{"id":42047,"date":"2009-11-23T13:40:49","date_gmt":"2009-11-23T13:40:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/23\/homilia-do-bispo-de-viseu-na-solenidade-de-cristo-rei\/"},"modified":"2009-11-23T13:40:49","modified_gmt":"2009-11-23T13:40:49","slug":"homilia-do-bispo-de-viseu-na-solenidade-de-cristo-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-viseu-na-solenidade-de-cristo-rei\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Viseu na Solenidade de Cristo Rei"},"content":{"rendered":"<p>A Solenidade de Cristo, Rei e Senhor do Universo, conclui o ano lit&uacute;rgico, colocando tudo o que somos e temos nas m&atilde;os de Jesus, Filho de Deus, o Pantocrator &ndash; Aquele por Quem tudo foi criado e Aquele que Deus Pai e Criador colocou &agrave; frente de todas as criaturas e de todos os bens.<\/p>\n<p>O bem fundamental e base de todos os outros bens, &eacute; o da vida. Hoje &eacute;, pois, o Dia da Vida e o Dia do Senhor da vida, o &uacute;nico que tem o poder de a tirar, pois &eacute; o &uacute;nico, tamb&eacute;m, que tem a capacidade de a dar.<\/p>\n<p>Celebrar, hoje, Jesus com este t&iacute;tulo &ndash; de Rei e Senhor &ndash; parece n&atilde;o ter cabimento&hellip; E n&atilde;o mesmo se, por Rei e Reino, pensamos em nobreza e riqueza, em pal&aacute;cios e ex&eacute;rcitos. Mas este Rei e Senhor &eacute; especial&hellip; N&atilde;o tem pal&aacute;cio, nem ex&eacute;rcito, nem poder, nem riqueza. Al&eacute;m disso, a Sua vida &eacute; pouco recomend&aacute;vel. Junta-se aos pobres &ndash; a quem alimenta; aparece com pecadores &ndash; a quem perdoa; acolhe os marginais, os exclu&iacute;dos e os pequenos &ndash; que declara serem os primeiros no Seu Reino.<\/p>\n<p>Quando lhe &eacute; perguntado, como ouvimos no Evangelho de hoje, se na verdade era rei, Ele responde sem hesitar, mas acrescenta o lugar (n&atilde;o &eacute; deste mundo), a sua constitui&ccedil;&atilde;o (verdade), os membros (seguidores da verdade), os destinat&aacute;rios (todos) e as condi&ccedil;&otilde;es: construir a verdade, a vida, a justi&ccedil;a, o amor. Os que ouvem a verdade seguem-no e imitam-no, servindo os irm&atilde;os&hellip; <em>De facto, n&atilde;o pode ser deste mundo&hellip;<\/em><\/p>\n<p>S&atilde;o v&aacute;rias as t&oacute;nicas deste Reino, para al&eacute;m das diferen&ccedil;as externas: reina nos cora&ccedil;&otilde;es, na interioridade. O Seu Reino est&aacute; dentro de n&oacute;s. Al&eacute;m disso, este Rei n&atilde;o vem para ser servido. Ele &eacute; Quem serve e, a tal ponto, que Se entrega e d&aacute; a vida. <em>De facto, n&atilde;o &eacute; deste mundo!&#8230;<\/em> Por&eacute;m, apresentando o Seu Reino e condi&ccedil;&otilde;es, torna-se exigente, n&atilde;o Se compadece com t&iacute;bios ou hesitantes (quem p&otilde;e as m&atilde;os no arado) e n&atilde;o Se deixa substituir nem deixa partilhar o Seu lugar: &ldquo;n&atilde;o podeis servir a 2 senhores&rdquo;, diz Jesus com muita clareza. O Seu amor &eacute; radical e n&atilde;o admite neutralidades, hipocrisias ou jogos de conveni&ecirc;ncias ou de interesses (&ldquo;por Mim ou contra Mim&rdquo;). <em>N&atilde;o pode ser deste mundo!&#8230;<\/em><\/p>\n<p>As caracter&iacute;sticas que d&aacute; ao Seu Reino n&atilde;o est&atilde;o em saldo nem vendem jornais nem fazem primeiras p&aacute;ginas. Tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m muita sa&iacute;da e, talvez mesmo, n&atilde;o estejam muito na moda. &Eacute; um Reino de verdade e de vida; de santidade e de gra&ccedil;a; de justi&ccedil;a e de solidariedade; de amor e de paz; de liberdade e de perd&atilde;o; de alegria e de toler&acirc;ncia; de humildade e de mansid&atilde;o; de pobreza e de pureza&#8230; Numa palavra, &eacute; o Reino das Bem-aventuran&ccedil;as&hellip; Este Reino que se apresenta na 1&ordf; leitura como &ldquo;eterno e que n&atilde;o ser&aacute; destru&iacute;do&rdquo;, pois o Rei &eacute; o &ldquo;Alfa e o &Oacute;mega, Aquele que &eacute;, que era e que h&aacute;-de vir, o Senhor do Universo&rdquo;, como se l&ecirc; no Livro do Apocalipse, proclamado na 2&ordf; leitura. <em>Ainda n&atilde;o &eacute; o Reino implantado neste nosso mundo!&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Por&eacute;m, &eacute; a este Reino que Ele chama os Seus membros, os Seus amigos e seguidores&hellip; embora haja muitos que n&atilde;o querem nada com Ele. Uns porque O n&atilde;o conhecem; outros porque n&atilde;o querem trabalhos; outros porque se deixam seduzir por alternativas&hellip;V&atilde;o andando por a&iacute; mas nunca se comprometem muito e, &agrave;s tantas, dizem mesmo N&Atilde;O e fogem. Abandonam o barco onde entraram&hellip; sem assumirem compromissos&hellip; E, hoje, ser Crist&atilde;o &eacute; estar comprometido com a constru&ccedil;&atilde;o do bem comum, com a constru&ccedil;&atilde;o da igualdade justa e solid&aacute;ria, com o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, &agrave; hipocrisia e &agrave; mentira&hellip; &Eacute; estar comprometido com a leitura crist&atilde; do Evangelho&hellip; &Eacute; estar comprometido com Jesus Cristo&hellip;<\/p>\n<p>E eu vejo aqui &ndash; e vejo em todas as Comunidades da nossa Diocese &ndash; pessoas comprometidas em diversas frentes. Vejo aqui um grupo de pessoas que representam uma gloriosa hist&oacute;ria de compromisso na fidelidade e no amor &agrave; Igreja. Hist&oacute;ria gloriosa que h&aacute; pouco celebrou 75 anos de exist&ecirc;ncia &ndash; a AC. Movimento inspirador e modelo de actua&ccedil;&atilde;o, no estudo e na transforma&ccedil;&atilde;o das coisas terrenas segundo o projecto do Reino de Deus. Combate, durante estes anos, o d&eacute;fice, agora cada vez maior, de secularidade positiva e dialogante com o mundo. O m&eacute;todo que orienta a sua pedagogia de ver, julgar e agir, leva a olhar e a comprometer-se com as realidades terrenas, deixa-se iluminar pela Palavra de Deus e Seus valores e inspira um compromisso s&eacute;rio, empenhado e l&uacute;cido pela transforma&ccedil;&atilde;o do mundo. Sim, importa assumir as consequ&ecirc;ncias das op&ccedil;&otilde;es, das atitudes, dos sinais exteriores e das palavras&hellip; para que a F&eacute; crist&atilde; n&atilde;o seja uma vida de mentira, de hipocrisia e de incoer&ecirc;ncia&hellip;<\/p>\n<p>Car&iacute;ssimos Crist&atilde;os: a op&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de vida &eacute; um compromisso s&eacute;rio. Sup&otilde;e uma resposta positiva a uma proposta vocacional. Responder SIM, significa querer dar uma configura&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria &agrave; vida, orientando-a pelos valores do Reino&hellip; Significa estar disposto a ser crist&atilde;o nas op&ccedil;&otilde;es e no estilo de ser pessoa e de estar no mundo. O crist&atilde;o orienta-se por valores que d&atilde;o sentido &agrave; vida: verdade, justi&ccedil;a, amor, perd&atilde;o, solidariedade&hellip;<\/p>\n<p>N&atilde;o temamos as responsabilidades, pois o Senhor est&aacute; e caminha connosco&hellip; A n&oacute;s vem o Esp&iacute;rito Santo, com os Seus dons, para ajudar a que tudo seja mais f&aacute;cil, a que tudo tenha sentido, a que haja coragem e for&ccedil;as para tudo ser poss&iacute;vel e, sobretudo, a que haja alegria, muita alegria, para viver a f&eacute; e a esperan&ccedil;a em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Celebrar Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo &eacute; viver com o Esp&iacute;rito Santo e escolher o que &eacute; bom, belo e verdadeiro, dando o contributo para que a sociedade seja melhor, mais bela, mais justa e mais verdadeira. Faltam estes valores &ndash; muitas vezes &ndash; nas fam&iacute;lias, nas escolas, na pol&iacute;tica, na economia, nas associa&ccedil;&otilde;es, nos grupos, na comunica&ccedil;&atilde;o social&hellip; S&atilde;o campos de trabalho onde v&oacute;s, os crist&atilde;os leigos, deveis trabalhar&hellip; Queixamo-nos que o mundo est&aacute; mal, que n&atilde;o h&aacute; respeito nem valores! Que fazemos n&oacute;s, crist&atilde;os, para o mundo ser melhor?<\/p>\n<p>Queixamo-nos da Igreja: que n&atilde;o chama os jovens, que n&atilde;o atrai as pessoas, que &eacute; antiquada ou conservadora!&#8230; Que fazemos n&oacute;s, os que c&aacute; andamos, para chamar e tornar atraente a participa&ccedil;&atilde;o?&#8230; Como vivemos as nossas rela&ccedil;&otilde;es em fam&iacute;lia, no trabalho, na escola, nas ruas?&#8230; Que testemunho damos aos que n&atilde;o pensam como n&oacute;s?&#8230; Que consequ&ecirc;ncias t&ecirc;m as nossas celebra&ccedil;&otilde;es, a nossa ora&ccedil;&atilde;o, a nossa f&eacute;?&#8230;<\/p>\n<p>Ser crist&atilde;o &eacute; querer ser diferente, &eacute; votar de maneira diferente, sempre que est&atilde;o em jogo valores fundamentais e decisivos do viver humano e &eacute; viver de maneira diferente&hellip; &Eacute; querer ser activo e participativo na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade melhor e de uma Igreja mais aut&ecirc;ntica, mais evang&eacute;lica e mais renovada. &Eacute; levar para a vida a for&ccedil;a, a luz e a f&eacute; que nos v&ecirc;m do Esp&iacute;rito Santo e dos Seus dons&#8230; S&oacute; assim tem sentido estar aqui, cada Domingo e fazer a Profiss&atilde;o de F&eacute;, cada Domingo, de forma s&eacute;ria, respons&aacute;vel e solene.<\/p>\n<p>O dia de Cristo Rei marca o final de uma etapa e aponta para uma novidade que deve come&ccedil;ar por ser interior e pessoal. Importa que essa novidade venha do cora&ccedil;&atilde;o, da consci&ecirc;ncia, do interior de cada um.<\/p>\n<p>Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo e dos nossos cora&ccedil;&otilde;es! Tu chamas cada um a ser feliz, num caminho de servi&ccedil;o, onde a vida tenha valor e sentido. Envia sobre n&oacute;s o Teu E. Santo para que em todos n&oacute;s Ele derrame os Seus dons. Torna-nos generosos e dispon&iacute;veis para aceitarmos, com alegria, a Tua vontade. Entra e fica no nosso cora&ccedil;&atilde;o para nos deixarmos inflamar pelo Teu amor, para que sejamos activos construtores do Teu Reino de paz, de justi&ccedil;a e de verdade. Tudo isto n&oacute;s pedimos, ao Teu e nosso Pai, que &eacute; Fonte de Vida, Contigo e com o E. Santo.<\/p>\n<p>AMEN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Solenidade de Cristo, Rei e Senhor do Universo, conclui o ano lit&uacute;rgico, colocando tudo o que somos e temos nas m&atilde;os de Jesus, Filho de Deus, o Pantocrator &ndash; Aquele por Quem tudo foi criado e Aquele que Deus Pai e Criador colocou &agrave; frente de todas as criaturas e de todos os bens. 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