{"id":419826,"date":"2026-04-11T09:02:46","date_gmt":"2026-04-11T08:02:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=419826"},"modified":"2026-04-09T09:49:40","modified_gmt":"2026-04-09T08:49:40","slug":"aleluia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/aleluia\/","title":{"rendered":"Aleluia!"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-271042 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>No mist\u00e9rio daquela noite, uma energia celestial escancarou o sepulcro cavado na rocha de onde saiu, glorioso e vitorioso sobre a morte, o Ressuscitado da Nova P\u00e1scoa. E da Vida, Outra.<\/p>\n<p>Encontramo-nos ainda sob a luz da liturgia pascal. A\u00ed est\u00e1 essa Outra Vida, a ser celebrada com o Aleluia das n\u00fapcias do Cordeiro. A segunda vinda de Cristo come\u00e7ou com a Ressurrei\u00e7\u00e3o. O Ressuscitado floresceu em Cristo C\u00f3smico na linguagem de Teilhard de Chardin [1881-1955] que assim escreve: \u00ab<em>Cristo tem um corpo c\u00f3smico que se estende por todo o Universo.\u00bb<\/em> Aquele t\u00famulo cavado na rocha absorveu todas as mortes dos mortais de todos os tempos e lugares e os cemit\u00e9rios de terra passaram a ser jardins de flores da Ressurrei\u00e7\u00e3o. O fim do mundo j\u00e1 come\u00e7ou. J\u00e1 est\u00e1 a ser. \u00c9 o apocalipse do Futuro presente. \u00c9 nele que vivemos desde que a Terra foi assim cristificada, mesmo que se encontre pouco cristianizada e as guerras de todas as frentes nos entorpe\u00e7am os ouvidos e mal possamos ouvir a Palavra. Que sempre fala.<\/p>\n<p>Entretanto, as guerras n\u00e3o acabaram, e n\u00e3o houve um raio que destru\u00edsse os armamentos com que elas se fazem, mas o Ressuscitado que venceu a morte a\u00ed est\u00e1 com Nova Vida. Aleluia por tal, mesmo que o n\u00e3o possamos cantar, afinados, nos campos de guerra. Ou talvez possamos para a afugentarmos para todo o sempre.<\/p>\n<p>Aleluia. Uma palavra que possui um sabor musical. Entoado e cantado por tr\u00eas vezes na Vig\u00edlia Pascal, o som ascendente dos tr\u00eas tons desta misteriosa palavra ecoa iluminando a noite dos lugares e dos espa\u00e7os. Misteriosa palavra, misteriosa mesmo, se bem que a possamos encontrar nos dicion\u00e1rios de muitos idiomas.<\/p>\n<p>Todos o saberemos. A palavra \u201caleluia\u201d n\u00e3o s\u00f3 integra o dicion\u00e1rio de muitos idiomas, como aparece na linguagem cultual do Juda\u00edsmo e do Cristianismo. Contudo, aparecendo, embora, com alguma frequ\u00eancia no Antigo Testamento, designadamente no Salmo 150, o \u00faltimo do salt\u00e9rio, de que \u00e9 a primeira e a \u00faltima palavra, e no final do livro de Tobias [13], n\u00e3o aparece em nenhum dos quatro evangelhos can\u00f3nicos e nem sequer nas cartas de S. Paulo. Curiosamente, no Novo Testamento, o termo \u201cAleluia\u201d s\u00f3 aparece no Livro do Apocalipse [19, 1-7], o \u00faltimo dos livros que compreendem a B\u00edblia Sagrada. A\u00ed surge quatro vezes e j\u00e1 num dos \u00faltimos cap\u00edtulos, como que a anunciar um estado festivo final. E anuncia, de facto.<\/p>\n<p>\u201cAleluia\u201d, misteriosa palavra, dizia. Translitera\u00e7\u00e3o do termo hebraico \u201c<em>Halleluyah<\/em>\u201d, dizem os entendidos que \u00e9 formada pela composi\u00e7\u00e3o de \u201c<em>Hallelu<\/em>\u201d [louvar\/adorar] e \u201c<em>Yah<\/em>\u201d, forma abreviada de \u201c<em>Yahweh<\/em>\u201d [Senhor\/Jav\u00e9]. Do Hebraico passou para o Grego, do Grego para o Latim e da\u00ed para as outras l\u00ednguas, tantas, incluindo o Portugu\u00eas. Sendo assim, literalmente, \u201caleluia\u201d significar\u00e1 \u00abLouvai o Senhor\u00bb. Ou, numa express\u00e3o mais liberal e familiar entre n\u00f3s, \u00abLouvado seja Deus\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7o que a palavra \u00e9 usada noutros contextos conotando, com frequ\u00eancia, o al\u00edvio e a satisfa\u00e7\u00e3o suscitada pela supera\u00e7\u00e3o de um obst\u00e1culo que se apresentava insuper\u00e1vel ou usada com alguma comicidade numa ocorr\u00eancia de tal modo extraordin\u00e1ria que parece ferir a ordem natural das coisas. Mas isso ser\u00e1 porque primeiro, literal e realmente, aleluia \u00e9 um grito de louvor a Deus, uma palavra que \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o, uma das mais pequeninas e belas ora\u00e7\u00f5es pelas quais o fiel, rejubilando, louva. E, louvando, venera, agradece e adora Deus. Com alegria.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 pura coincid\u00eancia que o \u201cAleluia\u201d apare\u00e7a a encerrar o salt\u00e9rio e o \u201cAleluia\u201d surja a fechar a B\u00edblia Sagrada. Adentremo-nos, modestamente, neste cen\u00e1rio festivo.<\/p>\n<p>Como acontece no cap\u00edtulo final do Livro de Tobias que \u00e9 um c\u00e2ntico de louvor a terminar no \u201cAleluia\u201d entoado pelas ruas de Jerusal\u00e9m, o salmo 150 \u00e9 um hino de louvor entoado entre um \u201cAleluia\u201d inicial e outro \u201cAleluia\u201d final. Entre um e outro \u201cAleluia\u201d, aparece dez vezes o convite \u00abLouvai\u00bb. Pela grandeza das Suas obras e pela Sua infinita majestade [2], Deus deve ser louvado no santu\u00e1rio e no firmamento [1] em harmonia sinf\u00f3nica com todos os instrumentos musicais [3-5], de corda, de sopro ou de percuss\u00e3o, habitualmente utilizados no templo: com trombetas, com a lira e a c\u00edtara, com o t\u00edmpano, com a harpa e a flauta, com c\u00edmbalos sonoros e retumbantes. E tamb\u00e9m com a dan\u00e7a. A m\u00fasica orquestral dos instrumentos inventados pelo Homem para cantar no santu\u00e1rio harmoniza-se com a m\u00fasica celestial imanente ao Universo criado. Porque no princ\u00edpio tudo era bom e belo.<\/p>\n<p>O Salt\u00e9rio termina com este belo convite dirigido a toda a Humanidade: \u00ab<em>Tudo quando respira louve o Senhor<\/em>\u00bb. Um final que coroa a bem-aventuran\u00e7a dirigida ao Homem fiel no primeiro salmo: \u00ab<em>Feliz o homem [\u2026] que se compraz na lei do Senhor e nela medita dia e noite<\/em>.\u00bb [Salmo 1, 1-2]. Um in\u00edcio e um final de um c\u00edrculo de poesia e ora\u00e7\u00e3o constitu\u00eddo pelo Salt\u00e9rio.<\/p>\n<p>M\u00fasica e louvor de c\u00e1 antecipa a m\u00fasica e o louvor de L\u00e1, do Aleluia do Al\u00e9m. \u00c9 a voz do misterioso Apocalipse de Jo\u00e3o onde encontramos a palavra \u201cAleluia\u201d quatro vezes, numa esp\u00e9cie de liturgia festiva desenvolvida em tr\u00eas tempos. Primeiro [19, 1-4], em Aleluia, uma numerosa multid\u00e3o celebra, por duas vezes, a gl\u00f3ria e a vit\u00f3ria de Deus salvador que, com seus verdadeiros e justos ju\u00edzos, condenou e venceu o mal corruptor; depois vinte e quatro anci\u00e3os e os quatro seres viventes prostram-se e adoram Deus que se encontra sentado no trono e dizem: \u00ab<em>\u00c1men! Aleluia!<\/em>\u00bb, enquanto do trono sa\u00eda uma voz que dizia: \u00ab<em>Louvai o nosso Deus, v\u00f3s todos, os seus servos, v\u00f3s que o temeis, pequenos e grandes!<\/em>\u00bb Finalmente, uma numerosa multid\u00e3o, semelhando o fragor das \u00e1guas torrenciais e o estrondo de fortes trov\u00f5es, correspondeu ao convite daquela voz, entoando: \u00ab<em>Aleluia! Porque o Senhor nosso Deus, o Omnipotente, come\u00e7ou a reinar. Alegremo-nos, exultemos e d\u00eamos-lhe gl\u00f3ria, porque chegaram as n\u00fapcias do Cordeiro, e a sua esposa est\u00e1 preparada.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Termino olhando para o Cristo C\u00f3smico ao qual Teilhard de Chardin rezou e nos ensinou a rezar quando escreveu: \u00ab\u00ab<em>Quanto mais o Homem se tornar homem, mais ser\u00e1 tomado pela necessidade, uma necessidade sempre mais expl\u00edcita, mais refinada, mais luxuosa, de adorar<\/em>.\u00bb N\u00e3o ser\u00e1 bom sinal quando o Homem n\u00e3o sentir esta necessidade de adorar. Adorar que \u00e9, usando ainda palavra do Teilhard, <em>\u00abperder-se no insond\u00e1vel, mergulhar no inesgot\u00e1vel, pacificar-se no incorrupt\u00edvel, absorver-se na imensid\u00e3o definida, oferecer-se ao Fogo e \u00e0 Transpar\u00eancia.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>N\u00e3o encontramos nos Evangelhos a palavra \u201caleluia\u201d. Talvez para transpormos o Evangelho para a concretude da exist\u00eancia. Vamos, ent\u00e3o, aleluiar a vida. Com louvor, j\u00fabilo e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Apesar do calv\u00e1rio das guerras. Importa n\u00e3o desesperar da Humanidade. Importa que a f\u00e9 seja mais forte que o \u00f3dio e a soberba de alguns. Ou de muitos.<\/p>\n<p><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-419826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=419826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/419826\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=419826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=419826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=419826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}