel aquecimento global. &ldquo;<em>A abertura moralmente respons&aacute;vel &agrave; vida &eacute; uma riqueza social e econ&oacute;mica<\/em>. (&hellip;) A diminui&ccedil;&atilde;o dos nascimentos, situando-se por vezes abaixo do chamado &laquo;&iacute;ndice de substitui&ccedil;&atilde;o&raquo;, p&otilde;e em crise tamb&eacute;m os sistemas de assist&ecirc;ncia social, aumenta os seus custos, contrai a acumula&ccedil;&atilde;o de poupan&ccedil;as e, consequentemente, os recursos financeiros necess&aacute;rios para os investimentos, reduz a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de trabalhadores qualificados, restringe a reserva aonde ir buscar os &laquo;c&eacute;rebros&raquo; para as necessidades da na&ccedil;&atilde;o.&rdquo; (n.44)<\/p>\n<p>Que se pode esperar e desejar da Cimeira de Copenhaga? No dia 24 de Setembro, em Nova Iorque, houve uma reuni&atilde;o de alguns respons&aacute;veis internacionais sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas aos quais o papa dirigiu uma mensagem que resume quanto dissera na Enc&iacute;clica a prop&oacute;sito do papel dos governos. Lembra que &eacute; preciso ser verdadeiro e transparente quanto uso e ao custo das energias e dos recursos naturais, lembra que se deve ser solid&aacute;rio e n&atilde;o exigir o mesmo a todos, porque nem todos t&ecirc;m as mesmas capacidades nem as mesmas responsabilidades, e lembra que &eacute; preciso ajudar as zonas mais desfavorecidas. Por fim, lembra que &ldquo;podemos ter um desenvolvimento humano integral e ben&eacute;fico para todos os povos, presente e futuro, um desenvolvimento inspirado pelos valores da caridade na verdade se estivermos juntos.&rdquo; (Videomensagem de 24 de Setembro 2009). Sem nunca entrar em &aacute;reas onde pol&iacute;tica, economia, ideologia, ci&ecirc;ncia se confundem, o Papa fala da responsabilidade pela natureza e alerta para a necessidade de sermos solid&aacute;rios.<\/p>\n<p>Podemos concluir dizendo que tudo isto, que &eacute; algo v&aacute;lido para todos, obriga especialmente quantos acreditam que Deus &eacute; o Criador e que sabem que os homens devem cuidar dos dons de Deus tendo presente o bem de todos os seres humanos. A Igreja na Europa, juntamente com todos os crist&atilde;os europeus, sabe que tem uma responsabilidade nesta quest&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; uma aten&ccedil;&atilde;o muito viva por parte de v&aacute;rios bispos e grupos crist&atilde;os. Mas &eacute; importante nunca perder de vista o que o Papa ensina para n&atilde;o cairmos, como infelizmente alguns t&ecirc;m ca&iacute;do, na tenta&ccedil;&atilde;o de reduzir o contributo dos crist&atilde;os a um moralismo do politicamente correcto que ataca o progresso.<\/p>\n<p>A Igreja deve ser muito prudente e n&atilde;o alinhar com teses cient&iacute;ficas de aquecimento ou de arrefecimento porque s&atilde;o areias movedi&ccedil;as onde se jogam muitos interesses. E sobretudo a Igreja nunca pode deixar que um mal possa ter como solu&ccedil;&atilde;o outro mal, ou seja, nunca pode deixar que se conclua que a solu&ccedil;&atilde;o para problemas ambientais seja a diminui&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada da popula&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o grandes desafios. Damos gra&ccedil;as a Deus pelo Papa que nos orienta.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Pe. Duarte da Cunha, secret&aacute;rio-geral do Conselho das Confer&ecirc;ncias Episcopais da Europa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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