{"id":42150,"date":"2009-11-28T11:15:00","date_gmt":"2009-11-28T11:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/28\/arte-teologia-e-compreensao-da-realidade\/"},"modified":"2009-11-28T11:15:00","modified_gmt":"2009-11-28T11:15:00","slug":"arte-teologia-e-compreensao-da-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/arte-teologia-e-compreensao-da-realidade\/","title":{"rendered":"Arte, teologia e compreens\u00e3o da realidade"},"content":{"rendered":"<p>Aproxima\u00e7\u00f5es ao sagrado podem ser profanas no estilo e religiosas no conte\u00fado <!--more--> <\/p>\n<p>A Teologia &eacute; fundamental para a compreens&atilde;o crist&atilde; da realidade, disse o Cardeal-Patriarca de Lisboa nas primeiras Jornadas de Teologia Pr&aacute;tica organizadas pela Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa (UCP), em parceria com o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, que esta Sexta-feira se realizaram em Lisboa.<\/p>\n<p>&ldquo;N&oacute;s corremos um perigo, em que as pessoas s&atilde;o praticantes religiosamente, mas no sentido da cultura que inspira a sua vida s&atilde;o profanos como os outros todos. Este aprofundar de uma sabedoria crist&atilde;, de uma compreens&atilde;o crist&atilde; da realidade e na realidade concreta da vida de todos n&oacute;s, a Teologia pode ter um papel importante&rdquo;, salienta, em declara&ccedil;&otilde;es &agrave; RR.<\/p>\n<p>Na confer&ecirc;ncia de encerramento, D. Jos&eacute; Policarpo disse que &eacute; importante fazer a ponte entre a F&eacute; e a cultura. &ldquo;Estas jornadas s&atilde;o maneiras de o fazer, de gerar conhecimentos e de preparar pessoas para serem focos irradiadores desta sabedoria crist&atilde;&rdquo;, afirma D. Jos&eacute; Policarpo.<\/p>\n<p><strong>Cinema<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Eu n&atilde;o acredito que Cristo seja filho de Deus, porque n&atilde;o sou crente &ndash; pelo menos conscientemente. Mas acredito que Cristo seja divino: isto &eacute;, creio que nele a humanidade &eacute; uma coisa t&atilde;o elevada, t&atilde;o rigorosa e ideal que ultrapassa os termos comuns da humanidade&rdquo;. Foi com esta perspectiva que Pier Paolo Pasolini realizou em 1964 &laquo;O Evangelho segundo Mateus&raquo;, que para In&ecirc;s Gil &ldquo;&eacute;, sem d&uacute;vida, uma obra que tem um lugar privilegiado na hist&oacute;ria do cinema&rdquo;.<\/p>\n<p>Alguns excertos do filme foram apresentados aos participantes na Jornada &laquo;Ver para Crer? Cristianismo e Culturas Visuais&raquo;.<\/p>\n<p>Para a professora do curso de Cinema da Universidade Lus&oacute;fona, &ldquo;a leitura po&eacute;tica do texto evang&eacute;lico&rdquo; revela &ldquo;o mundo interior&rdquo; e as emo&ccedil;&otilde;es das personagens, embora as respeite, n&atilde;o as convertendo num &ldquo;espect&aacute;culo&rdquo;, ao contr&aacute;rio de &laquo;A Paix&atilde;o de Cristo&raquo;, realizada por Mel Gibson.<\/p>\n<p>A professora de Cinema na Universidade Lus&oacute;fona considera que o filme de Pasolini &ldquo;reactualizou a figura de Cristo&rdquo; e mostrou a possibilidade da &ldquo;exist&ecirc;ncia do sagrado na realidade&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; uma obra que est&aacute; sempre longe do espectador e nunca desvendar&aacute; o seu mist&eacute;rio&rdquo;, concluiu In&ecirc;s Gil.<\/p>\n<p><strong>Entrela&ccedil;ar sagrado e profano<\/strong><\/p>\n<p>O Pe. Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a assinalou que o cineasta italiano assumiu uma perspectiva que hoje continua v&aacute;lida &ldquo;para a arte e para a Teologia&rdquo;: &ldquo;Uma hist&oacute;ria de Jesus, hoje, n&atilde;o pode acontecer por reconstru&ccedil;&atilde;o mas apenas por analogia&rdquo;, pelo que &eacute; necess&aacute;rio &ldquo;um esfor&ccedil;o de transposi&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Durante a sua interven&ccedil;&atilde;o, o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura reflectiu sobre os cruzamentos entre a narrativa sagrada e a sua representa&ccedil;&atilde;o por autores ou obras consideradas profanas.<\/p>\n<p>De acordo com o biblista, a Teologia continua a interrogar-se sobre os modos de contar Jesus: &ldquo;Como narrar o sagrado? Seguindo o sagrado ou o profano? O que &eacute; que significa uma maior indaga&ccedil;&atilde;o da verdade?&rdquo;<\/p>\n<p>O professor da Faculdade de Teologia recordou que as liga&ccedil;&otilde;es entre a cultura e a narrativa da vida de Jesus foram inauguradas com os Evangelhos. Este estilo liter&aacute;rio sem paralelo na literatura da &eacute;poca apresenta Jesus como uma biografia ou um livro de relatos.<\/p>\n<p>Os textos b&iacute;blicos atribu&iacute;dos a Mateus, Marcos, Lucas e Jo&atilde;o manifestam, atrav&eacute;s das suas diferen&ccedil;as, que a arte de contar converteu-se num protagonista da narrativa, o que n&atilde;o implica que o programa liter&aacute;rio se tenha sobreposto &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas dos autores.<\/p>\n<p>Os Evangelhos &ndash; bem como a obra de Pasolini ou os quadros de Rouault &ndash; revelam &ldquo;um magma do registo sacro com o profan&iacute;ssimo&rdquo;. &ldquo;&Eacute; como se o nosso olhar se lavasse e pud&eacute;ssemos reencontrar o rosto de Jesus&rdquo;, observou o poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Rui Martins&nbsp; (Com RR)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aproxima\u00e7\u00f5es ao sagrado podem ser profanas no estilo e religiosas no 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