{"id":42112,"date":"2009-11-26T11:54:35","date_gmt":"2009-11-26T11:54:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/26\/homilia-do-bispo-de-lamego-no-dia-da-igreja-diocesana\/"},"modified":"2009-11-26T11:54:35","modified_gmt":"2009-11-26T11:54:35","slug":"homilia-do-bispo-de-lamego-no-dia-da-igreja-diocesana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-lamego-no-dia-da-igreja-diocesana\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Lamego no Dia da Igreja Diocesana"},"content":{"rendered":"<p>Uma vez mais nos reunimos na Igreja M&atilde;e de Lamego para viver o Memorial da Paix&atilde;o e Morte do Senhor, da Sua Ressurrei&ccedil;&atilde;o e Glorifica&ccedil;&atilde;o. Celebramos a Solenidade de Cristo Rei. O texto da profecia de Daniel que ouvimos naprimeira leitura, fala-nos de algu&eacute;m &ldquo;semelhante a um filho do homem&rdquo;, personagem singular, entendida como figura do Messias, a quem &eacute; entregue o poder, a honra e a realeza, a quem as na&ccedil;&otilde;es h&atilde;o-de servir e cujo reino n&atilde;o ser&aacute; destru&iacute;do. Tamb&eacute;m o di&aacute;logo de Jesus com Nicodemos que o Evangelho relatou refere um reino, mas que n&atilde;o &eacute; deste mundo, nem colide com qualquer autoridade terrena, porque o Reino universal de Cristo, o Pr&iacute;ncipe dos reis da terra, como o denomina o texto do Apocalipse, que celebramos nesta solenidade, &eacute; um reino de verdade e de vida, de santidade e de gra&ccedil;a, de justi&ccedil;a de amor e de paz &ndash; assim rezaremos no Pref&aacute;cio. Cristo n&atilde;o &eacute; rei como Pilatos imaginava. O seu trono &eacute; uma Cruz, e a coroa uma tecedura de espinhos pungentes que lhe perfuraram a cabe&ccedil;a. Governa os cora&ccedil;&otilde;es com o ceptro do amor e da justi&ccedil;a, impondo o seu dom&iacute;nio n&atilde;o com armas, mas com a Verdade. Esta Verdade afirmada por Ele a Pilatos n&atilde;o &eacute; um conjunto de leis, mas a Sua pr&oacute;pria Vida na express&atilde;o m&aacute;xima da doa&ccedil;&atilde;o de Si pr&oacute;prio at&eacute; &agrave; morte. O Seu, &eacute; o mundo dos valores absolutos. A sociedade em que nos encontramos cada vez mais se afasta d&rsquo;Ele e desta soberania. Mas o lugar que Ele ocupa na nossa vida &eacute; o term&oacute;metro da seriedade e da autenticidade do nosso cristianismo. Proclam&aacute;-lo Rei, como queremos, &eacute; escutar a Palavra e p&ocirc;-la em pr&aacute;tica, como disc&iacute;pulo, com a humildade e obedi&ecirc;ncia at&eacute; ao aniquilamento, por Ele testemunhada.<\/p>\n<p>Mas hoje, porque &eacute; o Domingo imediato, a seguir ao anivers&aacute;rio da Dedica&ccedil;&atilde;o desta Catedral, celebramos tamb&eacute;m, de h&aacute; v&aacute;rios anos a esta parte, o Dia da Igreja Diocesana. Esta, incorporada na Igreja fundada por Cristo, &ldquo;incessantemente nasce da Eucaristia, da auto-doa&ccedil;&atilde;o de Jesus e &eacute; a continua&ccedil;&atilde;o deste dom&rdquo;, como referiu Bento XVI, precisamente h&aacute; quinze dias na visita a Brescia, terra natal do Servo de Deus, Paulo VI. A afirma&ccedil;&atilde;o de Sua Santidade est&aacute; em sintonia com o pensamento expresso na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal Sacramento da Caridade: &ldquo;O Sacramento do altar est&aacute; sempre no centro da vida eclesial; &laquo;gra&ccedil;as &agrave; Eucaristia, a Igreja renasce sempre de novo!&raquo; Quanto mais viva for a f&eacute; eucar&iacute;stica no povo de Deus, tanto mais profunda ser&aacute; a sua participa&ccedil;&atilde;o na vida eclesial por meio duma ades&atilde;o convicta &agrave; miss&atilde;o que Cristo confiou aos seus disc&iacute;pulos. Testemunha-o a pr&oacute;pria hist&oacute;ria da Igreja: toda a grande reforma est&aacute;, de algum modo, ligada &agrave; redescoberta da presen&ccedil;a eucar&iacute;stica do Senhor no meio de n&oacute;s.&rdquo;<\/p>\n<p>Estamos por isso conscientes de que o momento que vivemos, aqui e agora, &eacute; o ponto alto desta jornada diocesana quase a concluir-se, t&atilde;o densa e rica de reflex&atilde;o e ora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; que, como continua Sua Santidade no referido documento, &ldquo;do centro eucar&iacute;stico surge a necess&aacute;ria abertura de cada comunidade, de cada Igreja particular: ao deixar-se atrair pelos bra&ccedil;os abertos do Senhor, consegue-se a inser&ccedil;&atilde;o no seu corpo &uacute;nico e indiviso. Por este motivo, na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, cada fiel encontra-se na sua Igreja, isto &eacute;, na Igreja de Cristo&rdquo;.<\/p>\n<p>Mergulhar na Eucaristia, mist&eacute;rio de vida e de amor nunca suficientemente apreciado e vivido e, porque mist&eacute;rio, longe de ser compreendido, &eacute; sempre oportuno e actual.<\/p>\n<p>Por isso a Eucaristia &eacute; de novo o tema do presente ano pastoral, providencialmente tamb&eacute;m Ano Sacerdotal, na conclus&atilde;o do ciclo que temos vivido nestes &uacute;ltimos nove anos. Conjugam-se assim duas realidades insepar&aacute;veis, mutuamente ordenadas uma para a outra, nascidas na mesma hora: Eucaristia e Sacerd&oacute;cio.<\/p>\n<p>Tendes &agrave; vossa disposi&ccedil;&atilde;o o Plano Pastoral para este ano. Mas o objectivo apost&oacute;lico n&atilde;o pode ficar no conhecimento das iniciativas que s&atilde;o sugeridas, ou mesmo na sua realiza&ccedil;&atilde;o, mas numa s&eacute;ria e aut&ecirc;ntica viv&ecirc;ncia eucar&iacute;stica que revitalize as nossas comunidades e comprometa responsavelmente os nossos crist&atilde;os. E n&atilde;o podemos esquecer que os primeiros protagonistas desta viv&ecirc;ncia temos de ser n&oacute;s, os sacerdotes, generosamente empenhados em que a nossa identidade se configure com a de Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, que na Eucaristia permanentemente se d&aacute; &agrave; humanidade. N&oacute;s, os padres, ou somos, como o Santo Cura de Ars, homens da Eucaristia, ou nunca seremos Pastores, mas simples mercen&aacute;rios descuidados e desatentos do rebanho que o Senhor nos confiou.<\/p>\n<p>Insisto no que escrevi e podeis ler no plano pastoral: Que a reflex&atilde;o e as v&aacute;rias iniciativas programadas ao longo do ano, revigorem uma aut&ecirc;ntica piedade eucar&iacute;stica nas nossas comunidades paroquiais, sensibilizando para a digna celebra&ccedil;&atilde;o do Domingo, como Dia do Senhor, tornando mais exigente e consciente a participa&ccedil;&atilde;o na Missa dominical; aprofundando e consolidando a devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Eucaristia, proporcionando e programando tempos de adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento; e descobrindo a exig&ecirc;ncia da partilha fraterna e da caridade que o aut&ecirc;ntico culto eucar&iacute;stico reclama.<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m foi exclu&iacute;do de participar no encontro desta manh&atilde; na Casa de S. Jos&eacute;. Todos foram convidados, destacando por&eacute;m aquelas pessoas ligadas a actividades, movimentos e associa&ccedil;&otilde;es, para quem a Eucaristia &eacute; a refer&ecirc;ncia espec&iacute;fica. A reflex&atilde;o partilhada, sublinhando as tr&ecirc;s dimens&otilde;es, os tr&ecirc;s p&oacute;los, para os quais o Santo Padre, Jo&atilde;o Paulo II, t&atilde;o empenhadamente chamou a nossa aten&ccedil;&atilde;o e Sua Santidade Bento XVI se n&atilde;o cansa de recordar: a celebra&ccedil;&atilde;o e a sua dignidade, a comunh&atilde;o com as exig&ecirc;ncias consequentes e o Sacr&aacute;rio onde Jesus, realmente presente, espera a nossa adora&ccedil;&atilde;o, foi de certeza uma valiosa e privilegiada oportunidade a interpelar-nos em ordem ao dinamismo co-respons&aacute;vel que nos &aacute; pedido como pedras vivas da Igreja a que pertencemos. A luz que recebemos abriu-nos perspectivas e possibilidades de testemunho e de ac&ccedil;&atilde;o que iremos concretizar no nosso ambiente de fam&iacute;lia, de trabalho e de conviv&ecirc;ncia, na nossa comunidade paroquial.<\/p>\n<p>Aproveito esta ocasi&atilde;o para testemunhar a todos o meu apre&ccedil;o e gratid&atilde;o pela dedica&ccedil;&atilde;o generosa e tantas vezes sacrificada, de que sois exemplo, nas vossas par&oacute;quias, na edifica&ccedil;&atilde;o do Reino e na implanta&ccedil;&atilde;o corajosa da Verdade, que Jesus referiu no di&aacute;logo do Evangelho, at&eacute; &agrave; vit&oacute;ria desta Verdade sobre o erro, sobre as atitudes conden&aacute;veis, hoje t&atilde;o comuns, de falsa acomoda&ccedil;&atilde;o e toler&acirc;ncia amb&iacute;gua, n&atilde;o obstante apresentarem-se como cultura moderna e expoente de progresso. Quero significar e sublinhar o meu especial reconhecimento para com as pessoas, familiares e n&atilde;o familiares, que acompanham os nossos sacerdotes nas suas resid&ecirc;ncias. Trata-se duma ocupa&ccedil;&atilde;o muito discreta e humilde, quase impercept&iacute;vel, mas com um relevo e import&acirc;ncia extraordin&aacute;rios. Anjos da Guarda dos nossos Padres, garantem a normalidade da sua miss&atilde;o e at&eacute; o equil&iacute;brio psicol&oacute;gico no seu desempenho. Pessoas sempre presentes e actuantes, frequentemente esquecidas e &agrave;s vezes incompreendidas, manifestam em todas as circunst&acirc;ncias um sorriso de disponibilidade que apazigua.<\/p>\n<p>O pr&oacute;ximo ano vai ser amplamente enriquecido com a gra&ccedil;a da vinda de Sua Santidade Bento XVI a Portugal. Todos quereremos v&ecirc;-lo perto, mas que sintamos a necessidade de aproximar-nos dele com a mesma f&eacute; que arrastava as multid&otilde;es ao encontro de Jesus, &aacute;vidas da Verdade que saia da Sua boca e que para todos era a resposta que inundava de paz os ouvintes, e transmitia sentido ao viver. Preparemos particularmente o nosso interior para este encontro, comprometendo o nosso cora&ccedil;&atilde;o com a mensagem que nos comunicar.<\/p>\n<p>Que Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios, a Mulher Eucar&iacute;stica e M&atilde;e dos Sacerdotes, S. Sebasti&atilde;o e S. Agostinho, nossos Padroeiros, S. Jo&atilde;o Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, intercedam por todos os fi&eacute;is da Diocese de Lamego.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez mais nos reunimos na Igreja M&atilde;e de Lamego para viver o Memorial da Paix&atilde;o e Morte do Senhor, da Sua Ressurrei&ccedil;&atilde;o e Glorifica&ccedil;&atilde;o. Celebramos a Solenidade de Cristo Rei. 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