{"id":42201,"date":"2009-12-02T11:14:28","date_gmt":"2009-12-02T11:14:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/02\/protocolos-e-comportamentos-ecologicos\/"},"modified":"2009-12-02T11:14:28","modified_gmt":"2009-12-02T11:14:28","slug":"protocolos-e-comportamentos-ecologicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/protocolos-e-comportamentos-ecologicos\/","title":{"rendered":"Protocolos e comportamentos ecol\u00f3gicos"},"content":{"rendered":"<p>Maria Gl\u00f3ria Garcia <!--more--> <\/p>\n<p>Sob a &eacute;gide das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ir&aacute; ter lugar, na Dinamarca, em Copenhaga, de 7 a 18 de Dezembro, a confer&ecirc;ncia internacional sobre altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas da qual muito se espera.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m de mais de uma centena e meia de chefes de Estado e de Governo, Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, ir&aacute; estar presente, o mesmo acontecendo com o Primeiro Ministro da China, Wen Jiabao. Ambos anunciaram o seu empenhamento na diminui&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de g&aacute;s carb&oacute;nico e apontaram metas ambiciosas para 2020. Pressente-se, por isso, um bom esp&iacute;rito de entendimento entre os representantes pol&iacute;ticos e, bem assim, entre a sociedade civil, presente na confer&ecirc;ncia atrav&eacute;s das Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o-Governamentais (ONGS) que nela participam. H&aacute; a percep&ccedil;&atilde;o generalizada de que n&atilde;o h&aacute; tempo a perder e se imp&otilde;e reduzir a intensidade com que os desastres naturais causados pelas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas se fazem sentir, em especial, nos pa&iacute;ses pobres, acentuando a sua j&aacute; tradicional assimetria relativamente aos pa&iacute;ses industrializados e, ainda, se imp&otilde;e introduzir nas decis&otilde;es pol&iacute;ticas actuais a sustentabilidade de um desenvolvimento humano com dignidade, para que as gera&ccedil;&otilde;es futuras n&atilde;o sofram com as consequ&ecirc;ncias negativas dos nossos exageros consumistas.<\/p>\n<p>Mas as quest&otilde;es subjacentes &agrave; confer&ecirc;ncia, para as quais se buscam solu&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis de resolver. E, por isso, n&atilde;o se pode esperar que as solu&ccedil;&otilde;es resultem, como um golpe de m&aacute;gica, de uns breves dias de conversa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>H&aacute; mais de trinta anos, em 1972, na Confer&ecirc;ncia de Estocolmo, a cria&ccedil;&atilde;o do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente ligou a protec&ccedil;&atilde;o do meio ambiente ao aquecimento global e, em 1992, foi aprovada, na sequ&ecirc;ncia da Confer&ecirc;ncia do Rio de Janeiro, a Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Altera&ccedil;&atilde;o Clim&aacute;tica. Cinco anos mais tarde, em 1997, o Protocolo de Quioto traduziu o comprometimento, para os pa&iacute;ses que o assinaram, na redu&ccedil;&atilde;o em 0,5 das emiss&otilde;es, entre 2008 e 2012, em rela&ccedil;&atilde;o a 1990. E, em Bali, na&nbsp; Indon&eacute;sia, em 2007, acordou-se na necessidade de tra&ccedil;ar um caminho a percorrer conjuntamente pelos Estados.<\/p>\n<p>Sabe-se hoje que os Estados Unidos da Am&eacute;rica s&atilde;o o maior respons&aacute;vel, individualmente, pelo volume de concentra&ccedil;&atilde;o de CO2 na atmosfera e que a China &eacute;, globalmente, o maior emissor de gases com efeito de estufa e ainda que ambos os Estados est&atilde;o politicamente abertos &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es. E sabe-se que, em geral, os pa&iacute;ses industrializados t&ecirc;m uma responsabilidade acrescida no desenvolvimento de pol&iacute;ticas de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es.<\/p>\n<p>Sabe-se, tamb&eacute;m, que o aquecimento global resulta, em grande medida, das op&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas e das escolhas na &aacute;rea dos transportes, particularmente as que respeitam ao tipo de transportes que se utilizam; resulta das tecnologias e metodologias de trabalho usadas no sector industrial e das estrat&eacute;gias acordadas para o desenvolvimento das cidades, bem como das solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios; resulta da defini&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de pol&iacute;ticas florestais e de pol&iacute;ticas agr&aacute;rias, do tratamento de res&iacute;duos, das alternativas abertas pelos agro-combust&iacute;veis&#8230; E a pergunta surge, pertinente: at&eacute; onde est&atilde;o os Estados politicamente dispon&iacute;veis, ou melhor, at&eacute; onde est&atilde;o as respectivas comunidades, estamos todos n&oacute;s, enfim, dispostos a alterar os nossos comportamentos e a adequ&aacute;-los &agrave; nova realidade, nos diferentes sectores em que a nossa vida se projecta, isto &eacute;, na escolha dos ve&iacute;culos que nos transportam, dos materiais que consumimos, dos divertimentos que preenchem os nossos lazeres, da energia que usamos&#8230;?<\/p>\n<p>Acresce que a crise econ&oacute;mica e financeira mundial que estamos a viver, e que as mais recentes informa&ccedil;&otilde;es chegadas do Dubai acentuam, tornam as respostas &agrave; quest&atilde;o clim&aacute;tica ainda mais dif&iacute;ceis, j&aacute; que investir em novas e sofisticadas tecnologias de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de CO2, experimentar fontes de energia alternativas, criar m&eacute;todos mais eficientes de produ&ccedil;&atilde;o, pensar inovadoramente e desenvolver t&eacute;cnicas ambientalmente sustent&aacute;veis&#8230; tem custos elevados e implica transferir verbas de &aacute;reas socialmente carenciadas ou de grande sensibilidade e fragilidade econ&oacute;mica para o investimento na redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de g&aacute;s carb&oacute;nico. Quem ou como ir&atilde;o ser financiadas as actividades conducentes &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es? E mais. Quem ir&aacute; gerir e como dever&aacute; ser gerido esse financiamento? A que tipo de controlos dever&aacute; estar sujeita a gest&atilde;o do financiamento e, bem assim, a efici&ecirc;ncia das ac&ccedil;&otilde;es financiadas?<\/p>\n<p>E se os estudos econ&oacute;micos nos mostram que, em rela&ccedil;&atilde;o aos bens p&uacute;blicos ou bens de todos, como indiscutivelmente o bem ambiente &eacute;, facilmente se introduz o fen&oacute;meno do <em>&laquo;ir &agrave; boleia&raquo;<\/em>, isto &eacute;, o esfor&ccedil;o de uns perante a in&eacute;rcia de outros n&atilde;o impede estes &uacute;ltimos do gozo dos benef&iacute;cios obtidos pelos primeiros, o que incentiva <em>&laquo;ir &agrave; boleia&raquo;<\/em> e desestimula o esfor&ccedil;o, &eacute; importante contrariar o referido fen&oacute;meno, em si mesmo portador de injusti&ccedil;a. A garantia de uniformidade de comportamentos, ou de comportamentos diferenciados em raz&atilde;o de crit&eacute;rios determinados pelas circunst&acirc;ncias, &eacute; dada pelo direito. Por isso t&atilde;o importante se torna fixar princ&iacute;pios jur&iacute;dicos que a todos respeitem, o que a Confer&ecirc;ncia de Copenhaga se encontra em situa&ccedil;&atilde;o &oacute;ptima para consensualizar (do princ&iacute;pio da precau&ccedil;&atilde;o ao princ&iacute;pio da solidariedade intra- e intergeracional, do princ&iacute;pio da preven&ccedil;&atilde;o ao princ&iacute;pio da sustentabilidade do desenvolvimento humano com dignidade, do princ&iacute;pio dos objectivos comuns com responsabilidades diferenciadas ao princ&iacute;pio que imp&otilde;e uma fundamenta&ccedil;&atilde;o ambiental para todas as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas&#8230;), vertendo-os depois os Estados em normas culturalmente ajustadas que todos devem cumprir.<\/p>\n<p>A internacionaliza&ccedil;&atilde;o do direito, para que o s&eacute;culo XX tende e de que ser&atilde;o exemplo, os documentos jur&iacute;dicos que v&atilde;o ser assinados pelos Estados que participam nesta Confer&ecirc;ncia, s&oacute; com a densifica&ccedil;&atilde;o normativa, empreendida ao n&iacute;vel dos Estados, poder&aacute; criar ondas de confian&ccedil;a nas diferentes formas de ac&ccedil;&atilde;o, p&uacute;blica e privada, fundadas na justi&ccedil;a intra- e intergeracional que as justifica e modela.<\/p>\n<p>Em suma, por melhor sucedida que a Confer&ecirc;ncia de Copenhaga venha a ser, e n&atilde;o s&atilde;o poucos nem f&aacute;ceis os problemas que ter&aacute; de resolver, n&atilde;o produz, sozinha, a magia da mudan&ccedil;a que as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas exigem. Para que tal aconte&ccedil;a &eacute; preciso garantir os princ&iacute;pios politicamente acordados, realizar generalizadamente o direito, a n&iacute;vel estadual e comunit&aacute;rio, a fim de incorporar o futuro na ac&ccedil;&atilde;o quotidiana, localmente situada, e estar atento aos pormenores trazidos pela evolu&ccedil;&atilde;o, para que possa, permanentemente, ser assegurada a justi&ccedil;a presente na sustentabilidade do desenvolvimento humano com dignidade para que todos somos convocados.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Maria Gl&oacute;ria Garcia, Prof. UCP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Gl\u00f3ria Garcia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[256,314,321],"class_list":["post-42201","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-meio-ambiente","tag-solidariedade","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42201\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}