{"id":419620,"date":"2026-04-07T11:59:04","date_gmt":"2026-04-07T10:59:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=419620"},"modified":"2026-04-07T11:59:04","modified_gmt":"2026-04-07T10:59:04","slug":"isto-parte-me-o-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/isto-parte-me-o-coracao\/","title":{"rendered":"\u201cIsto parte-me o cora\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o de um padre cat\u00f3lico entre os semi-escravos do Paquist\u00e3o<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_419621\" aria-describedby=\"caption-attachment-419621\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-419621 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/paquistao-lixeira.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-419621\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ACN<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Trabalham horas sem fim para fazerem 1200 tijolos de argila por dia e s\u00f3 ganham 4 euros por isso. Por mais que trabalhem nunca v\u00e3o conseguir sair da mis\u00e9ria absoluta. S\u00e3o semiescravos. O Padre Thomas conhece-os. S\u00e3o os seus paroquianos, tal como as mulheres e as crian\u00e7as que revolvem as imensas lixeiras a c\u00e9u aberto \u00e0 procura de qualquer coisa que possa render umas moedas para poderem comprar p\u00e3o\u2026 <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil para o Padre Thomas descobrir onde est\u00e3o os seus paroquianos. Basta ir \u00e0 lixeira a c\u00e9u aberto onde crian\u00e7as e mulheres esgaravatam o ch\u00e3o \u00e0 procura de restos de alguma coisa que possa valer algum dinheiro para poderem comprar p\u00e3o, ou ent\u00e3o na f\u00e1brica de tijolos, que na verdade n\u00e3o \u00e9 bem uma f\u00e1brica, mas sim um local onde a terra, a argila, \u00e9 colocada em moldes, amassada, e deixada a cozer ao sol. S\u00e3o tijolos artesanais, t\u00eam de ser produzidos um a um. Cada trabalhador precisa de fazer 1.200 por dia para ganhar 4 euros. T\u00eam de o fazer tamb\u00e9m para pagarem a d\u00edvida que contra\u00edram com o propriet\u00e1rio da f\u00e1brica. Na verdade, na verdade, n\u00e3o s\u00e3o trabalhadores, mas sim praticamente escravos. Os trabalhadores t\u00eam direitos. Ali, os homens que de c\u00f3coras v\u00e3o amassando a terra com as m\u00e3os, t\u00eam apenas deveres. E muitos pensam que t\u00eam sorte por poderem trabalhar. \u201cIsto parte-me o cora\u00e7\u00e3o\u201d, diz o Padre Thomas King. Por mais anos que passem nunca se habituou a ver tanto sofrimento. \u201cEm todos os meus anos aqui, o ambiente tornou-se cada vez mais dif\u00edcil\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Uma quase escravatura em pleno s\u00e9c. XXI<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores de tijolos s\u00e3o uma met\u00e1fora perfeita do que significa ser crist\u00e3o hoje em dia no Paquist\u00e3o. Formalmente, s\u00e3o cidad\u00e3os plenos, homens livres. Na verdade, n\u00e3o passam de seres miser\u00e1veis que tiveram de se endividar para l\u00e1 do que alguma vez imaginariam poss\u00edvel para conseguirem um lugar na f\u00e1brica. \u201c\u00c9 o que chamamos de trabalho for\u00e7ado, uma forma de semi-escravatura\u201d, acrescenta o sacerdote, como se fosse preciso dizer ainda alguma coisa. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel. Os que est\u00e3o ali, nas f\u00e1bricas de tijolos ou os que andam nas lixeiras a c\u00e9u aberto, s\u00e3o dos \u00faltimos da sociedade. Pertencem normalmente aos povos tribais, s\u00e3o olhados com desd\u00e9m pela sociedade, s\u00e3o vistos \u00e0s vezes mesmo com repugn\u00e2ncia. Mas para o Padre Thomas King s\u00e3o os seus paroquianos, s\u00e3o o seu povo, a sua gente.<\/p>\n<p><strong>A liberta\u00e7\u00e3o pela descoberta de Cristo<\/strong><\/p>\n<p>No Paquist\u00e3o tem vindo a acontecer uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o. Os povos tribais, os exclu\u00eddos da sociedade, normalmente s\u00e3o hindus. No entanto, ao longo dos \u00faltimos anos t\u00eam vindo a descobrir no Cristianismo uma religi\u00e3o que os olha como iguais, uma religi\u00e3o que lhes d\u00e1 a dignidade que nunca tiveram. E isso basta para se converterem. Na verdade, \u00e9 mais do que uma convers\u00e3o, \u00e9 a descoberta de que podem ser amados exactamente como s\u00e3o, com os defeitos que t\u00eam, a pobreza que arrastam de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, a mis\u00e9ria das suas vidas. \u00c9 a descoberta de que podem ser abra\u00e7ados sem esc\u00e2ndalo, sem medo, sem vergonha.<\/p>\n<p><strong>\u201cAjuda ser louco estar aqui\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAlguns tornaram-se crist\u00e3os por causa do ensinamento de Jesus de que todos s\u00e3o iguais, que o seu foco est\u00e1 nos pobres, naqueles que s\u00e3o considerados como inferiores pela sociedade\u201d, sublinha o sacerdote. Descobrem isso na mensagem de Jesus e confirmam isso na aten\u00e7\u00e3o de pessoas como o Padre Thomas, que est\u00e1 ali por eles, que se dedica a eles todos os dias do ano. Um padre que tenta promov\u00ea-los socialmente, tamb\u00e9m defendendo os seus direitos. \u201cProcuramos responder \u00e0s necessidades de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e, depois, aos que se tornam crist\u00e3os, procuramos catequizar e evangelizar, para aprofundar a sua f\u00e9. Sem d\u00favida, h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o das minorias, seja nos livros escolares, nos casamentos for\u00e7ados ou nos casos de blasf\u00e9mia contra crist\u00e3os espec\u00edficos\u201d, reconhece. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil no Paquist\u00e3o. \u00c9 raro o dia em que n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias de raptos, de viol\u00eancia, de ataques aos bairros crist\u00e3os. Mas o Padre Thomas n\u00e3o desiste. Aquele \u00e9 o seu povo, \u00e9 a sua gente. \u201cAcho que ajuda ser louco para estar aqui\u201d, diz. \u201cAinda h\u00e1 um longo caminho a percorrer, mas abra\u00e7ar a dor e o sofrimento do mundo e tentar abra\u00e7ar a esperan\u00e7a e a alegria \u00e9 ser seduzido por Deus\u201d, acrescenta o Padre Thomas King.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_80314\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lyhnrPtaMW4?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; 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