{"id":419910,"date":"2026-04-12T09:31:13","date_gmt":"2026-04-12T08:31:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=419910"},"modified":"2026-04-09T17:40:59","modified_gmt":"2026-04-09T16:40:59","slug":"igreja-continente-africano-e-tido-so-como-um-lugar-para-se-extrair-riqueza-e-materia-prima-d-jose-manuel-imbamba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-continente-africano-e-tido-so-como-um-lugar-para-se-extrair-riqueza-e-materia-prima-d-jose-manuel-imbamba\/","title":{"rendered":"Igreja: \u00abContinente africano \u00e9 tido s\u00f3 como um lugar para se extrair riqueza e mat\u00e9ria-prima\u00bb &#8211; D. Jos\u00e9 Manuel Imbamba"},"content":{"rendered":"<p><em>Bispo de Saurimo e presidente da Confer\u00eancia Episcopal de Angola, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da ECCLESIA, a poucos dias da visita do Papa ao pa\u00eds lus\u00f3fono<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_391301\" aria-describedby=\"caption-attachment-391301\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-391301 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jose-imbamba1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jose-imbamba1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jose-imbamba1-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jose-imbamba1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jose-imbamba1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/jose-imbamba1-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-391301\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Angola vai receber dentro de alguns dias a visita do Papa Le\u00e3o XIV. A Confer\u00eancia Episcopal Angolana sublinhou recentemente que esta ser\u00e1 uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para curar as feridas internas de Angola. Que feridas concretas, a n\u00edvel social, pol\u00edtico e espiritual, \u00e9 que precisam de ser saradas com mais urg\u00eancia no pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Angola vive um processo de reconcilia\u00e7\u00e3o. Depois dos anos de guerra fratricida que vivemos e 24 anos de paz efetiva, ainda sentimos que h\u00e1 fissuras na nossa consci\u00eancia, h\u00e1 fissuras no modo como n\u00f3s narramos a nossa hist\u00f3ria, h\u00e1 fissuras nas pr\u00f3prias mem\u00f3rias hist\u00f3ricas. E fissuras essas que n\u00e3o ajudam a criar aquela cidadania que todos n\u00f3s pretendemos. O pa\u00eds est\u00e1 excessivamente partidarizado, o pa\u00eds est\u00e1 empobrecido, o pa\u00eds est\u00e1 com assimetrias muito acentuadas e tudo isto fere a paz, fere a reconcilia\u00e7\u00e3o, fere a harmonia que todos n\u00f3s pretendemos enquanto cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 por isso que fazendo jus ao lema da pr\u00f3pria visita do Santo Padre, \u201cPeregrino de Esperan\u00e7a, Reconcilia\u00e7\u00e3o e Paz\u201d, queremos verdadeiramente sentir esta renova\u00e7\u00e3o, esta interpela\u00e7\u00e3o, esta capacidade de ir ao encontro do irm\u00e3o e abra\u00e7\u00e1-lo, esta capacidade de nos aceitarmos apesar das nossas diferen\u00e7as, essa capacidade de fazermos, digamos assim, um exorcismo \u00e0 nossa pr\u00f3pria maneira de viver a nossa hist\u00f3ria e tudo aquilo que aconteceu. Porque os assombramentos do passado ainda continuam a impedir o abra\u00e7o fraterno. Os assombramentos do passado continuam a impedir o reconhecimento do m\u00e9rito, o reconhecimento da cidadania, o reconhecimento do outro independentemente das suas filia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A crise social no \u00faltimo ano provocou muitos protestos de rua, que n\u00f3s tamb\u00e9m acompanhamos desde c\u00e1. A situa\u00e7\u00e3o hoje est\u00e1 mais est\u00e1vel?<\/em><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 est\u00e1vel, aquela foi uma fase cr\u00edtica que n\u00f3s vivemos naquela altura, mas o calor social continua alto, porquanto os problemas ainda continuam sendo adiados. H\u00e1 muito desemprego, muita insatisfa\u00e7\u00e3o, as pol\u00edticas p\u00fablicas ainda n\u00e3o conseguem dar as respostas esperadas. E \u00e9 claro, apesar dessa estabilidade, apesar dessa harmonia que se faz sentir, mas as tens\u00f5es sociais ainda se mant\u00eam vivas, por causa da vida, cara, que os cidad\u00e3os est\u00e3o a experimentar. Isso est\u00e1 a provocar muito a fuga dos jovens para outras paragens do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Le\u00e3o XIV vai a regi\u00f5es onde anteriores Papas n\u00e3o estiveram, \u00e9 o caso da Diocese de Saurimo, onde D. Jos\u00e9 \u00e9 bispo. Teve influ\u00eancia na escolha desta etapa da viagem?<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 certo ponto, sim, posso assumir isso, por uma raz\u00e3o muito simples: as anteriores visitas papais tiveram lugar no norte da Angola, no litoral, no centro-sul, e nunca o leste tinha sido visitado. Tendo havido esta oportunidade, claro, era a hora da regi\u00e3o leste tamb\u00e9m poder acolher um Papa. E \u00e9 o que est\u00e1 a acontecer, \u00e9 o que vai acontecer.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Saurimo tem registado um crescimento demogr\u00e1fico, tamb\u00e9m devido \u00e0 chegada de migrantes em fuga de zonas de conflito. Que mensagem \u00e9 que o Papa pode transmitir \u00e0 \u00c1frica, ao mundo, a partir desta regi\u00e3o concreta de Angola?<\/em><\/p>\n<p>A mensagem ser\u00e1 no sentido de despertar um pouco as consci\u00eancias, quer dos nossos governantes, como as de todos aqueles que exploram min\u00e9rio nesta regi\u00e3o, para que valorizem mais a riqueza humana, para que valorizem mais as pessoas, as comunidades humanas, que n\u00e3o olhem s\u00f3 pela mat\u00e9ria-prima enquanto tal. Que tudo aquilo que a natureza oferece possa, de facto, valorizar mais a dignidade da pessoa humana, o desenvolvimento integral e tudo aquilo que produz felicidade e bem-estar nas pessoas.<\/p>\n<p>E, por isso, acho, \u00e9 um apelo \u00e0 justi\u00e7a social, ao respeito da dignidade humana, a n\u00e3o maltratar as pessoas. Acontecem v\u00e1rias injusti\u00e7as nas zonas de garimpo, de diamante, e tudo isto vai fazer com que o apelo \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da pessoa, da conviv\u00eancia, do desenvolvimento e da renova\u00e7\u00e3o cultural, seja reiterado pelo Santo Padre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O roteiro da visita contempla uma desloca\u00e7\u00e3o a Muxima, o cora\u00e7\u00e3o da religiosidade popular em Angola. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de colocar \u201cMama Muxima\u201d no centro desta peregrina\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a e que impacto poder\u00e1 ter nos fi\u00e9is de todo o pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>Como acabou de dizer, a Muxima hoje representa o cora\u00e7\u00e3o espiritual do nosso pa\u00eds. Todos ocorremos l\u00e1 para pedir b\u00ean\u00e7\u00e3os, gra\u00e7as e tudo aquilo que faz bem a cada fiel e \u00e0 na\u00e7\u00e3o, no seu todo. E, ademais, Muxima hoje transformou-se em um santu\u00e1rio nacional. Os Bispos da CEAST decidimos elevar \u00e0 categoria de santu\u00e1rio nacional. H\u00e1 toda uma envolv\u00eancia transformada, o governo da Angola tomou esta brilhante iniciativa de transformar a Vila da Muxima no seu todo, o que est\u00e1 a incluir tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica Mama Muxima e toda a esplanada que vai comportar. Por isso, a ida do Santo Padre a este lugar sacro vai significar um reconhecimento \u00e0 devo\u00e7\u00e3o mariana, um reconhecimento hist\u00f3rico daquele lugar e tamb\u00e9m dar jus \u00e0s promessas que os papos anteriores tinham recebido dos nossos presidentes quanto \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o daquele lugar, para prestar melhor servi\u00e7o religioso a todos os peregrinos da Angola, e n\u00e3o s\u00f3, que t\u00eam beneficiado daquele lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos dias temos tido acesso a imagens televisivas em que aparece de capacete, a acompanhar os preparativos no terreno. Quais s\u00e3o os maiores desafios log\u00edsticos que a organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 a enfrentar para garantir a seguran\u00e7a, a rece\u00e7\u00e3o e a desloca\u00e7\u00e3o de milhares de fi\u00e9is?<\/em><\/p>\n<p>Estamos a trabalhar para criar todas as condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para que a visita e as celebra\u00e7\u00f5es decorram num ambiente festivo, belo e bem apresentado. Da\u00ed os trabalhos, que est\u00e3o em curso, j\u00e1 em fase final, diga-se. Eles representam tamb\u00e9m todo o esfor\u00e7o conjunto que estamos a fazer para que o Santo Padre se sinta bem acolhido e que o ambiente onde ele passar tamb\u00e9m seja digno para as grandes celebra\u00e7\u00f5es que teremos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos dias o Vaticano divulgou o Missal oficial da viagem e ele inclui inten\u00e7\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias celebra\u00e7\u00f5es, muito incisivas: pede-se o fim da corrup\u00e7\u00e3o, o al\u00edvio da pobreza, alerta-se para o desemprego que sufoca a juventude. Tendo em conta este gui\u00e3o lit\u00fargico, espera que as interven\u00e7\u00f5es do Papa possam tamb\u00e9m abanar a consci\u00eancia da classe pol\u00edtica angolana?<\/em><\/p>\n<p>Como acabei de dizer, uma visita de um Papa mexe com todos os segmentos da sociedade e \u00e9 por isso que a sua vinda \u00e9 um despertar, \u00e9 um encorajar, \u00e9 um incentivo, que vai, de uma ou de outra maneira, despertar-nos todos para as nossas responsabilidades. Para a classe pol\u00edtica, de modo particular, das responsabilidades que sobre eles pendem, no sentido de trabalharem afincadamente para o bem das comunidades e dos cidad\u00e3os. E este apelo \u00e0s lideran\u00e7as \u00e9ticas que s\u00e3o necess\u00e1rias no nosso contexto para podermos, de facto, trabalhar para o bem comum e para o bem das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O programa da visita inclui apenas um encontro com o presidente angolano no Pal\u00e1cio Presidencial, logo no primeiro dia. Seria importante, na sua opini\u00e3o, que o Papa pudesse reunir-se com outros dirigentes pol\u00edticos?<\/em><\/p>\n<p>Isto n\u00e3o est\u00e1 previsto, o \u00fanico encontro que incluir\u00e1 outros dirigentes pol\u00edticos ser\u00e1, em conjunto, na rece\u00e7\u00e3o que o Papa dar\u00e1 ao corpo diplom\u00e1tico, \u00e0 sociedade civil e aos pol\u00edticos. Mas creio que, noutros contextos, por que n\u00e3o? Os outros Papas anteriores assim o fizeram, desta vez n\u00e3o ser\u00e1 o caso, mas para eles tamb\u00e9m, uma palavra ser\u00e1 dirigida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando tamb\u00e9m para aquilo que a liturgia j\u00e1 nos vai permitindo saber, uma das inten\u00e7\u00f5es da ora\u00e7\u00e3o convida a Igreja Cat\u00f3lica em Angola a ser \u201cinstrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o, sinal de unidade\u201d, que vem muito ao encontro do lema da viagem. Como \u00e9 que avalia a capacidade da Igreja Cat\u00f3lica atuar como ponte de di\u00e1logo entre a sociedade civil e o poder pol\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p>A Igreja j\u00e1 cumpre esta miss\u00e3o. Ao longo dos anos, desde todos os tempos dos conflitos e agora na consolida\u00e7\u00e3o do processo da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o, a Igreja sempre foi uma m\u00e3e, uma medianeira, uma construtora de pontes e incentivadora de di\u00e1logos. E \u00e9 por isso que este papel continua ativo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, em novembro passado, n\u00f3s realizamos um congresso de reconcilia\u00e7\u00e3o cujos resultados foram muito bons; estamos a editar o livro para darmos sequ\u00eancia a tudo aquilo que a\u00ed se decidiu. Por isso, a Igreja continuar\u00e1 a desempenhar este seu papel. \u00c9 uma for\u00e7a viva, \u00e9 uma m\u00e3e que acolhe todos e esta voz cr\u00edtica e prof\u00e9tica que ainda ecoa por este nosso pa\u00eds para ajudar a que os valores divinos e os valores humanos n\u00e3o sejam descurados, n\u00e3o sejam desqualificados por causa das pot\u00eancias pol\u00edticas e de poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Angola celebrou em 2025 os 50 anos da independ\u00eancia, referiu-se a essa iniciativa da Igreja, o Congresso da Reconcilia\u00e7\u00e3o. As rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado est\u00e3o numa fase positiva?<\/p>\n<p>Sim, est\u00e3o numa fase muito positiva. Desde 2019 o Estado angolano e a Santa S\u00e9 assinaram um acordo-quadro que rege as nossas rela\u00e7\u00f5es. E na base deste acordo-quadro temos trabalhado, temos dialogado, temos colaborado, sem grandes sobressaltos. \u00c9 claro que este \u00e9 um trabalho muito ativo que vai continuar a ser feito, para que esta colabora\u00e7\u00e3o, este di\u00e1logo &#8211; sem nos demitirmos das nossas responsabilidades enquanto l\u00edderes espirituais e profetas -, para que Angola fale mais alto, a cidadania fale mais alto e a irmandade fale mais alto tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No dia 21 de abril, quando o avi\u00e3o papal levantar voo rumo \u00e0 Guin\u00e9 Equatorial, qual \u00e9 o maior legado, o fruto pastoral, que a Confer\u00eancia Episcopal espera que fique enraizado nas comunidades cat\u00f3licas de Angola?<\/em><\/p>\n<p>O maior legado \u00e9 mesmo aquele de sentirmos que esteve no meio de n\u00f3s o vig\u00e1rio de Cristo, que veio fortalecer a nossa f\u00e9, que nos veio encorajar para que o nosso discipulado produza mais frutos de liberta\u00e7\u00e3o, de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 um legado que nos vai animar para que a Igreja angolana seja mais din\u00e2mica, mais pr\u00f3xima das pessoas, mais solid\u00e1ria, mais coesa, uma igreja que saiba, de facto, ser boa int\u00e9rprete dos sinais de Deus nesta hist\u00f3ria que est\u00e1 a acontecer, no pa\u00eds e n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta viagem e tudo aquilo que ela representa para a Igreja Cat\u00f3lica em Angola \u00e9 um sinal importante no contexto dos 500 anos da evangeliza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A Igreja angolana \u00e9 a Igreja mais antiga na \u00c1frica subsariana. \u00c9 uma Igreja que j\u00e1 tem uma tradi\u00e7\u00e3o, tem uma cultura religiosa muito acentuada e por isso esta for\u00e7a an\u00edmica, esta for\u00e7a religiosa vai ajudar a que sejamos sempre esta presen\u00e7a viva, esta presen\u00e7a salutar, este testemunho que n\u00e3o se apaga com os ventos que correm no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A visita do Papa inclui Arg\u00e9lia, Camar\u00f5es e Guin\u00e9 Equatorial. \u00c9 importante a \u00c1frica estar no centro das aten\u00e7\u00f5es? Este roteiro \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de lembrar ao mundo que tem de olhar para a \u00c1frica?<\/em><\/p>\n<p>Claro, \u00e9 aquilo que os Papas anteriores sempre frisaram. \u00c1frica, hoje por hoje, \u00e9 o pulm\u00e3o, \u00e9 o ar novo do cristianismo para o mundo. E por isso \u00e9 uma realidade que n\u00e3o pode ser descurada.<\/p>\n<p>O continente africano est\u00e1 cheio de jovens vigorosos, jovens sonhadores, jovens corajosos a quem \u00e9 preciso dar espa\u00e7o, dar tempo para que continuem a concretizar os seus sonhos. E esta vinda do Santo Padre ao continente \u00e9 um despertar, porque infelizmente o continente africano \u00e9 tido s\u00f3 como um espa\u00e7o, como um lugar para se extrair riqueza e mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 aquela valoriza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os que constituem este continente, como se referiu naquela hist\u00f3rica que o Papa Francisco fez \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo [2023] e na veemente <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/africa-tirem-as-maos-da-republica-democratica-do-congo-diz-francisco-em-denuncia-de-genocidio-esquecido\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mensagem<\/a> que ele deixou para o mundo. Creio que \u00e9 nesta senda que n\u00f3s devemos viver e interpretar a vinda do Santo Padre, nestes tempos para a \u00c1frica. Para que a \u00c1frica seja, de facto, um continente de pessoas e n\u00e3o um continente de coisas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Saurimo e presidente da Confer\u00eancia Episcopal de Angola, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da ECCLESIA, a poucos dias da visita do Papa ao pa\u00eds lus\u00f3fono<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":391301,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[101,106,974],"class_list":["post-419910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-africa","tag-angola","tag-leao-xiv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419910\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/391301"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}