{"id":421821,"date":"2026-04-21T12:15:47","date_gmt":"2026-04-21T11:15:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=421821"},"modified":"2026-04-27T12:31:08","modified_gmt":"2026-04-27T11:31:08","slug":"maldade-e-estupidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/maldade-e-estupidez\/","title":{"rendered":"Maldade e estupidez"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_152027\" aria-describedby=\"caption-attachment-152027\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-152027\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/antonio_estanqueir_opiniao.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-152027\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na exist\u00eancia humana, conhecemos os milagres da bondade. Mas tamb\u00e9m sofremos os danos da maldade e da estupidez, que podem transformar a nossa vida num inferno.<\/p>\n<p>Maldade e estupidez s\u00e3o caracter\u00edsticas humanas distintas. No essencial, a maldade \u00e9 uma falha \u00e9tica, enquanto a estupidez \u00e9 uma falha de reflex\u00e3o cr\u00edtica. Qual destas for\u00e7as ser\u00e1 mais perigosa? Poderemos combat\u00ea-las e melhorar a conviv\u00eancia social?<\/p>\n<p><strong>For\u00e7as destrutivas<\/strong><\/p>\n<p>A maldade manifesta-se em escolhas livres, conscientes e volunt\u00e1rias, com inten\u00e7\u00e3o de fazer mal ao pr\u00f3ximo. Quem age com maldade, motivado pelo ego\u00edsmo, prejudica os outros em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Nos atos de maldade, os seres humanos menosprezam a \u00e9tica e procuram deliberadamente tirar proveito dos danos (f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos, materiais ou morais) que causam aos outros. \u00c9 o que acontece, por exemplo, na mentira, no roubo e no abuso de poder. Uns ganham e outros perdem.<\/p>\n<p>Diferente \u00e9 a estupidez, que se manifesta quando algu\u00e9m, de forma imprevis\u00edvel e irracional, causa preju\u00edzos aos outros sem qualquer benef\u00edcio para si mesmo.<\/p>\n<p>Habitualmente, os comportamentos est\u00fapidos, mais ou menos graves, revelam cegueira intelectual ou aus\u00eancia de pensamento cr\u00edtico. Quem age com estupidez, fechado na bolha das suas certezas, n\u00e3o tem consci\u00eancia do mal que faz aos outros e a si mesmo. Ningu\u00e9m ganha.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, nem sempre conseguimos distinguir claramente maldade de estupidez. Em caso de d\u00favida, \u00e9 prudente n\u00e3o atribuir \u00e0 maldade intencional comportamentos agressivos que podem ser fruto da ignor\u00e2ncia, da incompet\u00eancia ou da estupidez.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, muitos pensadores refletiram sobre o fen\u00f3meno da estupidez individual e coletiva. Existem dezenas de teorias, destacando-se a de Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), te\u00f3logo alem\u00e3o, membro da resist\u00eancia antinazi, e a de Carlo Cipolla (1922-2000), historiador italiano que escreveu <em>As Leis Fundamentais da Estupidez Humana<\/em>.<\/p>\n<p>A maioria dos autores concorda que a estupidez, mesmo sem inten\u00e7\u00e3o maldosa, \u00e9 uma for\u00e7a destrutiva que produz danos na vida pessoal e social. Traz perdas de tempo, dinheiro e sa\u00fade. Espalha \u00f3dio e viol\u00eancia. Muitas vezes, \u00e9 mais perigosa do que a maldade.<\/p>\n<p>Disse o cientista Albert Einstein (1879-1955): \u201cDuas coisas s\u00e3o infinitas: o universo e a estupidez humana.\u201d De facto, apesar do progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, a estupidez pode manifestar-se em qualquer pessoa, sem distin\u00e7\u00e3o de origem, sexo, n\u00edvel de escolaridade, estatuto social, op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou cren\u00e7a religiosa. Ningu\u00e9m escapa. N\u00e3o h\u00e1 vacina. E quanto mais poder tiver uma pessoa, maior ser\u00e1 o impacto da sua estupidez.<\/p>\n<p>Nas rela\u00e7\u00f5es humanas, \u00e9 incorreto usar r\u00f3tulos como \u201cest\u00fapido\u201d ou \u201cpessoa est\u00fapida\u201d para definir algu\u00e9m, pois a complexidade do ser humano n\u00e3o se pode reduzir a uma \u00fanica dimens\u00e3o. Afinal, em determinadas circunst\u00e2ncias, todos n\u00f3s tomamos decis\u00f5es irracionais e cometemos erros est\u00fapidos.<\/p>\n<p><strong>Caminhos da mudan\u00e7a <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel combater a maldade atrav\u00e9s da intelig\u00eancia e da \u00e9tica. Sem descurar o papel dos tribunais na puni\u00e7\u00e3o legal dos crimes, precisamos de investir na educa\u00e7\u00e3o em valores para prevenir comportamentos ego\u00edstas e violentos. O verdadeiro desafio reside em vencer o mal com o bem.<\/p>\n<p>Infelizmente, pouco se pode fazer contra a estupidez alheia. Quando uma pessoa est\u00e1 desorientada no nevoeiro da insensatez, n\u00e3o aceita factos nem argumentos que contrariem as suas cren\u00e7as ou os seus preconceitos e tende a repetir erros sem medir os preju\u00edzos. Embora mere\u00e7a respeito como ser humano, o mais saud\u00e1vel \u00e9 afastar-se da sua companhia para evitar conflitos est\u00e9reis.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos mudar a atitude de quem se recusa a ver a realidade. Mas podemos transformar-nos a n\u00f3s mesmos e reduzir o n\u00edvel da nossa pr\u00f3pria estupidez, agindo com mais intelig\u00eancia cognitiva, emocional e social. Deste modo, exercemos uma influ\u00eancia positiva sobre os outros.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a que traz benef\u00edcios para todos assenta na educa\u00e7\u00e3o e passa por diversos caminhos de sabedoria, entre os quais se distinguem cinco: o autoconhecimento, o autocontrolo, o esp\u00edrito cr\u00edtico, a responsabilidade e o di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>1. Autoconhecimento<\/strong><span style=\"font-size: 16px;\"><strong>.<\/strong> A sabedoria come\u00e7a no autoconhecimento. \u00c9 fundamental conhecer a verdade sobre n\u00f3s mesmos, descobrir quem somos realmente, tomar consci\u00eancia das nossas capacidades e limita\u00e7\u00f5es. Conscientes da imperfei\u00e7\u00e3o e libertos da arrog\u00e2ncia, tornamo-nos mais tolerantes e mais dispon\u00edveis para aprender.<\/span><\/p>\n<p><strong>2. Autocontrolo<\/strong><span style=\"font-size: 16px;\"><strong>.<\/strong> Esta compet\u00eancia permite-nos gerir as emo\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, em especial o medo e a raiva. \u00c9 um erro agir impulsivamente, sem ponderar as poss\u00edveis consequ\u00eancias das escolhas que fazemos. A tomada de decis\u00f5es sensatas exige equil\u00edbrio entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong>3. Esp\u00edrito cr\u00edtico<\/strong>. Uma pessoa reflexiva e cr\u00edtica \u00e9 capaz de analisar informa\u00e7\u00f5es, avaliar argumentos e distinguir o verdadeiro do falso. Quem pensa por si mesmo, com autonomia e lucidez, questiona o uso excessivo das tecnologias e resiste melhor \u00e0 press\u00e3o da maioria ou \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de l\u00edderes autorit\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>4. <\/strong><strong style=\"font-size: 16px;\">Responsabilidade<\/strong><span style=\"font-size: 16px;\">. Sempre que erramos, devemos reconhecer o mal que fizemos e assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas, em vez de inventar justifica\u00e7\u00f5es. Uma pessoa respons\u00e1vel reflete sobre as suas pr\u00e1ticas, pede desculpa, repara os danos causados e, com humildade, aprende com os seus erros.<\/span><\/p>\n<p><strong>5. Di\u00e1logo<\/strong>. Nos conflitos humanos, o recurso \u00e0 viol\u00eancia para impor aos outros os nossos pontos de vista \u00e9 uma atitude est\u00fapida. A atitude inteligente est\u00e1 na abertura ao di\u00e1logo construtivo. Dialogando com empatia e respeito, partilhamos ideias, negociamos acordos e fortalecemos rela\u00e7\u00f5es. Todos ganham.<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Estanqueiro<br \/>\n<\/em><em>Professor e Formador<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Estanqueiro,\u00a0Professor e Formador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152027,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-421821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=421821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=421821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=421821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=421821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}