{"id":421205,"date":"2026-04-19T09:31:00","date_gmt":"2026-04-19T08:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=421205"},"modified":"2026-04-17T15:01:36","modified_gmt":"2026-04-17T14:01:36","slug":"vaticano-portugal-igreja-continua-a-recusar-sacralizacao-da-forca-das-armas-maria-amelia-paiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vaticano-portugal-igreja-continua-a-recusar-sacralizacao-da-forca-das-armas-maria-amelia-paiva\/","title":{"rendered":"Vaticano\/Portugal: \u00abCertamente vai haver uma visita do Papa Le\u00e3o XIV\u00bb &#8211; Maria Am\u00e9lia Paiva"},"content":{"rendered":"<p><em>A 21 de abril assinala-se o primeiro anivers\u00e1rio do falecimento do Papa Francisco. \u00c9 uma data que convoca a refletir sobre o seu imenso legado humano e espiritual, mas tamb\u00e9m sobre a forma como o mundo tem procurado responder aos desafios que ele t\u00e3o incansavelmente denunciou. Para nos ajudar nesta an\u00e1lise, \u00e9 nossa convidada, da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia, a embaixadora de Portugal junto da Santa S\u00e9<\/em><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-421206 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944.jpg\" alt=\"\" width=\"1844\" height=\"1229\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944.jpg 1844w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/IMG_20250920_074944-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1844px) 100vw, 1844px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Um ano ap\u00f3s a partida de Francisco, que marca principal considera que este Papa\u00a0deixou na a\u00e7\u00e3o do Vaticano e na forma como a Igreja se relaciona com o mundo?<\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco deixou-nos, faz agora um ano, a 21 de abril, as marcas\u00a0s\u00e3o grandes.\u00a0O legado do Papa Francisco \u00e9 um legado muito importante, \u00e9 um legado de um pontificado\u00a0que foi muito marcante.\u00a0Muitos consideram tratar-se de um pontificado de uma revolu\u00e7\u00e3o gentil ou suave. Mas desde uma igreja de maior simplicidade\u00a0ou uma igreja de sa\u00edda, como tamb\u00e9m muitas vezes se descreve, h\u00e1 j\u00e1 a\u00ed uma grande diferen\u00e7a, e\u00a0por exemplo, e logo no in\u00edcio do seu papado, quando optou por viver na Domus Santa Marta,\u00a0contribuiu talvez dessa forma para humanizar a figura papal, tornando-a mais pr\u00f3xima e\u00a0acess\u00edvel.\u00a0E por outro lado, logo tamb\u00e9m nesse mesmo sinal, nas suas primeiras interven\u00e7\u00f5es e\u00a0nas interven\u00e7\u00f5es que marcaram todo o pontificado, h\u00e1 um sinal de grande proximidade com as periferias\u00a0geogr\u00e1ficas e sobretudo com os pobres, com os migrantes, com os refugiados.<\/p>\n<p>Mas o Papa Francisco deixa um legado muito vasto de reforma, por exemplo, da c\u00faria, uma\u00a0reforma estrutural de transpar\u00eancia, uma nova constitui\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica que permite, por\u00a0exemplo, que mulheres assumam e tenham assumido pela primeira vez cargos de lideran\u00e7a no\u00a0Vaticano. Implementou mudan\u00e7as estruturais para uma maior transpar\u00eancia financeira,\u00a0controlos rigorosos contra a corrup\u00e7\u00e3o, enfim, uma reforma tamb\u00e9m a\u00ed estrutural\u00a0e muito relevante.\u00a0Mas h\u00e1 mais do que isso, h\u00e1 um combate claro \u00e0 impunidade, adotou a pol\u00edtica da toler\u00e2ncia\u00a0zero em rela\u00e7\u00e3o aos casos de abuso sexual, que \u00e9 uma pol\u00edtica muito relevante, apesar\u00a0de muitas acusa\u00e7\u00f5es de alguns que acham que devia ter feito ainda mais.\u00a0Certamente fez um caminho muito importante ao sinalizar isto.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 uma outra \u00e1rea, se posso ainda continuar, de muita relev\u00e2ncia, que \u00e9 a da ecologia\u00a0integral, nomeadamente com as mensagens muito fortes sobre o cuidado a ter com a casa comum\u00a0como pilar central, criticando de forma muito clara e muito taxativa a destrui\u00e7\u00e3o da natureza\u00a0e o sistema econ\u00f3mico excludente, e por isso tantas vezes foi chamado do Papa Verde. A \u2018Laudato\u00a0Si\u2019, a enc\u00edclica que celebrou em 2025 os seus dez anos, cristaliza esta forma de olhar para a cria\u00e7\u00e3o e para o cuidado\u00a0da casa comum, \u00e9 talvez um dos textos mais relevantes do pontificado do Papa.<\/p>\n<p>Mas o acolhimento e a miseric\u00f3rdia, o di\u00e1logo inter-religioso e a geopol\u00edtica da paz. A paz foi uma\u00a0constante nos apelos do Papa Francisco, e eu lembro de facto um livro que saiu no\u00a0final de 22, in\u00edcio de 2023, quando o Papa escreveu e foi\u00a0reunido um conjunto de apelos\u00a0que ele fez para p\u00f4r termo \u00e0 guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Mas o di\u00e1logo com as outras religi\u00f5es \u00e9 todo um conjunto de linhas de atua\u00e7\u00e3o que mostram de\u00a0facto um pontificado muito, muito relevante e por isso \u00e9 t\u00e3o importante falar dele e t\u00e3o\u00a0importante esta vossa iniciativa de recordar o legado do Papa Francisco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco, como j\u00e1 referiu, fez v\u00e1rios apelos \u00e0 paz, ali\u00e1s falou por diversas vezes\u00a0da Terceira Guerra Mundial aos peda\u00e7os. Por que motivo os apelos que ele fez pareceram tantas\u00a0vezes incomodar certos centros de poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico? Ainda hoje, com o seu sucessor,\u00a0por exemplo, est\u00e1 a acontecer o mesmo?<\/em><\/p>\n<p>Pois o significado e a import\u00e2ncia dessas mensagens s\u00e3o fundamentais e os apelos,\u00a0infelizmente, nem sempre parecem ser ouvidos, mas no fundo acabam por ser ouvidos e espero\u00a0que fa\u00e7am o seu caminho e que possamos, de facto, encontrar aqui solu\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do di\u00e1logo,\u00a0atrav\u00e9s da diplomacia e atrav\u00e9s da capacidade de nos reconciliarmos uns com os outros.\u00a0E este di\u00e1logo \u00e9 muito importante, nomeadamente porque quer o Papa Francisco, quer, como disse,\u00a0o Papa Le\u00e3o XIV, tem marcado muito tamb\u00e9m as suas interven\u00e7\u00f5es pela reconcilia\u00e7\u00e3o e pelo di\u00e1logo\u00a0com os outros. E os outros s\u00e3o todos os outros.<\/p>\n<p>Quando o Papa Francisco usou, muitas vezes,\u00a0durante a JMJ23 em Lisboa, a express\u00e3o todos, todos, todos, ele est\u00e1 mesmo a falar de todos;\u00a0das outras religi\u00f5es, dos outros credos religiosos, de todos os outros que muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o\u00a0na mesa das conversas sobre os temas mais relevantes e, por isso, \u00e9\u00a0 importante\u00a0falar com todos e os todos n\u00e3o s\u00e3o apenas aqueles que t\u00eam o poder pol\u00edtico, s\u00e3o tamb\u00e9m todos os\u00a0outros que podem ter um papel nesta aproxima\u00e7\u00e3o, neste di\u00e1logo, nesta reconcilia\u00e7\u00e3o que \u00e9 t\u00e3o\u00a0importante fazermos e, sobretudo, optarmos sempre e sempre pela via da diplomacia e n\u00e3o pela via das armas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A senhora embaixadora falou da JMJ em Lisboa, em 2023, juntamente com as passagens por F\u00e1tima, s\u00e3o\u00a0seguramente marcas que Portugal deixou no pontificado de Francisco. Pergunto tamb\u00e9m se no\u00a0contacto com a diplomacia do Vaticano, esses momentos, que foram importantes para n\u00f3s,\u00a0tamb\u00e9m moldam a vis\u00e3o que se tem, em Roma, sobre Portugal e sobre a Igreja por c\u00e1?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Isso certamente, dos contactos que tive aqui, n\u00e3o querendo cometer nenhuma\u00a0inconfid\u00eancia, porque n\u00e3o o posso e n\u00e3o o devo fazer, claramente a JMJ tem um marco muito\u00a0importante neste revigorar do relacionamento entre Portugal e a Igreja Portuguesa e a Santa S\u00e9,\u00a0entre Portugal, a Igreja Portuguesa e a Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>Claramente \u00e9 um marco muito importante. A JMJ foi\u00a0um grande sucesso, foi um grande sucesso de uma colabora\u00e7\u00e3o muito vasta, de muitos que\u00a0contribu\u00edram para isso e de uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima que houve entre a Igreja Portuguesa e o\u00a0Vaticano, que permitiu de facto o sucesso e a v\u00e1rios t\u00edtulos j\u00e1 me foi referido exatamente esse marco\u00a0t\u00e3o importante no relacionamento recente, mais recente, entre Portugal e a Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O mundo n\u00e3o parou e a Igreja tamb\u00e9m n\u00e3o.\u00a0Desde a elei\u00e7\u00e3o do seu sucessor,\u00a0o Le\u00e3o XIV, tem encontrado desafios globais, j\u00e1 teve oportunidade de estar com ele e de o ouvir.\u00a0Que marca pr\u00f3pria j\u00e1 se nota na a\u00e7\u00e3o do Papa norte-americano?<\/em><\/p>\n<p>Acho que a marca est\u00e1 a ser constru\u00edda, como \u00e9 natural e como \u00e9 normal. O Papa tem menos de um\u00a0ano de pontificado, mas eu acho que h\u00e1 dois ou tr\u00eas temas que s\u00e3o muito recorrentes e de alguma\u00a0forma s\u00e3o de continuidade entre o Papa Francisco e o Papa Le\u00e3o XIV.<\/p>\n<p>Antes de mais, eu diria a defesa\u00a0da paz e da mensagem do Evangelho nesse sentido. E este papel que a Igreja Cat\u00f3lica deve ter de\u00a0continuar a ser uma voz prof\u00e9tica de paz e n\u00e3o um agente de poder pol\u00edtico. E por isso eu acho que\u00a0o Papa Le\u00e3o XIV, de alguma forma, \u00e9 eleito num contexto que se pode dizer, simplificando certamente,\u00a0de continuidade e de aprofundamento daquilo que vinham a ser as linhas de for\u00e7a dos pontificados\u00a0anteriores e sobretudo do pontificado do Papa Francisco.<\/p>\n<p>E claramente o conclave ao escolher\u00a0o cardeal Robert Prevost, claramente continua\u00a0nesta linha de um deslocamento do centro de gravidade do catolicismo para o sul global,\u00a0onde o n\u00famero de fi\u00e9is aumenta, onde h\u00e1 uma express\u00e3o cada vez maior tamb\u00e9m desta aten\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0s periferias. E eu acho que quando se fala de periferias, quer com o Papa Francisco, quer com o\u00a0Papa Le\u00e3o XIV, n\u00e3o estamos apenas a falar de periferias geogr\u00e1ficas, estamos a falar de periferias\u00a0de aten\u00e7\u00e3o. Os migrantes, os refugiados, aqueles que de facto enfrentam mais dificuldades num mundo\u00a0muito complexo. E por isso n\u00e3o creio que haja uma interrup\u00e7\u00e3o do discurso geopol\u00edtico.\u00a0&#8230;<\/p>\n<p><em>Falou na quest\u00e3o do Papa Le\u00e3o e a Santa S\u00e9, se assumirem\u00a0como porta-vozes do discurso da paz e n\u00e3o como agentes pol\u00edticos, e \u00e9 incontorn\u00e1vel a pol\u00e9mica\u00a0dos \u00faltimos dias que t\u00eam colocado frente a frente o presidente norte-americano e o Papa, embora, enfim,\u00a0talvez colocar as coisas nestes termos tamb\u00e9m seja excessivamente simplista. O que eu pergunto \u00e9\u00a0como \u00e9 que olha como diplomata para esta situa\u00e7\u00e3o e sobretudo se teme uma escalada nas cr\u00edticas\u00a0norte-americanas \u00e0 figura de Le\u00e3o XIV?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero sinceramente que n\u00e3o aconte\u00e7a, porque eu acho que\u00a0o Papa Le\u00e3o tem mostrado, nestes primeiros tempos de pontificado, uma atitude de grande prud\u00eancia,\u00a0e porqu\u00ea \u00e9 que agora ter\u00e1 feito diferente. Eu acho que a situa\u00e7\u00e3o internacional e este\u00a0aumento de conflitos, t\u00ednhamos dezenas de conflitos no mundo, mas este \u00faltimo, at\u00e9 com algumas declara\u00e7\u00f5es, \u00e9 de facto de uma gravidade consider\u00e1vel, e eu acho que ele falou com uma enorme clareza.\u00a0E a clareza dele \u00e9 ter o Evangelho como b\u00fassola, e \u00e9 da\u00ed que vem a clareza das interven\u00e7\u00f5es do Papa.<\/p>\n<p>E por isso mostra, e \u00e9 testemunho de uma Igreja, que continua a recusar, na minha leitura das palavras do Papa\u00a0e da sua postura, a sacraliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a das armas, e de facto isto tem sido de uma enorme clareza.\u00a0Mas o Papa tem feito v\u00e1rias mensagens e v\u00e1rios apelos \u00e0 paz em rela\u00e7\u00e3o aos v\u00e1rios conflitos\u00a0internacionais: \u00e0 Ucr\u00e2nia, ao L\u00edbano, ao M\u00e9dio Oriente em particular, ao Ir\u00e3o, ao Sud\u00e3o, entre tantos outros. S\u00e3o\u00a0insistentes apelos \u00e0 paz que t\u00eam sido feitos, como foram com o Papa Francisco, e que agora tamb\u00e9m s\u00e3o uma constante do Papa Le\u00e3o.\u00a0Nesta viagem que o est\u00e1 a fazer, vai ser poss\u00edvel\u00a0que o Papa continue a fazer esses apelos, porque infelizmente tamb\u00e9m no continente africano\u00a0h\u00e1 variad\u00edssimas situa\u00e7\u00f5es de enorme gravidade, de enormes atropelos do direito humanit\u00e1rio,\u00a0gerando e criando n\u00fameros muito impressionantes, n\u00e3o s\u00f3 de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos,\u00a0mas de refugiados e deslocados internos em variad\u00edssimas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E por isso \u00e9 natural que, infelizmente, o mundo que temos obrigue o Papa a continuar a fazer estes apelos.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, do seu ponto de vista, \u00e9 expect\u00e1vel um aumento desta tens\u00e3o com o poder pol\u00edtico,\u00a0dado que do Papa n\u00e3o podemos esperar outro comportamento que n\u00e3o seja este que ainda agora referiu,\u00a0dos consecutivos apelos \u00e0 paz?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que n\u00e3o, eu espero que os apelos possam ajudar tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o desses poderes pol\u00edticos,\u00a0no sentido de tamb\u00e9m fazer uma reflex\u00e3o que os encaminhe para o caminho justo e para o caminho da paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A liga\u00e7\u00e3o de Portugal \u00e0 Santa S\u00e9 \u00e9 hist\u00f3rica, em rela\u00e7\u00e3o ao Papa Le\u00e3o XIV,\u00a0o Estado portugu\u00eas j\u00e1 formulou um convite oficial para que visite o nosso pa\u00eds.\u00a0Nas conversas que tem mantido com o Santo Padre ou com a Secretaria do Estado,\u00a0essa possibilidade j\u00e1 foi de alguma forma abordada?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que v\u00e1rios j\u00e1 fomos os interlocutores desse convite,\u00a0mas tamb\u00e9m a complexidade da agenda papal n\u00e3o nos permitiu ainda obter uma resposta taxativa\u00a0\u00e0 aceita\u00e7\u00e3o desse convite.\u00a0Mas vamos ter de aguardar e vamos ter de esperar mais um pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas o Papa j\u00e1 disse que gostava de vir a Portugal, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, o gostar de vir \u00e9 clar\u00edssimo, \u00e9 clar\u00edssimo.\u00a0Ele \u00e9 tamb\u00e9m um Papa muito mariano, como foi o Papa Francisco.\u00a0Agora, o poder diz\u00ea-lo de uma forma j\u00e1 muito conclusiva que ir\u00e1 no ano Y, no m\u00eas Y ou Z,\u00a0isso ainda n\u00e3o temos essa resposta, mas acho que temos que tamb\u00e9m dosar de alguma calma\u00a0e de alguma paci\u00eancia, porque certamente vai haver uma visita do Papa Le\u00e3o, temos \u00e9 que aguardar pelo calend\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda olhando para o que \u00e9 esta praxe das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre Portugal e a Santa S\u00e9,\u00a0e sem querer cometer nenhuma inconfid\u00eancia, pergunto-lhe se \u00e9 de esperar uma desloca\u00e7\u00e3o oficial\u00a0do novo Presidente da Rep\u00fablica, Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Segura, ao Vaticano,\u00a0como aconteceu, por exemplo, com o Marcelo Rebelo de Sousa?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho, de momento, nenhuma indica\u00e7\u00e3o nesse sentido, mas, enfim, melhor do que eu,\u00a0a assessoria diplom\u00e1tica ou o gabinete do senhor presidente poder\u00e1 responder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando para o seu trabalho,\u00a0que mat\u00e9rias s\u00e3o priorit\u00e1rias para o Estado portugu\u00eas, neste momento,\u00a0na rela\u00e7\u00e3o com a Santa S\u00e9?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o vale a pena eu entrar muito por a\u00ed. Elas s\u00e3o muito intensas, temos uma concordata que, como sabe,\u00a0celebrou 20 anos em 2024, e que \u00e9, de facto, o instrumento que rege a nossa rela\u00e7\u00e3o.\u00a0Mas temos, obviamente, muitos temas de interesse comum, nomeadamente,\u00a0na esfera da diplomacia e na esfera internacional, onde a defesa dos nossos valores,\u00a0a defesa dos nossos princ\u00edpios, coincide, basicamente, com aquilo que \u00e9 tamb\u00e9m\u00a0a postura da Santa S\u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a essas mesmas prioridades.<\/p>\n<p>E, por isso, estou em crer que elas v\u00e3o continuar a ser, como t\u00eam sido at\u00e9 aqui,\u00a0rela\u00e7\u00f5es de grande profundidade, havendo, claramente, a inten\u00e7\u00e3o de continuar a aprofund\u00e1-las\u00a0das formas mais diversas.\u00a0Portanto, como sabe, h\u00e1 v\u00e1rios mecanismos para o fazer,\u00a0e esses mecanismos est\u00e3o todos na mesa, e vamos continuar a trabalhar com eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 21 de abril assinala-se o primeiro anivers\u00e1rio do falecimento do Papa Francisco. \u00c9 uma data que convoca a refletir sobre o seu imenso legado humano e espiritual, mas tamb\u00e9m sobre a forma como o mundo tem procurado responder aos desafios que ele t\u00e3o incansavelmente denunciou. Para nos ajudar nesta an\u00e1lise, \u00e9 nossa convidada, da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":421206,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[974,274,482],"class_list":["post-421205","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-leao-xiv","tag-papa-francisco","tag-portugal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=421205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421205\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/421206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=421205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=421205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=421205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}