{"id":42149,"date":"2010-11-27T12:29:51","date_gmt":"2010-11-27T12:29:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2010\/11\/27\/as-quatro-semanas-do-advento-do-natal\/"},"modified":"2010-11-27T12:29:51","modified_gmt":"2010-11-27T12:29:51","slug":"as-quatro-semanas-do-advento-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-quatro-semanas-do-advento-do-natal\/","title":{"rendered":"As quatro semanas do \u00abAdvento\u00bb do Natal"},"content":{"rendered":"<p>Este Domingo marca o in&iacute;cio do tempo do Advento, um dos denominados &#8220;tempos fortes&#8221; do ano lit&uacute;rgico. A sua hist&oacute;ria, no Rito Romano, come&ccedil;a no S&eacute;culo VI, no sentido de espera jubilosa do Natal, e a sua pr&eacute;-hist&oacute;ria remonta &agrave;s G&aacute;lias e &agrave; Espanha dos fins do S&eacute;culo IV, como prepara&ccedil;&atilde;o asc&eacute;tica para o Natal e a Epifania.<\/p>\n<p>No S&eacute;culo V o come&ccedil;o do Advento era na festa da Anuncia&ccedil;&atilde;o (18 de Dezembro &#8211; hoje, a Anuncia&ccedil;&atilde;o &eacute; comemorada em 19 de Mar&ccedil;o). Apenas no S&eacute;culo X o seu in&iacute;cio passou a ser no Domingo, quatro semanas antes do Natal.<\/p>\n<p>O tempo lit&uacute;rgico de prepara&ccedil;&atilde;o para o Natal come&ccedil;a no domingo mais pr&oacute;ximo da festa de Santo Andr&eacute; Ap&oacute;stolo (30 de Novembro) e abarca os tr&ecirc;s domingos seguintes.<\/p>\n<p>A &#8220;feliz expectativa&#8221; do Advento assinala de forma clara que o tempo da festa n&atilde;o chegou; ali&aacute;s, no in&iacute;cio do Cristianismo a palavra &#8220;adventum&#8221; (&ldquo;parusia&rdquo;, em grego) utilizava-se para denominar n&atilde;o a primeira vinda de Jesus, mas a sua vinda definitiva no fim dos tempos, como Senhor do Universo.<\/p>\n<p>Quem participar nas celebra&ccedil;&otilde;es dos primeiros tr&ecirc;s Domingos do Advento notar&aacute; que esta perspectiva continua a dominar, com destaque para os profetas e para Jo&atilde;o Baptista. No entanto, a partir do dia 17 de Dezembro, a prepara&ccedil;&atilde;o do Natal fixa-se nos antecedentes pr&oacute;ximos do nascimento de Jesus e na figura da Virgem Maria, com as c&eacute;lebres ant&iacute;fonas do &#8220;&Oacute;&#8221; na Liturgia das Horas ou as tradicionais &#8220;missas do Parto&#8221;, na ilha Madeira.<\/p>\n<p><strong>Do Oriente para o Ocidente<\/strong><\/p>\n<p>Apesar desse Tempo ser muito peculiar nas Igrejas do Ocidente, o seu impulso original provavelmente veio das Igrejas Orientais, onde era comum, depois do Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico de &Eacute;feso em 431 dedicar serm&otilde;es nos domingos anteriores ao Natal, ao tema da Anuncia&ccedil;&atilde;o. Em Ravena, na It&aacute;lia (onde era grande a influ&ecirc;ncia Oriental) S&atilde;o Pedro Cris&oacute;stomo fazia esses serm&otilde;es.<\/p>\n<p>A primeira refer&ecirc;ncia sobre o Advento &eacute; a do Bispo de Tours, Fran&ccedil;a, chamado Perp&eacute;tuo (461-490) que estabeleceu um jejum antes do Natal, que come&ccedil;ava a 11 de Novembro (Dia de S&atilde;o Martinho de Tours). O Conc&iacute;lio de Tours (567) faz men&ccedil;&atilde;o ao tempo do Advento, costume que se conhecia como a &#8220;Quaresma de S&atilde;o Martinho&#8221;.<\/p>\n<p>Este car&aacute;cter asc&eacute;tico para a prepara&ccedil;&atilde;o do Natal devia-se &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o dos catec&uacute;menos para o Baptismo na festa da Epifania. Somente no final do s&eacute;culo VII, em Roma, &eacute; acrescentado o aspecto escatol&oacute;gico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 Domingos.<\/p>\n<p>Um per&iacute;odo de seis semanas foi adoptado pelas Igrejas de Mil&atilde;o e pelas Igrejas da Espanha. Na It&aacute;lia somente aparece no s&eacute;culo VI, quando foi reduzida, provavelmente pelo Papa S&atilde;o Le&atilde;o Magno (590-604), para as quatro semanas antes do Natal.<\/p>\n<p>O Advento &eacute; hoje celebrado com sobriedade e com discreta alegria. N&atilde;o se canta o Gl&oacute;ria, para que na festa do Natal os fi&eacute;is se unam aos anjos e entoem este hino como algo novo, dando gl&oacute;ria a Deus pela salva&ccedil;&atilde;o que realiza no meio de n&oacute;s.<\/p>\n<p>Pelo mesmo motivo, o direct&oacute;rio lit&uacute;rgico orienta que flores e instrumentos sejam usados com modera&ccedil;&atilde;o, &#8220;para que n&atilde;o seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus&#8221;.<\/p>\n<p>As vestes lit&uacute;rgicas (casula, estola, etc.) s&atilde;o de cor roxa, bem como o pano que recobre o amb&atilde;o, como sinal de convers&atilde;o em prepara&ccedil;&atilde;o para a festa do Natal, com excep&ccedil;&atilde;o do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria, cuja cor tradicionalmente usada &eacute; o rosa, para revelar a alegria da vinda do libertador que est&aacute; pr&oacute;xima.<\/p>\n<p><strong>Lugar espiritual<\/strong><\/p>\n<p>Em 2008, na celebra&ccedil;&atilde;o inicial do Advento, Bento XVI citava um texto no qual Paulo exorta os crist&atilde;os de Tessalonica a conservar-se irrepreens&iacute;veis &#8220;para a vinda&#8221; do Senhor. Ali l&ecirc;-se &#8220;na vinda&#8221; (<em>en t&ecirc; parousia<\/em>), como se, frisou o Papa, &ldquo;o Advento do Senhor fosse, mais que um ponto futuro do tempo, um lugar espiritual pelo qual caminhar j&aacute; no presente, durante a espera, e dentro do qual precisamente ser conservados perfeitos em cada dimens&atilde;o pessoal&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A palavra que resume esta condi&ccedil;&atilde;o particular, em que se espera algo que deve manifestar-se, mas que ao mesmo tempo se entrev&ecirc; e se antegoza, &eacute; &laquo;esperan&ccedil;a&raquo;. O Advento &eacute; por excel&ecirc;ncia a temporada da esperan&ccedil;a, e nele a Igreja inteira &eacute; chamada a tornar-se esperan&ccedil;a, para si mesma e para o mundo&rdquo;, disse.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Oct&aacute;vio Carmo &#8211; AE<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este Domingo marca o in&iacute;cio do tempo do Advento, um dos denominados &#8220;tempos fortes&#8221; do ano lit&uacute;rgico. 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