{"id":420686,"date":"2026-04-16T09:42:16","date_gmt":"2026-04-16T08:42:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=420686"},"modified":"2026-04-14T17:45:21","modified_gmt":"2026-04-14T16:45:21","slug":"a-igreja-portuguesa-de-pe-junto-a-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-portuguesa-de-pe-junto-a-cruz\/","title":{"rendered":"A Igreja portuguesa de p\u00e9 junto \u00e0 cruz"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-321545 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Perdoem-me os dois ou tr\u00eas leitores desta coluna, mas parece necess\u00e1rio voltar \u00e0 conhecida quest\u00e3o dos abusos e \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de pagar indemniza\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas. Os epis\u00f3dios que tem tido este doloroso processo t\u00eam causado esc\u00e2ndalo em bastantes pessoas das que ainda olham os sacerdotes com algum respeito e alguma esperan\u00e7a. Por isso, n\u00e3o podemos encerrar o assunto com o apoio psicol\u00f3gico e a compara\u00e7\u00e3o com a jurisprud\u00eancia penal. Esse pagamento faz parte do processo de solu\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida. N\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 em causa. \u00c9 algo anterior que pode levar-nos a dizer que a Igreja n\u00e3o tem estado de p\u00e9, como \u00e9 sua miss\u00e3o e seu dever. O que vai ser dito, seguidamente, sup\u00f5e tamb\u00e9m o eventual d\u00e9ficit de informa\u00e7\u00e3o, pois apenas conhecemos o que nos dizem os meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Mas isso \u00e9 uma parte do mesmo problema e n\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o tem estado de p\u00e9 porque n\u00e3o tem enfrentado o assunto segundo a sua miss\u00e3o de praticar o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o que lhe est\u00e1 confiado.<\/p>\n<p>Da reconcilia\u00e7\u00e3o faz parte a clara confiss\u00e3o do problema. Ora, isso nunca aconteceu. \u00c9 necess\u00e1rio reconhecer que os abusos foram uma pr\u00e1tica, de certo modo sist\u00e9mica, bem como o seu ocultamento deliberado. A Igreja tem de cair em si e analisar com muita hombridade este ponto. Reparemos que os abusos s\u00e3o mais velhos que a Igreja, pois j\u00e1 s\u00e3o testemunhados na antiguidade, e mais amplos que o mundo crist\u00e3o. As crian\u00e7as foram abusadas desde sempre. Isso n\u00e3o nos consola, mas ajuda-nos a ver o problema.<\/p>\n<p>Deste processo de reconcilia\u00e7\u00e3o faz parte tamb\u00e9m uma ilumina\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e moral. Esta ilumina\u00e7\u00e3o pode ser ajudada pelas ci\u00eancias humanas que tipificam as condi\u00e7\u00f5es em que a personalidade de certas pessoas pode ser levada para essa forma de relacionamento doentio. A teologia moral, por sua vez, v\u00ea a\u00ed uma clara forma de convers\u00e3o imperfeita ou mesmo ausente, car\u00eancia que explica a incapacidade das pessoas para o relacionamento afectivo e para a amizade entre pessoas iguais e adultas. Isso faz parte do que chamamos pecado. \u00a0Quando esta imaturidade medra no contexto de um falso misticismo, ent\u00e3o a coisa torna-se tr\u00e1gica. S\u00f3 um processo pessoal de ilumina\u00e7\u00e3o e de metanoia pode fazer crescer o ser humano culpado. Esse processo \u00e9 doloroso at\u00e9 \u00e0 heroicidade, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. A pastoral vocacional, do passado, viu sinais de voca\u00e7\u00e3o em diversas pessoas que apenas demandavam a Igreja em busca do sacerd\u00f3cio para expandir a sua doen\u00e7a ps\u00edquica n\u00e3o curada.<\/p>\n<p>Reparemos que a quest\u00e3o dos abusos n\u00e3o \u00e9 assunto que se resolve com solu\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias. O abuso \u00e9 um abismo da alma humana que sempre mostrar\u00e1 as suas faces. O processo de reconcilia\u00e7\u00e3o tem de reconhecer a necessidade de uma cont\u00ednua vigil\u00e2ncia para ser enfrentado. Podemos estar gratos ao tempo que vivemos, pois, a sensibilidade \u00e9tica para reconhecer a dignidade das crian\u00e7as e deficientes cresceu enormemente. Isso tamb\u00e9m por influxo do Evangelho.<\/p>\n<p>A Igreja tem, pois, de se levantar e ficar de p\u00e9 junto \u00e0 cruz. Qualquer outra posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o lhe serve. Tem de mostrar a sua per\u00edcia em teologia moral e em pastoral da reconcilia\u00e7\u00e3o. \u00c9 incompreens\u00edvel que a Igreja ainda n\u00e3o tenha feito uma exposi\u00e7\u00e3o ampla da vis\u00e3o teol\u00f3gica e pastoral do problema dos abusos. Tem de o fazer para ter efeitos dentro das suas fileiras e evitar a morte deliberada que diversos dos seus membros j\u00e1 se autoimpuserem neste contexto dos abusos. Mas tem de dar essa oferta como contributo ao nosso tempo que se tem esfor\u00e7ado por melhorar a sorte das pessoas abusadas.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270870,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-420686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=420686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=420686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=420686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=420686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}