{"id":421872,"date":"2026-04-24T09:59:31","date_gmt":"2026-04-24T08:59:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=421872"},"modified":"2026-04-27T12:29:55","modified_gmt":"2026-04-27T11:29:55","slug":"lusofonias-papa-leao-abraca-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-papa-leao-abraca-africa\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Papa Le\u00e3o abra\u00e7a \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_421873\" aria-describedby=\"caption-attachment-421873\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-421873 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/leoa-xvi-angola-david-mieiro.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-421873\" class=\"wp-caption-text\">Foto: David Mieiro<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Papa Le\u00e3o entrou em \u00c1frica por quatro portas lingu\u00edsticas diferentes: a Arg\u00e9lia, onde o franc\u00eas \u00e9 l\u00edngua oficial; os Camar\u00f5es, pa\u00eds bilingue, pois ali se fala franc\u00eas e ingl\u00eas; Angola, de l\u00edngua oficial portuguesa; a Guin\u00e9 Equatorial, \u00fanico pa\u00eds africano que fala espanhol.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou por fazer uma visita \u00e0s suas ra\u00edzes de agostiniano: esteve na Arg\u00e9lia, onde S. Agostinho nasceu e foi Bispo. A ida a Annaba \u00a0(antiga Hipona) foi um beber na fonte, com a emo\u00e7\u00e3o que os media mostraram ao mundo. Neste pa\u00eds mu\u00e7ulmano, onde a Igreja \u00e9 uma comunidade muito pequena, o Papa apostou no di\u00e1logo inter religioso.<\/p>\n<p>Os Camar\u00f5es s\u00e3o maioritariamente crist\u00e3os, mas t\u00eam tido graves problemas de viol\u00eancia, sobretudo entre os franc\u00f3fonos e os angl\u00f3fonos. Tamb\u00e9m t\u00eam sido graves os ataques do Boko Haram no extremo norte do pa\u00eds. Neste contexto, o Papa Le\u00e3o apelou \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 paz e ao di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Sousa Jamba, num texto a que deu o t\u00edtulo de \u2018o \u00f3pio cat\u00f3lico\u2019, falou do impacto da visita do Papa a Bamenda, nos Camar\u00f5es angl\u00f3fonos: \u2018Essa gente, precisamente essa gente, n\u00e3o chorava de entorpecimento. Chorava de reconhecimento. Era essa a diferen\u00e7a que Marx n\u00e3o calculou: a diferen\u00e7a entre o \u00f3pio que adormece e a palavra que, por um instante, faz algu\u00e9m sentir que existe; que a sua vida n\u00e3o \u00e9 descart\u00e1vel; que a sua dignidade n\u00e3o \u00e9 um favor, mas mat\u00e9ria sagrada. N\u00e3o porque o Papa resolvesse a guerra, nem anulasse a marginaliza\u00e7\u00e3o angl\u00f3fona, nem expulsasse, num s\u00f3 gesto, os predadores externos que olham para \u00c1frica como quem olha para uma pedreira sem gente, mas porque, num mundo que tantas vezes lhes fala por cima, ele lhes falou como se estivessem no centro. Em lugares habituados a ser usados, explorados ou esquecidos, isso n\u00e3o \u00e9 pouco. \u00c9 uma forma de amparo. \u00c9 uma restitui\u00e7\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>Angola foi a terceira etapa desta primeira viagem de Le\u00e3o XIV a \u00c1frica. Os esperados banhos de multid\u00f5es felizes n\u00e3o esconderam as palavras cir\u00fargicas do Papa a pedir mais compromisso de todos para que o pa\u00eds seja um espa\u00e7o de justi\u00e7a, paz e reconcilia\u00e7\u00e3o, onde todos tenham vez e voz. Cito algumas das interven\u00e7\u00f5es mais prof\u00e9ticas do Papa. Disse em Luanda: \u2018quanto sofrimento, quantas mortes, quantas cat\u00e1strofes sociais e ambientais acarreta esta l\u00f3gica extrativista!\u2019. Lembrou adiante: \u2018a \u00c1frica tem uma necessidade urgente de superar situa\u00e7\u00f5es e fen\u00f3menos de conflitualidade e inimizade, que dilaceram o tecido social e pol\u00edtico de tantos pa\u00edses, fomentando a pobreza e a exclus\u00e3o. Somente no encontro a vida floresce. No princ\u00edpio, est\u00e1 o di\u00e1logo. Ele n\u00e3o exclui a diverg\u00eancia, que contudo pode tornar-se conflito\u2019. Foi frontal a palavra dirigida \u00e0s autoridades: \u2018n\u00e3o temais as diverg\u00eancias, nem extingais as vis\u00f5es dos jovens e os sonhos dos idosos. Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renova\u00e7\u00e3o. Colocai o bem comum acima do das partes, n\u00e3o confundindo nunca a vossa parte com o todo. Ent\u00e3o, a hist\u00f3ria dar-vos-\u00e1 raz\u00e3o\u2019.<\/p>\n<p>Na Missa no Kilamba (Luanda), a homilia foi clara: \u2018nesta cena do Evangelho (disc\u00edpulos de Ema\u00fas), vejo refletida a hist\u00f3ria de Angola, deste pa\u00eds bel\u00edssimo e ferido, que tem fome e sede de esperan\u00e7a, de paz e de fraternidade. Na verdade, ao longo do caminho, a conversa dos dois disc\u00edpulos, que recordam com des\u00e2nimo o que aconteceu ao seu Mestre, traz \u00e0 mem\u00f3ria a dor que marcou o vosso pa\u00eds: uma longa guerra civil com o seu rasto de inimizades e divis\u00f5es, de recursos desperdi\u00e7ados e de pobreza\u2019. Mas o mais importante \u00e9 olhar o futuro com esperan\u00e7a e construir a esperan\u00e7a do futuro: \u2018tamb\u00e9m n\u00f3s podemos e queremos construir um pa\u00eds onde as antigas divis\u00f5es sejam superadas para sempre, onde o \u00f3dio e a viol\u00eancia desapare\u00e7am, onde a chaga da corrup\u00e7\u00e3o seja curada por uma nova cultura de justi\u00e7a e partilha. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel um futuro de esperan\u00e7a, sobretudo para os muitos jovens que a perderam\u2019. H\u00e1 que ser \u2018testemunhas da sua ressurrei\u00e7\u00e3o e protagonistas de uma nova humanidade e de uma nova sociedade\u2019.<\/p>\n<p>Saurimo acolheu em festa o Papa que ali foi dizer: \u2018hoje vemos que muitos desejos das pessoas s\u00e3o frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injusti\u00e7a corrompe os cora\u00e7\u00f5es, o p\u00e3o de todos torna-se propriedade de poucos. Perante tais males, Cristo escuta o clamor dos povos e renova a nossa hist\u00f3ria: em cada queda levanta-nos, em cada sofrimento conforta-nos, na miss\u00e3o encoraja-nos\u2019.<\/p>\n<p>Mia Couto disse que o mundo precisa de um Papa assim, uma refer\u00eancia. Precisamos de pessoas que nos garantam que o mundo n\u00e3o est\u00e1 perdido, pode e deve mudar, para melhor. Esta visita do Papa abriu portas a esta esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Tony Neves<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - Papa Le\u00e3o abra\u00e7a \u00c1frica\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/1roRB5ltAGqE8cA9kMqnnB?si=t0cQojWgS92Eb6PiWQyX9A&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":401851,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-421872","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=421872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421872\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/401851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=421872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=421872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=421872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}