{"id":42039,"date":"2009-11-23T12:15:38","date_gmt":"2009-11-23T12:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/11\/23\/a-realeza-de-cristo-esta-no-bem-comum\/"},"modified":"2009-11-23T12:15:38","modified_gmt":"2009-11-23T12:15:38","slug":"a-realeza-de-cristo-esta-no-bem-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-realeza-de-cristo-esta-no-bem-comum\/","title":{"rendered":"A Realeza de Cristo est\u00e1 no Bem Comum"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga na celebra\u00e7\u00e3o de encerramento da Semana Social de 2009 <!--more--> <\/p>\n<p>A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, teve diversas interpreta&ccedil;&otilde;es ao longo da hist&oacute;ria. Recordamos, ainda, o compromisso, atrav&eacute;s duma interpreta&ccedil;&atilde;o literal, para que Cristo reinasse verdadeiramente em todos os ambientes, exigindo uma milit&acirc;ncia organizada e realizadora de actos tendencionalmente triunfalistas. A partir da comunidade o mundo deveria ser conquistado.<\/p>\n<p>Hoje sabemo-nos e orgulhamo-nos de ser cidad&atilde;os no mundo com um projecto especificamente dominado pelo amor. O amor que &eacute; Deus e que deve ser acolhido e doado. Ele &eacute; &ldquo;derramado nos nossos cora&ccedil;&otilde;es pelo Esp&iacute;rito Santo&rdquo; (Rom 5,5) e a partir da&iacute; torna-se um &ldquo;Amor criador&rdquo; ou seja, fonte duma sociedade nova. Somos &ldquo;destinat&aacute;rios do amor de Deus&rdquo; numa experi&ecirc;ncia gratificante e marcada pelo sentido de plenitude e aceitamos ser &ldquo;sujeitos&rdquo; do mesmo amor para, como instrumentos humildes, &ldquo;difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade&rdquo; (C. in. V. 5).<\/p>\n<p>Esta &eacute; a realeza de Cristo que, n&atilde;o sendo deste mundo, est&aacute; neste mundo e permite que Ele seja &ldquo;aquele que &eacute;, que era e que h&aacute;-de vir&rdquo; (Ap 1, 8).<\/p>\n<p>O triunfalismo desaparece mas o Seu esp&iacute;rito vivifica e gera uma sociedade pautada por crit&eacute;rios de igualdade e dignidade de todas as pessoas humanas com a consequente experi&ecirc;ncia de fraternidade universal. E da&iacute; que o caminho da Igreja deve ser uma consciente &ldquo;proclama&ccedil;&atilde;o da verdade do amor de Cristo na sociedade&rdquo;.<\/p>\n<p>Tornando a caridade verdadeira, no pensamento do Papa Bento XVI, a vida do disc&iacute;pulo de Cristo deve assumir crit&eacute;rios orientadores onde o bem comum aparece como objectivo primordial. Possu&iacute;do pelo amor criativo compromete-se na prossecu&ccedil;&atilde;o do &ldquo;bem de todos os homens e do homem todo&rdquo;, sabendo que ningu&eacute;m se pode fechar em si mas que deve interpretar o seu agir como um ser &ldquo;com&rdquo; e &ldquo;pelos&rdquo; outros. Ao lado das pessoas, todas as formas de sociabilidade &ndash; fam&iacute;lia, empresas, associa&ccedil;&otilde;es, estado, autarquias&hellip; &#8211; ter&atilde;o de reconhecer o bem comum como &ldquo;o constitutivo do seu significado e da aut&ecirc;ntica raz&atilde;o do ser da sua subsist&ecirc;ncia&rdquo; (Pacem in terris 1963).<\/p>\n<p>Se o bem comum orienta o agir das pessoas e das associa&ccedil;&otilde;es, a Igreja e os crist&atilde;os comprometem-se com ele para que o seu agir se torne sinal interpelativo. N&atilde;o basta exigir do Estado uma lei que reconhe&ccedil;a que ao lado do bem individual deve estar o bem comum, como &ldquo;o bem daquele, n&oacute;s &ndash; todos&rdquo;, formado por indiv&iacute;duos, fam&iacute;lias e grupos interm&eacute;dios que se unem em comunidade social.&rdquo; Hoje, mais do que nunca, o crist&atilde;o &ldquo;&eacute; chamado&rdquo; conforme a sua voca&ccedil;&atilde;o e segundo as suas possibilidades, a &ldquo;incidir na polis&rdquo;, mostrando uma preocupa&ccedil;&atilde;o em dar resposta &agrave;s necessidades reais de todos os cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>S&atilde;o muitas as exig&ecirc;ncias do mesmo bem comum que a Igreja n&atilde;o pode ignorar. &ldquo;O empenho na paz, a organiza&ccedil;&atilde;o dos poderes do Estado, uma s&oacute;lida ordem jur&iacute;dica, a protec&ccedil;&atilde;o do ambiente, a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os essenciais &agrave;s pessoas, alguns dos quais s&atilde;o, ao mesmo tempo, direitos do homem: alimenta&ccedil;&atilde;o, habita&ccedil;&atilde;o, trabalho, educa&ccedil;&atilde;o e acesso &agrave; cultura, sa&uacute;de, transportes, livre circula&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es e tutela da liberdade religiosa&rdquo; n&atilde;o podem ser afastadas da agenda do agir do crist&atilde;o e das diversas inst&acirc;ncias eclesiais.<\/p>\n<p>Como Igreja teremos de renovar o nosso compromisso de mostrar que, sem um trabalho s&eacute;rio por parte de todos, o desenvolvimento nunca encontrar&aacute; express&otilde;es de verdadeira dignidade para todas as pessoas. Ao mesmo tempo, teremos que exercer uma atitude cr&iacute;tica e n&atilde;o ter medo de exercer press&atilde;o para que as diversas inst&acirc;ncias o respeitem e promovam. O Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igreja deixa-nos uma recomenda&ccedil;&atilde;o pertinente e responsabilizante. &ldquo;O bem comum exige ser servido plenamente, n&atilde;o segundo vis&otilde;es redutoras subordinadas &agrave;s vantagens parciais que dele se podem retirar, mas com base numa l&oacute;gica que tende &agrave; mais ampla responsabiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (C.D.S.I. 166).<\/p>\n<p>Esta Semana Social, na linha das anteriores, deveria dar-nos uma maior sensibilidade e coragem para lutar contra todas as vis&otilde;es redutoras e parciais no duplo sentido da palavra, ou seja, em termos de n&atilde;o pensar em todos e de n&atilde;o integrar todas as dimens&otilde;es no aut&ecirc;ntico desenvolvimento. Quando se impede e n&atilde;o se reconhece a dimens&atilde;o transcendente da pessoa estamos a mutilar a verdadeira realiza&ccedil;&atilde;o humana e a ofender uma das exig&ecirc;ncias do bem comum; quando se favorecem grupos ou se desconsideram os mais fr&aacute;geis e marginalizam as minorias, permitimos que a desigualdade cres&ccedil;a e que existam privilegiados e protegidos. Da&iacute; que, em nome do bem comum, importa acreditar que a viv&ecirc;ncia da caridade na verdade se pode expressar na luta pelo bem de todos e pela den&uacute;ncia de situa&ccedil;&otilde;es reais lesivas da dignidade. A ac&ccedil;&atilde;o da Igreja tamb&eacute;m passa por aqui e os leigos, na caracter&iacute;stica duma voca&ccedil;&atilde;o de compromisso especial com as realidades terrestres, n&atilde;o podem esquecer este compromisso, refugiando-se num devocionismo intimista ou concentrando-se num trabalho pastoral no &acirc;mbito restrito das comunidades.<\/p>\n<p>A Solenidade que hoje celebramos aponta este horizonte do Verdadeiro Reino de Cristo. Ele acontece na justi&ccedil;a, na igualdade, na fraternidade, na solidariedade. Ignorar estes valores e esquecer um compromisso para que eles permeiem o tecido da sociedade hodierna pode conduzir-nos a reconhecer que Cristo &ldquo;era&rdquo; pessoa renovadora da comunidade e que &ldquo;hoje&rdquo; perde a sua incid&ecirc;ncia sem nos dar a certeza da Sua presen&ccedil;a no cora&ccedil;&atilde;o das pessoas nos tempos que &ldquo;h&atilde;o-de vir&rdquo;.<\/p>\n<p>O hoje de Portugal e do mundo est&aacute; a solicitar menor triunfalismo por parte da Igreja, mas maior empenho e presen&ccedil;a nas realidades terrestres. A nossa demiss&atilde;o permite que outro modelo da sociedade avance. N&atilde;o temos consci&ecirc;ncia disto?<\/p>\n<p>&Eacute; tempo de acordar para a luta e promo&ccedil;&atilde;o do Bem Comum.<\/p>\n<p><em>Aveiro (S&eacute; Catedral) 22-11-09<br \/>D. Jorge Ortiga, A.P. de Braga e Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga na celebra\u00e7\u00e3o de encerramento da Semana Social de 2009<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,170,172,272,309,314],"class_list":["post-42039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-braga","tag-pacem-in-terris","tag-semana-social","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42039\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}