{"id":42199,"date":"2009-12-02T11:06:02","date_gmt":"2009-12-02T11:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/12\/02\/em-defesa-do-melhor-do-mundo\/"},"modified":"2009-12-02T11:06:02","modified_gmt":"2009-12-02T11:06:02","slug":"em-defesa-do-melhor-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/em-defesa-do-melhor-do-mundo\/","title":{"rendered":"Em defesa do melhor do mundo"},"content":{"rendered":"<p>A<strong> Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a<\/strong>,<strong> <\/strong>adoptada pela Assembleia Geral nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas<strong> <\/strong>em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal<strong> <\/strong>em 21 de Setembro de 1990, celebrou recentemente vinte anos. Vem na senda de uma multiplicidade de documentos redigidos desde 1924 que iniciaram um caminho de reflex&atilde;o pol&iacute;tica sobre a necessidade de facultar &agrave;s crian&ccedil;as de todo o mundo &ndash; e &agrave;s fam&iacute;lias onde estas nascem e, preferencialmente, deveriam crescer e educar-se &ndash; sobreviv&ecirc;ncia, condi&ccedil;&otilde;es para um bom desenvolvimento f&iacute;sico, psicol&oacute;gico e social, assim como o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o que far&aacute; delas cidad&atilde;s de pleno direito, conscientes, activas e capazes de levar o desenvolvimento econ&oacute;mico e pol&iacute;tico a todas as partes do mundo, isto &eacute;, as condi&ccedil;&otilde;es para que cada ser humano possa nascer, crescer e morrer com dignidade. Tratando-se de uma Conven&ccedil;&atilde;o os Estados Partes comprometem-se a respeitar e a garantir os direitos previstos relativamente a todas as crian&ccedil;as que se encontrem sujeitas &agrave; sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, tomando as medidas adequadas para que &ldquo;a crian&ccedil;a seja efectivamente protegida contra todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o ou de san&ccedil;&atilde;o decorrentes da situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, de actividades, opini&otilde;es expressas ou convic&ccedil;&otilde;es de seus pais, representantes legais ou outros membros da sua fam&iacute;lia.&rdquo;Assim, os Estados signat&aacute;rios comprometem-se, segundo o interesse superior da crian&ccedil;a, com a obriga&ccedil;&atilde;o de garantir e manter as condi&ccedil;&otilde;es legais e materiais que protejam o direito ao nome e nacionalidade, as condi&ccedil;&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento das suas capacidades, respeitando os direitos e as responsabilidades dos pais e da fam&iacute;lia alargada, com os quais tem o direito de viver a menos que tal seja considerado incompat&iacute;vel com o seu interesse superior. &ldquo;Cabe aos pais a principal responsabilidade comum de educar a crian&ccedil;a, e o Estado deve ajud&aacute;-los a exercer esta responsabilidade.&rdquo;<\/p>\n<p>&Eacute; reconhecido a cada crian&ccedil;a o direito efectivo &agrave; protec&ccedil;&atilde;o da identidade e da vida privada, &agrave; reunifica&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, &agrave; protec&ccedil;&atilde;o contra desloca&ccedil;&otilde;es e reten&ccedil;&otilde;es il&iacute;citas, contra os maus tratos e a neglig&ecirc;ncia, o trabalho explorador e a viol&ecirc;ncia, nomeadamente ac&ccedil;&otilde;es de natureza b&eacute;lica, ao consumo e tr&aacute;fico de drogas, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual, venda, tr&aacute;fico e rapto, tortura e priva&ccedil;&atilde;o de liberdade. &Eacute; igualmente declarado que a crian&ccedil;a tem direito a uma opini&atilde;o reconhecida, &agrave; liberdade de express&atilde;o, de associa&ccedil;&atilde;o, de acesso a informa&ccedil;&atilde;o apropriada e &agrave; responsabilidade assumida pelos pais quanto &agrave; sua vida, sustento e educa&ccedil;&atilde;o, assim como ao lazer, &agrave;s actividades recreativas e &agrave; cultura. De entre todos os fr&aacute;geis, merecem uma protec&ccedil;&atilde;o especial a crian&ccedil;a privada de ambiente familiar, a crian&ccedil;a refugiada, a crian&ccedil;a doente ou deficiente, a crian&ccedil;a oriunda de grupos minorit&aacute;rios e de popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas. Finalmente, a crian&ccedil;a tem direito a uma administra&ccedil;&atilde;o adequada da justi&ccedil;a, nomeadamente no que diz respeito &agrave; administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a de menores e &ldquo;tem direito a um n&iacute;vel de vida adequado ao seu desenvolvimento f&iacute;sico, mental, espiritual, moral e social.&rdquo;<\/p>\n<p>Vinte anos, que s&atilde;o tanto tempo depois, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o recordar as palavras de Pessoa, que compreendeu, antes das Declara&ccedil;&otilde;es e das Conven&ccedil;&otilde;es que &ldquo;Grande &eacute; a poesia, a bondade e as dan&ccedil;as&hellip; Mas <strong>o melhor do mundo s&atilde;o as crian&ccedil;as<\/strong>&rdquo;, mais relevante do que &ldquo; Flores, m&uacute;sica, o luar, e o sol, que peca, S&oacute; quando, em vez de criar, seca.&rdquo; E, neste anivers&aacute;rio que celebramos, j&aacute;, em tempo de Advento, esperando a oportunidade que Deus nos d&aacute; de renascer, cada ano, num cora&ccedil;&atilde;o novo, bom e justo, alegre e &iacute;ntegro, como o das crian&ccedil;as, &eacute; tamb&eacute;m Pessoa que nos chama a re-pensar o essencial, com a novidade que comporta deixar-se abrir &agrave; beleza, ao bem e &agrave; justi&ccedil;a: as conven&ccedil;&otilde;es e as declara&ccedil;&otilde;es nunca deixar&atilde;o de ser &ldquo;pap&eacute;is pintados com tinta&rdquo; e estud&aacute;-las nunca passar&aacute; de ser &ldquo;uma coisa em que est&aacute; indistinta A distin&ccedil;&atilde;o entre nada e coisa nenhuma&rdquo; se o apelo dram&aacute;tico que representa a pior situa&ccedil;&atilde;o social de sempre em que vivem as crian&ccedil;as de hoje n&atilde;o nos despertar para uma consci&ecirc;ncia activa e s&atilde; e n&atilde;o nos obrigar a n&iacute;veis exigentes de compromisso efectivo. Sigamos o melhor exemplo, em casa e no trabalho, na sociedade e na Igreja: &ldquo;O mais do que isto &Eacute; Jesus Cristo, Que n&atilde;o sabia nada de finan&ccedil;as Nem consta que tivesse biblioteca&#8230;&rdquo; Como Cristo mostrou, &eacute; das crian&ccedil;as o Reino dos C&eacute;us apenas porque sabem amar sem limites. Para este Advento, votos de que essa crian&ccedil;a regresse a cada um de n&oacute;s, por um mundo melhor, onde todos os pequeninos possam viver a inf&acirc;ncia que teimamos em subtrair-lhes, quer pela pobreza sem alimento nem abrigo, quer pela riqueza sem princ&iacute;pios nem valores.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Cristina S&aacute; Carvalho<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a, adoptada pela Assembleia Geral nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas em 20 de Novembro de 1989 e ratificada por Portugal em 21 de Setembro de 1990, celebrou recentemente vinte anos. 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